A Fúria dos Reis
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Saida de Emerg
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Fúria dos Reis». Краткое содержание книги:
– Triste e honrada. E nada deselegante para uma mulher da sua idade, apesar de toda sua modéstia. Mas, mesmo assim, um perigo para a paz do reino do seu irmão.
– Ela? – Bran se espantou.
Foi Meistre Luwin quem respondeu.
– Sem herdeiro direto, haverá com certeza muitos pretendentes disputando as terras dos Hornwood. Tanto os Tallhart como os Flint e os Karstark têm ligações com a Casa Hornwood por linha feminina, e os Glover estão criando o bastardo de Lorde Harys em Bosque Profundo. O Forte do Pavor não tem nenhuma pretensão, que eu saiba, mas as terras são contíguas, e Roose Bolton não é homem que deixaria passar uma chance dessas.
Sor Rodrik puxou as suíças.
– Em casos assim, seu suserano deverá encontrar para ela um par adequado.
– Por que o senhor não poderia desposá-la? – Bran quis saber. – Disse que é elegante e Beth teria uma mãe.
O velho cavaleiro pôs uma mão no braço de Bran.
– Uma ideia amável, meu príncipe, mas sou apenas um cavaleiro e, além disso, velho demais. Poderia manter as terras dela durante alguns anos, mas, assim que morresse, a Senhora Hornwood voltaria ao mesmo atoleiro, e os pretendentes de Beth poderiam também ser perigosos.
– Então deixe que o bastardo de Lorde Hornwood seja o herdeiro – Bran sugeriu, pensando no seu meio-irmão Jon.
Sor Rodrik disse:
– Isso agradaria aos Glover e talvez à sombra de Lorde Hornwood, mas não creio que a Senhora Hornwood iria simpatizar conosco. O garoto não é do seu sangue.
– Em todo caso – disse Meistre Luwin –, essa possibilidade tem de ser levada em conta. A Senhora Donella já passou dos seus anos férteis, como ela própria disse. Se não for o bastardo, então, quem?
– Posso me retirar? – Bran conseguia ouvir os escudeiros treinando com as espadas no pátio lá embaixo, o ressoar de aço batendo em aço.
– Como quiser, meu príncipe – Sor Rodrik anuiu. – Esteve bem.
Bran corou de prazer. Ser um senhor não era tão entediante como temia, e a Senhora Hornwood tinha sido muito mais rápida do que Lorde Manderly, até lhe restavam algumas horas de dia para ir visitar Verão. Gostava de passar algum tempo com seu lobo todos os dias, quando Sor Rodrik e o meistre lhe permitiam.
Assim que Hodor entrou no bosque sagrado, Verão emergiu de debaixo de um carvalho, quase como se soubesse que eles estavam chegando. Bran vislumbrou um esguio vulto negro que também os observava de dentro dos arbustos.
– Felpudo – chamou. – Vem cá, Cão Felpudo. Aqui – mas o lobo de Rickon desapareceu tão rapidamente como havia surgido.
Hodor sabia qual era o lugar favorito de Bran e o levou para a margem da lagoa sob a grande sombra da árvore-coração, onde Lorde Eddard costumava se ajoelhar para rezar. Marolas corriam pela superfície da água quando chegaram, fazendo o reflexo do represeiro tremer e dançar. Mas não havia vento. Por um instante, Bran sentiu-se desconcertado.
Então, Osha surgiu de dentro da lagoa com um grande espirrar de água, tão subitamente que até Verão saltou para trás, rosnando. Hodor afastou-se aos pulos, gemendo “Hodor, Hodor”, consternado, até que Bran deu palmadinhas no seu ombro para acalmar seus medos.
– Como pode nadar aí? – perguntou a Osha. – Não é frio?
– Quando era bebê, mamei pingentes de gelo, garoto. Gosto do frio – Osha nadou para as rochas e saiu da água, pingando. Estava nua, com pele enrugada. Verão aproximou-se com cuidado e a farejou. – Quis tocar o fundo.
– Não sabia que havia um fundo.
– Talvez não haja – ela sorriu. – O que está olhando, rapaz? Nunca viu uma mulher?
– Vi, claro – Bran tinha tomado banho com as irmãs centenas de vezes e também tinha visto criadas nas lagoas quentes. Mas Osha parecia diferente, dura e angulosa, em vez de macia e cheia de curvas. Suas pernas eram só tendões, os seios achatados como duas bolsas vazias. – Tem um monte de cicatrizes.
