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O outro lado de mim [em Português]

Электронная книга - «O outro lado de mim [em Português]». Краткое содержание книги:

O livro traz detalhes inéditos, reveladores e sinceros, com as memórias do escritor Sidney Sheldon, um dos maiores bestsellers de toda a história, com mais de 300 milhões de livros vendidos, em 51 idiomas e em mais de 180 países. Todos os 18 romances do autor alcançaram a Lista dos Mais Vendidos. Sheldon assinou obras como 'O outro lado da meia-noite', 'A herdeira', 'A ira dos anjos', 'Juízo final', entre outros. O livro apresenta revelações sobre a vida do autor em Hollywood, ao lado de estrelas como Cary Grant, Marylin Monroe, Judy Garland, Frank Sinatra e Doris Day. 'O outro lado de mim' traz alguns detalhes sobre a vida pessoal do autor, como a infância em Chicago, em um ambiente familiar instável com as constantes discussões dos pais, a revelação de ser portador da psicose maníaco-depressiva, e muito mais.
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- Não, não vai morrer. Ela acenou com a cabeça.

- Então, está bem. E ficou combinado. Tratei da parte financeira.

Três semanas mais tarde, à meia noite, o doutor Watson ligou:

- Vocês têm uma menina saudável.

A chamamos de Elizabeth April, e o nome assentava-lhe que nem uma luva. Era maravilhosa, saudável, de olhos castanhos. Eu achava que ela tinha um sorriso fantástico, mas Jorja informou-me que deviam ser gases.

Assim que nos foi permitido, levamos Elizabeth April para casa e a vida recomeçou. Eu e Jorja começamos a sonhar e a planear para ela o que planeáramos para Alexandra. No que nos dizia respeito, Elizabeth April era da nossa carne e sangue, uma parte das nossas vidas, íamos mandá-la para as melhores escolas e deixá-la escolher a carreira que quisesse. Mary adorava-a.

Demos a Elizabeth os maravilhosos fatinhos que tínhamos comprado para Alexandra. Compramos pincéis e um cavalete, para o caso de ela ter uma inclinação para artista. As lições de piano viriam depois.

À medida que os meses passavam, era óbvio que Elizabeth April adorava a sua irmã mais velha. Sempre que esta se aproximava do berço, Elizabeth April soltava risinhos. Iam crescer juntas e amar-se.

Quando faltava uma semana para Elizabeth April fazer seis meses, o doutor Watson telefonou.

- Doutor, fez uma excelente escolha. Nunca vi um bebê tão feliz. Não tenho palavras para lhe expressar a nossa gratidão.

Fez-se um longo silêncio.

- Senhor Sheldon, acabei de receber um telefonema da mãe do bebê. Ela quer a filha de volta.

O meu sangue gelou.

- De que raio está para aí a falar? Nós adotamos a Elizabeth April e...

- Infelizmente, há uma lei neste estado que diz que a mãe que dá um filho para adoção pode mudar de idéias nos primeiros seis meses. A mãe e o pai da bebê decidiram casar e ficar com a filha.

Quando dei as notícias a Jorja, ela ficou pálida, e pensei que ia desmaiar.

- Eles... eles... eles não nos podem tirar o nosso bebê... Mas a verdade é que podiam.

Elizabeth April foi levada no dia seguinte. Eu e Jorja não podíamos acreditar no que estava a acontecer.

Mary soluçava e, por entre lágrimas, disse:

- Ela foi boa enquanto durou.

Não sei muito bem como conseguimos superar a terrível dor dos meses que se seguiram, mas de alguma forma lá o fizemos. Encontramos apoio na Igreja da Ciência Religiosa, uma não denominacional combinação racional de religião e ciência. A sua filosofia de paz e de bondade era exatamente aquilo de que precisávamos. Fizemos vários cursos gerais durante um ano e depois mais um segundo. Foi uma extraordinária experiência de conciliação. Continuamos a sentir o vazio nas nossas vidas, mas, preparados ou não, a vida continua.

CAPÍTULO 29

Perguntou-se uma vez ao famoso letrista Sammy Gahn o que vinha primeiro, a música ou a letra. A resposta dele foi:

“Nem uma nem outra. Primeiro vem o telefonema.” O telefonema veio de Joe Pasternak.

