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O outro lado de mim [em Português]

Электронная книга - «O outro lado de mim [em Português]». Краткое содержание книги:

O livro traz detalhes inéditos, reveladores e sinceros, com as memórias do escritor Sidney Sheldon, um dos maiores bestsellers de toda a história, com mais de 300 milhões de livros vendidos, em 51 idiomas e em mais de 180 países. Todos os 18 romances do autor alcançaram a Lista dos Mais Vendidos. Sheldon assinou obras como 'O outro lado da meia-noite', 'A herdeira', 'A ira dos anjos', 'Juízo final', entre outros. O livro apresenta revelações sobre a vida do autor em Hollywood, ao lado de estrelas como Cary Grant, Marylin Monroe, Judy Garland, Frank Sinatra e Doris Day. 'O outro lado de mim' traz alguns detalhes sobre a vida pessoal do autor, como a infância em Chicago, em um ambiente familiar instável com as constantes discussões dos pais, a revelação de ser portador da psicose maníaco-depressiva, e muito mais.
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- Eu quero que eles se casem.

- Mort! Isso não faz sentido. Se eles...

- Queres o contrato para o programa por mais um ano? Fez-se um longo silêncio. Eu estava a ser chantageado, mas a verdade é que a estação era dele.

- Podemos conversar sobre isso?

- Não.

- Assim sendo, eu caso-os.

- Ótimo. Estás no ar no ano que vem.

Assim que o elenco soube da notícia, ficaram todos horrorizados.

- Os tipos dos negócios não deviam ser autorizados a tomar decisões criativas. Comentou Larry.

Todos os membros do elenco telefonaram a Mort, mas não serviu de nada. Ele achava-se mais esperto que qualquer um deles. Sabia o que era bom para o programa.

Para o quinto ano da Jeannie, escrevi uma cena de casamento.

Filmamos o casamento em Cape Kennedy e vários elementos da Força Aérea assistiram à cerimônia. Tentei tornar o guião o mais interessante possível, mas depois do casamento, a relação entre eles mudou tanto que a maior parte do divertimento desaparecera. No final do quinto ano, I Dream of Jeannie foi cancelado. Mort Werner pegara num programa de sucesso e destruíra-o.

Tínhamos produzido cento e trinta e nove episódios. No seu sexto ano, Jeannie entrou em reposição. Isto se passou em 1971. Esteve no ar durante mais cinco anos.

Hoje, quarenta anos depois de Jeannie ter ido para o ar pela primeira vez, a série tem sido reavivada e transmitida por todo o mundo, fazendo rir milhões de telespectadores. A cores. A Columbia está a pensar fazer dela um filme.

Na altura em que estava a produzir a Jeannie, tive uma idéia que me pareceu excitante. Era sobre um psiquiatra que alguém tentava assassinar. O que me intrigava era que, tanto quanto ele soubesse, não tinha inimigos. Mas, se era um bom psiquiatra, teria de ser capaz de perceber quem é que o queria matar e por quê.

O problema da idéia é que a achava demasiado introspectiva. Havia que entrar na cabeça do psiquiatra para perceber como é que ele resolvia os problemas. Concluí que era impossível pôr a história em forma dramática. Teria de ser uma espécie de romance, onde os pensamentos mais íntimos pudessem ser explicados ao leitor. Mas eu sabia que não era capaz de escrever um romance, por isso resolvi pôr a idéia de lado.

Groucho telefonou-me para me dizer que ia estrear na Broadway, no Imperial Theatre, uma peça de teatro chamada My’s Boys, sobre os irmãos Marx e a mãe deles. Perguntou-me se eu e a Jorja queríamos ir com ele ver a peça. Embora na altura estivesse muito ocupado com produções, disse que sim. Voamos para Nova Iorque e vimos a peça que estava muito bem feita e fomos à festa do elenco depois da sessão.

Na manhã seguinte, fomos para o aeroporto para apanhar um avião de volta a casa. Os controladores de tráfego aéreo estavam em greve. O avião começou a taxiar e ouviu-se no alto falante a voz do piloto a anunciar que teríamos uma hora de atraso devido à greve. Taxiamos de volta para a porta de embarque e, duas horas mais tarde, o piloto voltou a anunciar que havia um atraso de três horas.

Groucho tocou a campainha para chamar a assistente de bordo.

- Posso ajudá-lo, senhor Marx?

- Sim. Têm algum padre a bordo?

- Não faço idéia. Por quê?

- Alguns dos passageiros estão a ficar cheios de tesão.

O grande poeta T. S. Eliot era putativamente anti-semita. Groucho tinha uma fotografia emoldurada de Eliot numa das paredes da sua casa.

