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Электронная книга - «A Herdeira [em Português]». Краткое содержание книги:

A Herdeira [em Português]
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- Meus filhos! - exclamou ela. - Ele matou meus filhos.

Max estava observando o rosto de Walther Gassner, que olhava para a mulher com uma expressão de completo desalento. Parecia esgotado e exausto.

- Anna… Anna… - murmurou.

O major Wageman disse.

- Tem o direito de ficar calado ou de chamar um advogado. Para seu próprio bem, espero que coopere conosco. Walther não o estava escutando.

- Por que você tinha de chamá-los, Anna? Por quê? Não éramos felizes juntos?

- As crianças estão mortas! - gritou Anna Gassner.

O major Wageman olhou para Walther Gassner e perguntou:

- É verdade?

Walther fez um sinal afirmativo, e os seus olhos pareciam velhos e abatidos.

- Sim… Estão mortas.

- Pode dizer-nos onde estão os corpos?

Walther Gassner estava chorando. As lágrimas desciam-lhe pelo rosto, e ele não conseguia falar.

- Onde estão as crianças? - tornou a perguntar o major Wageman.

Foi Max quem respondeu:

- As crianças estão enterradas no cemitério de Saint Paul.

Todos se voltaram para olhá-lo, e Max explicou:

- Morreram ao nascer, há cinco anos.

- Assassino! - gritou Anna Gassner para o marido.

E todos viram a loucura brilhando nos olhos dela.

Capítulo 51 Zurique. Quinta-feira, 4 de dezembro. 0 horas.

A noite fria de inverno havia caído, apagando o breve crepúsculo. Começava a nevar, e um manto de fina poeira branca se estendia sobre a cidade. No edifício da administração da Roffe and Sons, as luzes dos escritórios desertos brilhavam na escuridão com luas amarelas.

Elizabeth estava trabalhando sozinha em sua sala, esperando por Rhys, que fora participar de uma reunião em Genebra. Estava ansiosa por sua volta. Todo mundo já deixara havia muito o edifício. Elizabeth sentia-se nervosa e incapaz de concentrar-se.

Não conseguia deixar de pensar em Walther e Anna.

Lembrava-se de Walther tal como conhecera, jovem e belo, loucamente apaixonado por Anna. Apaixonado ou fingia que estava. Era muito difícil acreditar que Walther fosse responsável por todos aqueles terríveis atos. Pensava em Anna com grande ternura. Tentara várias vezes, sem resultados, falar com ela pelo telefone. Logo que pudesse, iria até Berlim para confortá-la da melhor forma possível.

A campainha do telefone assustou-a. Atendeu.

Alec estava do outro lado da linha, e Elizabeth teve prazer em ouvir a voz dele.

- Já soube de Walther? -perguntou Alec.

- Já.É horrível. Nem posso acreditar.

- Não acredite mesmo, Elizabeth.

Ela pensou que não tivesse ouvido bem.

- Como?

- Não acredite. Walther não é culpado.

- Mas a polícia disse…

- A polícia errou. Walther foi a primeira pessoa que eu e Sam investigamos. Foi liberado por nós. Não era o homem que estávamos procurando.

Elizabeth sentiu-se mergulhar em completa confusão. "Não era o homem que estávamos procurando"…

- Não compreendo o que está falando, Alec.

- É difícil dizer essas coisas pelo telefone, mas ainda não tive oportunidade de falar com você sozinha.

- Falar comigo de quê?

- Desde o ano passado, alguém vem sabotando a companhia. Houve uma explosão numa de nossas fábricas na América do Sul, houve roubos de patentes, e drogas perigosas foram trocadas de embalagem. Não tenho tempo agora de lhe relatar tudo o que houve. Mas fui procurar Sam e lhe sugeri que contratasse uma agência particular para encontrar o culpado. Combinamos não falar sobre isso com mais ninguém.

Foi como se a terra se tivesse aberto aos pés de Elizabeth. Era Alec que falava pelo telefone, mas a voz que ela ouvia era a de Rhys, dizendo-lhe a mesma coisa, afirmando-lhe que tinha discutido o caso com Sam e que tinham resolvido contatar uma agência particular. Alec prosseguiu:

- Quando a agência concluiu o relatório, Sam o levou para Chamonix e nós o discutimos pelo telefone.

