O outro lado de mim [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 2005
- Язык: португальский
- Переводчик: Luiza Mascarenhas
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «O outro lado de mim [em Português]». Краткое содержание книги:
- Gostava de falar consigo sobre os costumes dos ciganos. - Disse eu - Quero saber tudo sobre a forma como vivem.
Ele ficou ali sentado, em silêncio.
- Eu lhe pago. Se conversar comigo e me explicar tudo o que preciso saber, eu lhe pago... - E hesitei - cem dólares.
O rosto dele iluminou-se.
- Muito bem. Pode dar-me o dinheiro já e... E eu sabia que nunca mais o veria.
- Não. Quero que venha cá uma vez por semana e conversamos e eu dou-lhe dinheiro cada vez que vier durante uma hora.
Encolheu os ombros.
- Está bem.
- Bom, então comece a falar.
Ele falava e eu tomava apontamentos. Eu queria conhecer os seus hábitos, como viviam, como se vestiam, como falavam, como pensavam. Ao fim de três semanas já sabia o suficiente para poder começar a escrever a peça. Quando a terminei, mostrei-a a Jorja.
- Está ótima. A quem é que a vais levar? Eu já decidira o que fazer.
- A Gower Champion.
Ele acabara de dirigir um êxito da Broadway chamado ByeBye Birdie. Fui ver Gower. Fora uma estrela musical na MGM, passara para a Broadway como diretor e tivera um enorme sucesso.
- Tenho uma peça que gostava que lesse. Disse eu.
- Muito bem. Parto hoje para Nova Iorque. Levo-a comigo e leio-a no avião.
Estupidamente, eu imaginara que ele ia fazer a mesma coisa que Desi Arnaz, lê-la imediatamente.
- Muito obrigado.
Quando cheguei a casa, Jorja perguntou:
- O que foi que ele disse?
- Disse que ia lê-la. O problema é que eu ouvi dizer que ele tem uma série de outros projectos em mãos. Mesmo que esteja interessado, pode levar ainda muito tempo até que a comece.
Gower Champion ligou-me na manhã seguinte.
- Sidney, eu acho que é excelente. Vai dar um musical maravilhoso. Nunca houve nada disto na Broadway. Vou ligar a Charles Strouse e a Lee Adams, que escreveram a banda sonora do Bye Bye Birdie, e trazê-los para trabalhar conosco.
Por qualquer razão, não me senti excitado. Tivera demasiados desapontamentos. Tentei soar um pouco entusiasmado.
- Que bom, Gower.
Desliguei o telefone e pensei em todos os sonhos que nunca se tinham tornado realidade.
Esperei por voltar a ter notícias de Gower e, cinco dias mais tarde, ele ligou. Parecia zangado.
- Está tudo bem? Perguntei.
- Não. Disse ao Strouse e ao Adams que queria que fizessem a música para esta história e estão a pedir uma percentagem maior. São uns ingratos filhos da mãe. Respondi-lhes que não cedia.
- Então, quem é que nós...?
- Não vou fazer a peça.
Um ano depois, outra pessoa estreou uma peça na Broadway chamada Bajour. Era sobre ciganos que viviam em Nova Iorque.
Numa altura em que eu devia estar deprimido, sentia-me feliz. Lembrei-me do que o Doutor Marmer me dissera sobre a psicose maníaco depressiva. É um desvio do cérebro que envolve episódios de mania e de depressão sérios, onde a disposição muda da euforia ao desespero... é um importante fator em trinta mil suicídios por ano. Eu estava eufórico. Sentia que algo de maravilhoso me ia acontecer.
Chegou por via de um telefonema.
- Quero falar com Sidney Sheldon, por favor.
- Sou eu próprio.
- Daqui fala Robert Fryer.
Era um produtor da Broadway muito conhecido.
- Diga, senhor Fryer.
