A Herdeira [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1985
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «A Herdeira [em Português]». Краткое содержание книги:
- Quem são essas pessoas a quem se refere? - perguntou Rhys.
- Quem fez tudo aquilo teve auxílio. É por isso que falo no plural.
- Quem… quem poderia querer matar-me? - perguntou Elizabeth.
- A mesma pessoa que matou seu pai.
Ela teve uma súbita impressão de irrealidade, como se nada daquilo tivesse acontecido. Era tudo um pesadelo que em breve se dissiparia.
- Seu pai foi assassinado - continuou Max. - Escalou a montanha com um falso guia, que o matou. Seu pai não foi a Chamonix sozinho. Havia alguém com ele.
- Quem? -perguntou Elizabeth com um fio de voz.
Max olhou para Rhys e disse:
- Seu marido.
Essas palavras ressoaram sinistramente nos ouvidos de Elizabeth. Parecia vir de muito longe, crescendo e diminuindo. Elizabeth teve a impressão de que estava perdendo o juízo.
- Liz, eu não estava com Sam quando ele foi morto - disse Rhys.
- Esteve em Chamonix com ele - insistiu Max.
- É verdade. Mas parti de Chamonix antes que Sam iniciasse a sua escalada!
- Por que não me disse isso, Rhys? - perguntou Elizabeth.
Rhys pareceu hesitar um momento. Em seguida, tomou uma decisão e começou a falar:
- Era um assunto que eu não podia discutir com ninguém. No ano passado alguém tinha começado a sabotar a Roffe and Sons. Tudo era feito com muita habilidade, para que parecesse simplesmente uma série de acidentes. Mas eu comecei a perceber que havia um plano por trás de tudo. Fui falar com Sam e então combinamos em contratar uma agência particular para investigar os fatos.
Elizabeth sabia o que ele ia dizer e foi dominada ao mesmo tempo por uma onda de alívio e por um sentimento de culpa. Rhys sabia do relatório. Devia ter confiado nele, devia ter contado tudo a ele, em lugar de guardar os receios para si mesma. Rhys continuou a falar com Max Hornung.
- Sam Roffe recebeu um relatório que confirmou as minhas suspeitas. Ele me convidou a ir até Chamonix para discutir o caso com ele. Fui. Resolvemos guardar sigilo sobre tudo até sabermos quem era o responsável pelo que estava acontecendo. É evidente que o sigilo não foi absoluto. Sam foi morto porque alguém sabia que estávamos nos aproximando da verdade. O relatório desapareceu.
- Eu vi o relatório - disse Elizabeth, a quem Rhys olhou com surpresa. -Estava entre os objetos de Sam recolhidos pela polícia em Chamonix. O relatório indicava que o culpado era alguém da diretoria da Roffe and Sons. Mas todos eles têm ações da companhia. Por que haveriam de querer destruí-la?
Max explicou:
- Não estão tentando destruí-la, Sra.. Williams. O que procuram é criar problemas suficientes para que os banqueiros fiquem impacientes e comecem a exigir o pagamento dos seus empréstimos. Queriam com isso forçar seu pai a transformar a companhia em uma sociedade aberta e vender as ações. O culpado de tudo isso ainda não conseguiu o que queria. Por isso, a sua vida continua em perigo.
- Então é preciso dar proteção a ela - disse Rhys.
Max piscou os olhos e disse:
- Não se preocupe com isso, Sr. Williams. Ela tem estado sob nossas vistas desde o dia em que se casou com o senhor.
Capítulo 47 Berlim. Segunda-feira, 1 de dezembro. 10 horas.
A dor era insuportável e havia semanas que ele sofria. O médico deixaralhe alguns comprimidos, mas Walther Gassner tinha medo de tomá-los. Devia ficar constantemente alerta para que Anna não fizesse outra tentativa de matá-lo ou fugir.
- Deve ir para um hospital - havia dito o médico. - Perdeu muito sangue…
Era isso o que Walther absolutamente não queria. Ferimentos feitos a faca ou com instrumentos pontiagudos eram comunicados à polícia. Havia se tratado com um médico da companhia, na certeza de que ele não faria qualquer comunicado à polícia, pois Walther não podia tolerar que ela se metesse na sua vida. Ao menos naquele momento.
