O outro lado de mim [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 2005
- Язык: португальский
- Переводчик: Luiza Mascarenhas
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «O outro lado de mim [em Português]». Краткое содержание книги:
- Vamos fazer uma nova versão com George Gobel e chamar-lhe The Eiras and the Bee. Explicou.
George Gobel era um jovem comediante que tivera um sucesso meteórico na televisão, usando um estilo discreto e apagado. A realização pertenceria a Norman Taurog.
A adaptação do argumento de Preston Sturges foi feita rapidamente. David Niven, um homem encantador e muito divertido, foi contratado para o papel de pai, Mitzi Gaynor para o papel da filha, e o filme entrou em produção.
No meio das filmagens, Don chamou-me ao seu escritório.
- Acabei de comprar o Anything Góes e quero que escreva o argumento. Informou.
Era um estrondoso êxito da Broadway, com música e letras de Cole Porter e libreto de P. G. Wodehouse e do meu antigo colaborador Guy Bolton.
A banda sonora era Cole Porter no seu melhor. O problema era o libreto. A história envolvia um grupo de pessoas que entram em contacto com o inimigo público número treze, que se esgueira para dentro do navio para fugir ao FBI. Sentia que o libreto estava antiquado e não me parecia que resultasse no cinema, e disse-o a Don.
Ele acenou com a cabeça.
- É por isso mesmo que aqui está. Para fazer com que resulte. Criei uma nova história acerca de dois sócios que produziam uma peça na Broadway. Cada um deles, sem dizer nada ao outro, conhecera uma atriz e prometera-lhe o papel principal na sua nova produção.
Mostrei-lhe o meu guião. Gostou.
- Muito bem. Isto vai resultar muito bem com o nosso elenco.
- Qual é o nosso elenco?
- Ah! Ainda não lhe disse? Bing Crosby, Donald O’Connor, Mitzi Gaynor e uma linda bailarina chamada Zizi Jeanmaire. É casada com o nosso coreógrafo, Roland Petit.
Bing Crosby! Toda uma geração crescera a ouvir as suas canções.
Bing Crosby começara num grupo coral e uma vez aparecera de tal forma bêbado numa estação de rádio que ficara proibido de voltar à rádio. Isso seria o suficiente para arrasar a carreira de qualquer cantor, mas ele não era qualquer cantor. Tinha um estilo muito pessoal que apelava às pessoas. Foi-lhe dada uma segunda oportunidade e disparou até ao topo. Antes do final da sua carreira, tinha vendido mais de quatrocentos milhões de discos e feito cento e oitenta e três filmes.
Fui ao camarim dele para conhecê-lo. Era o encanto em pessoa, simpático e de trato fácil, com uma forma de estar relaxada e discreta.
- Estou muito satisfeito por irmos trabalhar juntos. Disse ele. Ele não fazia idéia do satisfeito que eu estava. Era um sonho que se tornava realidade.
A filmagem do meu argumento para Anything Góes decorreu sem incidentes. Roland Petit era um coreógrafo mundialmente famoso e Zizi Jeanmaire fazia justiça ao trabalho dele. Donald O’Connor era incrivelmente talentoso. Parecia-me que podia fazer fosse o que fosse, e ele e Bing Crosby complementavam-se perfeitamente.
A produção correu sem sobressaltos. Quando o filme estreou, todos ficaram satisfeitos com o filme, incluindo os críticos.
Só muitos anos depois é que o lado negro de Bing Crosby foi conhecido. Dixie, a sua primeira mulher, que estava a morrer com um cancro nos ovários, contou aos amigos que Bing a abandonara. Depois da sua morte, Bing tornou-se pai solteiro e um disciplinador severo. Lindsay e Dennis, dois dos filhos, suicidaram-se.
Enquanto eu trabalhava em Anything Góes, Jorja estava na Twentieth-Century-Fox a contracenar com William Holden e Jennifer Jones em Love is a Many-bplendored Thing. Pouco depois de ter iniciado as filmagens, ela disse-me:
- Tenho notícias para ti.
- Sobre o filme?
- Não, sobre nós. Estou grávida.
As duas palavras mais excitantes da língua inglesa. Fiquei com um sorriso idiota de orelha a orelha, abracei-a e afastei-me logo. Não queria magoar o nosso bebê.
- E que vais fazer quanto ao filme? Perguntei. Lave is a Many-Splendored Thing estava a meio da produção.
- Avisei-os hoje de manhã. Responderam que podiam continuar a filmar e que não precisavam de me substituir.
Fiquei extático. Senti-me invadido por uma enorme sensação de bem estar.
Enquanto a data do parto se ia aproximando, ela ia preparando o quarto do bebê. Acabei por saber que era uma excelente decoradora, um talento que tempos mais tarde veio a dar imenso jeito, quando passávamos a vida a viajar entre Hollywood e Nova Iorque. Contratou também uma amorosa empregada afro-americana chamada Laura Thomas, a qual viria a desempenhar um papel importantíssimo nas nossas vidas.
Uma manhã, depois de ver as imagens não editadas de Anything Góes, Don Hartman perguntou-me:
Gostaria de escrever outro filme para o Dean e o Jerry?
- Me parece ótimo, Don. Eu gostara muito de trabalhar com eles.
- Compramos um western para eles, chamado Pardners. Acho que vai gostar.
Hesitei uns segundos.
- Se não vir inconveniente, gostaria de trazer uma pessoa para trabalhar comigo.
- Quem? Perguntou, espantado.
- Jerry Davis. Havia uns tempos que Jerry não trabalhava e esta era uma hipótese de o ajudar.
- Conheço o Jerry. Se é isso que quer, tudo bem.
- Muito obrigado.
Jerry ficou encantado com as notícias e eu fiquei satisfeito por tê-lo comigo. Estava sempre bem disposto e era muito divertido. As mulheres achavam-no atraente e, sempre que terminava uma relação com uma pessoa, permaneciam amigos.
Uma vez, uma ex-namorada dele chamada Diane telefonou-lhe para lhe dizer que se ia casar. Jerry, que era muito protetor, pediu:
- Fala-me dele.
- Bem, é escritor e vive em Nova Iorque.
- Diane, os escritores de sucesso não vivem em Nova Iorque. Vivem em Hollywood. Só pode ser um falhado. Como é que ele se chama?
- Neil Simon.
Jerry e eu começamos a trabalhar no argumento e tudo corria bem. O que ninguém sabia é que este seria um dos últimos filmes de Martin e Lewis juntos. Foram dadas várias razões para a separação, mas a verdade é que tinham personalidades completamente diferentes.
Eram constantemente inundados por convites de todo o país para aparecerem como convidados de honra em eventos de caridade e Lewis, que era muito gregário, dizia sempre que sim. Quando ele dizia a Dean o que iam fazer, este ficava sempre aborrecido. Preferia ir jogar golfe. Por fim, as diferenças entre eles levaram a uma ruptura final, mas, antes disso, concordaram em fazer o Pardners.
Pardners era uma comédia western e Dean e Jerry eram os atores ideais para ela. Paul Jones, um dos mais simpáticos homens do ramo, era o produtor. As críticas foram excelentes e o filme foi um sucesso de bilheteira.
Em 14 de Outubro de 1955, a nossa filha Mary Rowane Sheldon veio a este mundo. Por minha causa, Jorja quase que não chegava a tempo ao hospital. Inadvertidamente, transformei o grande acontecimento numa situação de verdadeira comédia.
Tudo começou anos antes quando liguei uma vez para as Informações e pedi a morada da biblioteca pública de Beverly Hills.
- Peço desculpa, mas nós não podemos dar moradas. Respondeu a telefonista.