O outro lado de mim [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 2005
- Язык: португальский
- Переводчик: Luiza Mascarenhas
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «O outro lado de mim [em Português]». Краткое содержание книги:
- Eu não posso aceitar. Respondi.
- Depois paga-me.
Eu estava quase a chorar. Ela trabalhava muito, não recebia ordenado e ainda por cima estava a dar-me dinheiro. Chegou o dia em que eu já não tinha dinheiro para pagar a prestação da casa.
- Perdemos a casa. Disse a Jorja. Ela viu bem a minha dor.
- Querido, não se preocupe. Já escreveste muitos sucessos antes, e vai escrevê-los de novo.
Ela não compreendia.
- Não vou não, nunca mais.
Lembrei-me da primeira casa que a minha família alugou, na rua Marion, em Denver. Eu vou casar aqui e os meus filhos vão crescer aqui... Nessa altura, contando as casas, apartamentos e hotéis, eu mudara-me treze vezes.
Na semana seguinte, desistimos da casa com a piscina e os maravilhosos jardins e aluguei um apartamento. Eu estava a viver a vida de Otto, numa montanha russa que me levava da prosperidade à pobreza num ciclo que parecia não ter mais fim. Sentia-me outra vez com tendências suicidas. Mantivera os pagamentos de uma apólice de um seguro de vida que chegaria para a Jorja e a Mary viverem. Elas estão melhores sem mim, decidi. E comecei a pensar no assunto.
Eu sabia que nunca mais ia ter a vida que tivera. Nunca mais teria a Europa, as festas maravilhosas, os sucessos. Ia sentir saudades de tudo isso e perguntava-me se seria melhor ter tido sucesso e tudo ter perdido ou nunca ter provado o sabor do sucesso de forma que nunca lhe sentiria a falta. Estava extremamente deprimido e o suicídio era a única saída que conseguia imaginar para aquela crise. Senhor Sheldon, está a sofrer de uma psicose maníaco depressiva... Em média, um em cada cinco pessoas que sofrem de psicose maníaco depressiva acabam por se suicidar.
Vivia um pesadelo que sentia nunca mais ter fim. Estava a ponderar seriamente o suicídio?
Tentei pensar em todos os sucessos que tivera, em vez dos fracaços, mas de nada serviu. Esta misteriosa química que existia dentro do meu cérebro não o ia permitir. Eu era incapaz de controlar as minhas emoções.
Mas, quanto mais pensava nisso, mais me apercebia de que não conseguia aceitar a idéia de deixar Jorja e Mary. Eu tenho de criar alguma coisa, pensei. Era óbvio que os estúdios cinematográficos não queriam nada comigo. E a televisão?
O meu programa preferido era o I Love Lucy, uma comédia brilhante que Lucille Bali e o marido, o produtor Desi Arnaz, punham no ar todas as semanas. Era a comédia mais popular da televisão. Talvez eu pudesse escrever qualquer coisa que interessasse Desi Arnaz. Pensei num título e numa ideia, Adventures of a Model. Seria uma comédia romântica, com todas as situações em que uma modelo maravilhosa se veria envolvida.
Levei uma semana a escrever o guião piloto. Marquei uma entrevista com Desi Arnaz.
- Muito prazer em conhecê-lo. - Disse ele - Tenho ouvido falar de si.
- Senhor Arnaz, tenho uma idéia para um piloto. E tirei para fora o manuscrito e dei-lho.
Assim que leu o título, o rosto dele iluminou-se.
- Adventures of a Model. Soa muito bem. Levantei-me.
- Quando tiver uma oportunidade para o ler, ficava-lhe muito grato que me dissesse qualquer coisa.
- Não, não. - Sente-se pediu - Vou lê-lo já.
Fiquei a observá-lo enquanto lia. Sorriu o tempo todo. Um bom sinal, pensei. Eu nem respirava.
Leu a última página e olhou para mim.
- Adorei. Vamos fazê-lo. Disse.
