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O outro lado de mim [em Português]

Электронная книга - «O outro lado de mim [em Português]». Краткое содержание книги:

O livro traz detalhes inéditos, reveladores e sinceros, com as memórias do escritor Sidney Sheldon, um dos maiores bestsellers de toda a história, com mais de 300 milhões de livros vendidos, em 51 idiomas e em mais de 180 países. Todos os 18 romances do autor alcançaram a Lista dos Mais Vendidos. Sheldon assinou obras como 'O outro lado da meia-noite', 'A herdeira', 'A ira dos anjos', 'Juízo final', entre outros. O livro apresenta revelações sobre a vida do autor em Hollywood, ao lado de estrelas como Cary Grant, Marylin Monroe, Judy Garland, Frank Sinatra e Doris Day. 'O outro lado de mim' traz alguns detalhes sobre a vida pessoal do autor, como a infância em Chicago, em um ambiente familiar instável com as constantes discussões dos pais, a revelação de ser portador da psicose maníaco-depressiva, e muito mais.
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Larry conhecera-a ao jantar, por isso, quando soube que ela ia entrar no programa, comentou a brincar:

- Ah! Será que vejo aqui um pouco de nepotismo?

- Tem razão, Larry. – Respondi - Para ser justo, quando a tua mãe vier cá, tenho todo o gosto em tê-la no programa.

A estação passara Jeannie de sábado à noite para segunda-feira. Era só o princípio. No ano seguinte passou para a terça. No outro ano para segunda e no seguinte para terça. Felizmente, a nossa audiência era suficientemente leal para nos procurar.

Mais tarde, depois de Natalie regressar a Chicago, Bigger than a Bread Box foi para o ar. No dia seguinte, ela ligou-me:

- Muito obrigado, querido.

- Por quê? Perguntei.

- Passei a manhã a receber telefonemas. Agora sou uma estrela.

Tínhamos filmado uma dúzia de episódios e o estúdio e a estação estava satisfeitos com eles. Um dia, estava jantando com Jorja em casa de uns amigos quando recebi um telefonema de Barbara Éden.

- Sidney, preciso falar consigo.

- Muito bem, Barbara. Estarei no estúdio amanhã de manhã e...

- Não. Tem de ser hoje à noite.

- Passa-se alguma coisa?

- Eu conto-lhe assim que o vir. Dei-lhe a morada.

Ela chegou uma hora depois. Levei-a para o escritório. Estava à beira das lágrimas.

- Vai ter de me substituir.

- Por quê? Perguntei, espantado.

- Estou grávida.

Levei um pouco a perceber.

- Parabéns.

- Lamento tanto estar-lhe a fazer isto.

- Você não me está a fazer nada. Continua no programa. Olhou, espantada, para mim.

- Mas... Como...?

- Não se preocupe. Eu vou arranjar uma solução. Respondi. Na manhã seguinte, chamei Gene Nelson ao meu gabinete.

- Gene, temos um problema.

- Já sei. A Barbara está grávida. O que vamos fazer?

- Vamos subir um pouco a câmara. Vamos filmá-la da cintura para cima, cobri-la com mais véus e filmar de longe. Havemos de nos arranjar. Não a quero substituir.

Ele ficou pensativo durante uns segundos.

- Nem eu.

E conseguimos terminar a série, filmando desde a terceira semana até ao oitavo mês de gravidez.

No leste, adivinhavam-se nuvens negras no horizonte, por isso voei até Nova Iorque para ver se conseguia acalmar as coisas.

John e Ethel tinham descoberto que Patty e Harry Falk continuavam a ver-se em segredo. Decididos a não permitir que o romance avançasse, conseguiram mudar o programa, na sua terceira época, para a Califórnia. Para mim era bom, porque deixava de precisar andar entre as duas costas. Mas isso significava que havia problemas latentes.

Quando voltei para a Califórnia, encontrei uma casa maravilhosa em Thousand Oaks para nós alugarmos. Sabia que a Patty e os Ross andavam à procura de uma casa, por isso sugeri que vissem esta que eu queria alugar e, se gostassem, eu deixaria que ficassem com ela. Gostaram e mudaram-se para lá.

A NASA foi muito prestável com a produção de Jeannie. Fizemos uma visita à base aérea de Edwards e ao centro espacial Kennedy, na Florida, e conhecemos muitos astronautas. Muitos deles viam o nosso programa e eram fãs. Deixaram-nos usar as instalações em Edwards, onde fiz um voo num simulador Gemini e provei comida liofilizada. Era péssima.

