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Электронная книга - «A Herdeira [em Português]». Краткое содержание книги:

A Herdeira [em Português]
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- Essa outra companhia sabe que você pode ir para a prisão? - perguntou Rhys displicentemente.

- Para a prisão?

- O governo dos Estados Unidos obrigou toda a empresa de negócio no exterior a revelar todos os subornos pagos nos últimos dez anos. Infelizmente, você está envolvido nisso, Roberto. Além disso, deixou de cumprir várias leis brasileiras. Estávamos dispostos a protegê-lo de todas as maneiras, como um verdadeiro membro da família. Mas, desde que vai sair da companhia, não há mais motivos para isso, não acha?

Roberto estava muito pálido.

- Mas tudo o que eu fiz foi em benefício da companhia. Estava apenas cumprindo ordens.

- Tenho certeza de que poder explicar tudo durante o seu julgamento - disse Rhys, levantando-se. - Bem, não temos mais nada a fazer aqui. Vamos, Elizabeth.

- Espere um pouco! - exclamou Roberto. - Não pode me abandonar assim!

- Creio que está fazendo um pouco de confusão. Quem quer nos abandonar é você.

Tumas enxugou o suor da testa, foi até a janela e olhou para fora, enquanto um profundo silêncio reinava na sala. Finalmente, voltou-se para Rhys e disse:

- Se eu ficar na companhia, posso contar com a proteção da Roffe?

- Total e absoluta - disse Rhys.

Quando estavam de novo no Mercedes de volta à cidade, Elizabeth disse a Rhys:

- O que você fez com ele foi chantagem.

- Decerto, mas não podíamos perder o homem para uma companhia rival. Ele sabe muito sobre nossos negócios e trataria de revelar isso fora daqui.

Elizabeth ficou pensando que ainda tinha muito que aprender com Rhys. Naquela noite, foram jantar num restaurante, o Minder. Rhys se mostrou encantador, divertido e impessoal. Elizabeth tinha a impressão de que ele estava se escondendo por trás de uma cortina de fumaça de palavras e gentilezas para não revelar os seus verdadeiros sentimentos.

Quando acabaram de jantar, já passava da meia-noite. Elizabeth tinha esperança de que fossem voltar para o hotel, mas Rhys disse:

- Vou lhe mostrar um pouco da vida noturna do Rio.

Fizeram a ronda das boates e todo mundo parecia conhecer Rhys. Em todos os lugares, era o centro das atenções e encantava a todos. Eram convidados para as mesas de outros casais, e muitas pessoas iam sentar-se à mesa deles. Não ficavam um único minuto a sós. Sem dúvida, Rhys estava fazendo aquilo de propósito para estabelecer uma barreira entre eles. Em outros tempos, tinham sido amigos. Tinham passado a ser… o quê?

Na quarta boate, onde tinham ido para uma mesa cheia de amigos de Rhys.

Elizabeth chegou à conclusão de que já bastava. Interveio na conversa entre Rhys e uma linda moça espanhola.

- Desculpe, mas ainda não dancei uma só vez com meu marido. Com licença.

Rhys olhou-a com surpresa e levantou-se, dizendo aos outros:

- Creio mesmo que estou esquecendo minha mulher. - Tomou o braço de Elizabeth e levou-a para a pista de dança. Ela estava um pouco rígida, e ele murmurou: - Você está brava.

Tinha razão, mas Elizabeth estava zangada consigo mesmo. Impusera as regras do jogo e estava aborrecida porque Rhys não tratava de desrespeitá-las. Mas não era só isso. O pior de tudo era não ter certeza dos verdadeiros sentimentos de Rhys. Estava cumprindo o acordo apenas porque tinha senso de dignidade ou porque ela não lhe interessava? Elizabeth tinha de saber.

- Desculpe toda essa gente, Elizabeth - disse ele. - Todos estão ligados ao mundo dos negócios e, de uma forma ou de outra, podem nos ser úteis.

Isso mostrava que ele compreendia os sentimentos dela. Era muito agradável ter o braço dele passado por ela e o corpo bem junto ao seu. Tudo em Rhys era exatamente como ela queria. Um se ajustava ao outro. Ela sabia disso. Mas saberia ele o quanto ela precisava dele? O amor-próprio não lhe permitia dizer coisa alguma. Mas ele não podia deixar de sentir alguma coisa. Encostouse mais a ele.

O tempo havia parado e não havia nada no mundo senão os dois, a música e a magia daquele momento. Ela poderia continuar dançando para sempre nos braços dele.

