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Электронная книга - «A Herdeira [em Português]». Краткое содержание книги:

A Herdeira [em Português]
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Falava mecanicamente, pensando todo o tempo se a sua atitude teria afugentado os chantagistas. Afinal de contas, não passavam de chantagistas vulgares. E ele era Sir Alec Nichols, baronete e membro do Parlamento. Nada poderiam fazer contra ele. Com toda a certeza, tinham desistido de vez. Daí por diante, o deixariam em paz. Terminou seu discurso entre aplausos entusiásticos do plenário. Já ia saindo quando um funcionário se aproximou dele.

- Tenho um recado para o senhor, Sir Alec.

- Que é?

- Deve ir para casa o mais depressa possível. Houve um acidente.

Estavam levando Vivian para uma ambulância quando Alec chegou em casa.

Havia um médico ao lado dela. Alec parou o carro junto ao meio-fio e saiu correndo, mas parou de repente. Olhou para o rosto inconsciente de Vivian e perguntou ao médico:

- O que houve?

- Não sei, Sir Alec. Recebi um telefonema anônimo que falava de um acidente.

Quando cheguei, encontrei Lady Nichols caída no quarto com as rótulas perfuradas por dois pregos cravados no chão.

Alec fechou os olhos, lutando contra o acesso de náusea que o invadia. Sentia a bile subir-lhe à garganta.

- Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance. Mas convém que prepare o espírito para uma coisa: talvez ela nunca mais possa andar. Alec sentia dificuldades de respirar. Encaminhou-se para a ambulância.

- Ela está sob o efeito de um sedativo bem forte - disse o médico. - Não poderá reconhecê-lo.

Alec subiu para a ambulância e se sentou no banco ao lado da mulher, sem ver as portas se fecharem e sem ouvir o silvo da sirene logo que o veículo começou a mover-se.

Segurou as mãos frias de Vivian.

- Alec - murmurou ela, abrindo os olhos. Os olhos de Alec ficaram cheios de lágrimas.

- Oh, minha querida…

- Dois homens mascarados… me agarraram… quebraram minhas pernas… Nunca mais poderei dançar… Vou ficar aleijada… Você me quer assim mesmo, Alec?

Ele encostou a cabeça no ombro dela e chorou. Eram lágrimas de desespero e de agonia e de mais alguma coisa que ele hesitava em reconhecer. Havia uma espécie de angustiado conforto no seu sentimento. Se Vivian ficasse aleijada, ele poderia cuidar dela com todo o carinho e ela não o deixaria por mais ninguém… Alec sabia, porém, que os seus problemas não estariam terminados. Os inimigos ainda não deviam estar satisfeitos.

Aquilo era apenas um aviso. A única maneira de livrar-se deles era dar-lhes o que queriam. O mais depressa possível.

Capítulo 50

Zurique. Quinta-feira, 4 de dezembro.

Era exatamente meio-dia quando a ligação chegou à mesa telefônica da sede da Polícia Criminal em Zurique. O telefonema foi encaminhado ao inspetorchefe Schmied e quando acabou de falar, mandou chamar o detetive Max Hornung.

- Está tudo acabado -disse ele a Max. - O caso Roffe está resolvido. Já encontraram o assassino. Pode ir para o aeroporto. Tem o tempo exato para pegar o avião.

- E para onde eu vou? - perguntou Max. - Para Berlim.

O inspetor-chefe Schmied telefonou para Elizabeth Williams.

- Tenho boas notícias para lhe dar. Não tem mais necessidade de proteção da polícia. O assassino foi capturado.

Elizabeth segurava nervosamente o telefone. Ia afinal saber o nome do seu implacável inimigo.

- Quem é ele, inspetor?

- Walther Gassner.

Iam em alta velocidade pela Autobahn, em direção a Wannsee. Max ia no banco de trás, em companhia do major Wageman. Dois detetives estavam no banco da frente.

Tinham ido esperar Max no aeroporto de Tempelhof, e o major Wageman havia explicado a situação. A casa estava cercada, mas deviam agir com cuidado, pois a esposa de Gassner estava detida por ele como refém.

