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O outro lado de mim [em Português]

Электронная книга - «O outro lado de mim [em Português]». Краткое содержание книги:

O livro traz detalhes inéditos, reveladores e sinceros, com as memórias do escritor Sidney Sheldon, um dos maiores bestsellers de toda a história, com mais de 300 milhões de livros vendidos, em 51 idiomas e em mais de 180 países. Todos os 18 romances do autor alcançaram a Lista dos Mais Vendidos. Sheldon assinou obras como 'O outro lado da meia-noite', 'A herdeira', 'A ira dos anjos', 'Juízo final', entre outros. O livro apresenta revelações sobre a vida do autor em Hollywood, ao lado de estrelas como Cary Grant, Marylin Monroe, Judy Garland, Frank Sinatra e Doris Day. 'O outro lado de mim' traz alguns detalhes sobre a vida pessoal do autor, como a infância em Chicago, em um ambiente familiar instável com as constantes discussões dos pais, a revelação de ser portador da psicose maníaco-depressiva, e muito mais.
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Eles olharam uns para os outros, horrorizados. Só mais tarde é que soube porquê. Ninguém no mundo da televisão jamais escrevera todos os guiões para uma comédia de meia hora.

- Isto é negociável?

- Não! Respondi.

- Muito bem. Está contratado.

Só muitos meses depois descobri que, no dia em que assinei o contrato, eles tinham contratado quatro outros escritores para escreverem os guiões, para, no caso de eu um dia chegar junto deles e dizer que não tinha nenhum guião para a semana seguinte eles poderem dar-me os outros e dizer ”Aqui tem”.

Como Patty era menor de idade e as leis no estado da Califórnia sobre o trabalho infantil eram muito severas, decidimos filmar o programa em Nova Iorque, onde os jovens podem trabalhar tantas horas quantas o produtor entender.

Jorja, Mary e eu nos mudamos para Nova Iorque.

Criar um espetáculo de televisão para Patty Duke era um desafio, porque ela era tão extraordinariamente talentosa que eu não queria desperdiçar as suas capacidades. Resolvi optar por pô-la a representar dois papéis, o de duas irmãs gêmeas. Uma viva e animada rapariga de Nova Iorque, a outra mais calma e bem comportada, da Escócia, que tinha sido separada da irmã à nascença.

Bill Asher foi contratado para produzir e realizar e sugeriu que fizéssemos delas primas em vez de irmãs, para explicar o facto de viverem a tão grande distância uma da outra. Por mim estava perfeito.

The Patty Duke Show foi produzido num velho estúdio de televisão na rua Vinte e Seis, a doze quarteirões do teatro onde trabalhei como arrumador e anunciante. Não era a vizinhança ideal. Um dia, contratamos uma secretária que começava a trabalhar às nove da manhã. Às dez, uma enorme ratazana passou a correr sobre o pé dela. Ao meio dia, ela foi abordada quando ia almoçar e à uma da tarde demitiu-se.

Eu já tinha escrito meia dúzia de programas adiantados. Estava na altura de começar o casting. Tivemos sorte.

O estúdio contratou Wiliam Schallert para o papel de pai da Patty, Jean Byron para fazer de mãe, Paul CTKeefe para o papel de irmão e Eddie Aplegate para o pretendente de Patty.

No primeiro dia de produção, Patty deu início a um ritual que persistiu até ao final do programa. Todas as manhãs, antes das filmagens começarem, toda a equipe e o elenco alinhavam-se e cantavam: “Bom dia pra você. Bom dia pra você. Estamos todos prontos, com sorrisos de felicidade.”

Era interessante ver os membros da equipe, pessoas batidas, de barba por fazer, a maior parte em t-shirts, todos alinhados e a cantarem esta canção infantil. A Patty parecia ser uma das estrelas mais felizes da televisão. Só três anos mais tarde é que fiquei a conhecer a verdade.

Corre-se um enorme risco quando um ator representa dois papéis. Se os espectadores não conseguirem perceber qual delas é que está em cena, a confusão pode ser fatal. Para evitar que isso acontecesse, vestimos Patty com roupas informais e fizemos as de Cathy muito mais formais. Para garantir que não havia mesmo lugar a qualquer confusão, dei a Patty diálogos e atitudes próprias de uma jovem ativa e extrovertida, e a Cathy diálogos muito mais reservados e polidos.

