O outro lado de mim [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 2005
- Язык: португальский
- Переводчик: Luiza Mascarenhas
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «O outro lado de mim [em Português]». Краткое содержание книги:
- Seria perfeita. Vou mandar-lhe o argumento e a banda sonora. Disse Fryer e rezar.
Cinco dias depois estávamos de volta ao escritório de Fryer. Ele sorria.
- A Bea Lillie adorou. Vai entrar.
- Que bom.
- Agora precisamos de um coreógrafo e estamos prontos a começar.
Mas ainda não era desta. Bea Lillie queria que fosse o namorado a dirigir o espetáculo.
Vimos outra vez a lista das atrizes disponíveis.
- Esperem aí. E que tal Gwen Verdon? Sugeriu Dorothy. A sala iluminou-se.
- Porque não pensamos nela antes? Ela é perfeita. É uma atriz belíssima, musical e cheia de talento... e é ruiva. Vou mandar-lhe a peça amanhã.
Desta vez a espera foi só de dois dias.
- Ela aceitou - Disse Robert Fryer, e suspirou - Mas temos um problema.
Olhamos para ele.
- Qual?
- Ela quer que o namorado a dirija.
- Quem é o namorado?
- Bob Fosse.
Bob Fosse era um coreógrafo espetacular. Acabara de coreografar dois sucessos, The Pajama Game e Damn Yankees.
- Ele alguma vez dirigiu alguma coisa? Perguntei.
- Não, mas é extremamente talentoso. Se todos estiverem de acordo, eu estou disposto a arriscar.
- Não me apetece nada perder a Gwen Verdon. Disse eu.
- Então, não a vamos deixar fugir. - Respondeu Dorothy e olhou para Robert Fryer - Vamos lá então falar com o Bob Fosse.
Bob Fosse andava pelos trinta e poucos anos, era um homem baixinho, intenso, e fora bailarino e actor em vários filmes de Hollywood. Passara a coreógrafo e tinha um estilo próprio muito excitante. A sua marca pessoal, quando dançava, era usar chapéu e luvas. Os chapéus serviam para disfarçar o fato de que começava a ficar careca. Dizia-se que usava as luvas porque não gostava das mãos.
Encontramos-nos num salão de ensaios fora da Broadway. Ele sabia exatamente o que queria fazer com o espetáculo. Estava cheio de excitantes idéias e, quando a reunião terminou, estávamos todos encantados por tê-lo. Era um negócio duplo. Ele ia fazer a coreografia e dirigir.
Complementamos o elenco com Richard Kiley e Leonard Stone e os ensaios começaram. Bem como os problemas.
Bob Fosse, como todos os bons coreógrafos, era um ditador. Tinha uma visão muito pessoal do especáculo. O libreto estava escrito, os cenários em construção, o guarda-roupa encomendado e Fosse estava constantemente desagradado com tudo. Emitia opiniões e era teimoso e estava a pôr-nos a todos com os nervos em franja. Porque aguentávamos tudo isto? Porque ele era um gênio. A coreografia dele era suficientemente brilhante para dar, só por si, vida ao espetáculo. Mas, quando ele tentou reescrever o argumento, isso não permiti. Herbert concordou comigo. Decidimos deixá-lo trazer outro escritor, David Shaw.
Os ensaios tinham um aspecto maravilhoso. Gwen era espantosa. As danças eram espetaculares e o argumento funcionava às mil maravilhas. Sustive a respiração à espera do que ia correr mal.
Natalie e Marty vieram a Nova Iorque para a estréia e Richard e a mulher, Joan, vieram de avião. Sentaram-se na platéia comigo e com Jorja. Desta vez ninguém saiu desapontado.
Estreamos no 46 Street Theatre em Nova Iorque, no dia 5 de Fevereiro de 1959, e as críticas foram unânimes nos elogios. Estavam encantados com a Gwen, adoraram as canções e as danças e gostaram do argumento.
”Melhor comédia musical da temporada...”, Watts, New York Post.
