A Fúria dos Reis
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Saida de Emerg
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Fúria dos Reis». Краткое содержание книги:
– Hodor? – o gigante piscou para ele seus olhos castanhos e francos, olhos inocentes de compreensão.
– Sim. Hodor – Bran apontou.
Na parede ao lado da porta estava pendurado um cesto, feito de vime e couro, muito firme, com buracos cortados para as pernas de Bran. Hodor enfiou os braços nas correias, cingiu bem o grande cinto ao peito, e depois ajoelhou-se ao lado da cama. Bran usou as barras presas na parede para se segurar, enquanto balançava o peso morto das suas pernas para dentro do cesto e através dos buracos.
– Hodor – repetiu o gigante, erguendo-se.
O cavalariço tinha quase dois metros e dez; às suas costas, a cabeça de Bran quase raspava no teto. Abaixou-se bem quando passaram pela porta. Certa vez, Hodor sentira o cheiro de pão assando e correu para as cozinhas, e Bran acabou por dar uma pancada tão forte na cabeça, que Meistre Luwin teve de dar pontos no seu couro cabeludo. Mikken dera-lhe um velho elmo enferrujado e sem visor que tinha no armeiro, mas Bran raramente o usava. Os Walder riam sempre que o viam em sua cabeça.
Bran colocou as mãos nos ombros de Hodor enquanto desciam a escada em caracol. Lá fora, no pátio, já soavam os sons das espadas, dos escudos e dos cavalos. Faziam uma doce música. Vou só dar uma espiada, Bran pensou, uma espiada rápida, só isso.
Os fidalgos de Porto Branco sairiam mais tarde, com seus cavaleiros e homens de armas. Até lá, o pátio pertencia aos seus escudeiros, cujas idades iam dos dez aos quarenta anos. Bran desejou tanto ser um deles, que seu estômago doeu.
Tinham sido colocados no pátio dois manequins, e cada um deles era composto por um robusto poste, que sustentava uma trave mestra giratória com um escudo numa ponta e um alvo almofadado na outra. Os escudos tinham sido pintados de vermelho e dourado, embora os leões Lannister fossem granulosos e deformados e já estivessem bem marcados pelos primeiros rapazes que arremeteram contra eles.
A visão de Bran no cesto atraiu olhares daqueles que não o tinham visto antes, mas ele tinha aprendido a ignorar olhares. Pelo menos tinha uma boa vista; às costas de Hodor, ficava acima de todo mundo. Viu que os Walder estavam montando. Tinham trazido boas armaduras das Gêmeas, placas brilhantes e prateadas com relevos em esmalte azul. A cimeira do elmo do Grande Walder tinha formato de um castelo, enquanto o Pequeno Walder preferia flâmulas de seda azul e cinza. Seus escudos e capas também os distinguiam um do outro. O Pequeno Walder esquartelava as torres gêmeas de Frey com o javali malhado da Casa da avó e o lavrador da Casa da mãe: Crakehall e Darry, respectivamente. Os quartéis do Grande Walder eram a árvore com corvos da Casa Blackwood e as sinuosas serpentes dos Paege. Devem estar famintos de honra, Bran pensou, enquanto os observava pegando as lanças. Um Stark necessita apenas do lobo gigante.
Seus corcéis cinza-rajados eram rápidos, fortes e otimamente treinados. Lado a lado, carregaram contra os manequins. Ambos atingiram bem os escudos e já tinham passado à vontade quando os alvos almofadados rodopiaram por trás deles. O Grande Walder deu o golpe mais forte, mas Bran achou que o Pequeno Walder montou melhor. Teria dado ambas as suas pernas inúteis pela oportunidade de defrontar qualquer um deles.
O Pequeno Walder jogou fora a lança estilhaçada, viu Bran e freou o cavalo.
– Ora, eis aí um cavalo feio – disse, referindo-se a Hodor.
– Hodor não é nenhum cavalo – Bran respondeu.
– Hodor – Hodor ecoou.
O Grande Walder juntou-se ao primo a trote.
– Bem, ele não é tão esperto quanto um cavalo, isso é certo – alguns dos rapazes de Porto Branco acotovelaram-se e riram.
– Hodor – sorrindo jovialmente, Hodor olhou um Frey após outro, sem reparar na zombaria. – Hodor Hodor?
A montaria do Pequeno Walder relinchou.
– Está vendo, eles estão falando um com o outro. Talvez hodor queira dizer “te amo” em cavalês.
