A Fúria dos Reis
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Saida de Emerg
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Fúria dos Reis». Краткое содержание книги:
– Ora, nenhum príncipe jamais se atrasa – o Senhor de Porto Branco respondeu amavelmente. – Os que chegam antes dele chegaram cedo, só isso – Wyman Manderly tinha uma grandiosa gargalhada ressonante. Pouco admirava que não conseguisse se sentar numa sela; parecia pesar mais do que a maioria dos cavalos. Tão eloquente como era vasto, começou pedindo a Winterfell que confirmasse os novos meirinhos que tinha nomeado para Porto Branco. Os antigos tinham andado segurando prata para Porto Real em vez de pagá-la ao novo Rei no Norte. – Rei Robb também precisa da sua própria moeda – declarou –, e Porto Branco é o lugar ideal para cunhá-la – ofereceu-se para se encarregar do assunto, se o rei desejasse, e depois passou a falar de como havia reforçado as defesas do porto, detalhando o custo de cada melhoramento.
Além de uma casa de cunhagem, Lorde Manderly também propôs construir uma frota de guerra para Robb.
– Há centenas de anos que não temos força no mar, desde que Brandon, o Incendiário, tocou fogo nos navios do pai. Concedam-me o ouro necessário, e ainda este ano porei para flutuar galés em número suficiente para tomar tanto Pedra do Dragão como Porto Real.
O interesse de Bran foi despertado pela menção feita a navios de guerra. Ninguém lhe perguntou, mas achou a ideia de Lorde Wyman magnífica. Na imaginação já conseguia vê-los e se perguntava se um aleijado havia alguma vez comandado um navio de guerra. Mas Sor Rodrik prometeu apenas enviar a proposta para consideração de Robb, enquanto Meistre Luwin arranhava o pergaminho.
O meio-dia chegou e passou. Meistre Luwin mandou Poxy Tym para as cozinhas e almoçaram no aposento privado queijo, capões e pão preto de aveia. Enquanto estraçalhava uma ave com dedos gordos, Lorde Wyman inquiriu polidamente a respeito da Senhora Hornwood, que era sua prima.
– Ela nasceu como uma Manderly, sabe? Talvez, quando seu luto terminar, queira voltar a ser uma Manderly, hein? – arrancou uma mordida da asa e deu um largo sorriso. – Ora, acontece que eu sou viúvo há oito anos. Já é mais que hora de tomar outra esposa, não concordam, senhores? Um homem se sente só – pondo os ossos de lado, estendeu a mão até a perna. – Ou se a senhora preferir um rapaz mais novo, bem, meu filho Wendel também não está casado. Ele foi para o sul a fim de guardar a Senhora Catelyn, mas sem dúvida desejará arranjar uma noiva na volta. Um rapaz valente e alegre, o homem certo para ensiná-la a rir de novo, hein? – limpou um pouco de gordura do queixo com a manga da túnica.
Bran ouvia o estrondo distante de armas que entrava pelas janelas. Não tinha o menor interesse em casamentos. Gostaria de estar lá embaixo no pátio.
O senhorio esperou, até que a mesa fosse limpa, antes de puxar o assunto de uma carta que tinha recebido de Lorde Tywin Lannister, que mantinha prisioneiro seu filho mais velho, Sor Wylis, capturado no Ramo Verde.
– Oferece-me sem resgate, sob a condição de eu retirar de Sua Graça meus recrutas e jurar parar de lutar.
– Irá recusar, é claro – Sor Rodrik exclamou.
– A esse respeito, nada temam – garantiu-lhes o lorde. – Rei Robb não tem servidor mais leal do que Wyman Manderly. No entanto, reluto em deixar meu filho em Harrenhal mais tempo do que o devido. Aquele lugar é mau. Dizem que é amaldiçoado. Não que eu seja o tipo de homem que engula essas histórias, mas, mesmo assim, é o que é. Vejam o que aconteceu àquele Janos Slynt. Feito Senhor de Harrenhal pela rainha e deposto pelo irmão dela. Enviado para a Muralha, segundo dizem. Peço para que alguma troca equitativa de prisioneiros possa ser acordada em breve. Sei que Wylis não gostaria de ficar esperando até a guerra acabar. Aquele meu filho é galante e feroz como um mastim.