”O triunfo musical do ano, talvez de vários anos...”, Aston, New York Tekgram and Sun.
”Até agora, o melhor musical da temporada!...”, McClain, New York Joumal-Amertcan.
”Um musical de primeira!...”, Chapman, New York Times.
”Um vibrante sucesso...”, Kerr, New York Herald Tribune.
Nesse ano, Redhead recebeu sete nomeações para o Tony e ganhou cinco. Escusado será dizer que estávamos todos extasiados.
Três anos depois, Gwen Verdon e Bob Fosse casaram-se.
O elevador estava outra vez no topo e decidi que era a altura de regressar a Hollywood. Não ia ficar à espera que um estúdio me contrate. Escreveria uma peça que os estúdios quereriam comprar.
Era muito fácil ter um sucesso na Broadway. Eu sempre me interessara pela percepção extra-sensorial. Os filmes e as peças feitas sobre o tema eram sempre muito sérios. Imaginei que seria divertido escrever uma comédia romântica sobre uma maravilhosa jovem médium. Escrevi a peça e dei-lhe o nome de Roman Candle. O meu agente enviou-a a vários estúdios e aos produtores da Broadway e a excitação que se gerou deixou-me espantado. Recebi propostas de quatro produtores da Broadway.
Moss Hart, um dos principais diretores da Broadway, queria dirigi-la. Acabara de dirigir o sucesso da Broadway My Fair Lady. E queria o produtor com quem trabalhara, Herman Levin, para Roman Candle. Sam Spiegel também a queria produzir.
Audrey Wood, a minha agente, era uma mulher baixinha, dinâmica, e uma das agentes mais proeminentes da Broadway. Trabalhava com Bill Liebling, o marido, e os dois representavam alguns dos mais importantes dramaturgos, incluindo Tenessee Williams e William Inge.
- Esta vai ser uma peça importante. -Disse Audrey - Sam Spiegel ligou outra vez, está pronto para fazer o negócio. É amigo de Moss Hart e Moss vai dirigir para ele.
Fiquei encantado. Não havia ninguém melhor. Audrey ligou-me outra vez:
- Tenho mais notícias para ti. O William Wyler leu a tua peça e quer realizar o filme.
William Wyler era um importante realizador de Hollywood. Realizou, entre outros clássicos, Mrs. Miniver, Em Hur, The Best Years of Our Lives e Roman Holidays. Trabalhava com a Mirisch Company, que ia produzir o filme. Também queria investir na peça da Broadway. Eu tinha de fazer uma escolha, Sam Spiegel e Moss Hart ou William Wyler e a Mirisch Company?
- Como Moss quer fazer a peça, porque não pomos o Sam Spiegel a produzi-la e o Moss a dirigi-la e o filme é feito pelo William Wyler e a Mirisch Company? Perguntei a Audrey.
Ela abanou a cabeça.
- Duvido muito que Sam esteja interessado em produzir a peça se não puder ficar com os direitos do filme.
- Experimente. Pedi.
No dia seguinte, ela respondeu:
- Eu tinha razão. O Spiegel quer também os direitos do filme. Mas tenho um produtor que poderá ser excelente para esta peça. Acabou de produzir um êxito, Candide. Chama-se Ethel Linder Reiner.
Conheci Ethel Linder Reiner. Andava pelos cinquenta anos, tinha o cabelo grisalho e era muito agressiva.
- Gosto muito da sua peça. Vamos ter um êxito estrondoso. Disse.
Ouvira dizer que Alan Lerner e Frederick Loewe tinham escrito um espetáculo para a Broadway sobre um médium e que este estava pronto para ser produzido. Fora interrompido por causa do Roman Candle. Nos filmes e na televisão, um sucesso rapidamente gera imitações, mas na Broadway, a originalidade é a chave do sucesso. Lerner e Loewe não queriam montar um espetáculo sobre um médium quando um sobre o mesmo tema acabara de ser feito por outra pessoa. Estavam à espera para ver o que acontecia com Roman Candle.