– Todas elas duramente conquistadas – Osha pegou a camisa marrom, sacudiu dela algumas folhas e a enfiou pela cabeça.
– Lutando contra gigantes? – Osha dizia que ainda havia gigantes para lá da Muralha. Um dia talvez eu até veja um…
– Lutando contra homens – amarrou um pedaço de corda em torno da cintura para fazer de cinto. – Corvos negros, normalmente. E matei um, sim – Osha se vangloriou, sacudindo o cabelo. Tinha crescido desde que viera para Winterfell, e já passava das suas orelhas. Parecia mais suave do que a mulher que antes tentara assaltá-lo e matá-lo na mata de lobos. – Ouvi algum falatório hoje na cozinha a respeito de você e daqueles Frey.
– Quem? O que disseram?
Osha dirigiu-lhe um sorriso amargo.
– Que um garoto que caçoa de um gigante é um tolo, e que é um mundo louco aquele em que um aleijado tem de defendê-lo.
– Hodor não chegou a perceber que estavam caçoando dele – Bran respondeu. – Seja como for, ele nunca luta.
Lembrou-se de uma vez, quando era pequeno, a caminho da praça do mercado com a mãe e a Septã Mordane. Tinham trazido Hodor como carregador, mas ele tinha se afastado e, quando foram encontrá-lo, uns garotos tinham-no encurralado numa viela, atormentando-o com paus. “Hodor!”, gritava o gigante, enrolando-se com medo e cobrindo-se com os braços, mas não chegou a levantar uma mão contra aqueles que o atormentavam.
– Septão Chayle diz que ele tem um espírito bondoso.
– Sim – ela confirmou –, e mãos com força suficiente para arrancar do pescoço a cabeça de um homem, se resolver fazê-lo. Em todo caso, é melhor que ele tome cuidado perto daquele Walder. Ele, e você também. O grande a quem chamam pequeno, cá para mim, tem o nome bem dado. Grande por fora, pequeno por dentro, e malvado até os ossos.
– Ele nunca se atreveria a me fazer mal. Tem medo do Verão, não importa o que diga.
– Então, pode ser que não seja tão estúpido como parece – Osha era sempre cautelosa perto dos lobos gigantes. No dia em que tinha sido capturada, Verão e Vento Cinzento tinham rasgado três selvagens em pedaços ensanguentados. – Ou pode ser que seja. E isso também cheira a problema – ela prendeu o cabelo. – Teve mais daqueles sonhos de lobo?
– Não – Bran não gostava de falar dos sonhos.
– Um príncipe deveria mentir melhor que isso – Osha soltou uma gargalhada. – Bem, seus sonhos são assunto seu. Os meus estão nas cozinhas, e é melhor que vá voltando antes que Gage comece a gritar e a sacudir aquela sua grande colher de madeira. Com a sua licença, meu príncipe.
Ela nunca devia ter falado dos sonhos de lobo, Bran pensou, enquanto Hodor subia com ele os degraus que levavam ao seu quarto. Lutou contra o sono o máximo que pôde, mas, por fim, foi tomado por ele, como sempre. Naquela noite, sonhou com o represeiro. A árvore o estava olhando com seus profundos olhos vermelhos, chamando-o com sua retorcida boca de madeira, e dos galhos brancos desceu voando o corvo de três olhos, dando bicadas na sua cara e gritando seu nome com uma voz afiada como espadas.
O som das trombetas o acordou. Bran ficou de lado, grato pelo adiamento do sonho. Ouviu cavalos e gritos rudes. Chegaram mais hóspedes e, pelo barulho que fazem, vêm meio bêbados. Agarrando-se às barras, puxou-se da cama e foi até o banco de janela. No estandarte dos recém-chegados via-se um gigante com correntes quebradas que lhe disse que aqueles eram homens de Umber, vindos das terras do norte para lá do Rio Último.
No dia seguinte, dois deles vieram juntos à audiência; os tios do Grande-Jon, homens fanfarrões no inverno dos seus dias, com barbas tão brancas como os mantos de pele de urso que usavam. Um corvo tinha um dia julgado que Mors estivesse morto e bicou seu olho, por isso usava um pedaço de vidro de dragão em seu lugar. De acordo com a versão da Velha Ama, ele tinha agarrado o corvo com uma mão e arrancado sua cabeça com os dentes, por isso o chamavam Papa-Corvos. A Ama nunca dissera a Bran por que chamavam o irmão Hother de Terror das Rameiras.