O outro lado de mim [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 2005
- Язык: португальский
- Переводчик: Luiza Mascarenhas
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «O outro lado de mim [em Português]». Краткое содержание книги:
Tinha um efeito fantástico.
- Como raio é que fez aquilo? Perguntei.
Ele quase sorriu.
- Já lhe mostro.
O segredo era simples, quando se sabia. Diretamente atrás da mulher, três ou quatro painéis da vedação tinham dobradiças que lhes permitia deslizarem para trás, criando um ângulo de quarenta e cinco graus. No momento em que Buster mergulhava entre as pernas da mulher, os membros da equipa, que estavam do outro lado da vedação, subiam rapidamente os painéis, que estavam ocultos da visão dos espectadores pela saia da mulher, criando uma abertura por detrás dela. Ele limitava-se a mergulhar sob a saia dela e atravessava rapidamente a abertura na vedação. Uma vez do outro lado, os homens repunham apressadamente os painéis, fechando a abertura. Ela afastava-se rapidamente, revelando aos espectadores uma vedação intacta e que Buster desaparecera. Tudo isto era feito numa fração de segundos e era fantástico, quando bem feito.
Donald fez a cena de forma soberba.
Outra cena que aparecia mais tarde no filme era mais um clássico de Buster Keaton. Passava-se nas docas e fomos para o litoral para a filmarmos. Era o bota abaixo de um barco e Donald estava orgulhosamente de pé na proa do barco enquanto este descia pela rampa.
A proa foi entrando devagarzinho pela água, cada vez mais fundo, e Donald ali permaneceu, sem qualquer expressão, enquanto ia submergindo lentamente, até que a certa altura já só se via o seu chapéu a flutuar.
Durante as filmagens percebi como Buster era tímido. Eu e Jorja o convidamos e a mulher, Eleanor, para um jantar. Entre os convidados havia um dirigente de um estúdio, alguns realizadores e vários atores e atrizes conhecidos.
Eu sabia que Buster já lá estava em casa, mas ainda não o vira. Entrei no escritório. Ele estava ali sozinho a ler um jornal.
- Buster, está tudo bem? Ele olhou para mim.
- Está tudo ótimo. E continuou a ler o seu jornal.
Quando o filme ficou pronto, Buster disse-me:
- Quero agradecer-lhe.
- Agradecer o quê?
- Pude comprar uma casa.
Todos no estúdio estavam muito satisfeitos. The Buster Keaton Story era o meu último filme sob o meu contrato com a Paramount, mas já estavam a falar com o meu agente sobre um contrato novo. A minha vida nunca fora tão boa.
Discuti com Don Hartman uma idéia que tive para um filme de suspense chamado Zone of Terror, que seria filmado na Europa.
Em Abril de 1957 saiu um artigo no Daily Variety:
Onde ir em Abril? Este é o problema com que Sidney Sheldon se debate.
Buster Keaton, que ele dirigiu, co-produziu e co-escreveu para a Paramount, estréia no mês que vem. No dia 27 de Abril, a sua peça Alice in Arms estréia em Viena. Na mesma altura começam em Nova Iorque os ensaios para a versão revista por ele de The Merry Widow, com os Kiepuras, com estréia prevista para meados de Maio. Sheldon trabalha presentemente no seu próximo projeto, Zone of Terror, previsto para iniciar as filmagens na Alemanha, para o ano que vem.
Eu sabia como é que ia passar o meu tempo no mês de Abril. Ia levar Jorja e Mary até a Europa para celebrar.
The Buster Keaton Story estreou com boas críticas a Donald O’Connor, Ann Blyth, Peter Lorre e ao resto do elenco. O argumento já não foi tão bem recebido. A maior parte dos críticos atacaram-no, dizendo que devia ter mais cenas de Buster e menos história.
”O argumento é um arranjo de demasiados velhos filmes de Hollywood.”
Tinham razão. Tínhamos escrito depressa demais. O filme estreou bem porque as pessoas sentiam imensa curiosidade em relação ao nome de Buster Keaton. Mas a palavra de boca em boca espalhou-se rapidamente e, pouco tempo depois, o filme desaparecia das bilheteiras.
O meu agente telefonou-me.
- Acabei de falar com Don Hartman. O estúdio não vai renovar o teu contrato.
Eu sabia onde é que o jornalista do Vanety me ia poder encontrar em Abril. Na fila do desemprego.
Relutante, cancelei as nossas reservas na Europa. Ligava para o meu agente uma vez por semana e tentava parecer otimista.
- Então, que se passa na frente de batalha?
- Nada de especial, Sidney, não tem aparecido nada.
Era uma mentira bondosa. Havia sempre coisas para fazer, só que não eram para mim. Tal como fora prematuramente condenado pelo Dream Wife, estava agora a ser julgado pelo The Buster Keaton Story. Mais uma vez me sentia traumatizado pelo pensamento de que nunca mais ia conseguir voltar a trabalhar. Durante todas as vezes que estive sem trabalho, os amigos iam e vinham, mas Groucho esteve sempre comigo com uma palavra amiga.
Aguardei por um telefonema que nunca chegou, as semanas passaram, depois os meses, e em breve eu estava com um grave problema de dinheiro.
Eu gostava de viver bem, mas nunca tivera interesse no dinheiro em si. A minha filosofia em relação ao dinheiro era uma combinação da poupança de Natalie e dos modos esbanjadores do Otto. Tinha dificuldade em gastar dinheiro comigo, mas não tinha qualquer problema em gastá-lo para ajudar os outros. Como consequência, nunca conseguira poupar nada.
A casa de Bel Air tinha uma hipoteca e eu tinha ainda de pagar os ordenados a um jardineiro, a um rapaz que cuidava da piscina e a Laura. A nossa situação financeira deteriorava-se rapidamente.
Jorja começou a ficar preocupada.
- O que vamos nós fazer?
- Vamos ter de começar a economizar. E, depois de respirar fundo, acrescentei: Vamos ter de despedir a Laura. Não nos podemos dar ao luxo de continuar a ter uma criada.
Foi um momento terrível para nós os dois.
- Diga você. - Pediu Jorja - Eu não sou capaz.
Laura fora maravilhosa. Estava sempre alegre e ajudava muito. Adorava Mary e Mary adorava-a.
- Isto vai ser muito difícil. Chamei Laura à biblioteca.
- Laura, infelizmente, tenho más notícias. Olhou para mim, alarmada.
- O que foi? Alguém está doente?
- Não, estamos todos bem. Mas é que... vou ter de a dispensar.
- O que é que quer dizer com isso?
- Laura, eu não lhe posso pagar o seu ordenado. Ela olhou para mim, chocada.
- Quer dizer que me está a despedir?
- Infelizmente, sim. Lamento muito. Ela abanou a cabeça.
- Não pode fazer isso!
- Não está a perceber. Eu já não lhe posso pagar e...
- Eu fico.
- Laura...
- Eu fico.
E saiu da sala.
Eu e Jorja fomos obrigados a cortar a nossa vida social e raramente saíamos. Havia peças que queríamos ver, mas eram demasiado caras. Laura ouvia Jorja e eu conversarmos a esse respeito.
Quando debatíamos a possibilidade de sairmos uma noite, Laura chegou junto de nós e estendeu-me uma nota de vinte dólares:
- Tome.