As audiências de Jeanne permaneceram altas no primeiro ano, mas nem tudo corria bem no estúdio. O problema era Larry Hagman. Eu planeava usar mais artistas convidados, mas Larry criava sempre problemas com eles. Amuava e ignorava-os e passava o tempo fechado no camarim.

Queria ser a estrela e queria sê-lo naquele momento. Era a Barbara que tinha as entrevistas e as capas de revista. Larry queria mostrar ao mundo que conseguia ser tão bom quanto a mãe. O resultado é que se punha a ele e a todos sob uma enorme tensão.

Na altura não me apercebi do problema, mas descobri que Larry abria todas as manhãs uma garrafa de champanhe e começava a beber. Isso nunca afetou o seu desempenho. Sabia sempre o texto e estava sempre perfeito. Mas a tensão começava a fazer-se sentir.

Uma manhã, depois de um ensaio, perguntei aos atores se havia algum problema. Todos me responderam que estavam satisfeitos. Quando regressei ao meu gabinete, recebi um telefonema de Gene Nelson.

- Preciso da sua ajuda, Sidney. O Larry está no camarim a chorar. Recusa-se a sair.

Fui ao camarim dele e falamos durante muito tempo. Por fim, disse-lhe:

- Larry, eu vou fazer tudo que me for possível para te ajudar. Vou escrever argumentos onde a história se desenrole à tua volta.

E assim, comecei a escrever argumentos para aumentar a personagem de Larry e dar-lhe maior visibilidade. Mas quando um ator está numa série com uma atriz escassamente vestida e tão bela e atraente quanto a Barbara Éden, é muito difícil ser-se a estrela.

Larry estava cada vez mais infeliz e isso perturbava todos no estúdio. Barbara tinha imensa paciência com ele. Por fim, tive outra conversa com ele.

- Larry, tu gostas deste programa?

- Claro.

- Mas não se sente feliz em fazê-lo.

- Não.

- Por quê?

- Não sei. Respondeu, depois de ter hesitado.

- Claro que sabe. Você quer estar num espetáculo onde você seja a estrela.

- Talvez seja isso.

- Larry, tu és uma peça muito importante deste programa. Mas, se queres permanecer nele, vais ter de aliviar a tensão que tens em cima. Acho que devias ir ver um psiquiatra. E, se fosse eu, não perdia tempo.

- Tem razão. É o que vou fazer. Concordou.

Pouco tempo depois me disse que tinha consultas regulares com um psicólogo. Isso o ajudou de certa forma, mas a tensão permanecia.

CAPÍTULO 32

Pouco depois do início da segunda época, Jeannie passou a ser a cores. Eu contratara outros escritores para me ajudarem, mas não estava contente com a maior parte dos argumentos que me eram apresentados. Muitos escritores pensavam que a melhor abordagem era juntar fantasia com mais fantasia. Queriam que Barbara conhecesse um marciano ou outra personagem fantástica. Eu, pelo meu lado, pensava que o sucesso do programa dependia de uma forte base de realidade, a incongruência que resultava de colocar Jeannie perante situações normais do dia a dia.

Por exemplo, escrevi um guião com a seguinte premissa:

Tony está a trabalhar e um homem do IRS vai a casa dele e é recebido pela Jeannie. Para impressionar o visitante, Jeannie encheu as paredes com originais de Rembrandt, Picasse, Monet e Renoir.

- Está a ver. - Dizia a um atônito fiscal das finanças - O meu amo é muito rico.

Tony teve de desembrulhar a situação”.

Noutra sequência, Tony convidara o doutor Bellows para jantar. Jeannie achou que a casa era demasiado pequena, por isso criou uma imensa sala de baile, uma sala de jantar cheia de decorações, um enorme jardim e uma piscina imensa. Tony teve de explicar esta transformação ao doutor Bellows.

De Fevereiro de 1966 a Abril do ano seguinte, escrevi trinta e oito episódios seguidos sob o meu nome. Em Hollywood, os créditos num ecrã são o critério pelo qual se reconhece a existência de um escritor. Todos lutam para conseguir um crédito, porque é o passaporte para um trabalho seguinte. Eu estava com um problema. Achava que estava a ficar com créditos a mais. No jeannie, os meus créditos diziam: ”Produção de Sidney Sheldon... Criado por Sidney Sheldon... Produzido por Sidney Sheldon... Escrito por Sidney Sheldon... Direitos de Sidney Sheldon”. Parecia-me uma bebedeira de ego. Liguei para o Writers Guild e informei-os de que ia começar a escrever para o programa sob três pseudônimos diferentes: Christopher Golato, Allen Devon e Mark Rowane. Dali em diante, os meus doppelgãngers escreveram a maior parte dos guiões e eu tinha um crédito a menos.

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