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O outro lado de mim [em Português]

Электронная книга - «O outro lado de mim [em Português]». Краткое содержание книги:

O livro traz detalhes inéditos, reveladores e sinceros, com as memórias do escritor Sidney Sheldon, um dos maiores bestsellers de toda a história, com mais de 300 milhões de livros vendidos, em 51 idiomas e em mais de 180 países. Todos os 18 romances do autor alcançaram a Lista dos Mais Vendidos. Sheldon assinou obras como 'O outro lado da meia-noite', 'A herdeira', 'A ira dos anjos', 'Juízo final', entre outros. O livro apresenta revelações sobre a vida do autor em Hollywood, ao lado de estrelas como Cary Grant, Marylin Monroe, Judy Garland, Frank Sinatra e Doris Day. 'O outro lado de mim' traz alguns detalhes sobre a vida pessoal do autor, como a infância em Chicago, em um ambiente familiar instável com as constantes discussões dos pais, a revelação de ser portador da psicose maníaco-depressiva, e muito mais.
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Dois dias mais tarde, como não tinha notícias do meu agente, resolvi ligar-lhe.

- Fechaste o negócio?

Fez-se um silêncio e em seguida ele respondeu:

- Não vai haver negócio. Sid Luff, o marido da Judy, acabou de contratar Moss Hart para escrever o argumento e George Cukor para realizar o filme.

Um escritor tem uma vantagem sobre um ator ou um realizador. Para que atores e realizadores possam trabalhar, alguém tem de contratá-los. Mas um escritor pode escrever em qualquer lado, em qualquer altura e sobre o que lhe apetecer. Só tem um problema, ele ou ela tem de ter confiança suficiente para acreditar que alguém lhe comprará a história. Eu perdera essa confiança. Hollywood estava cheio de escritores que trabalhavam, mas eu não era um deles. Ninguém estava interessado em mim.

Jorja tentou consolar-me.

- Você fez coisas ótimas, vai voltar a fazê-las. É um excelente escritor.

Mas a autoconfiança não pode ser instilada pelos outros. Eu estava paralisado, incapaz de escrever. Hollywood estava cheia de histórias de carreiras que tinham terminado. A nível emocional me encontrava num beco sem saída. Não fazia idéia de quanto tempo mais ia aguentar.

No dia 30 de Julho de 1953, cinco meses depois das críticas negativas da Variety e do Hollywood Repórter, Dream Wife estreou pelo país. Não tinham feito publicidade ao filme, as estrelas não tinham ido às estréias e ninguém tentara sequer arranjar reservas para o filme.

Vamos simplesmente deixá-lo morrer.

As críticas nacionais começaram a sair e fiquei perfeitamente espantado.

Bosley Crowther, do New York Times, dizia: “O filme mais divertido deste Verão... Belamente transposto para o cinema com a dose certa de inequívoco piscar de olho pela mão forte de Sidney Sheldon.”

A revista Time “Um alegre barbecue da Costela de Adão.”

St. Paul Minneapolis Dispatch: “Uma encantadora comédia, como nunca viu.”

Los Angeles Daily News: “O escritor/realizador Sidney Sheldon, cujo talento para comédias ligeiras nos desperta recordações de Ernst Lubitsch...”

Showmen’s Trade Review “Um filme muito bem feito que atrairá audiências a qualquer sala, independentemente do seu tamanho ou localização.”

Dream Wife foi nomeado para o Exhibitors Laurel Award, mas era tarde de mais para fazê-lo reviver. Estava morto. Dore matara-o. Como é que eu me sentia com estas críticas? Como se tivesse ganhado a lotaria e perdido a cautela.

Uma manhã, o telefone tocou e, antes de atendê-lo, interroguei-me que mais más notícias aí vinham. Era o meu agente.

- Sidney?

- Sim.

- Tens um encontro marcado com Don Hartman, o chefe de produção da Paramount, para amanhã de manhã às dez.

- Ótimo. Respondi, engolindo em seco.

- O Don é extremamente pontual, por isso não chegues atrasado.