- Sidney, a MGM acabou de me comprar o Jumbo. Queremos que escrevas o argumento. Estás disponível?

Eu estava disponível. Jumbo, de Billy Rose, estreou na Broadway em 1935. Billy Rose, um dos principais produtores da Broadway, não era pessoa para fazer as coisas de forma discreta. Instalara-se no imenso Hippodrome Theatre, na rua Quarenta e Três, e recriara uma enorme tenda de circo, com os espectadores a olharem para baixo, para a ”arena”. Jimmy Durante e Paul Whiteman entravam no espetáculo, Ben Hecht e Charley MacArthur escreveram o guião, Rodgers e Hart fizeram a banda sonora e George Abbot dirigira. A creme de la creme em todos os sentidos.

Quando o espetáculo estreou, as críticas foram excelentes, mas havia um problema.

A produção era tão cara que era impossível pagar os custos, quanto mais ter lucro. Saiu de cena ao fim de cinco meses.

Já se tinham passado perto de dez anos desde que eu estivera na MGM, mas parecia-me que tudo estava na mesma. Depressa saberia como estava enganado.

Joe Pasternak não mudara em nada. Continuava com a mesma maravilhosa exuberância.

- Já contratei a Doris Day, a Martha Raye e o Jimmy Durante. Para conseguir a Doris tive de pôr o marido dela, o Marty Melcher, como produtor. O teu velho amigo, Chuck Walters, vai dirigir.

Eram boas notícias. Não via Chuck desde que trabalhamos no Easter Parade.

- E quem vai ter o papel masculino principal? Pasternak hesitou.

- Ainda não temos ninguém, mas há um ator que está a representar o Camelot na Broadway que parece ideal para o papel.

- Como é que se chama?

- Richard Burton. Quero que vás com o Walters a Nova Iorque e o vejam.

- Com todo o prazer.

Foi nesse dia, quando entrei na cantina para almoçar, que tive um choque. Pauline, a mesma empregada, continuava lá a trabalhar. Nos cumprimentamos e, quando ela me indicou uma mesa, perguntei:

- Qual é a mesa dos escritores?

- Não há mesa dos escritores.

- Muito bem. Então vamos dar início a uma. Ela olhou para mim por momentos.

- Senhor Sheldon, receio que se vá sentir muito sozinho. O senhor é o único escritor aqui dentro.

De cento e cinquenta escritores para ”O senhor é o único escritor aqui dentro”. Demonstrava bem como Hollywood se alterara nos últimos dez anos.

Passei os dias que se seguiram a trabalhar numa linha para adaptar a história de Jumbo ao cinema. Na sexta-feira, Charles Walters e eu voamos até Nova Iorque para ver Richard Burton em Camelot.

Era uma gigantesca produção com Julie Andrews e Robert Goulet. A direção era de Moss Hart. Burton era brilhante.

O estúdio tratara de tudo para que ceássemos com Burton depois do espetáculo. Quando ele chegou ao Sardi’s, já lá estávamos à espera. Era maior do que a vida aberto, gregário, cheio do encanto galês. Era culto, inteligente e tinha uma mente viva. Não era uma grande estrela, mas em breve o seria.

Como eu não tivera tempo para escrever as linhas gerais da minha história, disse:

- Ainda não tenho nada em papel, mas gostava de lhe poder contar a história.

- Adoro histórias. Avance. Respondeu ele a sorrir.

Jumbo era uma romântica história de amor, passada num ambiente de rivalidade entre dois circos. Assim que acabei de contar a história, Burton mostrou-se entusiasmado.

- Adoro. E adoraria trabalhar com a Doris Day. Ligue para o meu agente e diga-lhe para fazer o acordo. Pediu.

Eu e Chuck olhamos um para o outro. Tínhamos o nosso homem. Tudo estava a postos.

Na manhã seguinte, regressamos a Hollywood. Joe Pasternak disse a Benny Thau para fechar o negócio do Burton, Thau ligou para Hugh French, o agente de Burton em Hollywood, e marcou uma reunião.

Depois de trocarmos cumprimentos, Hugh French começou a falar:

- Richard telefonou-me. Gostou muito do projeto. Está ansioso por fazê-lo.

- Muito bem. Vamos tratar dos contratos.

- Por quanto? Perguntou Hugh French.

- Duzentos mil dólares. Foi o acordado no último filme dele.

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