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O outro lado de mim [em Português]

Электронная книга - «O outro lado de mim [em Português]». Краткое содержание книги:

O livro traz detalhes inéditos, reveladores e sinceros, com as memórias do escritor Sidney Sheldon, um dos maiores bestsellers de toda a história, com mais de 300 milhões de livros vendidos, em 51 idiomas e em mais de 180 países. Todos os 18 romances do autor alcançaram a Lista dos Mais Vendidos. Sheldon assinou obras como 'O outro lado da meia-noite', 'A herdeira', 'A ira dos anjos', 'Juízo final', entre outros. O livro apresenta revelações sobre a vida do autor em Hollywood, ao lado de estrelas como Cary Grant, Marylin Monroe, Judy Garland, Frank Sinatra e Doris Day. 'O outro lado de mim' traz alguns detalhes sobre a vida pessoal do autor, como a infância em Chicago, em um ambiente familiar instável com as constantes discussões dos pais, a revelação de ser portador da psicose maníaco-depressiva, e muito mais.
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- Nós queremos duzentos e cinquenta mil. Respondeu o agente. Thau, que era um negociador duro, mostrou-se indignado.

- E porque é que devemos dar-lhe um aumento? Ele não é assim tão importante. Este papel é uma oportunidade para ele.

- Benny, tenho de lhe dizer o seguinte. Ele tem uma oferta para fazer outro filme. E esses estão dispostos a pagar os duzentos e cinquenta.

Muito bem. Eles que paguem. Nós arranjamos outro respondeu Thau teimosamente.

E foi assim que, em vez entrar em Jumbo, Richard Burton fez o Cleopatra, conheceu Elizabeth Taylor, apaixonou-se por ela e, juntos, criaram um excitante novo CAPÍTULO nos mexericos amorosos de Hollywood. A minha teoria é que se Thau tivesse pagado os cinquenta mil dólares a mais, Richard Burton teria feito o jumbo e ter-se-ia casado com Martha Raye.

Contratamos Stephen Boyd para o principal papel masculino e o filme estava pronto para iniciar as filmagens. O elenco era brilhante. Doris Day era perfeita para o papel de Kitty Wonder. Stephen Boyd era excelente e Martha Raye uma delícia. Mas o meu preferido era Jimmy Durante.

Durante começara como pianista. Abrira um clube noturno e criara um número com dois outros artistas, Jackson e Clayton. Quando decidiu trabalhar sozinho, manteve os seus dois anteriores parceiros na sua lista de pagamentos. Adorava contar histórias sobre o passado e jamais o ouvi dizer uma palavra menos agradável sobre quem quer que fosse.

O meu argumento foi aprovado e a produção iniciou-se. Durante as filmagens, tudo correu sobre rodas. Quando o filme estreou, Jumbo foi nomeado para o prêmio da Writers Guild para o melhor musical americano do ano.

Sam Weisbord, o meu agente, ligou-me.

- Sidney, acabamos de vender o Patty Duke à ABC:

Claro que eu conhecia aquele nome. Com doze anos, Patty Duke conseguira o papel de Helen Keller na peça Th eMiracle Workere conquistara a Broadway, e depois, com o filme, recebera um Oscar.

Sam prosseguiu:

- Já temos um horário. As quartas-feiras, oito da noite. Vamos chamar ao programa The Patty Duke Show. Está tudo a andar. Mas temos um problema.

- Não percebo. Se tudo funcionar, qual é o teu problema?

- É que não temos programa.

Eles tinham vendido só o nome de Patty Duke.

- Queremos que cries um.

- Lamento muito, Sam, mas a resposta é não.

No início dos anos sessenta, as pessoas que trabalhavam no cinema olhavam com desdém as que trabalhavam na televisão. Quando a televisão estava na sua infância, as estações de televisão foram aos estúdios e disseram: “Temos uma nova e espetacular forma de distribuição, mas não sabemos como criar entretenimento. Porque não nos tornamos sócios?”

A resposta era simples. Os estúdios tinham os seus próprios meios de distribuição. Chamavam-se salas de cinema e a maior parte dos estúdios possuía as suas próprias cadeias. Não lhes interessava envolver-se com uma tecnologia nova que consideravam uma moda passageira. Os estúdios eram tão anti-televisão que não permitiam sequer que as suas estrelas fossem vistas na televisão a assistirem a uma estreia.

