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Электронная книга - «A Herdeira [em Português]». Краткое содержание книги:

A Herdeira [em Português]
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- Qual era o problema dele, doutor?

- Disse ele que o amigo era esquizofrênico e seria capaz de matar alguém, se não o impedissem. Perguntou se havia alguma espécie de tratamento capaz de atenuar esse estado. Acrescentou que não podia encarar a idéia de ver o amigo internado em um hospício.

- O que o senhor lhe disse?

- Expliquei que, em primeiro lugar, eu teria de examinar esse amigo dele. Adiantei que alguns tipos de doenças mentais eram suscetíveis de tratamento por meio de terapias medicamentosas e psiquiátricas, ao passo que outras eram incuráveis. Disse também que, no caso como o que ele em linhas gerais me expunha, o tratamento poderia ser muito demorado.

- O que aconteceu então?

- Nada. Foi só isso. Nunca mais vi o homem, e sinceramente gostaria de ter feito alguma coisa por ele. A sua visita ao meu consultório teve todas as características de um pedido de socorro. Era como se um assassino tivesse escrito na parede do apartamento de sua vítima: "Prendam-me, senão vou matar de novo!"

Havia uma coisa que Max ainda estranhava.

- Disse que ele não quis dar o nome. Entretanto, deixou nas suas mãos um cheque assinado.

- Disse-me que havia se esquecido de pegar o dinheiro ao sair de casa. Estava muito aflito com isso e, no fim, teve de me dar um cheque. Foi assim que fiquei sabendo o nome dele. Deseja saber mais alguma coisa.

- Não.

Alguma coisa ainda estava desafiando Max. Era um fio solto que fugia do seu alcance. Tinha de encontrá-lo… Mas nada havia a fazer com os computadores. O resto era com ele.

Quando Max voltou a Zurique na manhã seguinte, encontrou um teletipo da Interpol em cima de sua mesa. Continha a relação dos fregueses que haviam comprado a partida de filme virgem com defeito e com o qual fora feito o filme assassino. Havia oito nomes na lista. Um deles era a Roffe and Sons.

O inspetor-chefe Schmied estava ouvindo o detetive Max Hornung e pensando que indiscutivelmente, graças a um golpe de sorte, o pequenino detetive tropeçara em outro caso importante.

- É uma de cinco pessoas - dizia Max. - Todas elas tinham um motivo e tiveram a oportunidade. Estavam todas em Zurique em uma reunião da diretoria no dia em que o elevador caiu. Qualquer delas poderia estar na Sardenha quando houve o acidente com o jipe.

- Espere ai, Hornung - disse o inspetor-chefe Schmied. - Está falando em cinco suspeitos. Mas, na reunião da diretoria, só havia quatro diretores presentes além de Elizabeth Roffe. Quem é o seu quinto suspeito?

- O homem que estava em Chamonix com Sam Roffe quando ele foi assassinado, Rhys Williams.

Capítulo 45 Sra. Rhys Williams. Elizabeth nem poda acreditar. Tudo parecia um sonho como nos seus tempos de mocinha, quando tinha escrito o nome muitas e muitas vezes nos seus cadernos. Sra. Rhys Williams. Olhava sem acreditar para o anel que levava no dedo.

- De que está rindo? - perguntou Rhys.

Estava sentado à frente dela, em uma poltrona a bordo do luxuoso Boeing 707- 320. Estavam dez mil metros acima do oceano Atlântico e faziam uma refeição de caviar iraniano com Dom Pérignon gelado. Era um completo clichê de La dolce vita, e Elizabeth não pôde deixar de rir.

- Alguma coisa que eu disse? - perguntou Rhys. Elizabeth maneou a cabeça. Viu como ele era bonito. E era seu marido.

- Estou tão feliz! - murmurou ela. Ele nunca saberia até que ponto ela era feliz.

Como poderia Elizabeth dizer-lhe o que aquele casamento representava para ela? Ele não poderia compreender, porque para Rhys aquilo não era um casamento; era um acordo comercial. Mas ela amava Rhys. Tinha a impressão de que sempre o amara.

Queria passar o resto da vida com ele e dar-lhe muitos filhos. Queria pertencer a ele e fazer que ele pertencesse a ela. Mas era preciso antes resolver um problema.

