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O outro lado de mim [em Português]

Электронная книга - «O outro lado de mim [em Português]». Краткое содержание книги:

O livro traz detalhes inéditos, reveladores e sinceros, com as memórias do escritor Sidney Sheldon, um dos maiores bestsellers de toda a história, com mais de 300 milhões de livros vendidos, em 51 idiomas e em mais de 180 países. Todos os 18 romances do autor alcançaram a Lista dos Mais Vendidos. Sheldon assinou obras como 'O outro lado da meia-noite', 'A herdeira', 'A ira dos anjos', 'Juízo final', entre outros. O livro apresenta revelações sobre a vida do autor em Hollywood, ao lado de estrelas como Cary Grant, Marylin Monroe, Judy Garland, Frank Sinatra e Doris Day. 'O outro lado de mim' traz alguns detalhes sobre a vida pessoal do autor, como a infância em Chicago, em um ambiente familiar instável com as constantes discussões dos pais, a revelação de ser portador da psicose maníaco-depressiva, e muito mais.
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- Eu vou beber vinho. Respondeu Jed. O empregado respondeu:

- Lamento muito, senhor, mas aqui só servimos cerveja. Temos cervejas de quase todos os países do...

Jed pôs-se de pé.

- Vamos, mas é embora daqui. Fiquei outra vez chocado.

- Mas, Jed, pensei que...

- Vamos embora. Não vou ficar numa porcaria de um restaurante onde não posso beber aquilo que quero.

E saiu porta fora e todos nós o seguimos. O Sr. Encanto estava a revelar-se um monstro.

No dia seguinte, Jed veio à nossa suíte para trabalhar na peça e foi como nada se tivesse passado.

De manhã, quando eu e Jorja descemos para tomar o pequeno almoço, o gerente do hotel veio ao nosso encontro.

- Senhor Sheldon, será que lhe posso dar uma palavrinha?

- Com certeza.

- O seu convidado é muito mal educado para as nossas empregadas de quarto e de limpeza. Estão muito perturbadas. Será que...

- Eu falo com ele. Respondi. Quando o fiz, a resposta dele foi:

- São muito sensíveis. Meu Deus, não passam de empregadas de limpeza.

A atriz dentro de Jorja andava encantada pelo talento de Harris. Passava o tempo a fazer-lhe perguntas sobre teatro. Uma noite ao jantar comentou:

- Sabe, há um momento no The Crucibk, quando Madeleine Sherwood faz uma saída de cena magnífica. Qual era a motivação dela? Em que é que lhe disse para pensar?

Ele olhou para ela e respondeu rudemente:

- No cheque do ordenado.

Esta foi a última vez em que se dirigiu a Jorja pelo primeiro nome.

No dia seguinte, partimos os três para Baden-Baden, uma luxuosa estância no meio de Baden-Wurtenberg, no sudoeste da Alemanha.

Jed odiou.

Daí partimos para a lindíssima Floresta Negra, um fantástico espaço montanhoso no sudoeste da Alemanha que se estende ao longo de cento e quarenta quilômetros, entre os rios Reno e Neckar, coberto por escuras florestas de pinheiros e cortado por profundos vales e pequenos lagos.

Jed odiou.

Eu estava farto. A nossa peça andava demasiado devagar para meu gosto. Em vez de criarmos uma linha para a história, Jed preferia concentrar-se numa cena que tinha escrito e via-a e revia-a vezes sem conta, mudando uma palavra aqui, outra ali, sem necessidade.

- Vamos voltar para Munique, mas sem ele. Disse eu a Jorja.

- Tens razão. Respondeu-me ela com um suspiro.

Analisei as notas que tinha feito na peça. Pareciam-me completamente banais.

Quando Jed entrou na minha suíte para trabalharmos, eu disse-lhe:

- Jed, eu e a Jorja vamos voltar para Munique. Vamos ter de deixar. Ele concordou.

- Está bem. De qualquer das maneiras não tencionava fazer a peça consigo.

Umas horas mais tarde, eu e Jorja estávamos no comboio a caminho de Munique.

Quando chegamos ao nosso hotel, estiquei-me para apanhar o telefone e ligar a Laci quando o meu disco deslocou-se. Caí ao chão, com uma dor terrível, incapaz de me mover.

- Vou chamar um médico. Disse Jorja, desesperada.