Descontraiu-se, abandonou-se inteiramente a ele e, pouco depois, sentiu a dureza masculina contra as coxas. Abriu os olhos e viu nos olhos dele alguma coisa que nunca vira antes, uma urgência e uma necessidade que eram reflexos do que ela sentia.

Finalmente, ele disse, com voz rouca:

- Vamos voltar para o hotel.

Ela nem conseguia falar. Quando ele a ajudava a colocar o casaco, os dedos dele lhe queimavam a pele. Sentaram-se no carro separados um do outro, com receio de qualquer contato. Elizabeth sentia-se arder. Pareceu-lhe terem levado uma eternidade para chegar à suíte. Sentiu que não podia esperar um só momento mais. Logo que a porta se fechou, juntaram-se num abraço impetuoso, que a ambos tirou o fôlego.

Estava nos braços dele, e havia nele uma ferocidade que ela nunca pressentira.

Ele a tomou nos braços e levou-a para o quarto. Não conseguiram despir-se com a rapidez que desejavam. Elizabeth pensou que eram como duas crianças ansiosas, e ficou sem saber por que Rhys demorava tanto. Mas pouco importava agora. O que importava era a nudez e o maravilhoso contato de um corpo contra o outro.

Acariciaram-se longamente e, quando não agüentaram mais, ele se moveu com lentidão sobre o corpo dela e penetrou-a lenta e profundamente, em gentis movimentos circulares, até que ela começou a mover-se no ritmo dele, no ritmo de ambos, no ritmo do universo, e tudo se moveu cada vez mais depressa, girando descontroladamente até que houve uma explosão maravilhosa e a terra voltou a ser tranqüila e pacífica. Ficaram ali abraçados, e Elizabeth pensou com alegria: Sra. Rhys Williams.

Capítulo 46 - Perdão, Sra. Williams - disse Henriette pelo interfone. -O detetive Hornung está aqui, e deseja vê-la. Diz que é urgente.

Elizabeth olhou para Rhys, intrigada. Tinham chegado a Zurique, vindo do Rio, na noite anterior, e estavam no escritório havia poucos minutos apenas. Rhys encolheu os ombros.

- Diga-lhe que mande o homem entrar. Vamos saber que urgência é essa.

Pouco depois, estavam os três sentados no escritório de Elizabeth.

- Que deseja? - perguntou Elizabeth.

Max Hornung não era homem de rodeios.

- Alguém está tentando matá-la - disse ele.

Ao ouvir essas palavras, Elizabeth ficou muito pálida. Diante disso, Max Hornung pensou que devia ter tido mais tato, apresentando os fatos de outra maneira.

- O que está dizendo, afinal de contas? - perguntou Rhys Williams. Max continuou a dirigir-se a Elizabeth.

- Já houve duas tentativas de morte contra a sua pessoa. Haverá provavelmente outras.

- Acho… que deve estar enganado - murmurou Elizabeth.

- Não estou, não. O desastre do elevador visava a sua pessoa.

Ela o encarou em silêncio, com os olhos negros cheios de espanto e outras emoções que Max não podia definir.

- E o desastre com o jipe também.

Elizabeth conseguiu falar:

- Está enganado. Foi um acidente. Não havia nada no jipe. A polícia de Sardenha examinou-o.

- Não.

- Eu vi os mecânicos examinarem o jipe - disse Elizabeth.

- Não, senhora. A senhora viu os mecânicos examinarem um jipe. Não era o seu.

Ambos o olhavam, estupefatos. Max continuou:

- O seu jipe nunca esteve naquela garagem. Fui encontrá-lo em um ferro velho, em Olbia. A porca que fechava o cilindro principal foi afrouxada, deixando escoar todo o óleo do freio. Foi por isso que a senhora ficou sem freios. O pára lamas esquerdo ainda estava amassado e havia marcas verdes da seiva da árvore contra a qual bateu. Verifiquei tudo e vi que conferia.

O pesadelo estava de volta. Elizabeth sentiu-se dominada por ele, e as comportas dos seus temores ocultos se reabriam subitamente, revivendo o terror daquela descida pela montanha.

- Não compreendo - disse Rhys. - Como foi possível isso?

Max voltou-se para Rhys.

- Todos os jipes se parecem. Eles se aproveitaram disso. Quando ele bateu na árvore em vez de rolar pelo precipício como esperavam, tiveram de improvisar. Não podiam deixar ninguém examinar o jipe, pois tudo tinha que parecer um acidente. Tinham esperado que ele fosse parar no fundo do mar. Talvez a tivessem liquidado ali mesmo, se não tivesse chegado uma turma de socorro que a levou para o hospital. Conseguiram então outro jipe, simularam uma batida e fizeram a mudança antes que a polícia chegasse.

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