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Электронная книга - «A Herdeira [em Português]». Краткое содержание книги:

A Herdeira [em Português]
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A Sra. Mandler saiu o mais depressa que pôde da casa. O homem não lhe pagara o dia. Mas ela pegara a caixinha dourada de pílulas e as moedas que encontrara espalhadas pelo quarto. Tinha pena da pobre mulher trancada no quarto. Gostaria de ajudá-la, mas não queria envolver-se no caso. Tinha ficha na polícia.

Em Zurique, o detetive Max Hornung lia o seguinte teletipo recebido da sede da Interpol em Paris:

"Número da fatura do filme virgem usado no filme assassino vendido a Roffe and Sons não pôde ser obtido pois funcionário não trabalha mais na companhia. Estamos investigando e comunicaremos todas as informações obtidas".

Em Paris, a polícia retirava das águas do Sena o corpo nu de uma mulher de quase vinte anos, loura. Tinha uma fita vermelha amarrada no pescoço.

Em Zurique, Elizabeth Williams fora colocada sob proteção permanente da polícia.

Capítulo 48 A luz branca se acendeu, indicando que havia uma ligação para a linha direta de Rhys Williams. Nem meia dúzia de pessoas sabiam desse número. Pegou o telefone.

- Alo? - Bom dia, querido.

Não era possível confundir aquela voz gutural e diferente.

- Você não devia telefonar para mim.

A mulher riu.

- Você nunca se preocupou com essas coisas. Não me diga que Elizabeth já o dominou.

- O que você quer? - perguntou Rhys.

- Quero vê-lo hoje à tarde.

- Impossível!

- Olhe que eu me zango, Rhys. Quer que eu vá até Zurique?

- Não, não posso vê-la aqui… está bem. Irei até aí.

- Assim, sim. No lugar do costume, chéri.

E Hélsne Roffe-Martel desligou.

Rhys colocou o fone no gancho e ficou pensando. Para Rhys, não tinha passado de um breve caso puramente sexual com uma mulher interessante, mas estava encerrado havia algum tempo. Mas Hélsne não era mulher que pudesse ser abandonada com facilidade. Ela estava cansada de Charles e queria Rhys: "Você e eu formamos um par perfeito", dizia, e Hélsne Roffe-Martel podia ser muito determinada e extremamente perigosa.

Rhys chegou à conclusão de que a viagem a Paris era necessária. Tinha de fazêla compreender de uma vez por todas que não podia haver mais nada entre eles.

Momentos depois, entrou na sala de Elizabeth, e os olhos dela faiscaram. Abraçou-o e disse:

- Estava pensando em você. Vamos para casa e trataremos de ter uma folga pelo resto do dia. Ele sorriu.

- Você está ficando maníaca em matéria de sexo.

Ela se aconchegou a ele. - Sei disso. E não é bom?

- Infelizmente, tenho de tomar o avião para Paris hoje à tarde, Liz. Ela procurou dissimular a sua decepção e perguntou:

- Devo ir com você?

- Não é o caso, Liz. Há um pequeno problema que eu tenho de resolver pessoalmente. Estarei de volta à noite. Jantaremos um pouco mais tarde.

Quando Rhys entrou no pequeno hotel da River Gauche, que conhecia tão bem, já encontrou Hélsne à espera dele. Era organizada e eficiente, extraordinariamente bela, inteligente e maravilhosa amante.

Faltava-lhe, no entanto, alguma coisa. Hélsne era uma mulher sem compaixão.

Havia nela intensa crueldade, um verdadeiro instinto assassino. Rhys já vira outros massacrados por ela, e não tinha a intenção de se tornar uma de suas vítimas. Sentou-se diante dela.

- Você está com ótimo aspecto, meu querido. É evidente que está se dando bem com o casamento. Elizabeth tem sido satisfatória para você na cama?

Ele sorriu para atenuar a rudeza do que ia dizer.

- Não é da sua conta.

Ela se curvou para a frente e segurou uma das mãos dele.

- Ah, é, sim, cheri. É da nossa conta.

Começou a acariciar-lhe a mão, e ele pensou nela na cama. Parecia um tigre, selvagem, à espreita e insaciável. Rhys afastou a mão. Os olhos de Hélsne ficaram frios.

- Escute, Rhys. Como é ser presidente da Roffe and Sons?

Ele quase havia esquecido o quanto ela era ambiciosa. Lembrou-se das longas conversas que já haviam tido. Ela alimentava a obsessão de dominar a companhia. Você e eu, Rhys. Se Sam estivesse fora do caminho, nós dois poderíamos dirigir a companhia.