- Atrasado? Vou já sair...

Don Hartman começara a carreira como escritor. Escrevera mais de uma dúzia de filmes, incluindo a série Road, com Crosby e Hope. Dois anos antes, Y. Freeman, o presidente da Paramount, colocara Hartman à cabeça do estúdio.

Cada estúdio tinha a sua aura própria. A Paramount pertencia ao topo. Além dos Road de Hope e Crosby, o estúdio produziu Sunset Boulevard, Going My Way e Calcutta.

Don tinha cinquenta e poucos anos, era vivo e cordial.

- Sidney, estou contente por ter vindo.

Ele não fazia a mínima idéia de como eu estava contente por ter ido!

- Já alguma vez viu um filme do Martin e do Lewis?

- Não.

Mas claro que sabia muito bem quem eles eram.

Dino Crocetti fora pugilista, croupieráe Blackjack, cantor e aspirante a comediante. Joseph Levitch fizera stand up em pequenos clubes nocturnos espalhados pelo país. Conheceram-se em 1945 e decidiram trabalhar juntos, mudando os nomes para Martin e Lewis. Individualmente, a carreira deles não tivera qualquer sucesso. Juntos eram magia. Eu vira um pequeno número com eles quando estavam a atuar no Paramount Theatre em Nova Iorque e as ruas estavam pejadas por grupos de admiradores aos gritos.

- Temos um filme para eles que gostaríamos que escrevesse. Chama-se You’re Never Too Young. Norman Taurog é o realizador.

Eu já trabalhara com ele em Rich, Young and Pretty.

Era maravilhoso voltar a trabalhar num estúdio. Voltava a ter uma razão para me levantar de manhã, sabendo que o trabalho que eu tanto amava me aguardava.

Nessa noite, quando voltei para casa, Jorja comentou:

- Parece outra pessoa.

A verdade é que me sentia outra pessoa. A frustração de estar sem trabalho durante tanto tempo era corrosiva.

A Paramount era um estúdio simpático e parecia-me que havia muito menos tensão do que na MGM.

You’re Never Too Young contava a história de um jovem assistente de barbeiro que se vê obrigado a disfarçar-se de miúdo de doze anos depois de se ter envolvido no roubo de uma joalharia. Era um remake de The Major and the minor, um filme de 1942 realizado por Billy Wilder, com Ginger Rogers e Ray Milland.

Assim que terminei o argumento, fizemos uma leitura em grupo com o elenco, o produtor e o realizador.

- Se acharem que alguma parte do texto vos incomoda, por favor, digam-me, pois terei todo o gosto em alterá-la. Disse eu a Dean e a Jerry.

- Excelente argumento. Adeus, tenho um jogo de golfe. Respondeu Dean, levantando-se e saindo pela porta fora.

- Bem, eu tenho algumas questões. Disse Jerry.

E nos sentamos durante duas horas enquanto ele fazia perguntas sobre os cenários, os ângulos da câmara, a abordagem a algumas das cenas e aquilo que me pareceu uma centena de perguntas. Era óbvio que os dois parceiros tinham prioridades muito diferentes.

Ninguém na altura o sabia, mas era uma previsão do que, anos mais tarde, os levaria a separar-se.

You’re Never Too Young estreou com boas críticas e muito bons resultados de bilheteira. Para comemorar o reiniciar da minha carreira, comprei uma linda casa em Bel Air, com uma piscina e belos jardins. Tudo estava bem de novo no mundo. Decidi que chegara a altura de eu e Jorja fazermos outras férias na Europa. O elevador estava a subir.

- O senhor Hartman quer falar consigo.

Quando entrei no escritório de Don, este me perguntou:

- Tenho um projeto que penso que vai gostar. Alguma vez viu o The Lady Eve?

Se vi. Era um filme de Preston Surges com Barbara Stanwyck e Henry Fonda, e contava a história de um vigarista e da sua bela filha que esfolam um ingénuo milionário durante um cruzeiro transatlântico. As complicações começam quando a filha se apaixona pela vítima.

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