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Электронная книга - «A Herdeira [em Português]». Краткое содержание книги:

A Herdeira [em Português]
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As quantias eram pequenas, mas as mercadorias comparadas se destacavam.

Havia recibos pela compra de um torno, uma plaina de uma serra. Ivo gostava de trabalhos manuais. Mas não se esqueceu do fato de que, sendo arquiteto, devia entender um pouco de elevadores. "Ivo Palazzi solicitou recentemente um grande empréstimo bancário", informaram os computadores. "Conseguiu?" "Não. Os bancos exigiram a assinatura da mulher dele, e Ivo desistiu do empréstimo." Max tomou o ônibus para o Centro di Polizia Scientifica, onde havia um computador gigantesco numa grande sala circular. "Ivo Palazzi tem antecedentes criminais?", perguntou Max. "Positivo. Ivo Palazzi foi condenado por assalto com violência aos vinte e três anos. A vítima teve de ir para o hospital. Ivo passou dois meses na prisão." "Mais alguma coisa?" "Ivo sustenta uma amante na Via Montemignaio." "Obrigado. Já sei disso." "Há várias queixas dos vizinhos à polícia." "Que espécie de queixas?" "Perturbação da ordem. Brigas, gritaria. Um dia, a mulher quebrou todos os pratos da casa. Isso tem importância?" "Muita. Obrigado." Isso queria dizer que Ivo Palazzi tinha temperamento exaltado. E Donatella Spolini também.

Teria havido alguma coisa entre eles? Estaria ela ameaçando denunciálo? Fora por isso que ele solicitara um grande empréstimo ao banco?

Até que extremos poderia ir um homem como Ivo Palazzi para proteger seu casamento, sua família, sua maneira de viver?

Havia um detalhe final a que o detetive deu muita atenção. A seção financeira da polícia de segurança italiana fizera um grande pagamento a Ivo Palazzi. Era uma recompensa, uma percentagem do dinheiro encontrado com o banqueiro a quem Ivo havia denunciado. Se Ivo estava precisando tanto de dinheiro, que mais seria capaz de fazer para consegui-lo?

Max despediu-se dos computadores e embarcou para Paris, no vôo do meio-dia da Air France.

Capítulo 41 O táxi marca do Aeroporto Charles de Gaulle até as proximidades da Notre-Dame setenta francos, sem contar a gorjeta. A passagem pelo ônibus 351 para o mesmo lugar custa sete francos e meio, também sem gorjetas.

O detetive Max Hornung tomou o ônibus. Hospedou-se no barato Hôtel Meublé e começou a fazer telefonemas. Falou com pessoas que tinham nas mãos os segredos dos cidadãos da França. Os franceses eram normalmente mais desconfiados do que os suíços, mas mostravam-se ansiosos em cooperar com Max Hornung.

Em primeiro lugar, Max Hornung era um perito no seu setor, grandemente admirado, sendo uma honra cooperar com um homem assim. Em segundo lugar, tinham pavor dele. Não havia segredos para Max. O homenzinho esquisito, com o seu sotaque impossível, desmascarava todo mundo.

- Sem dúvida - disseram a Max. - Pode usar à vontade nossos computadores. Tudo deve ser, porém, confidencial.

- É claro.

Max passou pelo Inspecteur des Finances, pelo Crédit Lyonnais e pela Assurannce Nationale, para conversar com os computadores de impostos. Visitou os computadores da Gendarmerie em Rosny-sous-Bois e os da Préfecture de police, na Ile de la Cité.

Começaram a conversa leve e calma de velhos amigos. "Quem são Charles e Hélsne Roffe-Martel?", perguntou Max. "Charles e Hélsne Roffe-Martel, residência Rue François Premier, 5, Vésinet, casados a 24 de maio de 1970 em Neuilly, sem filhos. Hélsne três vezes divorciada, nome de solteira Roffe, conta bancária no Crédit Lynnais na Avenue Montaigne, no nome de Hélsne Roffe-Martel, saldo médio de mais de vinte mil francos."

"Despesas?" "Pois não. Uma conta de livros da Librairie Marceau… conta de dentista com tratamento de canais para Charles Martel… contas de hospital para Charles Martel… conta de exame de Charles Martel." "Resultado do diagnóstico?" "Pode esperar? Terei de falar com outro computador." "Por favor." Max esperou. A máquina com o relatório do médico principiou a falar. "Tenho o diagnóstico." "Pode dizer?"