Eu já podia voltar a respirar. Senti-me como se um enorme peso tivesse sido tirado de cima do meu coração.
- A sério?
- Vai ser um êxito. Não há nada deste género no ar. E ainda o podemos fazer esta temporada disse ele. A CBS tem um espaço livre no horário. Vamos ver se o conseguimos apanhar.
CAPÍTULO 27
Eu não precisava de um carro para me levar até casa. Andava nas nuvens. Quando cheguei, Jorja estava à minha espera à porta. Olhou para a minha cara e perguntou:
- Boas notícias?
- Excelentes notícias. O Desi Arnaz vai produzir Adventures of a Model.
Abraçou-me.
- Isso é maravilhoso.
- Tu fazes idéia do que significa ter uma série de sucesso na televisão? Pode durar anos.
- E quando é que tens uma resposta?
- Dentro de um ou dois dias.
Dois dias mais tarde, recebi um telefonema do Desi.
- Estamos nisto. A CBS deu-nos o último espaço que tinha no horário.
- Hoje vamos sair para comemorar. Disse a Jorja. Laura, que ouvira a conversa, estava com ar radiante.
- Vocês os dois vão divertir-se. Deu-me outra nota de vinte dólares. Eu pago.
- Não posso. A Laura já foi...
- Pode sim. Abracei-a.
- Muito obrigado.
- Eu sempre soube que ia conseguir.
Saímos e fomos jantar a um restaurante italiano e tivemos um jantar maravilhoso.
- Eu nem posso acreditar - Disse eu - Estamos na CBS. Eu vou produzir o programa e escrever os guiões.
A caminho de casa, Jorja comentou:
- Estou tão orgulhosa de ti, querido. Eu sei o que passaste e como tem sido difícil, mas agora tudo acabou.
Desi telefonou-me na manhã seguinte.
- Pode vir ao meu escritório? Eu sorri.
- Claro que sim.
- Cheguei lá trinta minutos depois.
- Sente-se. Pediu.
- Certo. Quando é que começamos? Ele estudou-me por uns instantes.
- Sidney, a CBS tinha um espaço livre e nós o aproveitamos. Cancelaram o The Dick Van Dyke Show e puseram-nos no mesmo período. Danny Thomas, que é o dono do The Dick Van Dyke Show e de outros programas na CBS, pressionou-os e insistiu que dessem mais um ano ao The Dick Van Dyke Show. A estação acabou por ceder. Voltaram a pô-los no horário. Nós saímos.
Fiquei sentado, sem me mexer, incapaz de falar.
- Lamento muito. Talvez para a próxima temporada. Disse ele.
Eu estava outra vez perante a mesma escolha, desistir ou tentar de novo. Diabos me levassem se ia desistir.
Precisava de outro projeto, e sentei-me a criá-lo. Sentei-me no meu escritório durante uma semana, pondo de lado idéia atrás de idéia. Por fim, tive uma que me pareceu poder resultar. Não havia espetáculos na Broadway sobre ciganos. Eu tinha um título, King of New York. Seria sobre uma família cigana, com uma filha lindíssima que se apaixonava por um não cigano e todas as situações a que isso podia levar.
Eu não sabia nada sobre ciganos e tinha de fazer alguma pesquisa. Onde é que poderia aprender coisas sobre eles? Liguei para a polícia e pedi para falar com um detetive.
- Em que lhe posso ser útil?
- Gostava de fazer entrevistas a uns ciganos. Por acaso sabe onde posso encontrar alguns?
Ele riu.
- Sei. Normalmente temo-los presos na cadeia. De momento estão todos na rua. Posso dar-lhe o nome do homem que se intitula ”o rei”.
- Perfeito.
O homem chamava-se Adams e o detetive disse-me onde podia entrar em contacto com ele. Liguei-lhe e expliquei-lhe quem era e convidei-o para vir ao meu apartamento. Era um homem alto, corpulento, com cabelo negro e uma voz funda e grave.