Rhys havia dito que Sam o chamara a Chamonix para discutir o relatório e que tinham resolvido manter o segredo entre os dois até descobrirem o culpado. Elizabeth estava com dificuldade para respirar. Procurou normalizar a voz e perguntou:

- Quem mais sabia desse relatório, Alec, além de Sam e você? -Mais ninguém.

Isso era da maior importância. O relatório indicava que o culpado era alguém que ocupava uma posição bem alta na administração da companhia. Rhys não havia dito que estivera em Chamonix até o detetive mencionar o fato… Perguntou então, arrancando a custo as palavras da garganta:

- Acha que Sam disse alguma coisa a Rhys?

- Não. Por quê?

Havia somente uma maneira de Rhys saber o que estava no relatório. Tinha-o roubado. Havia somente um motivo para ele ter ido a Chamonix. Matar Sam. Elizabeth não ouviu o resto das palavras de Alec. O zumbido em seus ouvidos abafava todas as palavras. Deixou cair o gancho, com a cabeça a rodar, lutando contra o horror que ia lhe invadindo a alma. Sentia na cabeça um tumulto de imagens caóticas.

Por ocasião do acidente com o jipe, mandara dizer a Rhys que ia para a Sardenha.

Na noite da queda do elevador, Rhys não tinha ido à reunião de diretoria, mas aparecera depois, quando ela e Kate estavam trabalhando sozinhas. Logo depois, deixara o edifício.

Ou não tinha deixado?

Elizabeth tremia da cabeça aos pés. Tudo aquilo era um tremendo equívoco. Não podia ser Rhys! Todo o seu ser se insurgia contra isso. Não! Era o grito angustiado do seu coração.

Levantou-se e, com as pernas trôpegas, passou pela porta que ligava a sua sala à de Rhys. A sala estava às escuras. Acendeu as luzes e ficou parada, indecisa, sem saber o que esperava encontrar. Não ia procurar provas que incriminassem Rhys, mas, sim, provas de sua inocência. Era intolerável pensar que o homem que ela amava, o homem que a tivera cheia de amor nos braços, fosse uma assassino insensível.

Havia uma agenda de compromissos em cima da mesa de Rhys. Elizabeth folheou-a, à procura do fim de semana em setembro, quando ocorrera o acidente com o jipe. Naquela data estava marcada a viagem a Nairobi.

Teria de examinar o passaporte dele para verificar se fora mesmo para lá.

Começou a procurar o passaporte, sentindo-se culpada e certa de que haveria uma explicação que o inocentasse. Uma das gavetas estava trancada. Elizabeth hesitou. Sabia que não tinha o direito de abri-la. Seria um abuso de confiança, a violação de uma fronteira proibida de que não poderia mais redimir-se.

Rhys saberia que ela tinha feito aquilo, e ela teria de explicar-lhe tudo. Mas, apesar de tudo, tinha de saber. Abriu a gaveta com uma espátula e encontrou uma pilha de papéis, notas e memorandos. Pegou tudo. Encontrou um envelope endereçado a Rhys com uma letra de mulher. Tinha o carimbo de Paris e datada de poucos dias. Elizabeth hesitou um momento e abriu a carta. Era de Hélsne e começava assim:

"Chéri, não consegui falar com você pelo telefone. É urgente que nos encontremos de novo para assentarmos os nossos planos…"

Elizabeth não acabou de ler a carta. Estava a olhar para o relatório roubado, no fundo da gaveta.

Sr. Sam Roffe confidencial sem cópias Elizabeth sentiu a sala girar em torno dela e teve de apoiar-se na mesa para não cair. Ficou ali muito tempo, com os olhos fechados, esperando a vertigem passar. O assassino já tinha um rosto. Era o rosto de seu marido. O silêncio foi quebrado pelo toque insistente de um telefone distante.

Elizabeth custou muito a identificar de onde vinha o som. Por fim, voltou a passos lentos para sua sala e pegou o telefone. Era o porteiro do térreo.

- Só queria saber se ainda estava aí, Sra. Williams. Seu marido já vai subir.

Vai preparar outro acidente! A vida dela era o único obstáculo que separava Rhys do controle total da Roffe and Sons. Não podia enfrentá-lo, não podia fingir que nada havia acontecido. No momento em que ele a visse, saberia de tudo. Tinha de fugir.

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