A Fúria dos Reis
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Saida de Emerg
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Fúria dos Reis». Краткое содержание книги:
A casa tinha dois andares, o de baixo em pedra e o de cima em madeira. Um torreão redondo erguia-se de um canto da estrutura. Muitas das janelas tinham vitrais. Por cima da porta balançava uma lâmpada ornamentada, um globo de metal dourado e vidro escarlate.
– Um bordel – Bronn identificou. – Que pretende fazer aqui?
– O que é que normalmente se faz num bordel?
O mercenário soltou uma gargalhada.
– Shae não é suficiente?
– Ela era bastante bonita para uma acompanhante de acampamento militar, mas já não estou num acampamento. Homens pequenos têm grandes apetites, e ouvir dizer que as garotas daqui são dignas de um rei.
– O garoto já tem idade suficiente?
– Joffrey não. Robert. Esta casa era uma das suas favoritas – muito embora Joffrey talvez tenha mesmo idade suficiente. Uma ideia interessante, essa. – Se você e os Orelhas Negras quiserem se divertir, sintam-se à vontade, mas as moças da Chataya são caras. Encontrarão casas mais baratas ao longo da rua. Deixe aqui um homem que saiba onde encontrar os outros quando eu quiser retornar.
Bronn anuiu com um aceno.
– Como queira – os Orelhas Negras eram só sorrisos.
Lá dentro, uma mulher alta, vestida de sedas esvoaçantes, o esperava. Tinha pele de ébano e olhos de sândalo.
– Sou Chataya – ela se apresentou, com uma profunda reverência. – E o senhor é…
– Não vamos cair no hábito dos nomes. Eles são perigosos – o ar tinha cheiro de alguma especiaria exótica, e o chão sob seus pés mostrava um mosaico com duas mulheres entrelaçadas no amor. – Tem um estabelecimento agradável.
– Trabalhei longamente para deixá-lo assim. Fico feliz que a Mão esteja satisfeita – a voz dela era um fluxo de âmbar, líquida, com o sotaque das longínquas Ilhas do Verão.
– Os títulos podem ser tão perigosos como os nomes – Tyrion a preveniu. – Mostre-me algumas das suas garotas.
– Será um grande prazer. Descobrirá que todas elas são tão doces como belas e conhecedoras de todas as artes do amor.
Afastou-se com movimentos graciosos, obrigando Tyrion a bambolear-se o melhor que podia em cima de pernas com metade do comprimento das dela. Por detrás de um ornamentado biombo de Myr, esculpido com flores, fantasias e donzelas sonhadoras, espreitaram, sem ser vistos, uma sala comum, onde um velho tocava uma melodia alegre numa flauta. Numa alcova coberta de almofadas, um tyroshi bêbado com sua barba roxa embalava uma roliça prostituta sobre o joelho. Tinha desatado seu corpete e inclinava a taça para derramar um fino fio de vinho sobre os seios dela a fim de lambê-los. Outras duas moças jogavam damas em frente a uma janela de vitral. A sardenta usava uma cadeia de flores azuis no cabelo cor de mel. A outra tinha uma pele tão suave e negra como azeviche polido, grandes olhos escuros e pequenos seios pontudos. Vestiam seda leve presa à cintura com cintos de contas. A luz do sol que jorrava através do vidro colorido delineava seus belos corpos jovens através do tecido fino, e Tyrion sentiu uma agitação na virilha.
– Sugeriria, respeitosamente, a garota da pele escura – Chataya falou.
– É nova.
– Tem dezesseis anos, senhor.
Uma boa idade para Joffrey, pensou, lembrando-se do que Bronn tinha dito. Sua primeira garota tinha sido ainda mais nova. Tyrion lembrou-se de como ela pareceu tímida quando ele tirou seu vestido da primeira vez. Longos cabelos escuros e uns olhos azuis nos quais um homem podia se afogar, e foi o que aconteceu com ele. Fazia tanto tempo… Que idiota desgraçado você é, anão.
– Esta moça vem da sua terra natal?
– O sangue é o do Verão, senhor, mas minha filha nasceu aqui em Porto Real – a surpresa dele deve ter transparecido no seu rosto, pois Chataya prosseguiu: – Meu povo considera que não há vergonha em ser visto na casa dos travesseiros. Nas Ilhas do Verão, aqueles que são treinados na dádiva do prazer são muito estimados. Muitos jovens e donzelas de elevado nascimento servem durante alguns anos após seu florescimento, para honrar os deuses.
