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O outro lado de mim [em Português]

Электронная книга - «O outro lado de mim [em Português]». Краткое содержание книги:

O livro traz detalhes inéditos, reveladores e sinceros, com as memórias do escritor Sidney Sheldon, um dos maiores bestsellers de toda a história, com mais de 300 milhões de livros vendidos, em 51 idiomas e em mais de 180 países. Todos os 18 romances do autor alcançaram a Lista dos Mais Vendidos. Sheldon assinou obras como 'O outro lado da meia-noite', 'A herdeira', 'A ira dos anjos', 'Juízo final', entre outros. O livro apresenta revelações sobre a vida do autor em Hollywood, ao lado de estrelas como Cary Grant, Marylin Monroe, Judy Garland, Frank Sinatra e Doris Day. 'O outro lado de mim' traz alguns detalhes sobre a vida pessoal do autor, como a infância em Chicago, em um ambiente familiar instável com as constantes discussões dos pais, a revelação de ser portador da psicose maníaco-depressiva, e muito mais.
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Não havia uma única pessoa em fila para o meu livro. Corado, tirei para fora um caderno de apontamentos e fingi que estava atarefado a escrever. Como gostaria de poder sair dali para fora. As filas em frente dos outros autores estavam cada vez mais longas e eu ali sentado a escrever gatafunhos.

Ao fim de um tempo que me pareceu uma eternidade, ouvi uma voz a perguntar:

- Senhor Sheldon?

Olhei para cima. Uma senhora de idade baixinha estava parada na minha frente.

- Como se chama o seu livro? Perguntou.

- A Outra Face. Disse eu. Ela sorriu e disse.

- Está bem. Vou comprar um. Era um ato de misericórdia.

Foi o único exemplar que vendi nesse dia.

Umas semanas mais tarde, voei para Nova Iorque e encontrei-me com Larry Hughes, o presidente da William Morrow.

- Tenho boas notícias para si. Vendemos dezessete mil exemplares de A Outra Face e vamos fazer a 2ª edição. Disse.

Olhei para ele durante um longo momento.

- Senhor Hughes, eu tenho no ar um programa de televisão que é visto, todas as semanas, por vinte milhões de pessoas. Não fico exatamente excitado com a idéia de vender dezessete mil cópias seja lá do que for.

Quando as críticas do livro saíram, fiquei agradavelmente surpreendido. Eram praticamente todas favoráveis, e a melhor era a do New York Times. O crítico dizia “A Outra Face é, sem dúvida, a melhor estréia policial do ano.” E, para cúmulo, no fim do ano, recebi uma nomeação para o Edgar Allen Poe Award.

Quando regressei a Hollywood, continuei a trabalhar no Nancy, mas não conseguia parar de pensar em escrever outro livro. A Outra Face não foi um sucesso financeiro. A verdade é que eu gaste mais em publicidade do que o livro rendera. Mas havia um elemento muito mais importante envolvido na escrita de um livro. Eu sentira uma enorme liberdade criativa que nunca antes conhecera.

Quando se escreve um argumento para o cinema ou para a televisão, ou uma peça para o teatro, é sempre um esforço de colaboração. Mesmo quando se escreve sozinho, está-se a trabalhar com um elenco, um realizador, um produtor e músicos.

O romancista é livre de escrever aquilo que ele ou ela quer. Não há ninguém para dizer:

“Vamos mudar o cenário para as montanhas em vez de ser no vale...”

“Há demasiados cenários...”

“Vamos cortar os diálogos e criar a atmosfera com música...”

O romancista é o elenco, o produtor e o realizador. O romancista é livre de criar mundos, de andar para trás e para frente no tempo, de dar aos seus personagens exércitos, servos, mansões. Não existe limite a não ser a própria imaginação.

Decidi que ia escrever outro romance, mesmo sem qualquer expectativa de que pudesse ser financeiramente melhor sucedido que O Rosto Nu. Eu precisava de uma boa idéia e lembrei-me de uma história minha que Dore Schary recusara comprar à RKO, o Orchids for Virgínia. Decidi que essa era a história que eu queria contar. Transformei o argumento de filme num romance elaborado e mudei o nome para O Outro Lado da Meia Noite.