Bran sentia os ombros rígidos por ter ficado sentado na mesma cadeira durante toda a audiência. E naquela noite, quando se sentava à mesa para jantar, soou uma trompa para anunciar a chegada de outro hóspede. A Senhora Donella Hornwood não trazia uma comitiva de cavaleiros e servidores; era apenas ela e seis fatigados homens de armas com uma cabeça de alce nas suas poeirentas fardas laranja.
– Lamentamos muito tudo o que tem sofrido, senhora – disse Bran quando ela veio à sua presença para saudá-lo. Lorde Hornwood havia sido morto na batalha do Ramo Verde, e seu único filho abatido no Bosque dos Murmúrios. – Winterfell vai se lembrar.
– É bom saber disso – era uma pálida casca de mulher, com o rosto marcado pelo luto. – Estou muito cansada, senhor. Se me der licença para descansar, ficarei grata.
– Com certeza – Sor Rodrik respondeu. – Há tempo bastante para conversar amanhã.
Quando o dia seguinte chegou, a maior parte da manhã foi dedicada a falar de cereais, verduras e da salga de carne. Quando os meistres na sua Cidadela proclamavam a chegada do outono, os homens sensatos separavam uma parte de cada colheita… Se bem que o tamanho dessa parte era assunto que parecia necessitar de muita discussão. A Senhora Hornwood estava armazenando um quinto da sua colheita. Obedecendo à sugestão de Meistre Luwin, prometeu aumentar esse valor para um quarto.
– O bastardo de Bolton está reunindo homens no Forte do Pavor – preveniu-os. – Espero que pretenda levá-los para o sul e ir se juntar ao pai nas Gêmeas, mas quando mandei saber quais eram as suas intenções, mandou-me dizer que nenhum Bolton seria alguma vez interrogado por uma mulher. Como se fosse legítimo e tivesse direito àquele nome.
– Lorde Bolton nunca reconheceu o rapaz, que eu saiba – Sor Rodrik disse. – Confesso que não o conheço.
– Poucos conhecem – ela respondeu. – Viveu com a mãe até dois anos atrás, quando o jovem Domeric morreu e deixou Bolton sem herdeiro. Foi aí que trouxe o bastardo para o Forte do Pavor. Todos dizem que o rapaz é uma criatura ardilosa e tem um criado que é quase tão cruel como ele. Chamam o homem de Fedor. Dizem que nunca toma banho. Os dois caçam juntos, o Bastardo e este Fedor, e não são veados o que caçam. Ouvi histórias, coisas em que quase não acredito, mesmo dizendo respeito a um Bolton. E agora que o senhor meu esposo e o meu querido filho foram encontrar os deuses, o Bastardo olha com fome para as minhas terras.
Bran desejou dar à senhora cem homens para defender os seus direitos, mas Sor Rodrik disse apenas:
– Ele pode olhá-las, mas, se fizer mais do que isso, prometo-lhe que as consequências serão severas. Estará bastante segura, senhora… Embora talvez, a seu tempo, quando seu luto passar, fosse prudente voltar a se casar.
– Já passei do tempo em que podia dar à luz, e a beleza que tive há muito fugiu – ela respondeu com um meio sorriso fatigado –, mas os homens vêm me farejar como nunca fizeram quando era donzela.
– Não vê com bons olhos esses pretendentes? – Luwin perguntou.
– Casarei de novo se Sua Graça ordenar – ela respondeu –, mas Mors Crowfood é um bruto bêbado, e mais velho do que meu pai. Quanto ao meu nobre primo Manderly, a cama do meu senhor não é suficientemente grande para aguentar um homem de tal majestade, e eu sou certamente pequena e frágil demais para me deitar por baixo dele.
Bran sabia que os homens dormiam em cima das mulheres quando dividiam a cama. Imaginava que dormir debaixo de Lorde Manderly seria como estar embaixo de um cavalo caído. Sor Rodrik dirigiu à viúva um aceno compreensivo.
– Terá outros pretendentes, senhora. Tentaremos encontrar um pretendente mais do seu agrado.
– Talvez não precise procurar muito longe, sor.
Depois de ela ter se retirado, Meistre Luwin sorriu.
– Sor Rodrik, creio que a senhora o aprecia.
Sor Rodrik pigarreou e pareceu desconfortável.
– Ela estava muito triste – Bran comentou.
Sor Rodrik anuiu.