Quando vi as filmagens do primeiro dia, percebi que todas as precauções tinham sido desnecessárias. Patty não dependia das roupas nem dos diálogos. Ela tornava-se cada uma das personagens.

Eu estava com um problema com a estação de televisão. Tinham contratado um jovem ambicioso, a quem chamarei Todd, para estabelecer a ligação com a ABC. Todas as segundas-feiras de manhã, ele vinha ao meu gabinete e o seu cumprimento era sempre o mesmo:

- Li o seu último guião. É péssimo. Está a criar um desastre para a estação.

A última gota veio quando estávamos no estúdio de gravação de som a gravar a música para o primeiro programa. O estúdio contratara o talentoso e premiado pela Academia Sid Ramin para compor e fazer as adaptações. Quando a primeira música foi gravada, eu e ele estávamos a conversar a um canto do estúdio. Olhei e vi que Todd se aproximava apressadamente de nós. Ele parou em frente do Sid e disse bem alto:

- A sua música é a única coisa boa deste programa. Nessa noite, liguei para um dos executivos da estação. Na manhã seguinte, Todd desaparecera da minha vida.

CAPÍTULO 30

Quando John Ross fez o acordo para Patty protagonizar a série de televisão, arranjou forma de ser incluído na lista de pagamentos como produtor associado. Quando lhe perguntaram quais eram as suas funções, ele foi vago.

Os produtores disseram:

- A função dele é manter Patty feliz e não perturbar o trabalho de ninguém.

Um dia, Ross entrou pelo meu gabinete quase a chorar.

- O que se passa? - Perguntei- O que foi que aconteceu?

- A revista Life vem hoje ao estúdio para fazer a cobertura do ensaio.

- E isso é bom, não é?

- Não. - Ele tentava conter as lágrimas - Agora a revista Life descobrirá que não tenho uma secretária.

À medida que se aproximava a data de ida para o ar do Patty Duke Show, tivemos um problema. Bill Asher, o nosso produtor-realizador, era um homem que gostava de estar envolvido em vários projetos diferentes ao mesmo tempo. Como resultado, estava atrasado no nosso programa. Nenhum dos episódios estava acabado.

O Bill chegou e disse-me:

- Ed Scherick, o chefe da ABC, quer dar hoje uma vista de olhos ao nosso piloto. Não sei bem de qual deles é que vai gostar mais, se de ”The French Teacher” se o ”House Guest”.

Em ”The French Teacher” entrava o actor Jean-Pierre Aumont e Patty apaixonava-se por ele e fazia planos para o futuro como sua mulher. No ”House Guest”, uma tia excêntrica mudava-se para Lane e dava com todos em doidos.

- Passa os dois episódios para Scherick ver e deixa-o decidir de qual gosta mais.

- Muito bem. Concordei.

Na manhã seguinte, preparamos uma mostra para Scherick e vários outros executivos da ABC. Ele trouxera com ele a mulher e a irmã e todos foram apresentados de forma muito cordial.

As luzes apagaram-se e o episódio foi apresentado. ”The French Teacher” ainda não fora editado nem cortado porque Bill Asher andava sempre muito ocupado e vários efeitos especiais ainda não tinham sido incluídos. ”House Guest” ainda não foi editado nem cortado e vários dos efeitos especiais também não constavam. O efeito geral foi horrível.

Quando as luzes se acenderam, Scherick pôs-se de pé, olhou fixamente para mim e rosnou:

- Não quero saber qual deles vão apresentar primeiro.

E ele e os acompanhantes saíram a toda a velocidade da sala.

Fiquei ali sentado, sem forças. Talvez Todd tivesse razão.

A noite de estréia aproximava-se e precisávamos tomar uma decisão. Asher trabalhava agora dia e noite para terminar os dois episódios. Como a estação já não queria saber do programa, cabia-nos a nós decidir qual o primeiro a apresentar.

As coisas estavam tão caóticas que, na noite da estreia do The Patty Duke Show, ”The French Teacher” foi para o ar na costa oeste e ”House Guest” na costa leste.

Na manhã de quarta-feira, dia em que o programa devia ir para o ar, atravessava o átrio do estúdio quando Eddie Aplegate apareceu a correr. Dirigiu-se a uma cabina pública, remexeu nos bolsos e virou-se para mim em pânico:

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