O outro lado de mim [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 2005
- Язык: португальский
- Переводчик: Luiza Mascarenhas
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «O outro lado de mim [em Português]». Краткое содержание книги:
Pensei que estava a brincar.
- Minha senhora, eu não estou a pedir a morada do quartel-general da CIA. Estou a falar da biblioteca pública.
- Lamento, mas não damos moradas.
Não queria acreditar. Era um desafio grande de mais para ignorá-lo. Decidi que me iam dar aquela morada.
Aguardei um bocado e liguei de novo para as Informações.
- Eu quero o número de telefone da biblioteca pública de Beverly Hills – Pedi - Fica em Beverly Drive.
A telefonista entrou outra vez na linha.
- Não temos nenhuma biblioteca pública em Beverly Drive. Há uma em North Crescent Drive.
- Não me parece que seja essa. Qual é a morada da North Crescent Drive? Perguntei.
- City Hall, 450 North Crescent Drive.
- Muito obrigado.
Eu recebera a informação que procurava.
Desde então, sempre que queria a morada de algum lugar, usava esta técnica e conseguia dar a volta à estúpida regra da companhia.
Na noite de 14 de Outubro, a minha trama virou-se contra mim. Ouvi Jorja a chamar e corri para o quarto.
- Está começando. Depressa! Pediu.
A mala estava pronta e à espera junto à porta. Eu tratara de tudo para que ela fosse admitida no hospital St. John, em Santa Mónica. O problema é que eu não tinha certeza de qual era a rua. Liguei para as Informações.
- Quero o número de telefone do hospital St. John, na Main Street. Escolhera uma rua ao acaso, para que ela me desse a rua correta. A telefonista reapareceu uns segundos mais tarde, com o número de telefone.
- E é na Main Street?
- É, sim. Foi a resposta.
Pelos vistos, acertara por acaso na rua. Meti Jorja no carro e dirigi-me velozmente a Santa Mónica, para o hospital. Ela gemia com dores.
- São só uns minutos até lá – Assegurei - Resista.
Cheguei a Main Street e virei para entrar na rua. Andei para cima e para baixo. Não se via qualquer hospital St. John. Comecei a entrar em pânico. A noite já ia avançada e as ruas estavam desertas. As bombas de gasolina estavam fechadas. Eu não fazia a mínima idéia do lugar para onde ia. Comecei a andar velozmente para cima e para baixo em todas as ruas que me apareceram até que, por fim, acabei por dar com o hospital, na rua Vinte e Dois com o Bulevar Santa Mónica, a mais de vinte quarteirões da Main Street. Duas horas depois, Mary nascia.
Tivemos um bebê saudável e maravilhoso. Era uma alegria incrível. Pouco depois de Mary ter nascido, eu e Jorja perguntamos ao Groucho se queria ser o padrinho. Quando concordou, ficamos encantados. Não imaginávamos ninguém mais perfeito.
Três dias depois, levamos Mary para casa e Laura, a nossa criada, tomou-a dos braços de Jorja.
- Eu tomo conta dela. Disse.
E, daí em diante, toda a gente tomou conta dela. Mary chorava a meio da noite e Jorja corria para o quarto dela para dar comigo sentado numa cadeira com Mary ao colo. Ou então era eu que ouvia o bebê a chorar e corria para o quarto e encontrava Jorja já sentada a embalá-la. De dia ou de noite, ao primeiro sinal de choro, corríamos para pegá-la em primeiro lugar. No momento em que a pegávamos ao colo, ela parava imediatamente de chorar.
Por fim, tive uma conversa com Jorja:
- Querida, nós estamos a estragá-la com mimos. Estamos a dar-lhe demasiado amor. Temos que reduzir.
Jorja olhou para mim e respondeu:
- Está bem. Reduz a tua parte. E foi o fim da conversa.
CAPÍTULO 26
Uma segunda-feira de manhã, a minha assistente ligou-me.
- Está aqui um senhor Robert Smith que lhe quer falar. Eu nunca ouvira falar nele.
- E o que é que ele quer?
- É um escritor. Diz que quer falar consigo.
Robert Smith andava pelos trinta anos, era baixo, tenso e nervoso.
- Em que é que o posso ajudar, senhor Smith?
- Eu tenho uma idéia. Respondeu.
Em Hollywood toda a gente tinha idéias e a maior parte delas eram péssimas. Fingi interesse.
- Sim?
- Porque não fazemos um filme sobre Buster Keaton? Fiquei imediatamente interessado.
Buster Keaton, o ”Grande Rosto de Pedra” do cinema mudo, era uma das estrelas mais importantes dessa época. A sua imagem de marca era um chapéu de aba lisa e revirada, sapatos uns tamanhos acima e nenhuma expressão no rosto. Era um ator baixo, magro, de rosto triste, que colaborara na produção e na direção dos seus filmes e que fora comparado a Chaplin.
Buster Keaton teve na sua época um enorme sucesso, mas, quando apareceu o cinema falado, o seu destino mudou. Fez vários filmes sem sucesso e cada vez tinha mais dificuldade em encontrar trabalho. Entrou em alguns filmes de curta metragem sem importância e por fim viu-se na iminência de criar cenas acrobáticas para os outros actores. Eu achava que a história dele era fascinante e suficientemente interessante para ser levada ao cinema.
- Nós dois podíamos produzi-la, eu escrevia o argumento e você realizava. Sugeriu Robert Smith.
Levantei a mão.
- Ei, espere aí. Deixe-me falar primeiro com Don Hartman. E nessa mesma tarde fui falar com ele.
- Que acontece?
- Um escritor chamado Bob Smith veio ter comigo com uma idéia de que gostei. Sugeriu que fizéssemos The Buster Keaton Story.
Ele nem hesitou.
- É uma ótima idéia. Gostava de saber por que é que nunca ninguém se lembrou disso antes.
- Bob e eu produzimos e eu realizo. Ele concordou.
- Vou começar a trabalhar para adquirir os direitos. E em quem estava a pensar para o papel de Buster?
- Ainda nem tive tempo para pensar nisso!
- Eu digo-lhe quem era ideal para esse papel, Donald O’Connor. Comentou.
Fiquei entusiasmado.
- O Donald seria maravilhoso. Trabalhei com ele no Anything Góes. Tem imenso talento.
- Mas há um problema. - Don Hartman hesitou - Donald tem outro filme marcado para o princípio do ano. Para ficarmos com ele, temos de começar a filmar dentro de dois meses.
Esse era um grande problema. Nós nem sequer tínhamos uma linha para a história. Mas eu queria O’Connor.
- Acha que consegue ter o argumento pronto a tempo?
- Claro.
Eu queria mostrar-me mais confiante do que estava realmente. Fazer um argumento a correr para conseguir um determinado ator é sempre contraproducente. O público não quer saber quanto tempo demorou a escrever o argumento, só lhe interessa o que vê no ecrã. Eu acabara de criar para mim e Bob um prazo impossível de cumprir.
Obter os direitos sobre a vida de Buster Keaton revelou-se fácil.
Começamos imediatamente a trabalhar no argumento. Havia imenso material de trabalho porque a vida de Buster fora dramática. Nascera numa família disfuncional e atravessara vários divórcios e uma luta contra o alcoolismo. Eu vira-o nos seus primeiros clássicos The General, The Navigator e The Boat. Estavam recheados de cenas acrobáticas, extremamente perigosas, e ele insistira sempre em fazê-las pessoalmente. Liguei a Don Hartman:
- Gostávamos de falar pessoalmente com Buster. Podia tratar disso?
- Com certeza.
Eu estava ansioso por este encontro.