-Espera – Pedi - Isto já me aconteceu antes. Se me ajudares a subir para a cama, basta que fique deitado e, depois de um dia ou dois, isto desaparece sozinho.

Ela por fim lá me conseguiu meter na cama.

- Vou telefonar ao Laci.

Uma hora depois, Laci entrou no nosso quarto.

- Lamento muito tudo isto. Eu tinha tantos planos para nós.

- Mas eu posso ajudar. Disse ele olhando para mim.

- Como?

- Conheço um homem aqui, Paul Horn.

- E é médico?

- Não. É psicoterapeuta. Mas já trabalhou com algumas das pessoas mais famosas do mundo, que vêm cá para consultá-lo. Ele vai pôr-te bom.

Passei os dois dias seguintes na cama e, ao terceiro dia, Laci levou-me a uma sala no número 5 da Platenstrasse, onde era o consultório de Paul Horn. Este andava pelos quarenta anos, era alto, com um monte desgrenhado de cabelos.

- O senhor Bush-Fekete falou-me de si. Isto lhe acontece muitas vezes? Perguntou.

- Bom, de forma irregular. Por vezes acontece duas vezes por semana, em outras ocasiões não tenho nada durante anos. Respondi, encolhendo os ombros.

Ele fez um sinal de assentimento.

- Eu posso curá-lo.

Fiquei alarmado. Os médicos do Ceddars of Lebanon e da UCLA tinham-me dito que não havia cura para o meu mal. Adie a operação o mais possível. Só quando já não conseguir aguentar a dor é que o operamos. E este homem que me ia curar nem sequer era médico.

- Terá de ficar cá durante três semanas. Vou tratá-lo todos os dias. Sete dias por semana.

Não me parecia muito promissor.

- Bem... Não sei... - Disse eu - Talvez seja melhor esquecermos tudo isto. Eu vou consultar os meus médicos quando regressar e...

Laci virou-se para mim:

- Sidney, este homem tem trabalhado com governantes de países. Dá-lhe uma oportunidade.

Olhei para Jorja.

- Bom, veremos.

O tratamento começou na manhã seguinte. Eu entrava e ficava deitado numa mesa, com uma lâmpada de calor a aquecer-me as costas, durante duas horas. Depois descansava e repetia o processo. Durava o dia todo.

No segundo dia, algo de diferente foi acrescentado. Paul Horn ajudou-me a subir para uma espécie de rede suspensa criada por ele, que permitia aos músculos das costas relaxarem. Ficava ali deitado durante cinco horas. Todos os dias repetia o mesmo procedimento.

A sala de espera estava sempre cheia de pessoas de todo o mundo, algumas delas a falarem línguas que eu nem sequer conseguia identificar.

Três semanas depois, no último dia de tratamento, Paul Horn perguntou:

- Como se sente?

- Sinto-me bem.

Mas eu sabia que me teria sentido bem mesmo sem os tratamentos.

- Está curado. Disse ele, feliz.

Eu estava céptico. Mas ele tinha razão. Em todos os anos que se passaram desde essa altura, nunca mais tive um único ataque. Paul Horn, que não era médico, tinha-me curado.

Estava na hora de regressar a Hollywood. Regressar à MGM era como estar de volta a casa.

- Tem um presente de boas vindas! - Anunciou Dore - Vamos fazer a antevisão do Dream Wife no Egyptian Theatre.

Dore viu o meu sorriso de satisfação e disse:

- Este vai ser em grande.

Era habitual os jornais do ramo, o Variety e o Hollywood Repórter, fazerem as críticas dos filmes antes de as outras críticas saírem. Todos aguardavamos as críticas com ansiedade. Elas podiam fazer ou destruir um filme.

O Egyptian Theatre encheu-se com gente ansiosa por apreciar o que ia ser exibido. O filme começou a correr e olhávamos para o ecrã, felizes, enquanto ouvíamos as gargalhadas nos momentos certos.

Jorja apertou-me a mão.

- É maravilhoso.

Quando o filme terminou, soaram os aplausos. Tínhamos um êxito. Fomos ao Musso &Frank celebrar. As únicas críticas iam sair no Variety e no Hollywood Repórter. Fizemos apostas acerca de qual faria as melhores críticas e de manhã bem cedo saí e fui comprá-los.

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