Tinha de fazer Rhys apaixonar-se por ela. Elizabeth tinha falado em casamento a Rhys no dia em que se encontrara com Julius Badrutt. Depois que o banqueiro saiu, Elizabeth ajeitou os cabelos e foi à sala de Rhys. Respirou fundo e perguntou:

- Quer se casar comigo, Rhys?

Viu a surpresa estampada no rosto dele e continuou apressadamente, querendo parecer eficiente e fria:

- Seria um acordo puramente comercial. Os bancos estão dispostos a prorrogar o prazo de empréstimos se você assumir a presidência da Roffe and Sons. A única maneira de você conseguir isso é casando-se com uma mulher da família, e parece que a única disponível sou eu.

Nas últimas palavras, a voz se tornou imprevisivelmente esganiçada. Elizabeth ficou muito vermelha e não pôde levantar a vista para ele.

- É claro - continuou Elizabeth - que não seria um verdadeiro casamento no sentido usual do termo… Você teria inteira liberdade de fazer o que quisesse…

Ele ficou olhando-a, sem ajudá-la em nada. Elizabeth queria que ele falasse, que dissesse alguma coisa, fosse lá o que fosse.

- Rhys…

- Desculpe, Elizabeth - disse ele, sorrindo. - Mas não é todos os dias que se recebe um pedido de casamento de uma mulher bonita.

Ele estava querendo ganhar tempo, procurando um jeito de livrar-se daquilo, sem ofender os sentimentos dela. "Desculpe, Elizabeth, mas"…

- Combinado, Elizabeth - disse ele.

De repente, ela sentiu como se a tivesse aliviado de um tremendo peso. Não compreendera até aquele momento o quanto aquilo era importante para ela. Ganhara tempo de sobra para saber quem era o inimigo. Juntos, Rhys e ela poderiam acabar com todas aquelas coisas terríveis que estavam acontecendo. Mas uma coisa era preciso esclarecer desde daquele instante.

- Você será o presidente da companhia, mas o controle acionário permanecerá nas minhas mãos. Rhys franziu a testa.

- Se eu vou presidir à companhia…

- Vai,sim.

- Mas o controle acionário…

- Continuará em meu nome. Quero ter a certeza de que as ações não poderão ser vendidas.

- Compreendo.

Ela sentia a reprovação de Rhys. Gostaria de dizer-lhe que decidira transformar a firma numa sociedade aberta e deixar os diretores venderem as suas ações. Com Rhys na presidência, Elizabeth não teria mais receio de que os estranhos chegassem e se apossassem de tudo. Rhys saberia contê-los. Mas não podia deixar que isso acontecesse enquanto ela não soubesse que estava tentando destruir a companhia. Gostaria muito de dizer todas essas coisas a Rhys, mas sabia que ainda não era hora. Limitou-se a dizer:

- Fora esse ponto, você terá o controle total da companhia.

Rhys ficou a olhá-la em silêncio durante um tempo que pareceu a Elizabeth intoleravelmente longo. Por fim, perguntou:

- Quando é que você quer se casar, Elizabeth?

- O mais depressa possível.

À exceção de Anna e Walther, que estava em casa doente, todos compareceram ao casamento em Zurique: Alec e Vivian, Hélsne e Charles, Simonetta e Ivo. Pareciam todos muito felizes com o casamento, a tal ponto que Elizabeth em alguns momentos sentiu-se como uma impostora, pois não estava se casando realmente e, sim, fazendo um acordo comercial. Alec abraçou-a e disse:

- Sabe muito bem que eu lhe desejo tudo de bom.

- Sei sim, Alec. Muito obrigada.

Ivo parecia em êxtase.

- Caríssima, tanti auguri e figli mashi. Ficar rico é o sonho dos mendigos, mas ter amor é o sonho dos reis.

- Quem disse isso?

- Eu mesmo - disse Ivo. - Só espero que Rhys saiba apreciar a sorte que tem.

- É o que eu me canso de dizer a ele - disse Elizabeth rindo.

Hélsne levou Elizabeth para um canto.

- Você é cheia de surpresas, ma chére. Nem sabia que você e Rhys se interessavam um pelo outro.

E afastou-se.

Depois da cerimônia, houve uma recepção no Baur-au-Lac. Na superfície, tudo foi alegre e festivo, mas Elizabeth podia sentir as correntes submersas. Pairava na sala uma maldição, mas ela não podia dizer de quem partia. Sabia apenas que uma das pessoas presentes a odiava. Era uma convicção profunda, ainda que em volta dela só visse sorrisos e rostos amigos.

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