A Fúria dos Reis
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Saida de Emerg
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Fúria dos Reis». Краткое содержание книги:
– Vou fazer uma ronda pelos portões, a fim de inspecionar as novas balistas e catapultas de fogo. Não gostaria de pensar que estamos todos tão indiferentes perante as defesas da cidade como você parece estar – Cersei fitou-o com aqueles seus límpidos olhos verdes, belos, mesmo no desprezo. – Fui informada de que Renly Baratheon se pôs em marcha de Jardim de Cima. Está percorrendo a estrada das rosas, à frente de toda a sua força.
– Varys deu-me a mesma notícia.
– Pode estar aqui pela lua cheia.
– Não no ritmo vagaroso atual – Tyrion lhe garantiu. – Banqueteia-se cada noite num castelo diferente e dá audiência em cada encruzilhada por que passa.
– E todos os dias, mais homens se reúnem em volta dos seus estandartes. Diz-se que sua tropa tem agora cem mil homens.
– Esse número parece bastante elevado.
– Tem atrás de si o poderio de Ponta Tempestade e Jardim de Cima, meu pequeno tolo – Cersei soou irritada. – Todos os vassalos dos Tyrell, exceto os Redwyne, e deve-me agradecimentos por isso. Enquanto eu mantiver comigo aquelas pestes daqueles seus gêmeos, Lorde Paxter ficará agachado na Árvore e achará que tem sorte de estar fora de tudo isto.
– Uma pena que tenha deixado o Cavaleiro das Flores escapulir entre seus belos dedos. Em todo caso, Renly tem outras preocupações além de nós. Nosso pai em Harrenhal, Robb Stark em Correrrio… se eu estivesse no lugar dele, agiria de forma muito semelhante, exibindo meu poder para que o reino visse, observando, esperando. Deixaria que meus rivais lutassem, enquanto esperava minha bela hora. Se o Stark nos derrotar, o sul cairá nas mãos de Renly como um presente dos deuses, e sem que ele perca um único homem. E, se as coisas acontecerem de outro modo, pode cair sobre nós enquanto estivermos enfraquecidos.
Cersei não estava apaziguada.
– Quero que obrigue nosso pai a trazer seu exército para Porto Real.
Onde não servirá para nada além de fazer com que você se sinta em segurança.
– Quando fui capaz de obrigá-lo a fazer seja o que for?
Ela ignorou a pergunta.
– E quando planeja libertar Jaime? Ele vale cem de você.
Tyrion deu um sorriso torto.
– Não diga isso à Senhora Stark, peço-lhe. Não temos cem de mim para trocar.
– Nosso pai devia estar louco para tê-lo enviado. É pior do que inútil – a rainha sacudiu as rédeas e fez o palafrém dar meia-volta. Saiu pelo portão num trote rápido, fazendo esvoaçar o manto de arminho atrás de si. A comitiva apressou-se atrás dela.
Na verdade, Renly Baratheon não assustava Tyrion nem metade do que o irmão Stannis. Renly era amado pelos plebeus, mas nunca antes tinha liderado homens em batalha. Stannis era diferente: duro, frio, inexorável. Se ao menos tivessem alguma forma de saber o que estava acontecendo em Pedra do Dragão… Mas nem um dos pescadores a quem pagara para espiar a ilha tinha voltado, e até os informantes que o eunuco dizia ter colocado entre o pessoal de Stannis se mantinham num silêncio agourento. No entanto, os cascos listrados de galés de guerra lisenas tinham sido vistos ao largo da ilha, e Varys possuía relatórios de Myr que falavam de capitães mercenários sendo contratados por Pedra do Dragão. Se Stannis atacar por mar enquanto o irmão Renly assalta os portões, montarão em breve a cabeça de Joffrey num espigão. Pior: a minha estará ao lado da dele. Um pensamento deprimente. Devia fazer planos para tirar Shae em segurança da cidade, caso o pior parecesse provável.
Podrick Payne estava na porta do seu aposento privado, estudando o chão.
– Ele está lá dentro – anunciou para a fivela de Tyrion. – Aposento privado. Senhor. Perdão.
Tyrion suspirou.
– Olhe para mim, Pod. Enerva-me quando fala para o meu tapa-sexo, especialmente se não estou usando um. Quem está no meu aposento privado?
