A Herdeira [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1985
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «A Herdeira [em Português]». Краткое содержание книги:
- Nestes últimos anos - dizia René Almedin. -, temos tido notícias de filmes assassinos, isto é, de filmes pornográficos em que ao fim do ato sexual a vítima é assassinada diante das câmaras. Não havia provas de que tais filmes realmente existissem, embora houvessem um motivo para essa escassez de provas. Esses filmes não eram ou não são feitos para o público. São feitos para exibição particular a homens ricos que encontram prazer dessa maneira deformada e sádica.
René Almedin tirou os óculos e continuou:
- Como já disse, tudo era boato e especulação. Isso, porém, muda agora. Dentro de alguns momentos, vocês vão assistir a algumas cenas de um filme assassino autêntico. Há dois dias, um homem que levava uma pasta foi atropelado numa rua de Passy por um carro cujo o motorista fugiu. O homem morreu a caminho do hospital e ainda não foi identificado. A Súreté encontrou este rolo de filme na sua pasta e mandou revelá-lo no seu laboratório. Vejam.
Fez um sinal, e a exibição começou. Na tela, apareceu uma moça loura que devia ter no máximo dezoito anos. Causava um penoso constrangimento, como se estivesse diante de uma coisa irreal, ver aquela criatura tão linda praticar algumas perversões sexuais com o homem que estava na cama com ela. A câmara fechou em close para focalizar a introdução do enorme pênis na mulher. Em seguida, moveu-se e focalizou o rosto do homem.
Max Hornung teve a certeza instantânea de que já tinha visto um dia aquele rosto.
E havia alguma coisa mais que já conhecia. Era a fita amarrada no pescoço da mulher.
Reavivou-lhe a lembrança da fita vermelha. Onde? A mulher na tela começou a entusiasmar-se com o ato e, quando ia atingir o orgasmo, o homem fechou as mãos em torno do pescoço dela e começou a estrangulá-la. A expressão no rosto da mulher se transformou de prazer em horror. Debateu-se desenfreadamente para fugir, mas as mãos do homem apertaram com mais força, e ela morreu no momento final do orgasmo. A câmara focalizou em close o rosto dela. O filme terminara, e as luzes se acenderam na sala de projeção. Max lembrou-se. A moça que fora pescada em um rio de Zurique.
Já estavam chegando à sede da Interpol em Paris respostas de toda a Europa às mensagens urgentes enviadas por cabo. Seis mortes semelhantes haviam ocorrido em Zurique, Londres, Roma, Portugal, Hamburgo e Paris.
René Almedin disse a Max que as características das vítimas eram semelhantes.
- São todas jovens e louras. Foram estranguladas durante o ato sexual e estavam nuas, com uma fita vermelha amarrada no pescoço. Estamos diante de um perigoso assassino, que dispõe de um passaporte e dinheiro suficiente para fazer todas essas viagens por sua conta ou às expensas de alguém.
Um detetive apareceu nesse momento.
- Estamos com sorte. Já descobriram a origem do filme virgem usado. É produzido em uma pequena fábrica em Bruxelas que tem um problema com o equilíbrio das cores, o que facilitou a identificação do filme. Já obtivemos uma lista das firmas que comparam os filmes nestes últimos tempos.
- Posso ver essa lista, quando a tiverem? - perguntou Max Hornung.
- Sem dúvida - disse René Almedin.
Olhou para o pequeno detetive. Na opinião dele, ninguém no mundo podia parecer-se menos com um detetive que Max Hornung. Entretanto, fora ele quem dera o primeiro indício seguro no caso dos filmes assassinos.
- Temos com você uma dívida de gratidão - disse Almedin.
- Ora essa! Porquê?
Capítulo 43 Alec Nichols não havia desejado comparecer ao banquete, mas achara que Elizabeth não devia ir sozinha. Ambos tinham sido convidados a falar. O banquete era em Glasgow, cidade que Alec detestava. O carro o esperava defronte do hotel, para levá-lo para o aeroporto assim que ele pudesse sair sem ser descortês.
Já fizera o seu discurso, mas, naquele momento, estava pensando em outra coisa.
Sentia-se muito nervoso e não estava passando bem do estômago. Algum imbecil tivera a péssima idéia de servir haggi o prato escocês que ele achava horripilante. Alec mal o provara.
