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O outro lado de mim [em Português]

Электронная книга - «O outro lado de mim [em Português]». Краткое содержание книги:

O livro traz detalhes inéditos, reveladores e sinceros, com as memórias do escritor Sidney Sheldon, um dos maiores bestsellers de toda a história, com mais de 300 milhões de livros vendidos, em 51 idiomas e em mais de 180 países. Todos os 18 romances do autor alcançaram a Lista dos Mais Vendidos. Sheldon assinou obras como 'O outro lado da meia-noite', 'A herdeira', 'A ira dos anjos', 'Juízo final', entre outros. O livro apresenta revelações sobre a vida do autor em Hollywood, ao lado de estrelas como Cary Grant, Marylin Monroe, Judy Garland, Frank Sinatra e Doris Day. 'O outro lado de mim' traz alguns detalhes sobre a vida pessoal do autor, como a infância em Chicago, em um ambiente familiar instável com as constantes discussões dos pais, a revelação de ser portador da psicose maníaco-depressiva, e muito mais.
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- Tens por acaso uma moeda?

- Claro. Que se passa? Perguntei enquanto tirava uma moeda do bolso.

- Tenho de ligar ao presidente.

- Ao presidente? Por que, Eddie?

- Porque acabei de saber que o programa em que eu entro vai para o ar na costa leste e os meus pais estão na costa oeste.

Levei algum tempo a perceber.

- Você quer pedir ao presidente da ABC que mude os programas para que os seus pais possam te ver?

- Quero.

Voltei a meter a moeda no bolso.

- Eddie, é natural que ele hoje esteja ocupado com outras coisas. Acho melhor desistires.

No dia seguinte, as críticas eram, na generalidade, favoráveis. Típico das críticas era o Hollywood Repórter.

Dizia: ”Este pode ser finalmente o programa de entretenimento que as adolescentes e os pais têm estado à espera... um cativante clique.”

Mais importante que tudo, as audiências foram maiores do que estávamos à espera. Ficamos entusiasmados.

No dia seguinte, o Daily Variety trazia um anúncio da ABC que ocupava duas páginas. Dizia: ”As meninas bonitas chegam primeiro. Sempre soubemos que Patty Duke ia ser um sucesso.”

Pois.

O primeiro ano de filmagens do The Patty Duke Show passou-se sem grandes problemas. Achei que seria boa idéia usar artistas convidados. A ideia funcionou bem. Escrevi guiões para Frankie Avalon, Troy Donahue, Sal Mineo e outros.

Durante um intervalo, eu e a Jorja decidimos levar Mary num cruzeiro. Como regra, quando estou a trabalhar num projeto e vou viajar, levo sempre comigo todos os guiões, para o caso de aparecer algum problema. Mas neste caso achei que não seria necessário. Todos os programas para o primeiro ano já tinham sido filmados.

Erro.

Uma manhã recebi um telegrama a bordo do navio, em que me pediam para ligar imediatamente para o estúdio. Não imaginava qual seria o problema.

Quando alguém da produção me atendeu, perguntei:

- O que é que se passa?

- Temos um minuto a menos no The Green-Eyed Monster, três minutos a menos no Pratice Mahes Perfect, dois no Simon Says e um minuto e meio no Patty, the Organizer. Precisamos que aumentes as cenas e precisamos disso rapidamente.

Agora, já sabia qual era o problema, só que não tinha solução para ele. Quando escrevo um argumento, concentro-me nele, mas, assim que o termino e passo ao seguinte, esqueço mais ou menos tudo sobre o primeiro. Como consequência, não fazia a mínima idéia do que tratavam os argumentos.

Voltei para a nossa cabina e expliquei a Jorja o que se passava.

- Não faço idéia do que vou fazer. Provavelmente terei de voltar para Nova Iorque e olhar para os argumentos para refrescar a memória.

Mary, o nosso gênio de oito anos, falou:

- Não, papá, não precisas. Eu lembro-me das histórias. E começou a contá-las cena a cena.

Nessa noite, pude mandar por telégrafo as novas páginas para o estúdio.

