O outro lado de mim [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 2005
- Язык: португальский
- Переводчик: Luiza Mascarenhas
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «O outro lado de mim [em Português]». Краткое содержание книги:
I Dream of Jeannie estava pronto para iniciar a sua magia.
De manhã, menos de uma hora depois da produção do piloto ter começado, a minha secretária disse:
- O senhor Nelson está a ligar do estúdio de gravação. Eu estava ansioso por ouvir as boas notícias.
- Gene...
- Eu demito-me. Arranje outro. Lamento. E ia a desligar.
- Ei! Espere! Espere lá! Estava em pânico. Não saia daí. Eu vou já para aí.
Três minutos depois, estava no estúdio. Chamei Gene à parte.
- O que foi que aconteceu?
- Nada. Esse é que é o problema. Não posso trabalhar com atores que não sabem o texto. Larry Hagman não sabe o texto e Bill Daily não sabe o texto dele, e...
- Deixe-se estar aqui. Eu estava furioso. Chamei Larry à parte.
- Como é que se atreve a vir para este estúdio no primeiro dia de filmagens sem saber o seu texto?
Ele olhou para mim, espantado.
- De que é que está a falar? Eu sei o meu texto.
- O realizador diz que não sabe.
- Bem, eu só resolvi aumentá-lo um pouco. Tive umas idéias e limitei-me a acrescentar umas coisas aqui e ali...
- Larry! Ouça-me com atenção. Nós temos um plano de trabalho extremamente apertado. Temos montes de páginas para filmar todos os dias. Você vai dizer o seu texto exactamente como está escrito. Percebeu?
Ele encolheu os ombros.
- OK, tudo bem. Chamei Bill Daily à parte.
- Que desculpa tem para não saber o seu texto?
- Desculpe, Sidney. Eu... eu nunca tive de aprender texto antes. Sempre trabalhei em clubes como o The Improv. Eu fazia um número de comédia... Respondeu ele.
- Isto não é o The Improv – Lancei - Se quer continuar neste programa, tem de aprender o seu texto de cor.
Ele engoliu em seco.
- Muito bem.
Voltei para junto de Gene Nelson.
- Gene, houve aqui uma pequena confusão. Creio que a partir daqui vai correr tudo bem. Gostava que ficasse no programa. Larry vai ser genial. Eu vou gravar o diálogo do Bill e mandá-lo ouvir no carro, para que o aprenda. Dá-lhes outra oportunidade?
- Vou tentar, mas... Respondeu depois de uma longa pausa.
- Muito obrigado.
A cena de abertura do piloto foi filmada em Zuma Beach, quarenta e cinco quilômetros a noroeste de Los Angeles. A cena iniciava-se com Larry como astronauta, perdido numa ilha deserta devido a problemas na sua nave espacial. Vê uma garrafa, destapa-a e encontra lá dentro um génio. Como ele a libertou, segundo as regras de um génio, é agora o seu amo. Ela faz aparecer um navio para salvá-lo e ele pensa que se viu livre dela, mas Jeannie não tem qualquer intenção de deixá-lo.
A cena correu bem, o dia também e estávamos todos satisfeitos.
No caminho de regresso ao estúdio, numa limusine da empresa, apercebi-me pela primeira vez da ambição de Larry Hagman. Paramos num sinal vermelho ao lado de uma viatura cheia de turistas. Larry abriu a janela e, em voz alta, gritou-lhes:
- Um dia, todos vão saber quem eu sou.
Larry tinha alguns problemas de ordem emocional com que lidar. A mãe, Mary Martin, era uma superestrela da Broadway, com quem ele tinha uma relação difícil. Ela estivera sempre muito ocupada com a sua carreira, por isso Larry fora criado no Texas por Ben, o pai.
Durante algum tempo, viveu com a avó materna e viajava frequentemente para Nova Iorque para visitar a mãe. Ele queria demonstrar-lhe que também podia ser uma estrela. Um dia, todos vão saber quem eu sou.
Quando o piloto estava pronto, mas ainda não fora para o ar, recebi um telefonema de Mary Martin.
- Sidney, gostava muito de poder ver o piloto. Há alguma hipótese de o ver?
- Claro.
Eu estava a caminho do leste para trabalhar no The Patty Duke Show, por isso arranjei as coisas para que o piloto de Jeannie lhe fosse mostrado em Nova Iorque.
Na sala de projeção estavam a Mary Martin, alguns executivos da Screen Gems e John Mitchell, o chefe de vendas da Screen Gems.
Antes da projecão começar, Mary Martin foi ter com John Mitchell, pegou-lhe na mão e disse:
- Ouvi dizer que é o melhor vendedor do mundo. Vi-o nitidamente a ficar mais alto.
- Ouvi tanto falar em si. - Continuava ela - Dizem que é um gênio.
John Mitchell tentou não corar.
- A Screen Gems tem muita sorte em tê-lo.
Ele mal conseguiu gaguejar as palavras:
- Muito obrigado, menina Martin.
A projeção começou. Quando o filme acabou, as luzes acenderam-se. Mary Martin virou-se para John Mitchell e disse:
- Qualquer um é capaz de vender isto. E vi o John a encolher.
A Jeannie estreou e recebeu críticas mistas. A maior parte dos críticos ignoraram o programa mas a audiência não. O programa teve, desde o início, espectadores fiéis, cujo número foi aumentando com o passar do tempo.
Decidi usar artistas convidados também nesta série. Farrah Fawcett fez um segmento, assim como Dick Van Patten, Richard Mulligan, Don Rickles e Milton Berle.
Escrevi um guião sobre uma cartomante vigarista, ao qual chamei Bigger than a Bread Box e Better than a Genie. Pedi a Jorja que fizesse o papel de cartomante. Estávamos na Primavera e Natalie vinha fazer-nos uma visita.
- Por que não pedes à Natalie para entrar no programa? Ela podia fazer o papel de uma das personagens da cena da sessão. Sugeriu.
Eu dei uma gargalhada.
- Acho que ela ia gostar.
Quando Natalie chegou, perguntei-lhe:
- Que é que achas de aparecer na televisão?
- Não me importava. Respondeu, descarada.
- A Jorja vai fazer o papel de uma cartomante e tu podias ser uma das personagens da sessão.
- Está bem. Concordou.
Estava muito calma em relação à sua estréia na televisão nacional.
Escrevi umas linhas de texto para Natalie ler e entreguei-lhas. Enquanto eu trabalhava no estúdio, a Jorja ensaiava com ela.
Na manhã seguinte fiz um teste a Queenie Smith, uma atriz maravilhosa. Decidi que ficaria ela com o texto da Natalie e escrevi outras linhas para lhe dar quando chegasse a casa à noite.
Ela leu-as e respondeu:
- Não. Fiquei intrigado.
- Não o quê?
- Eu não posso dizer isto.
- Porque não?
- Porque a minha personagem jamais diria uma coisa destas. Isto, vindo de uma mulher de setenta anos, que vendia vestidos em Chicago.
Ainda argumentei, mas não lhe consegui tirar o texto, por isso tive de escrever outro para a Quennie Smith.
A cena correu bem. Nesse episódio, o coronel Chuck Yeager fez o papel dele próprio. Natalie trabalhou tão bem que nunca ninguém suspeitou que não era uma atriz profissional.