A Fúria dos Reis
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Saida de Emerg
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Fúria dos Reis». Краткое содержание книги:
– Agrada-me que compartilhe da minha preocupação. E agradeço-lhe pela hospitalidade da sua mesa. Mas um longo dia me espera – balançou as pernas para baixo e desceu da cadeira. – Terá a bondade de me informar de imediato caso recebamos uma resposta de Dorne?
– Às suas ordens, senhor.
– E apenas a mim?
– Ah… com certeza.
A mão manchada de Pycelle agarrava a barba como um homem que se afoga agarra uma corda. Aquilo alegrou o coração de Tyrion. Um, pensou.
Bamboleou-se até o pátio, lá embaixo; suas pernas atrofiadas queixaram-se dos degraus. O sol estava agora bem alto, e o castelo agitava-se. Guardas patrulhavam as muralhas e cavaleiros e homens de armas treinavam com armas cegas. Ali perto, Bronn estava sentado na borda de um poço. Um par de formosas criadas passou por ele devagar, transportando entre ambas um cesto de vime cheio de esteiras, mas o mercenário nem as olhou.
– Bronn, perco a esperança em você – Tyrion fez um gesto para as moças. – Com uma bela vista como aquelas duas à sua frente, e tudo o que vê é um bando de palhaços fazendo barulho.
– Há uma centena de bordéis nesta cidade onde, com uma moeda cortada de cobre, posso comprar a boceta que quiser – Bronn respondeu. – Mas, um dia, minha vida pode depender da atenção com que observei os seus palhaços – enquanto se levantava, perguntou: – Quem é o rapaz da capa azul quadriculada com os três olhos no escudo?
– Um pequeno cavaleiro qualquer. Chama a si próprio de Tallad. Por quê?
Bronn afastou uma madeixa dos olhos.
– É o melhor de todos. Mas, observe-o, ele cai num mesmo ritmo, dando em todas as vezes que ataca os mesmos golpes na mesma ordem – o homem sorriu. – Isso será a sua morte no dia em que me enfrentar.
– Ele está juramentado a Joffrey, não é provável que o enfrente.
Começaram a atravessar o pátio, com Bronn ajustando seus passos longos aos curtos de Tyrion. Nesses dias, o mercenário parecia quase respeitável. Seu cabelo escuro lavado e escovado, estava recém-barbeado e usava a placa de peito preta de um oficial da Patrulha da Cidade. Dos seus ombros pendia um manto do carmim Lannister com um padrão de mãos douradas, que Tyrion lhe oferecera quando o nomeou capitão da sua guarda pessoal.
– Quantos suplicantes temos hoje?
– Trinta e tantos – Bronn respondeu. – A maior parte com queixas ou querendo alguma coisa, como sempre. Seu animal de estimação voltou.
Tyrion gemeu.
– A Senhora Tanda?
– O pajem. Convida-o outra vez para jantar com ela. Deve haver uma peça de veado, diz ela, um par de gansos recheados com molho de amoras e…
– … a filha – Tyrion finalizou num tom azedo. Desde o instante em que tinha chegado à Fortaleza Vermelha, a Senhora Tanda o andava perseguindo, armada com um arsenal sem fim de tortas de lampreia, javalis selvagens e apetitosos guizados com creme. De alguma forma, tinha ficado com a ideia de que um fidalgo anão seria o consorte perfeito para sua filha Lollys, uma moça grande, mole e pouco inteligente que, segundo os rumores, ainda era donzela aos trinta e três anos. – Mande-lhe as minhas desculpas.
– Não gosta de ganso recheado? – Bronn deu um sorriso maldoso.
– Talvez você devesse comer o ganso e casar com a donzela. Ou, melhor ainda, mandar Shagga.
– É mais provável que Shagga coma a donzela e se case com o ganso. E, de qualquer forma, Lollys é mais pesada do que ele.
– Também há isso – admitiu Tyrion enquanto passavam pela sombra de uma passarela que ligava duas torres. – Quem mais me procura?
O mercenário ficou mais sério:
– Há um agiota vindo de Braavos, trazendo uns papéis e coisas do gênero, que pede para se encontrar com o rei a propósito do pagamento de um empréstimo qualquer.
– Como se Joff conseguisse contar até mais de vinte. Mande-o a Mindinho, ele encontrará uma maneira de se livrar do homem. O que mais?
– Um fidalgo vindo do Tridente, diz que os homens do seu pai queimaram sua fortaleza, estupraram sua mulher e mataram todos os camponeses.