- Como descobriram que Walther Gassner é o culpado? - perguntou Max.

- Graças ao senhor. Foi por isso que pensamos que gostaria de estar presente à captura.

- Graças a mim?

- Falou-me do psiquiatra a quem ele foi consultar. Baseado nisso, mandei a descrição de Gassner a outros psiquiatras e apurei que ele consultou uma meia dúzia deles. Usava cada vez um nome diferente e então desaparecia. Sabia que estava doente.

A mulher dele nos telefonou pedindo socorro alguns meses antes. Mandamos um dos nossos homens até lá, mas ela o despistou com evasivas. Hoje de manhã, recebemos um telefonema de uma faxineira, a Sra. Mandler. Disse-me que tinha ido trabalhar na casa de Gassner na segunda-feira e que falou com a mulher dele através da porta fechada de um quarto. A Sra. Gassner disse a ela que o marido matara os dois filhos do casal e pretendia matá-la.

Max piscou os olhos.

- Isso aconteceu na segunda-feira? E a tal mulher só telefonou para a polícia hoje?

- A Sra. Mandler tem uma longa ficha de contravenções e teve receio de nos procurar. Ontem à noite, discutiu o caso com o companheiro dela, e os dois resolveram falar.

Haviam chegado a Wannsee. Pararam o carro a alguma distância da casa de Gassner, atrás de uma sebe. Um homem saiu do carro e dirigiu-se ao encontro do major Wageman e Max.

- Ele ainda está na casa, major. Os meus homens estão cercando tudo.

- Sabe se a mulher ainda está viva?

- Não dá para ver. Todas as cortinas estão fechadas.

- Muito bem. Vamos avançar com rapidez e silêncio. Dentro de cinco minutos.

O homem saiu às pressas. O major Wageman tirou do carro um pequeno aparelho-transmissor. Começou então a dar ordens. Max não o estava escutando.

Pensava em alguma coisa que o major Wageman lhe dissera havia poucos minutos e que não fazia sentido. Mas não havia tempo de falar sobre isso. Os homens estavam começando a avançar para a casa, escondendo-se por trás das árvores e arbustos.

- Vamos Hornung? - disse o major Wageman.

Max teve a impressão de que havia um verdadeiro exército infiltrando-se pelo jardim. Alguns deles portavam fuzis de mira telescópica e couraças blindadas. Outros carregavam metralhadoras portáteis e bombas de gás lacrimogênio.

A operação foi executada com precisão matemática. A um sinal do major Wageman, as bombas de lacrimogênio foram lançadas através das janelas dos dois andares da casa. No mesmo instante, as portas da frente e dos fundos foram arrombadas por homens que usavam máscaras contra gás. Foram seguidos por um enxame de detetives de pistola em punho. Quando o major Wageman e Max entraram na casa pela porta da frente, encontraram o hall ainda cheio da acre fumaça, que, entretanto, começava a dissipar-se pelas janelas abertas.

Dois detetives aparecem com Walther Gassner algemado. Estava de pijama e robe. Tinha a barba crescida, o rosto abatido e os olhos vermelhos. Max olhou para ele.

Era a primeira vez que o via pessoalmente. Pareceu-lhe de certo modo irreal.

O outro Walther Gassner é que era real, o homem do computador, cuja vida fora retratada em algarismos. Qual deles era a sombra e qual era o real?

- Está preso, Sr. Gassner - disse o major Wageman. -Onde está sua esposa? Walther Gassner respondeu com voz rouca:

- Não está aqui… Desapareceu…

Ouviu-se no andar de cima o barulho de uma porta sendo forçada. Um detetive gritou então do alto:

- Encontrei-a. Estava trancada no quarto.

Em seguida, o detetive apareceu na escada, apoiando Anna Gassner, que tremia.

Estava desgrenhada e soluçava.

- Graças a Deus, vieram! - exclamou ela. - Graças a Deus!

O detetive levou-a delicadamente para o grupo reunido no hall. Quando Anna viu o marido, começou a dar gritos.

- Tudo está bem agora, Sra. Gassner - disse o major Wageman. - Ele não pode fazer-lhe nada mais.

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