A Fúria dos Reis
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Saida de Emerg
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Fúria dos Reis». Краткое содержание книги:
– Bem, eu detestaria pensar que tivesse escalado por dentro de guarda-roupas e sofrido os tormentos do desejo frustrado para coisa nenhuma.
– Dificilmente será para coisa nenhuma – assegurou-lhe Varys. – Eles sabem que está aqui. Se algum será ousado o bastante para entrar na casa de Chataya disfarçado de cliente, não sei dizer, mas prefiro pecar pelo excesso de cautela.
– Como é que um bordel pode ter uma entrada secreta?
– O túnel foi escavado para outra Mão do Rei, cuja honra não lhe permitia entrar abertamente numa casa dessas. Chataya guardou com cuidado o conhecimento da sua existência.
– E, no entanto, você sabia.
– Os passarinhos voam por muitos túneis escuros. Cuidado, os degraus são íngremes.
Emergiram por um alçapão no fundo de um estábulo, depois de percorrerem talvez uma distância de três quarteirões por baixo da Colina de Rhaenys. Um cavalo relinchou na sua cocheira quando Tyrion deixou que o alçapão se fechasse com estrondo. Varys soprou a vela e escondeu-a numa viga, e Tyrion olhou em volta. As cocheiras estavam ocupadas por uma mula e três cavalos. Bamboleou-se até o castrado malhado e examinou seus dentes.
– Velho – disse – e tenho as minhas dúvidas quanto ao seu fôlego.
– Não é uma montaria apta a transportá-lo em batalha, é verdade – Varys respondeu –, mas servirá, e não chamará a atenção. Tal como os outros. E os cavalariços veem e ouvem apenas os animais – o eunuco tirou um manto de um cabide. Era de tecido grosseiro, desbotado pelo sol e puído, mas de corte muito amplo. – Se me der licença – passou o manto sobre os ombros de Tyrion, que o envolveu dos pés à cabeça, com um capuz que podia ser puxado para a frente de modo que escondesse seu rosto em sombras. – Os homens veem aquilo que esperam ver – disse Varys enquanto puxava e ajustava o manto. – Os anões não são uma visão tão frequente como as crianças, então, o que verão será uma criança. Um garoto com um manto velho no cavalo do pai, indo tratar dos assuntos do pai. Embora fosse melhor se desse preferência a vir de noite.
– Planejo fazê-lo… depois de hoje. Nesse momento, no entanto, Shae me espera. – Tyrion instalara-a numa mansão murada no canto nordeste de Porto Real, não muito longe do mar, mas não tinha se atrevido a visitá-la por receio de ser seguido.
– Que cavalo quer?
Tyrion encolheu os ombros.
– Este serve.
– Vou selá-lo para você – Varys tirou sela e arreios presos em um prego.
Tyrion ajustou o pesado manto e ficou andando impacientemente de um lado para o outro.
– Perdeu um conselho animado. Stannis coroou-se, ao que parece.
– Eu sei.
– Acusa meus irmãos de incesto. Pergunto a mim mesmo como terá chegado a tal suspeita.
– Talvez tenha lido um livro e visto a cor do cabelo de um bastardo, como Ned Stark e Jon Arryn antes dele. Ou talvez alguém tenha sussurrado ao seu ouvido – o riso do eunuco não foi a pequena gargalhada habitual, mas mais profundo e gutural.
– Alguém como você, por acaso?
– Sou suspeito? Não fui eu.
– Se tivesse sido, admitiria?
– Não. Mas por que trairia um segredo que guardei durante tanto tempo? Uma coisa é enganar um rei, outra bem diferente é esconder-se do grilo nos caniços ou do passarinho na chaminé. Além disso, os bastardos estavam aí para que todos os vissem.
– Bastardos de Robert? O que há sobre eles?
– Ele gerou oito, até onde sei – Varys respondeu enquanto lutava com a sela. – As mães eram de cobre e mel, castanha e manteiga, e, no entanto, os bebês eram todos negros como corvos… e igualmente de mau agouro, ao que parece. Portanto, quando Joffrey, Myrcella e Tommen deslizaram por entre as coxas da sua irmã, todos tão dourados como o sol, não foi difícil vislumbrar a verdade.
