O outro lado de mim [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 2005
- Язык: португальский
- Переводчик: Luiza Mascarenhas
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «O outro lado de mim [em Português]». Краткое содержание книги:
- Estou pronto.
Felizmente, os bombeiros conseguiram controlar o fogo e a nossa casa nada sofreu.
Ouvi uma voz conhecida ao telefone.
- Os críticos estão doidos. Li o argumento de Roman Candle e adorei. Era Don Hartman.
- Obrigado, Don. É muito simpático. Não mandem flores.
- Tenho um projeto que quero que escreva para mim. Chama-se Al´s in a Night Work. O Dean Martin e a Shirley MacLaine são os artistas principais. O Hal Wallis vai produzir. O argumento é bom mas tem de ser rescrito para as nossas estrelas.
Eu gostei muito de trabalhar com Dean.
- Ótimo. Quando é que pode começar?
- Infelizmente, não posso começar já. Preciso pelo menos de uns quinze minutos.
Ele riu.
- Vou falar com o seu agente.
Era bom estar de volta à Paramount. Proporcionara-me excelentes recordações. Continuava a haver uma série de caras conhecidas, produtores, realizadores, escritores, secretárias. Sentia-me como se tivesse regressado a casa.
Tive uma reunião com Hal Wallis. Conhecera-o a nível social, mas nunca trabalhara com ele. Ele produzira uma série de filmes de prestígio, entre eles Littk Caesar, The Rainmaker, lama Fugitive from a Chain Gange The Rose Tattoo. Hal era baixo, de constituição compacta e com ar sério. Já nos setenta anos, estava mais ativo do que nunca.
Quando entrei no seu gabinete, ele ergueu-se:
- Pedi-o expressamente a si porque acho que este filme é o seu gênero.
- Estou ansioso por começar a trabalhar.
Discutimos o filme e ele contou-me a sua visão. Quando me vinha embora, ele disse:
- A propósito, li o Roman Candle. É uma excelente peça. Tarde de mais, Hal
- Obrigado.
Estava na hora de voltar ao trabalho.
Edmund Beloin e Maurice Richlin tinham escrito o argumento e era excelente, mas Don tinha razão. Precisava ser moldado para Dean e Shirley. Eles eram personalidades tão distintas que a adaptação seria fácil, e comecei a escrever.
Uma noite, quando regressava a casa vindo do estúdio, Jorja estava à minha espera com um enorme ramo de flores. Tinha um ar de satisfação.
- Feliz dia do Pai. Olhei para ela, espantado.
- Mas... hoje não é...
Mas logo percebi onde ela queria chegar. Tomei-a nos braços e abracei-a.
- Queres um menino ou uma menina? Perguntou.
- Dois de cada.
- Pois, para ti É fácil dizer. Abracei-a com mais força.
- Querida, isso não interessa. Vamos só esperar que o bebê seja tão maravilhoso como Mary.
- Mary tinha cinco anos. Como se sentiria ela com um irmão ou uma irmã?
- Dizes-lhe tu ou digo-lhe eu?
- Já lhe disse.
- E como foi que reagiu?
- Bom, respondeu que estava muito contente, mas, uns minutos depois, vi-a a contar os passos entre o nosso quarto e o quarto dela e os passos do nosso quarto ao quarto que vai ser do bebé.
Ri.
- Ela vai adorar ser irmã mais velha.
- Que nome vamos dar ao bebê? Perguntei.
- Se for rapariga, gostaria de lhe chamar Alexandra.
- É um nome bonito. Se for um rapaz, chamamos-lhe Alexandre. Significa defensor da humanidade.
- Parece-me bem. Respondeu Jorja a sorrir. Conversamos toda a noite sobre os nossos planos para Mary e o bebê. De manhã, estava exausto, mas feliz. Incrivelmente feliz.
O argumento para Al in a Night’s Work corria bem. Conversei várias vezes com Hal Wallis e os comentários dele ajudaram bastante. Os cenários estavam a ser construídos e foi contatado um realizador chamado Joseph Anthony.
Cliff Robertson e Charles Ruggles foram acrescentados ao elenco. Embora já tivesse trabalhado antes com Dean, nunca conhecera Shirley MacLaine. Só sabia que era uma atriz cheia de talento e que acreditava que já tinha vivido vidas anteriores. Talvez fosse verdade. Mas, quando a conheci nesta sua vida atual, revelou-se uma ruiva cheia de dinamismo com uma extraordinária energia.
- Sidney Sheldon.
Ela olhou-me atentamente.
- Shirley MacLaine. Tenho muito gosto em conhecê-lo, Sidney.
Interroguei-me se nos teríamos conhecido numa vida prévia. Assim que me viu, Dean sorriu.
- Ainda não se fartou de mim?
- Nunca.
Dean não mudara em nada. Era o mesmo homem descontraído e de trato fácil que eu conhecera, completamente intocado pelo seu estatuto de estrela.
Depois de se terem separado, Jerry fez mais quarenta filmes e dedicou-se a angariar dinheiro para crianças com distrofia muscular. Dean continuou a fazer filmes e entrou em programas de televisão de sucesso.
A televisão adequava-se perfeitamente ao estilo de vida de Dean. O seu contrato com a cadeia de televisão dizia que ele não precisava ensaiar. Dean entrava, fazia o programa e desejava as boas noites. E o programa era um sucesso.
Eu e Jorja dávamos jantares e éramos convidados. De forma a não emular a tendência de Otto para usar os seus amigos, eu exagerava em fazer exatamente o oposto e, sem querer, acabava por magoar pessoas maravilhosas. Eddie Lasker era o herdeiro da fabulosa agência de publicidade Lord &Thomas. A mulher, Jane Greer, era uma bela e bem sucedida atriz. Convidavam-nos frequentemente para casa deles e as festas que davam eram suntuosas. Jorja e eu gostávamos muito de estar com eles.
Uma noite, Eddie disse:
- Nós divertimo-nos tanto juntos, porque é que não marcamos um encontro para todas as semanas?
E eu pensei: Eu não tenho dinheiro para festas tão caras como estas. Estaria a aproveitar-me deles. Por isso respondi:
- Eddie, vamos nos encontrar sempre que for possível, está bem? Vi na cara dele que ficara magoado.
Outro casal de quem gostávamos muito era Arthur Hornblow e a mulher, Lenore. Ele era um produtor de sucesso.
- Tenho um projecto que penso que vais gostar. Disse Arthur certo dia.
Ele é bem sucedido e eu preciso de um emprego, mas não me quero aproveitar. Assim, respondi:
- Arthur, vamos manter as coisas num nível social, está bem? E eu perdi um amigo.
Al in a Night’s Work estava terminado e pouco tempo depois Jorja estava pronta para dar à luz o nosso segundo bebé. Desta vez, eu estava preparado. Sabia onde era o hospital e partimos cedo para que não houvesse correrias de última hora. Deram-nos um quarto e agora não havia mais nada a fazer senão esperar pela chegada do nosso menino ou menina. Não importava o que viesse.
O obstetra, o doutor Blake Watson, já estava no hospital.
À uma da manhã, a Alexandra chegou. Eu estava à espera do lado de fora da sala de partos quando o doutor Watson e duas enfermeiras apareceram, apressados. O Doutor Watson tinha o bebé nos braços, embrulhado num cobertor.