O médico tinha dado, em silêncio, alguns pontos no ferimento, com os olhos cheios de curiosidade. Perguntara depois:
- Quer que mande uma enfermeira, Sr. Gassner?
- Não, minha mulher cuidará de mim.
Isso havia acontecido já fazia um mês, Walther telefonara para sua secretária e lhe dissera que devido a um acidente, iria passar algum tempo em casa. Pensou no terrível momento em que Anna tentara matá-lo com a tesoura. Ele se havia voltado no momento exato, e a lâmina lhe atingira o ombro em vez de acertar-lhe o coração. Quase desmaiara com a dor e o choque, mas ainda conservara a consciência o tempo suficiente para arrastar Anna para o quarto e trancá-la.
E durante o tempo ela não parara de gritar: "O que você fez com as crianças? O que você fez com as crianças?"
Desde então, Walther a mantinha trancada. Preparava a comida dela. Levava uma bandeja ao quarto de Anna, abria a porta e entrava. Ela ficava sempre encolhida em um canto, com medo dele, e só vivia perguntando num sussurro: "O que você fez com as crianças?" às vezes, ele abria a porta e a encontrava com o ouvido colado à parede, procurando escutar as vozes do filho ou da filha. A casa estava vazia agora, e só os dois estavam lá dentro.
Walther sabia que havia muito pouco tempo a perder. Os seus pensamentos foram, de repente, interrompidos por um leve ruído. Escutou. Tornou a ouvir. Alguém estava andando pelo corredor do andar de cima. Entretanto, a casa devia estar vazia. Ele mesmo fechara todas as portas.
No andar de cima, a Sra. Mendler estava arrumando a casa. Trabalhava como faxineira e era a segunda vez que ia àquela casa. Não gostava de lá. Quando trabalhava ali na quarta-feira anterior, o Sr. Gassner a havia acompanhado, como se tivesse receio de que ela roubasse alguma coisa. Quando ela se preparava para subir, ele falara bruscamente com ela, pagara o dia e a mandara embora. Havia alguma coisa no jeito do homem que lhe metia medo.
Naquele dia, ainda não o vira, graças a Deus. A Sra. Mandler havia entrado na casa com a chave que tinha pegado na semana anterior e subido para o andar superior. A casa estava em completo silêncio, e ela julgou que o homem tivesse saído. Havia arrumado um dos quartos, onde não encontrara nada senão algumas moedas espalhadas e uma caixinha dourada de pílulas. Seguiu então o corredor até o quarto vizinho e tentou abrir a porta. Estava trancada. Estranho.
Talvez o homem guardasse alguma coisa de muito valor lá dentro. Forçou a maçaneta e então ouviu uma voz de mulher vinda de dentro do quarto perguntar:
- Quem é? - A Sra. Mandler recuou, assustada. - Quem é? Quem está aí?
- Sou eu, a faxineira. Não quer que arrume seu quarto?
- Não pode entrar. Estou trancada. Socorro! Por favor, chame a polícia! Diga que meu marido matou meus filhos! Agora, vai me matar! Depressa! Saia daqui antes que ele…
Nesse momento, agarraram violentamente a Sra. Mendler pelo braço e ela se viu frente a frente com o Sr. Gassner, que estava mortalmente pálido.
- O que está espionando aqui? -perguntou ele, apertando-lhe dolorosamente o braço.
- Não estou espionando nada. Sou a faxineira e hoje é meu dia. A agência me disse…
- Eu disse à agência que não queria mais ninguém. Eu… - Procurou lembrar-se.
Havia telefonado mesmo para a agência? Pensara em fazer isso, mas sentira tantas dores que talvez tivesse esquecido… A Sra. Mandler olhava para ele, aterrada.
- Não me disseram nada…
Ele ficou parado para ver se escutava algum barulho por trás da porta fechada.
Mas o silêncio era completo. Voltou-se para a faxineira:
- Vá embora daqui. E não volte.