Tyrion balançou a cabeça. Se ela tivesse dado à luz um filho para o marido, teria sido o suficiente para desarmar a suspeita… Mas, nesse caso, não seria Cersei.
– Se não foi você quem soprou no ouvido dele, quem foi?
– Algum traidor, sem dúvida – Varys apertou a cilha.
– Mindinho?
– Não mencionei nenhum nome.
Tyrion deixou que o eunuco o ajudasse a montar.
– Lorde Varys – disse de cima da sela –, às vezes sinto que é o melhor amigo que tenho em Porto Real, e, às vezes, que é meu pior inimigo.
– Que estranho. Penso em você praticamente da mesma forma.
Bran
Muito antes que os primeiros pálidos dedos de luz se intrometessem através das venezianas de Bran, seus olhos já estavam abertos.
Havia convidados em Winterfell, visitantes vindos para o festim das colheitas. De manhã, iriam lutar com manequins no pátio. Em outros tempos, essa perspectiva teria enchido o garoto de entusiasmo, mas isso havia sido antes.
Agora não. Os Walder iriam quebrar lanças com os escudeiros da escolta de Lorde Manderly, mas Bran não participaria. Teria de fazer o papel de príncipe no aposento privado do pai.
– Escute, e talvez aprenda alguma coisa sobre o que significa ser um senhor – Meistre Luwin lhe tinha dito.
Bran nunca pedira para ser um príncipe. Era com a cavalaria que sempre sonhara; armaduras reluzentes e estandartes tremulando, lanças e espadas, um cavalo de guerra entre as pernas. Por que teria de desperdiçar seus dias ouvindo velhos falando de coisas que só compreendia parcialmente? Porque está enfraquecido, lembrou-lhe uma voz no seu interior. Um senhor na sua cadeira almofadada podia ser aleijado. Os Walder diziam que o avô era tão frágil que tinha de ser levado para todo o lado numa liteira. Mas um cavaleiro no seu corcel de batalha não podia. Além disso, era o seu dever.
– É herdeiro do seu irmão e o Stark em Winterfell – Sor Rodrik dissera, recordando-lhe como Robb costumava acompanhar o senhor seu pai quando os vassalos vinham vê-lo.
Lorde Wyman Manderly chegara de Porto Branco dois dias antes, viajando de saveiro e liteira, pois era gordo demais para montar a cavalo. Consigo viera uma longa coluna de servidores: cavaleiros, escudeiros, senhores e senhoras de menor importância, arautos, músicos, até um malabarista, num esplendor de estandartes e capas que pareciam ter meia centena de cores. Bran lhes tinha dado as boas-vindas a Winterfell sentado no cadeirão de pedra do pai, com os lobos gigantes esculpidos nos braços, e mais tarde Sor Rodrik disse que tinha se portado bem. Se tivesse sido só aquilo, não teria se importado. Mas foi apenas o começo.
– O festim é um pretexto agradável – explicara Sor Rodrik –, mas um homem não atravessa cem léguas por uma fatia de pato e um gole de vinho. Só aqueles que têm assuntos importantes para sumeter à nossa consideração fazem tal viagem.
Bran olhou para cima, para o rude teto de pedra sobre sua cabeça. Sabia que Robb lhe diria para não agir como um garotinho. Quase conseguia ouvi-lo, e também o senhor seu pai. O inverno está chegando, e você é quase um homem-feito, Bran. Tem um dever a cumprir.
Quando Hodor entrou pela porta, apressado, sorrindo e cantarolando sem melodia, encontrou o rapaz resignado ao seu destino. Juntos, deixaram-no lavado e escovado.
– Hoje quero o gibão de lã branca – Bran ordenou. – E o broche de prata. Sor Rodrik vai querer que eu tenha um ar senhorial.
Até onde era capaz, Bran preferia se vestir sozinho, mas havia algumas tarefas, como vestir os calções e amarrar as botas, que o atormentavam. Eram mais rápidas com a ajuda de Hodor. Uma vez ensinado a fazer alguma coisa, o gigante fazia-a com habilidade. Suas mãos eram sempre suaves, embora tivesse uma força espantosa.
– Você também poderia ter sido um cavaleiro, aposto – disse-lhe Bran. – Se os deuses não tivessem levado sua esperteza, teria sido um grande cavaleiro.