– Lorde Mindinho – Podrick conseguiu dar um relance rápido em seu rosto, e depois baixou rapidamente os olhos. – Isto é, Lorde Petyr. Lorde Baelish. O mestre da moeda.
– Faz com que o homem pareça uma multidão – o rapaz encolheu-se como se lhe tivessem batido, fazendo com que Tyrion se sentisse absurdamente culpado.
Lorde Petyr estava sentado no seu banco de janela, indolente e elegante num gibão de pelúcia cor de ameixa e uma capa de cetim amarelo, com uma mão enluvada descansando no joelho.
– O rei está lutando contra lebres com uma besta – disse. – As lebres estão ganhando. Venha ver.
Tyrion teve de ficar nas pontas dos pés para dar uma espiada. Uma lebre morta jazia no chão, lá embaixo; outra, com as longas orelhas retorcendo-se, estava morrendo da flecha espetada no flanco. Viam-se flechas jogadas pela terra batida como palha espalhada por uma tempestade.
– Agora! – Joff gritou. O ajudante soltou a lebre que segurava e ela fugiu aos saltos. Joffrey puxou o gatilho da besta. A flecha falhou por mais de meio metro. A lebre ficou de pé nas patas traseiras e retorceu o focinho na direção do rei. Praguejando, Joff girou a manivela para voltar a retesar a corda, mas o animal desapareceu antes que conseguisse carregar a arma. – Outra! – o ajudante enfiou a mão na coelheira. Aquela pareceu um risco marrom contra as pedras, enquanto o tiro apressado de Joffrey quase acertava a virilha de Sor Preston.
Mindinho voltou-se:
– Rapaz, gosta de lebre em conserva? – perguntou a Podrick Payne.
Pod fitou as botas do visitante, magníficas, de couro tingido e ornamentadas com arabescos negros.
– Para comer, senhor?
– Invista em potes – aconselhou Mindinho. – As lebres conquistarão o castelo em breve. Comeremos lebre três vezes por dia.
– É melhor do que ratazanas no espeto – Tyrion retrucou. – Pod, deixe-nos. A menos que Lorde Petyr deseje algum refresco?
– Obrigado, mas não – Mindinho exibiu seu sorriso zombeteiro. – Beba com o anão, dizem, e acabará na Muralha. O negro realça minha palidez doentia.
Não tenha medo, senhor, Tyrion pensou, não é a Muralha que tenho em mente para você. Sentou-se num cadeirão cheio de almofadas e disse:
– Está muito elegante hoje, senhor.
– Sinto-me ferido. Tento parecer elegante todos os dias.
– O gibão é novo?
– Sim. É muito observador.
– Cor de ameixa e amarelo. São essas as cores da sua Casa?
– Não. Mas um homem cansa de usar as mesmas cores o tempo todo, ou pelo menos é o que descobri.
– Essa também é uma bela faca.
– Ah, é? – havia travessura nos olhos de Mindinho. Puxou a faca e olhou-a num relance casual, como se nunca a tivesse visto antes. – Aço valiriano e um cabo de osso de dragão. Um pouco simples, no entanto. É sua, se quiser.
– Minha? – Tyrion deu-lhe um longo olhar. – Não. Penso que não. Minha, nunca – ele sabe, o canalha insolente. Ele sabe, e sabe que eu sei, e pensa que não posso encostar nele.
Se alguma vez um homem tinha mesmo se armado em ouro, havia sido Petyr Baelish, não Jaime Lannister. A famosa armadura de Jaime não passava de aço dourado, mas Mindinho, ah… Para sua crescente inquietação, Tyrion descobrira algumas coisas a respeito do querido Petyr.
Dez anos antes, Jon Arryn dera-lhe uma breve sinecura no fisco, onde Lorde Petyr em breve se distinguiu ao arrecadar três vezes mais do que os outros coletores. O Rei Robert era um gastador prodigioso. Um homem como Petyr Baelish, que tinha o dom de esfregar dois dragões de ouro para fazer nascer um terceiro, não tinha preço para a sua Mão. A ascensão de Mindinho tinha sido rápida como uma flecha. Três anos depois da sua chegada à corte, era mestre da moeda e membro do pequeno conselho, e, hoje, as receitas da coroa eram dez vezes maiores do que tinham sido sob seu ausente predecessor… embora as dívidas da coroa também tivessem se tornado vastas. Petyr Baelish era um mestre do malabarismo.