Perto do final do primeiro ano do The Patty Duke Show, recebi um telefonema de Hollywood.

- A Screen Gems quer que cries uma série para eles.

A Screen Gems era uma subsidiária da Columbia Pictures.

- Estás interessado?

- Claro que estou.

A minha atitude em relação à televisão mudara completamente.

- Querem que tenhas uma idéia para um programa e que te encontres com eles em Hollywood. Quando é que achas que o podes fazer?

- Que tal segunda-feira?

Eu tive uma idéia para um programa com um gênio. Sabia que já tinham sido feitos programas com gênios, mas eram sempre com um gigante, como Burl Ives, que saía de um frasco e dizia: “Que posso fazer por si, meu amo?”.

Pensei que seria engraçado substituir o gênio por uma bela e núbil jovem que dissesse: ”Que posso fazer por si, meu amo?” Foi este o projeto que criei para a Screeen Gems.

O meu agente levara o que eu dissera à letra e marcara uma reunião para segunda-feira na Screen Gems. Estávamos numa sexta. Sábado de manhã telefonei para uma secretária e comecei a ditar uma sinopse do argumento do gênio. No entanto, à medida que ia avançando, comecei a incluir mais diálogo e ângulos de câmara e, pouco depois, achei que o melhor mesmo era ditar o argumento completo. No sábado à noite estava pronto. Mesmo a tempo para correr para o aeroporto e apanhar o avião para Los Angeles.

A reunião na Screen Gems correu bem. Reuni-me com Jerry Hyams, um dos executivos principais, Chuck Fries e Jackie Cooper, um antigo ator infantil que era agora diretor da Screen Gems. Ficaram entusiasmados com a idéia.

- Que acha de ter a sua própria empresa e poder produzir aqui? Perguntou Jerry Hyams.

Pensei no The Patty Duke Show. Nunca ninguém me dissera que não podia fazer dois programas ao mesmo tempo.

- Não há problema. Respondi. O negócio foi fechado.

Quando regressei a Nova Iorque, tinha uma mensagem da Screen Gems à minha espera a dizer que já tinham feito negócio com a NBC para I Dream of Jeannie. Agora, ia passar a ter duas comédias semanais no ar. Comecei a viver entre as duas costas.

Jerry Hyams fez-me ver o piloto de um novo programa que estava prestes a ir para o ar. Adorei-o. Achei que era encantador e que seria um sucesso.

- Gostaria de produzi-lo? Perguntou.

Abanei a cabeça. Em vez de dizer que sim, que era o que eu queria fazer, respondi que não. De vez em quando, sem qualquer aviso, perderá o controle das suas palavras e dos seus atos.

Bewitched acabou por ser um estrondoso êxito.

Estávamos a filmar o The Patty Duke Show em Nova Iorque e íamos filmar I Dream of Jeannie em Hollywood. Como eu produzia Jeannie e estava muito envolvido, comecei a contratar alguns escritores para o The Patty Duke Show. Dei por mim praticamente todos os fins de semana a voar para Hollywood. Passava o tempo no avião a trabalhar nos argumentos do Patty Duke e três dias por semana preparava a Jeannie. O Beverly Hills Hotel tornou-se a minha casa longe de casa.

Numa dessas viagens à Califórnia foi o fim do mundo. Mort Werner, o dirigente da NBC, mandou-me chamar. Tinha um ar sombrio.

- Sheldon, tenho aqui um memorando do nosso departamento de padrões e costumes.

E atirou o papel na minha direção.

Assim que o comecei a ler, percebi imediatamente qual era o problema. A estação percebera que, naquela época de forte censura, tinham comprado um programa sobre uma jovem núbil e semi-nua, que vivia sozinha com um solteiro e perguntava constantemente “O que posso fazer por si, meu amo?” Entraram em pânico. O memorando tinha dezoito páginas e ordens do género:

Eles nunca se devem tocar.

Temos de ver Jeannie a ir para a sua garrafa dormir sozinha.

Temos de ver Tony a ir para a cama dormir sozinho.

Jeannie jamais deve entrar no quarto de Tony. Nunca deixar Tony entrar na garrafa de Jeannie.

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