– O que os deuses têm a ver com isso?
– Os deuses fizeram nossos corpos, tal como nossas almas, não é assim? Deram-nos vozes para que possamos adorá-los com canções. Deram-nos mãos para que possamos construir-lhes templos. E deram-nos desejo para que possamos acasalar e adorá-los dessa forma.
– Lembre-me de dizer isso ao Alto Septão – Tyrion retrucou. – Se pudesse orar com o meu pau, seria muito mais religioso – fez um gesto com a mão. – Vou aceitar com prazer sua sugestão.
– Chamarei minha filha. Venha.
A moça encontrou-se com ele ao pé da escada. Mais alta do que Shae, embora não tão alta quanto a mãe, teve de se ajoelhar para que Tyrion a beijasse.
– Meu nome é Alayaya – disse, apenas com o mais leve toque do sotaque da mãe. – Venha, senhor – pegou sua mão e o levou por dois lances de escadas e por um longo salão. Arquejos e guinchos de prazer vinham de trás de uma das portas fechadas, risinhos e sussurros de outra. O pênis de Tyrion fez pressão contra os cordões dos seus calções. Isso pode ser humilhante, pensou, enquanto seguia Alayaya por outra escada acima até o quarto do torreão. Havia apenas uma porta. Ela o conduziu para dentro e a fechou. Dentro do quarto havia uma grande cama com dossel, um guarda-roupa alto, decorado com gravuras eróticas, e uma janela estreita de vitral num padrão de diamantes vermelhos e amarelos.
– É muito bela, Alayaya – disse-lhe Tyrion quando ficaram a sós. – Dos pés à cabeça, cada parte sua é adorável. Mas, agora, a parte que mais me interessa é a língua.
– O senhor achará minha língua bem instruída. Quando era menina, aprendi quando usá-la e quando não.
– Isso me agrada – Tyrion sorriu. – Então, o que fazemos agora? Talvez tenha alguma sugestão?
– Sim. Se o senhor quiser abrir o guarda-roupa, encontrará o que procura.
Tyrion beijou sua mão e subiu para dentro do guarda-roupa vazio. Alayaya fechou-o nas suas costas. Apalpou em busca do painel traseiro, sentiu-o deslizar sob seus dedos e o empurrou para o lado até o fim. O espaço vazio por trás da parede estava negro como breu, mas Tyrion tateou até encontrar o metal. Sua mão fechou-se em torno de uma escada vertical. Encontrou um degrau mais baixo com o pé e começou a descer. Bem abaixo do nível da rua, o poço desembocou num túnel de terra inclinado, onde foi encontrar Varys à espera com uma vela na mão.
Varys não parecia em nada consigo próprio. Via-se uma cara marcada por cicatrizes e uma barba negra por fazer sob seu capacete de espigão, e usava cota de malha sobre couro fervido, com um punhal e uma espada curta no cinto.
– Chataya o satisfez, senhor?
– Quase demais – Tyrion admitiu. – Está certo de que podemos confiar nesta mulher?
– Não estou certo de nada neste mundo volúvel e traiçoeiro, senhor. Mas Chataya não tem motivo para gostar da rainha e sabe que tem de agradecer ao senhor por livrá-la de Allar Deem. Vamos? – ele avançou pelo túnel adentro.
Até seu jeito de andar é diferente, observou Tyrion. O cheiro de vinho amargo e alho grudava em Varys no lugar da lavanda.
– Gosto deste seu novo traje – Tyrion mencionou enquanto caminhavam.
– O trabalho que faço não me permite que cruze as ruas no meio de uma coluna de cavaleiros. Portanto, quando deixo o castelo, adoto aparências mais adequadas, e assim sobrevivo para servi-lo por mais tempo.
– O couro fica bem em você. Devia ir assim à nossa próxima sessão do conselho.
– Sua irmã não aprovaria, senhor.
– Minha irmã sujaria a roupa de baixo – ele sorriu na escuridão. – Não vi sinais de nenhum dos seus espiões me seguindo.
– Fico grato por ouvir isso, senhor. Alguns dos homens a soldo da sua irmã também estão ao meu, sem que ela o saiba. Detestaria pensar que tivessem se tornado tão descuidados que se deixassem ver.