O outro lado de mim [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 2005
- Язык: португальский
- Переводчик: Luiza Mascarenhas
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «O outro lado de mim [em Português]». Краткое содержание книги:
- Nós queremos duzentos e cinquenta mil. Respondeu o agente. Thau, que era um negociador duro, mostrou-se indignado.
- E porque é que devemos dar-lhe um aumento? Ele não é assim tão importante. Este papel é uma oportunidade para ele.
- Benny, tenho de lhe dizer o seguinte. Ele tem uma oferta para fazer outro filme. E esses estão dispostos a pagar os duzentos e cinquenta.
Muito bem. Eles que paguem. Nós arranjamos outro respondeu Thau teimosamente.
E foi assim que, em vez entrar em Jumbo, Richard Burton fez o Cleopatra, conheceu Elizabeth Taylor, apaixonou-se por ela e, juntos, criaram um excitante novo CAPÍTULO nos mexericos amorosos de Hollywood. A minha teoria é que se Thau tivesse pagado os cinquenta mil dólares a mais, Richard Burton teria feito o jumbo e ter-se-ia casado com Martha Raye.
Contratamos Stephen Boyd para o principal papel masculino e o filme estava pronto para iniciar as filmagens. O elenco era brilhante. Doris Day era perfeita para o papel de Kitty Wonder. Stephen Boyd era excelente e Martha Raye uma delícia. Mas o meu preferido era Jimmy Durante.
Durante começara como pianista. Abrira um clube noturno e criara um número com dois outros artistas, Jackson e Clayton. Quando decidiu trabalhar sozinho, manteve os seus dois anteriores parceiros na sua lista de pagamentos. Adorava contar histórias sobre o passado e jamais o ouvi dizer uma palavra menos agradável sobre quem quer que fosse.
O meu argumento foi aprovado e a produção iniciou-se. Durante as filmagens, tudo correu sobre rodas. Quando o filme estreou, Jumbo foi nomeado para o prêmio da Writers Guild para o melhor musical americano do ano.
Sam Weisbord, o meu agente, ligou-me.
- Sidney, acabamos de vender o Patty Duke à ABC:
Claro que eu conhecia aquele nome. Com doze anos, Patty Duke conseguira o papel de Helen Keller na peça Th eMiracle Workere conquistara a Broadway, e depois, com o filme, recebera um Oscar.
Sam prosseguiu:
- Já temos um horário. As quartas-feiras, oito da noite. Vamos chamar ao programa The Patty Duke Show. Está tudo a andar. Mas temos um problema.
- Não percebo. Se tudo funcionar, qual é o teu problema?
- É que não temos programa.
Eles tinham vendido só o nome de Patty Duke.
- Queremos que cries um.
- Lamento muito, Sam, mas a resposta é não.
No início dos anos sessenta, as pessoas que trabalhavam no cinema olhavam com desdém as que trabalhavam na televisão. Quando a televisão estava na sua infância, as estações de televisão foram aos estúdios e disseram: “Temos uma nova e espetacular forma de distribuição, mas não sabemos como criar entretenimento. Porque não nos tornamos sócios?”
A resposta era simples. Os estúdios tinham os seus próprios meios de distribuição. Chamavam-se salas de cinema e a maior parte dos estúdios possuía as suas próprias cadeias. Não lhes interessava envolver-se com uma tecnologia nova que consideravam uma moda passageira. Os estúdios eram tão anti-televisão que não permitiam sequer que as suas estrelas fossem vistas na televisão a assistirem a uma estreia.
Eu fora condicionado por esta atitude e lembrava-me da minha experiência com Desi, por isso foi natural para mim responder ”Lamento muito, Sam, mas não faço televisão.”
Fez-se uma pausa.
- Muito bem. Compreendo. Mas, só por delicadeza, importas-te de almoçar com a Patty Duke?
