O outro lado de mim [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 2005
- Язык: португальский
- Переводчик: Luiza Mascarenhas
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «O outro lado de mim [em Português]». Краткое содержание книги:
Eu conhecera Alan quando estávamos na MGM e gostava dele. Ele e Frederick Loewe eram extraordinariamente dotados e lamentava que tivessem perdido tempo e gasto o seu talento num espetáculo que nunca iria ser levado à cena. Todos diziam que íamos ter um grande sucesso. Com Moss Hart a dirigir Roman Candle, ia ser um êxito.
- És capaz de ligar ao Moss e dizer-lhe que vamos avançar? Pedi à Audrey.
- Claro. – Respondeu - Quanto mais depressa iniciarmos esta peça, melhor.
No dia seguinte, tive uma reunião com Audrey Wood e Ethel Linder Reiner.
- Recebi um telegrama de Moss.
E Audrey leu-o em voz alta. ”Querida Audrey, recebi o teu ultimato, mas eu estou a meio de uma autobiografia chamada Act One e vou demorar ainda uns seis meses até a acabar e poder dirigir a peça do Sidney.” Ela olhou para mim.
- Vamos arranjar outro diretor.
Era o momento de eu dizer alguma coisa. Não há diretor melhor que Moss Hart. Não temos pressa para estrear a peça. Esperemos por ele. Mas eu detestava confrontos. Desde pequeno que, por ter ouvido as amargas discussões entre Natalie e Otto, fugia sempre às discussões. Assim, concordei:
- Como queiram.
Foi um dos maiores erros da minha vida. Verificou-se que Ethel Linder Reiner era uma diletante. Não percebia nada da Broadway, nem de Hollywood. Quando a apresentei a William Wyler, que ia realizar o filme, o comentário dela foi: “Adorei o Sunset Boulevard”, um clássico que, claro, fora dirigido pelo Billy Wilder.
Começamos a fazer os testes para a peça. Ela escolheu Inger Stevens, uma jovem e belíssima actriz que fizera alguns programas de televisão, Robert Sterling e Julia Meade. O director era o David Pressman, que tinha muito pouca experiência. Como dramaturgo da peça, eu tinha o direito de aprovar o diretor e os atores, mas eu não queria criar ondas. Inger Stevens e Robert Sterling voaram para Nova Iorque e os ensaios começaram.
William Wyler telefonou-me.
- Sidney, estamos com um problema. Respirei fundo.
- O que foi que aconteceu?
- A Audrey Hepburn e a Shirley MacLaine leram a tua peça. Ambas querem fazer o filme.
- Willie... que todos os problemas sejam esses!
A peça começa com uma belíssima médium que vai a Nova Iorque porque viu na capa da revista Time a fotografia do homem com quem se vai casar. Ele é um cientista que está noivo da filha de um senador. As complicações começam. O Exército não ficou nada satisfeito com o facto de um cientista andar metido com uma mulher que afirma ser médium.
Os ensaios correram bem. A peça estreou fora da cidade e as críticas podiam ter sido escritas pela Natalie.
Em Filadélfia: “A alegre comédia de Sidney Sheldon é uma fonte de deleite puro. Hilariante...”.
Em New Haven, ”Roman Candlede Sidney Sheldon foi responsável por inúmeras gargalhadas no Schubert Theatre ontem à noite...”
TheJournalEvenning, de Wilmington, no Delaware: ”Roman Candle é a mais encantadora comédia sobre as forças armadas desde No Time for Sargeants...”
John Chapman: ”Roman Candle é uma farsa alegre e cheia de anedotas sobre as nossas forças armadas e uma bela médium.”
Em todos os teatros em que atuamos, as paredes ressoavam com as gargalhadas dos espectadores.
- Esta peça vai estar anos em cena. Comentou a Audrey.
Tentei controlar o meu entusiasmo. Em todas as cidades em que atuamos recebemos excelentes críticas. Continuei a trabalhar na peça, a melhorá-la, a afiná-la. As cenas funcionavam maravilhosamente. Estávamos quase prontos para ir para Nova Iorque. Todos estavam entusiasmados e com razão. Tínhamos uma peça que as audiências adoravam. Estava na hora de estrear em Manhattan. Tínhamos conseguido o Cort Theatre, que era perfeito para a peça. As brilhantes críticas das outras cidades tinham-nos precedido. As páginas culturais dos jornais de Nova Iorque estavam cheias de fotografias do elenco e de artigos a proclamar-nos como um estrondoso sucesso. Os telegramas de felicitações choviam da família, dos amigos, da Broadway e de Hollywood. Todos estavam excitados. Começamos a fazer apostas.
- Aposto que vai estar em cena dois anos. Dizia o produtor.
- Com as tournées pode estar três anos, talvez até mesmo quatro. Comentou Audrey.
Viraram-se para mim. Eu já recebera demasiadas lições bem amargas.
- Há muito tempo que deixei de apostar no teatro. Foi a minha resposta.
A noite de estréia correu bem e a audiência apreciou o espetáculo. Ao fim da noite lemos as primeiras críticas.
New York Times: “Tem menos graça que uma corrida de bicicletas de seis dias...”
Variety: “As personagens são espantosamente descoloridas.”
New York Hemld Tribune: “Não fique com a impressão de que o espetáculo é pretensioso. Não é. Romam Candleé uma peçazinha sem interesse, modesta e teimosa.”
QMagazine: “Os actores tornam o palco do Cort Theatre mais vivo e mais excitante do que o guião permite.”
Afeal York Daily News: “A trama de Roman Candle avança, mas não consegue manter o ritmo.”
Um especialista disse um dia que um crítico é alguém que espera que estréie uma peça com problemas para lhe dar um tiro e a abater.
Roman Candle saiu de cena ao fim de cinco espetáculos.
Pouco depois de termos saído de cena, Lerner e Loewe puseram em produção o seu espetáculo sobre uma médium. Chamava-se On a Clear Day You Can See Forever.
Foi um êxito.
O meu agente telefonou-me de Hollywood.
- Lamento muito isto da peça.
- Também eu.
- Receio ter más notícias para ti.
Pensei que estas eram as más notícias.
- Há mais. Wiliam Wyler decidiu que não vai realizar o filme. Este foi o golpe final.
Era muito fácil quase ter um êxito na Broadway.
CAPÍTULO 28
Um dia, deu-se um incêndio numa ravina perto de nossa casa. Se o fogo se espalhasse, dúzias de casas seriam destruídas. Um bombeiro apareceu à nossa porta.
- O fogo está a avançar muito depressa. Comecem a evacuar.
Jorja correu ajuntar as coisas de que precisava, eu peguei em Mary, que na altura estava com cinco anos e levei-a rapidamente para o carro. Tinha de decidir o que ia levar comigo. No escritório tinha uma coleção de prêmios, uma prateleira cheia de primeiras edições de livros, papéis de pesquisas, roupas de desporto e os meus tacos de golfe favoritos. Mas havia algo muito mais importante para eu levar.
Corri para casa, agarrei num punhado de canetas e em meia dúzia de blocos de papel amarelo que podia perfeitamente comprar numa loja qualquer por três vinténs porque, algures dentro de mim, pensei que talvez tivéssemos de passar algumas semanas num hotel e soube instintivamente que não podia interromper a minha escrita. Foi tudo o que tirei de casa.