– Cala a boca, Frey – Bran sentia que estava ficando vermelho.
O Pequeno Walder esporeou o cavalo e aproximou-se, empurrando Hodor para trás.
– E o que você vai fazer se eu não me calar?
– Soltar o lobo em cima de você, primo – avisou Grande Walder.
– Deixa. Sempre quis um manto de pele de lobo.
– Verão arrancaria essa sua cabeça gorda – Bran retrucou.
O Pequeno Walder bateu na placa de peito com um punho revestido de cota de malha.
– Seu lobo tem dentes de aço para morder através de placa de aço e cota de malha?
– Basta! – a voz do Meistre Luwin abriu caminho através do clangor do pátio, sonora como um trovão. Bran não sabia dizer quanto da conversa o meistre tinha ouvido, mas era claro que havia sido o bastante para irritá-lo. – Essas ameaças são impróprias e não quero ouvir mais nenhuma. É assim que se comporta nas Gêmeas, Walder Frey?
– Se eu quiser.
De cima do seu corcel, o Pequeno Walder lançou a Luwin um olhar mal-humorado, como se dissesse: Você é só um meistre. Quem se julga para repreender um Frey da Travessia?
– Bem, mas não é assim que os protegidos da Senhora Catelyn devem se comportar em Winterfell. O que causou isso? – o meistre olhou para os garotos, um a um. – Um de vocês vai me contar, juro, senão…
– Estávamos brincando com Hodor – confessou Grande Walder. – Lamento se ofendemos o Príncipe Bran. Só queríamos ser divertidos – ele tinha, pelo menos, a elegância de parecer envergonhado.
O Pequeno Walder parecia apenas impertinente:
– Eu também – disse. – Só estava sendo divertido.
Bran via que o ponto calvo no topo da cabeça do meistre tinha se tornado vermelho; se havia alguma diferença, Luwin estava mais zangado do que antes.
– Um bom senhor conforta e protege os fracos e indefesos – ele disse aos Frey. – Não vou admitir que façam de Hodor o alvo de brincadeiras cruéis, estão me ouvindo? Ele é um rapaz de bom coração, cumpridor e obediente, o que é mais do que posso dizer de qualquer um de vocês – o meistre brandiu um dedo para o Pequeno Walder. – E você vai ficar fora do bosque sagrado e longe daqueles lobos, senão responderá por isso – com as mangas esvoaçando, girou sobre os calcanhares, deu alguns passos rápidos e lançou um olhar para trás. – Bran. Venha. Lorde Wyman espera.
– Hodor, siga o meistre – Bran ordenou.
– Hodor – o gigante ecoou. Seus longos passos alcançaram o bater furioso dos pés do meistre nos degraus da Grande Fortaleza. Meistre Luwin manteve a porta aberta, Bran abraçou o pescoço de Hodor e abaixou-se enquanto a atravessavam.
– Os Walder… – começou.
– Não quero ouvir mais nada sobre isso, acabou – Meistre Luwin parecia desgastado e esgotado. – Teve razão em defender Hodor, mas nunca deveria ter ido lá. Sor Rodrik e Lorde Wyman já quebraram o jejum enquanto o aguardavam. Tenho de vir em pessoa buscá-lo, como se fosse uma criança pequena?
– Não – Bran respondeu, envergonhado. – Lamento. Eu só queria…
– Eu sei o que queria – a voz de Meistre Luwin soou mais gentil. – Gostaria que isso fosse possível, Bran. Quer me fazer alguma pergunta antes de darmos início a esta audiência?
– Iremos falar de guerra?
– Você não irá falar de nada – a aspereza tinha voltado à voz de Luwin. – Você é ainda uma criança de oito anos…
– Quase nove!
– Oito – repetiu o meistre com firmeza. – Não diga nada além de cortesias, a menos que Sor Rodrik ou Lorde Wyman lhe façam uma pergunta.
Bran fez um aceno.
– Lembrarei disso.
– Não direi nada a Sor Rodrik sobre o que houve entre você e os rapazes Frey.
– Obrigado.
Puseram Bran na cadeira de carvalho do pai, com as almofadas de veludo cinza, por trás de uma longa mesa de armar. Sor Rodrik sentou-se ao seu lado direito e Meistre Luwin, ao esquerdo, armado com penas, frascos de tinta e um molho de pergaminhos em branco para escrever tudo o que acontecesse. Bran passou uma mão pela madeira áspera da mesa e pediu desculpas a Lorde Wyman pelo atraso.