"Esgotamento nervoso." "Mais alguma coisa?" "Equimoses e contusões graves nas coxas e nas nádegas." "Alguma explicação?" "Não foi dada nenhuma." "Faça o favor de continuar." "Uma conta de um par de sapatos de homem de Pinet… um chapéu de Rose Valois… foie gras da Fauchon… salão de beleza Carita… jantar no Maxim's para oito pessoas… pratas de Christofle… um robe de homem da Sulka.."

Max interrompeu o computador. Havia uma coisa a respeito das contas que lhe chamou a atenção. Todas as compras tinham sido assinadas por Madame Roffe-Martel, inclusive as de roupas para homens e as contas de restaurantes. Tudo em nome dela.

Interessante! E então surgiu o primeiro fio solto.

Uma companhia chamada Belle Paix havia comprado um selo de imposto territorial. Um dos proprietários da Belle Paix se chamava Charles Dessain. O número do Seguro Social de Charles Dessain era o mesmo de Charles Martel. Segredo. "Fale-me sobre a Belle Paix", disse Max. "A Belle Paix é propriedade de René Duchamps e Charles Dessain, também conhecido como Charles Martel." "Que faz a Belle Paix?" "Possui um vinhedo." "De quanto é o capital da companhia?" "Quatro milhões de francos." "Onde Charles Martel conseguiu a sua cota de capital?" "Chez ma tange." "Na casa de sua tia?"

"Desculpe. É uma expressão de gíria francesa. Quer dizer no penhor, no Crédit Municipal." "O vinhedo tem dado lucro?" "Não. A companhia faliu."

Max tinha de saber mais. Continuou a falar com seus amigos, sondando, lisonjeando, exigindo. Foi o computador dos seguros que falou a Max de uma advertência arquivada referente a uma possível fraude de seguros. Max sentiu uma emoção deliciosa.

"Fale-me sobre isso", disse ele. E falaram como duas velhas que trocam segredos enquanto lavam a roupa suja na manhã de segunda-feira.

Depois disso, Max foi procurar um joalheiro chamado Pierre Richaud. Meia hora depois, Max sabia exatamente o valor das jóias de Hélsne Roffe-Martel que tinham sido imitadas: pouco mais de dois milhões de francos, a quantia que Charles Martel investira no vinhedo. Por conseguinte, Charles Dessain-Martel tinha precisado tanto de dinheiro que não hesitara em roubar as jóias da mulher. Que outros atos de desespero haveria ele cometido?

Havia outro fato que interessava a Max. Podia ter pouco significado, mas Max o arquivou rapidamente na memória. Era uma nota de um par de botas de alpinismo. Isso fazia Max pensar, pois o alpinismo não se ajustava à imagem que fazia de Charles Martel- Dessain, um homem dominado pela mulher que não podia comprar coisa alguma em seu nome e nem tinha conta bancária pessoal, a tal ponto que era forçado a roubar para fazer um investimento. Não era possível imaginar Charles Martel escalando montanhas Voltou aos seus computadores. "A conta que me mostrou ontem da loja de artigos desportivos. Gostaria de ter detalhes dela." "Certamente." A conta apareceu na tela diante dele. Número das botas: 3. Um número de mulher. A alpinista era Hélsne Roffe-Martel.

Sam Roffe fora morto nas montanhas.

Capítulo 42 A Armengaud era uma rua tranqüila de Paris, marginada dos dois lados por residências de um e dois andares, com telhados de calha inclinados. Destacava-se entre os outros prédios o do número 26, uma estrutura moderna de vidro, aço e pedra de oito andares, que servia de sede à Interpol. O detetive Max Hornung estava falando com um computador na grande sala com ar condicionado do porão, quando um dos funcionários entrou e disse:

- Vão passar um filme assassino lá em cima. Quer vê-lo?

Max levantou a vista e disse:

- Não sei. O que significa exatamente um filme assassino?

- Suba e verá.

Havia cerca de vinte homens e mulheres sentados na grande sala de projeção do terceiro andar. Havia funcionários da Interpol, inspetores de polícia Súreté francesa, detetives à paisana e alguns policiais fardados. Na frente da sala, diante da tela, René Almedin, secretário assistente da Interpol, estava falando.

Max entrou e sentou-se numa das últimas filas.

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