O livro foi editado um ano mais tarde e mudou a minha vida. Esteve na lista de best-sellers do New York Times durante cinquenta e duas semanas. O Outro Lado da Meia Noite transformou-se num fenômeno, um extraordinário best-seller internacional.

A previsão de Bea Factor de que me ia tornar mundialmente famoso transformara-se numa realidade.

POSFÁCIO

De tudo o que escrevi ao longo dos anos cinema, teatro, televisão, livros prefiro os romances. São um mundo completamente diferente, um mundo da mente e do coração. Num romance podemos criar personagens e dar-lhes vida. A transição de argumentista e guionista para romancista foi mais fácil do que imaginei. E as vantagens!

Um romancista viaja pelo mundo para fazer pesquisa, conhece pessoas interessantes e vai a sítios interessantes. Se as pessoas são afetadas por alguma coisa que escrevemos dizem-nos. Recebo muito correio extremamente emotivo.

Recebi uma vez uma carta de uma mulher que tivera um ataque cardíaco e estava no hospital, e que não deixava que os pais ou o namorado a vissem. Escreveu-me a dizer que só queria morrer. Tinha vinte e um anos. Alguém deixara um exemplar do O Outro Lado da Meia Noite na sua mesa de cabeceira. Começou a folheá-lo. Curiosa, voltou ao início e leu o livro. Quando acabou, estava tão entusiasmada com as personagens e os seus problemas que esqueceu os dela, e estava pronta a encarar de novo a vida.

Outra mulher escreveu-me a dizer que o último pedido da filha moribunda foi que queria ter os meus livros todos espalhados em cima da cama, e que morreu feliz.

Em A Fúria dos Anjos, um rapazinho morre e comecei a receber correio negativo. Uma mulher escreveu-me da costa leste, deu-me o número de telefone dela e disse:

“Telefone-me. Eu não consigo dormir. Porque foi que o deixou morrer?”

Recebi tantas cartas deste gênero que, quando fiz a mini-série, o deixei viver.

Algumas mulheres disseram-me que são advogadas graças a Jennifer Parker, a heroína de A Ira dos Anjos.

Os meus romances são vendidos em cento e oito países e estão traduzidos em cinquenta e uma línguas. Em 1997 o Guiness Book of World Records listou-me como autor mais traduzido do mundo. Vendi mais de trezentos milhões de exemplares. Se existe uma razão para o sucesso dos meus livros acredito que se deve ao fato de as personagens serem bem reais para mim e, por isso, bem reais para os meus leitores. Os leitores estrangeiros identificam-se com os meus livros porque o amor, o ódio e o ciúme são emoções universais que todos compreendem.

Quando me tornei romancista, uma das coisas que mais me impressionou foi o faco de um romancista ser muito mais respeitado do que um argumentista que trabalhe em Hollywood. Jack Warner disse um dia:

“O que são os escritores senão uns convencidos com máquinas de escrever?”

Um sentimento que é partilhado pela maior parte dos dirigentes dos estúdios de cinema.

Um dia, na altura em que escrevi o Easter Parade, estava no escritório de Arthur Freed quando entrou o seu corretor de seguros. Estávamos a conversar e a secretária dele anunciou que as filmagens do dia estavam prontas para ser visualizadas. Freed virou-se para o corretor e disse:

- Vamos lá ver isso.

Levantaram-se os dois e saíram da sala, deixando-me ali sozinho enquanto iam ver um filme que eu escrevera. Não demonstra grande respeito.

Gosto muito de viajar pelo mundo fora para fazer pesquisa para os meus livros e divirto-me imenso com isso. Uma vez fui a Atenas fazer pesquisa para o meu livro O Outro Lado da Meia Noite. Jorja estava comigo. Passamos à porta de um posto da polícia e eu disse:

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