– Creio que chamam isso de guerra – aquilo tinha cheiro do trabalho de Gregor Clegane, ou de Sor Amory Lorch, ou do outro mastim do inferno de estimação do pai, o que veio de Qohor. – O que ele quer de Joffrey?
– Camponeses novos. Percorreu todo o caminho a pé para cantar sua lealdade e pedir uma recompensa.
– Arranjarei tempo para ele amanhã – quer fosse realmente leal ou meramente desesperado, um senhor do rio obediente poderia ser útil. – Organize as coisas para que lhe seja dado um quarto confortável e uma refeição quente. Envie-lhe também um novo par de botas, das boas, uma delicadeza do Rei Joffrey – uma exibição de generosidade nunca é má.
Bronn fez um aceno rápido:
– Também há um grande bando de padeiros, açougueiros e vendedores de verduras clamando por serem ouvidos.
– Da última vez já lhes disse que não tenho nada para lhes dar.
Só um pequena quantidade de comida chegava a Porto Real, a maior parte dela destinada ao castelo e à guarnição. Os preços das verduras, tubérculos, farinha e frutas tinham subido assustadoramente, e Tyrion não queria pensar nos tipos de carne que deviam estar sendo despejados nas caldeiras dos refeitórios da Baixada das Pulgas. Peixe, ele esperava. Ainda tinham o rio e o mar… pelo menos até que Lorde Stannis zarpasse.
– Eles querem proteção. Ontem à noite um padeiro foi assado no seu próprio forno. O povo dizia que ele estava cobrando muito caro pelo pão.
– E estava?
– Ele não está em condições de negar.
– Não o comeram, certo?
– Que eu saiba, não.
– Da próxima vez comerão – Tyrion falou num tom sinistro. – Dou-lhes toda a proteção que posso dar. Os homens de manto dourado…
– Dizem que havia mantos dourados na multidão – Bronn completou. – Exigem falar com o rei em pessoa.
– Loucos.
Tyrion despacharia-os com desculpas; o sobrinho iria despachá-los com chicotes e lanças. Sentiu-se meio tentado a permitir isso… mas não, não se atrevia. Mais cedo ou mais tarde, algum inimigo marcharia sobre Porto Real, e a última coisa que queria era traidores solícitos dentro das muralhas da cidade.
– Diga-lhes que o Rei Joffrey partilha dos seus temores e fará tudo o que puder por eles.
– Eles querem pão, não promessas.
– Se lhes der pão hoje, amanhã terei o dobro batendo nos portões. Quem mais?
– Um irmão negro vindo da Muralha. O intendente diz que ele trouxe uma mão apodrecida num frasco.
Tyrion deu um sorriso triste.
– Surpreende-me que ninguém a tenha comido. Suponho que deva recebê-lo. Não será Yoren, por acaso?
– Não. Um cavaleiro qualquer. Thorne.
– Sor Alliser Thorne? – de todos os irmãos negros que tinha conhecido na Muralha, Sor Alliser Thorne tinha sido aquele de que Tyrion Lannister menos gostara. Um homem amargo, de gênio ruim, com apreço excessivo pelo seu próprio valor. – Pensando melhor, não me apetece receber Sor Alliser por enquanto. Arranje-lhe uma cela razoável onde ninguém tenha mudado as esteiras durante um ano e deixe que a mão que ele traz apodreça um pouco mais.
Bronn deu uma gargalhada roncada e foi embora, enquanto Tyrion subia com dificuldade a escada em caracol. Enquanto coxeava através do pátio exterior, ouviu o matraquear da porta levadiça sendo içada. A irmã e um grande grupo de pessoas esperavam junto ao portão principal.
Montada no seu palafrém branco, a irmã elevava-se muito acima de todos, uma deusa vestida de verde.
– Irmão – ela chamou, sem calor na voz. A rainha não tinha ficado feliz com a forma como ele havia lidado com Janos Slynt.
– Vossa Graça – Tyrion fez uma polida reverência. – Tem um aspecto adorável nesta manhã – a coroa dela era de ouro, o manto, de arminho. A comitiva ocupava as suas montarias atrás dela: Sor Boros Blount da Guarda Real, usando uma armadura de escamas brancas e sua carranca preferida; Lorde Gyles Rosby, pior do que nunca da sua tosse asmática; Hallyne, o Piromante da Guilda dos Alquimistas; e o mais recente favorito da rainha, o primo Sor Lancel Lannister, escudeiro do seu falecido marido elevado à condição de cavaleiro por insistência da viúva. Vylarr e vinte guardas formavam a escolta. – Onde vai hoje, irmã? – Tyrion perguntou.