Quando lhe perguntei qual a razão, respondeu-me:

- Eliot escreveu-me a pedir uma fotografia autografada. Mandei-lhe uma e ele me devolveu. Queria uma em que eu estivesse com o meu charuto.

Eliot respeitava tanto Groucho que deixou escrito no testamento que queria que ele presidisse às suas exéquias, o que Groucho respeitou.

Shecky Greene era outro dos comediantes que encontrávamos nos famosos jantares em casa de Groucho. Uma vez perguntei-lhe qual a diferença entre um cômico e um comediante.

- Um cômico abre portas divertidas. Um comediante abre portas de forma divertida. Foi a resposta.

Shecky era um dos mais famosos números dos clubes noturnos do país. O mais interessante é que ele não tinha qualquer número. Nunca fazia dois espetáculos iguais. Entrava em palco e improvisava durante uns histéricos quarenta e cinco minutos.

Uma noite, quando estávamos a assistir a um dos seus espetáculos no hotel Sands, em Las Vegas, contou à audiência:

- O Frank Sinatra salvou-me a vida. Quando saí pela porta do palco em direção ao parque de estacionamento, três matulões começaram a bater-me. Ao fim de algum tempo, o Frank disse: ”Muito bem. Já chega”.

Depois do espetáculo, fomos até ao camarim dele nos bastidores. Eu estava intrigado.

- O que foi aquilo do Frank Sinatra?

- Sabes, eu atuo sempre antes dele. Há umas noites, contei umas piadas sobre a família dele. Depois do espetáculo, ele veio ter comigo e disse: “Shecky, nunca mais voltes a fazer isso.” Bem, vocês conhecem-me. Eu não gosto que ninguém me diga o que devo ou não devo fazer. Por isso, no espetáculo seguinte, contei mais umas piadas sobre a família dele. Quando terminei o espetáculo, fui para o parque de estacionamento e três matulões começaram a bater-me. Por fim, Frank disse: ”Já chega.” E eles desapareceram.

Conheci Frank em 1953, antes de ser famoso, quando estava na mó de baixo. O seu contrato com o estúdio terminou, o acordo com a editora discográfica fora cancelado e ninguém o queria contratar para nada. Mas, com o talento que tinha, depressa conseguiu voltar a erguer a sua carreira.

Frank Sinatra vivia segundo as suas próprias regras. A verdade é que havia vários Frank Sinatras e nunca se sabia qual deles é que se iria encontrar. Ele podia ser simpático e um amigo generoso, e podia ser um inimigo terrível.

Sinatra esteve noivo de Juliet Prowse, uma talentosa atriz e bailarina, e quando o ela mencionou a um jornal, Sinatra desfez o noivado.

Quando o letrista Sammy Cahn voou até Los Angeles e se registrou no hotel Beverly Hills, Sinatra mandou que transferissem toda a bagagem dele para a sua casa. Durante uma entrevista, Sammy Cahn mencionou o nome de Sinatra e pouco depois constatou que as suas malas tinham sido devolvidas ao hotel Beverly Hills.

Frank nunca conheceu George C. Scott, mas admirava muito o seu trabalho. Quando Scott teve um ataque cardíaco, foi Frank quem providenciou os cuidados médicos e pagou todas as contas. Ele também era extremamente generoso nas suas contribuições para obras de caridade.

Sinatra casou e posteriormente divorciou-se de Ava Gardner, mas nunca a esqueceu completamente.

Uma vez, Cari Cohn, o gerente do hotel Sands, e eu estávamos no apartamento de Sinatra a preparar-nos para ir jantar e festejar o aniversário dele. Ava estava em África a filmar Mogambo.

Frank não parecia querer sair. Por fim, perguntei:

- Frank, são dez da noite. Eu e o Cari estamos cheios de fome. De que estamos à espera?

- Estava com esperança que a Ava me telefonasse a desejar um feliz aniversário.

Durante anos, todas as quintas-feiras à noite, um grupo que se auto-intitulava ”As águias” juntava-se em minha casa para jantar e desfrutar de umas horas de conversa interessante. Todas as semanas éramos os mesmos, acompanhados pelas nossas mulheres. Sid Caesar, Steve Allen, Shecky Greene, Cari Reiner e Milton Berle. Ao longo dos anos tive o prazer de ver as carreiras deles dispararem. Aqueles eram gigantes da comédia e, à medida que as décadas passavam, percebi que estavam todos a ficar menos jovens. Em breve, estas vozes teriam desaparecido, como se nunca tivessem existido. Mas eu tive uma idéia.

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