Não havia qualquer mal nisso. A verdade é que até tinha curiosidade em a conhecer.
Combinamos almoçar no Brown Derby. A Patty vinha acompanhada por quatro agentes do escritório da William Morris. Na altura tinha dezesseis anos, era mais baixinha do que eu a imaginara e muito vulnerável. Sentou-se a meu lado na nossa mesa.
- Tenho muito prazer em conhecê-lo, senhor Sheldon.
- E eu tenho muito prazer em conhecê-la, menina Duke.
Durante o almoço, fomos conversando e a timidez dela pareceu desaparecer, mas a vulnerabilidade permaneceu. Ela segurou na minha mão durante o almoço e era óbvio para mim que estava esfomeada por amor.
Patty vinha de uma família terrível. Assemelhava-se a um conto de Charles Dickens. A mãe era psicótica. O pai um bêbedo que abandonara a família. Aos sete anos, Patty fora viver com o seu empresário, John Ross, e Ethel, a mulher deste, que viviam num pobre apartamento. Patty nunca tivera uma família.
Antes do The Patty Duke Show, John Ross era um pequeno empresário que se debatia para sobreviver. A sua clientela era composta por pequenos atores. Entre eles havia um chamado Ray Duke.
Um dia, Duke chegou junto de Ross e perguntou-lhe se ele estava disposto a representar a sua irmã, Anna, que até a altura ainda não tivera nenhum papel como atriz. Ross conheceu a miúda de sete anos e concordou em representá-la.
Uns meses mais tarde, quando a vida em casa de Anna se tornou insuportável, os Ross concordaram que ela fosse viver com eles e imediatamente mudaram o seu nome para Patty. A ordem viera de Ethel Ross, que declarou: “A Anna Mane morreu. Agora se chama Patty.”
John Ross lera que uma peça chamada The Miracle Worker ia ser produzida na Broadway e decidiu que Patty Duke seria ideal para o papel de Helen Keller, uma menina cega, surda e muda. Preparou-a durante meses. Quando ela finalmente competiu contra uma centena de outras miúdas e ganhou o papel, as suas vidas mudaram completamente. No dia que se seguiu ao da estréia da peça, a sua jovem e desconhecida cliente tornara-se uma estrela da noite para o dia.
Ross começou a receber propostas de milhares de dólares por semana. Em vez de bater à porta dos produtores e de lhes pedir que contratasse a sua cliente, Ross começou a ser assediado por produtores, realizadores e executivos dos estúdios. Nem podia acreditar na sua boa estrela.
Quando o almoço acabou, apercebi-me de como ficara cativado por Patty. Achava-a irresistível.
- Gostaria de vir hoje à noite a minha casa e jantar comigo e com a minha mulher Jorja? Perguntei.
Ela ficou radiante.
- Com todo o gosto.
Jorja ficou tão encantada com ela quanto eu. Era esperta e viva e manteve-nos a rir durante toda a noite.
A certa altura, eu e a Jorja estávamos a conversar quando, de repente, me apercebi que Patty se levantara da mesa. Levantei-me e fui à procura dela. Estava na cozinha a lavar a louça. Foi isso que me fez tomar uma decisão.
- Patty, eu vou escrever um espetáculo para ti. Recebi um enorme abraço e ela disse-me baixinho:
- Muito obrigada.
Decidi que, se ia ter o meu nome num programa de televisão, queria poder ser eu a controlar a qualidade. Tive a minha primeira reunião com os produtores.
- Sidney, estamos encantados por aceitar fazer o programa.
- Muito obrigado.
- Além de ser o criador, será o editor da história e supervisionará os outros escritores.
- Eu não quero outros escritores. Ficaram a olhar para mim.
- Como?
- Se vou fazer este programa, quero ser eu a escrevê-lo.
- Sidney, isso é impossível. Temos uma encomenda para trinta e nove programas, um por semana.
- Tenho a intenção de escrever todos eles.