- Está sentindo alguma coisa, Alec? - perguntou Elizabeth, que estava sentada ao lado dele.
- Não é nada - disse ele para tranqüilizá-la. Os discursos estavam quase terminados quando um garçom se inclinou e sussurrou a Sir Alec:
- Telefonema interurbano para o senhor. Pode atender no escritório.
Alec seguiu o garçom e passou do salão de jantar para o pequeno escritório atrás da portaria. Pegou o telefone.
- Alo? Ouviu então a voz de Swinton.
- Este é o último aviso! Em seguida, o telefone foi desligado.
Capítulo 44 A última cidade na agenda do detetive Max Hornung era Berlim. Os amigos computadores estavam à sua espera. Max falou com o exclusivo computador Nixdorf, ao qual só se tinha acesso com um cartão especial, perfurado.
Falou com os grandes computadores de Allianz e Schuff e com os do Bundeskriminalamt em Wiesbaden, centro de coleta de dados sobre todas as atividades criminais da Alemanha. "Que podemos fazer?", perguntaram eles. "Falem-me de Walther Gassner." E os computadores falaram. Quando acabaram de revelar os segredos a Max Hornung, a vida de Walther Gassner estava exposta diante do detetive em belos símbolos matemáticos.
Max podia ver o homem tão claramente quanto se estivesse olhando para uma fotografia. Sabia das preferências dele em matéria de roupas, vinhos, comidas e hotéis.
Tinha sido um jovem e belo professor de esqui que vivia à custas das mulheres e se casara com uma herdeira muito mais velha do que ele. Houve um ponto que pareceu curioso a Max. Tratava-se de um cheque compensado de duzentos marcos feito em favor do Dr. Heissen. Estava escrito no cheque "para consulta". Que espécie de consulta? O cheque fora recebido no Dresdner Bank, em Düsseldorf.
Quinze minutos depois, Max falava com o gerente do banco. Sim. o gerente conhecia bem o Dr. Heissen, um velho cliente. Que espécie de médico era ele?
Psiquiatra. Quando Max desligou, ficou sentado com os olhos fechados, pensando.
Um fio solto. Por fim pegou o telefone e ligou para o Dr. Heissen, em Düsseldorf.
Uma recepcionista toda cerimoniosa disse a Max que o médico não podia ser perturbado.
Max insistiu, e afinal o próprio Dr. Heissen pegou o telefone e informou rudemente a Max que não costumava dar informações a respeito dos seus clientes e que não tinha a intenção de discutir tais assuntos pelo telefone. Desligou sem esperar qualquer resposta.
Max voltou aos computadores: "Falem-me de Heissen."
Três horas depois, tornava a falar com o Dr. Heissen pelo telefone.
- Fique sabendo - disse o médico asperamente - que, se quiser alguma informação a respeito de qualquer dos meus clientes, terá que aparecer aqui no meu consultório com um mandado judicial.
- Não me é possível no momento ir a Düsseldorf - disse o detetive.
- O problema é seu. Mais alguma coisa? Sou um homem ocupado.
- Sei disso. Tenho aqui em mãos as suas declarações de impostos de renda nos últimos cinco anos.
- E daí?
- Escute, doutor, não quero lhe criar problemas, mas vem sonegando ilegalmente vinte e cinco por cento de sua renda. Se preferir, poderei encaminhar as suas declarações às autoridades alemãs do Imposto de Renda e dizer-lhes onde devem procurar a sonegação. Poderei também falar do seu cofre em um banco em Munique e de sua conta numerada em Basiléia.
Houve um longo silêncio, e então o médico perguntou:
- Quem o senhor disse que era?
- Detetive Max Hornung, da Polícia Criminal da Suíça.
Houve um longo silêncio, e então o médico perguntou:
- O que exatamente deseja saber?
Quando o Dr. Heissen começou a falar, não houve mais jeito de parar. Sim, lembrava-se perfeitamente de Walther Gassner. O homem tinha ido procurá-lo sem marcar hora e tinha insistido em ser imediatamente atendido. Não quisera dar o nome, dizendo que desejava discutir apenas os problemas de um amigo.
- É claro que isso logo me pôs em guarda - disse o Dr. Heissen. - É uma síndrome clássica de pessoas que têm receio de enfrentar os seus próprios problemas.