Até nos momentos mais arrebatadores de amor ela murmurava: A companhia é minha, meu bem. Tenho nas veias o sangue de Samuel Roffe. A companhia é minha. Eu a quero.

Foda-me, é minha. Eu a quero. Foda-me, Rhys. O poder era o afrodisíaco de Hélsne. O perigo também.

- O que você quer comigo, Hélsne?

- Acho que já está na hora de nós dois fazermos alguns planos.

- Não sei do que você está falando.

- Eu o conheço bem, Rhys. Você é ainda mais ambicioso do que eu. Por que acompanhou Sam como uma sombra quando teve ótimas propostas para dirigir outras companhias? Sabia muito bem que um dia iria dirigir a Roffe and Sons.

- Fiquei porque gostava de Sam.

- É claro, chéri - disse ela, rindo. - E hoje está casado com a filhinha encantadora dele. - Tirou um cigarro da bolsa e acendeu-o com um isqueiro de platina. - Charles me disse que Elizabeth mantém o controle acionário da companhia e ainda se recusa a abrir mão dele.

- É verdade, Hélsne.

- Naturalmente, já deve ter pensado que, se ela sofrer um acidente, você herdará tudo, não é? Rhys olhou demoradamente para ela.

Capítulo 49 Ivo Palazzi estava em sua casa, em Olgiata, e olhava pela janela quando viu uma coisa simplesmente horripilante. Donatella e os três garotos vinham chegando pela entrada de carros. Simonetta estava no andar de cima, cochilando. Ivo saiu às pressas ao encontro de sua segunda família.

Estava com tanta raiva que tinha vontade de matar. Tinha sido tão bom, tão amigo, tão carinhoso para com aquela mulher, e a recompensa que ela lhe dava era a tentativa deliberada de destruir-lhe a carreira, o casamento e a vida. Viu Donatella saltar do Lancia Flava que ele tão generosamente lhe dera. Para dizer a verdade, ela nunca lhe parecera tão bela quanto aquele instante. Os garotos saltaram também para abraçá-lo e beijá-lo.

Ivo sentiu que os amava demais. Desejava apenas que Simonetta não acordasse naquele momento.

- Vim falar com sua mulher - disse cerimoniosamente Donatella,. - Vamos entrar, garotos.

- Não! - ordenou Ivo.

- Como você vai impedir? Se eu não falar com ela hoje, falarei amanhã.

Ivo estava imprensado contra a parede e não via saída. Sabia, porém, que não podia deixar que ninguém lhe destruísse aquilo que lhe custara tanto construir. Ivo se considerava um homem de bem e detestava o que tinha de fazer. Mas era preciso, não só por ele, mas por Simonetta, por Donatella e por todos os seus filhos.

- Eu lhe darei seu dinheiro - disse a Donatella. - Daqui a cinco dias.

- Está bem. Cinco dias - disse Donatella, com os olhos fixos nele.

Em Londres, Sir Alec Nichols estava tomando parte num debate na Câmara dos Comuns. Fora escolhido para fazer um importante discurso político a respeito das repetidas greves que estavam desarticulando a economia britânica. Tinha, porém, dificuldades de concentrar-se. Pensava na série de telefonemas que recebera naquelas últimas semanas. Conseguiam encontrá-lo onde quer que ele estivesse: no clube, no barbeiro, nos restaurantes, em reuniões comerciais.

Alec sempre desligava sem dizer uma palavra. Sabia o que estavam querendo era apenas o começo. Depois que o tivessem sob controle, achariam um jeito de apoderar-se das suas ações e deteriam então uma parcela da gigantesca indústria farmacêutica que fabricava drogas de todas as espécies. No início, telefonavam-lhe quatro ou cinco vezes por dia, até que os seus nervos ficaram em petição de miséria.

O que preocupava Alec naquele dia era não ter recebido ainda qualquer telefonema. Havia esperado o telefonema de manhã na hora do café e, mais tarde, quando almoçava no White's. Mas ninguém lhe telefonara, e ele não podia livrar-se da idéia de que aquele silêncio era mais sinistro que todas as ameaças. Procurou, entretanto, esquecer-se de tudo ao ocupar a tribuna da Câmara. "Ninguém é mais amigo dos trabalhadores do que eu. Nossa força de trabalho é que dá a grandeza ao país. Os trabalhadores alimentam as nossas usinas e movem as nossas fábricas. São a verdadeira elite do país, a espinha dorsal que torna a Inglaterra alta e forte entre as nações." Fez uma pausa e continuou: "Há todavia períodos na vida de toda a nação em que é preciso fazer sacrifícios…"

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