Eu fora condicionado por esta atitude e lembrava-me da minha experiência com Desi, por isso foi natural para mim responder ”Lamento muito, Sam, mas não faço televisão.”

Fez-se uma pausa.

- Muito bem. Compreendo. Mas, só por delicadeza, importas-te de almoçar com a Patty Duke?

Não havia qualquer mal nisso. A verdade é que até tinha curiosidade em a conhecer.

Combinamos almoçar no Brown Derby. A Patty vinha acompanhada por quatro agentes do escritório da William Morris. Na altura tinha dezesseis anos, era mais baixinha do que eu a imaginara e muito vulnerável. Sentou-se a meu lado na nossa mesa.

- Tenho muito prazer em conhecê-lo, senhor Sheldon.

- E eu tenho muito prazer em conhecê-la, menina Duke.

Durante o almoço, fomos conversando e a timidez dela pareceu desaparecer, mas a vulnerabilidade permaneceu. Ela segurou na minha mão durante o almoço e era óbvio para mim que estava esfomeada por amor.

Patty vinha de uma família terrível. Assemelhava-se a um conto de Charles Dickens. A mãe era psicótica. O pai um bêbedo que abandonara a família. Aos sete anos, Patty fora viver com o seu empresário, John Ross, e Ethel, a mulher deste, que viviam num pobre apartamento. Patty nunca tivera uma família.

Antes do The Patty Duke Show, John Ross era um pequeno empresário que se debatia para sobreviver. A sua clientela era composta por pequenos atores. Entre eles havia um chamado Ray Duke.

Um dia, Duke chegou junto de Ross e perguntou-lhe se ele estava disposto a representar a sua irmã, Anna, que até a altura ainda não tivera nenhum papel como atriz. Ross conheceu a miúda de sete anos e concordou em representá-la.

Uns meses mais tarde, quando a vida em casa de Anna se tornou insuportável, os Ross concordaram que ela fosse viver com eles e imediatamente mudaram o seu nome para Patty. A ordem viera de Ethel Ross, que declarou: “A Anna Mane morreu. Agora se chama Patty.”

John Ross lera que uma peça chamada The Miracle Worker ia ser produzida na Broadway e decidiu que Patty Duke seria ideal para o papel de Helen Keller, uma menina cega, surda e muda. Preparou-a durante meses. Quando ela finalmente competiu contra uma centena de outras miúdas e ganhou o papel, as suas vidas mudaram completamente. No dia que se seguiu ao da estréia da peça, a sua jovem e desconhecida cliente tornara-se uma estrela da noite para o dia.

Ross começou a receber propostas de milhares de dólares por semana. Em vez de bater à porta dos produtores e de lhes pedir que contratasse a sua cliente, Ross começou a ser assediado por produtores, realizadores e executivos dos estúdios. Nem podia acreditar na sua boa estrela.

Quando o almoço acabou, apercebi-me de como ficara cativado por Patty. Achava-a irresistível.

- Gostaria de vir hoje à noite a minha casa e jantar comigo e com a minha mulher Jorja? Perguntei.

Ela ficou radiante.

- Com todo o gosto.

Jorja ficou tão encantada com ela quanto eu. Era esperta e viva e manteve-nos a rir durante toda a noite.

A certa altura, eu e a Jorja estávamos a conversar quando, de repente, me apercebi que Patty se levantara da mesa. Levantei-me e fui à procura dela. Estava na cozinha a lavar a louça. Foi isso que me fez tomar uma decisão.

- Patty, eu vou escrever um espetáculo para ti. Recebi um enorme abraço e ela disse-me baixinho:

- Muito obrigada.

Decidi que, se ia ter o meu nome num programa de televisão, queria poder ser eu a controlar a qualidade. Tive a minha primeira reunião com os produtores.

- Sidney, estamos encantados por aceitar fazer o programa.

- Muito obrigado.

- Além de ser o criador, será o editor da história e supervisionará os outros escritores.

- Eu não quero outros escritores. Ficaram a olhar para mim.

- Como?

- Se vou fazer este programa, quero ser eu a escrevê-lo.

- Sidney, isso é impossível. Temos uma encomenda para trinta e nove programas, um por semana.

- Tenho a intenção de escrever todos eles.

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