- A Dorothy e o Herbert Fields pediram-me para lhe telefonar. Estão a escrever um musical para mim chamado Redhead e querem saber se estaria interessado em trabalhar com eles. Está interessado?
Se eu estava interessado em voltar a trabalhar com Dorothy e Herbert Fields? Se estava! Tentei parecer calmo.
- Sim, estou interessado.
- Ótimo. Então quando é que pode vir para Nova Iorque? Queremos começar o mais depressa possível.
Duas semanas mais tarde, Jorja, Mary e eu nos mudamos para Manhattan para um apartamento alugado. O nosso único desapontamento foi Laura não poder viajar conosco. Eu pagara-lhe todos os ordenados que lhe devia mais um bônus avultado. Foi uma despedida muito emotiva.
- Senhor Sheldon, eu não posso abandonar a minha família. Vou sentir saudades vossas e rezar por vocês. Esta era a Laura.
Robert Fryer andava pelos quarenta e tal anos e era um homem bem parecido, muito bem vestido, com uma paixão pelo teatro. Encontramos-nos no escritório dele, na rua Quarenta e Cinco.
- O Redhead vai ser um espetáculo grande. - Disse, entusiasmado - Estou muito satisfeito por vir trabalhar conosco.
- Também eu. Fale-me do espetáculo.
- A Dorothy está a escrever as letras das canções. A música está a ser escrita por Albert Hague. Você e o Herbert vão escrever o argumento. A peça tem lugar no virar do século, em Londres. A nossa figura principal é uma jovem que faz modelos em cera que são exibidos na câmara dos horrores de um museu de cera. Um assassino em série está à solta e não deixa pistas. Quando ele assassina a sua última vítima, a nossa heroína vê-o e faz um modelo dele. Ele fica determinado em matá-la. É uma mistura de mistério, suspense e canções e danças.
- Parece excitante.
Encontramos a Dorothy na casa dela.
Depois dos cumprimentos, ela disse:
- Vá, vamos trabalhar.
Ela e Herbert tinham criado uma trama de sonho. Não os voltara a ver depois de Annie Get Your Gun e era um prazer trabalhar outra vez com eles.
Os Fields apresentaram-me a Albert Hague, o compositor que fizera meia dúzia de espetáculos na Broadway. Era um brilhante músico.
Hague ficou famoso mais tarde no papel de Benjamin Shorofsky, na série de televisão Fame.
Como a idéia base dos Fields era tão excitante, escrever o argumento foi fácil. O Herbert e a Dorothy eram profissionais que trabalhavam em horário de escritório. Trabalhávamos das nove da manhã às seis da tarde e depois íamos todos para casa. Pensei nos dias frenéticos em que eu e Ben trabalhávamos vários espetáculos ao mesmo tempo até às primeiras horas da madrugada.
Arranjamos uma ama para Mary e, quando não estava a trabalhar, explorávamos Nova Iorque. Fomos aos teatros e aos museus e a alguns restaurantes. O primeiro a que levei Jorja foi o Sardi’s, e Vincent Sardi ainda lá estava, caloroso como sempre. Comemos uma refeição maravilhosa, acompanhada por uma garrafa de champanhe oferecida.
Eu e Herbert terminamos o primeiro esboço do libreto ao mesmo tempo em que Dorothy e Albert acabavam a banda sonora. Quando terminamos, nos unimos no escritório de Robert Fryer e verificamos o argumento e a banda sonora.
- Muito bom. É exatamente aquilo que esperava. Bom, e agora quem vamos escolher para o elenco? A quem é que damos o papel principal? Perguntou Fryer.
Precisávamos de uma artista que fosse atraente, simpática e que conseguisse cantar e representar comédia ao mesmo tempo. Não era uma combinação fácil de encontrar. Vimos a lista das atrizes e por fim chegamos a um nome de que todos gostávamos, Bea Lillie. Era uma estrela do palco inglesa, que representava comédia, cantava e dançava.