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Электронная книга - «A Herdeira [em Português]». Краткое содержание книги:

A Herdeira [em Português]
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Falava com computadores digitais e com computadores de linguagem de baixo e de alto nível. Estava no seu elemento com o Fortran e o Fortran IV, com o gigante 370 da IBM, com o 10 e o 1 da PDP e o 68 da Algol. Entendia tanto de Cobol, programado para os negócios, quanto do Basic usado pela polícia e do APL de alta velocidade, que só se exprimia por meio de mapas e gráficos. Max falava com o LISP, o APT e o PL-1. Mantinha conversações em código binário e interrogava os grupos aritméticos e os CPV, recebendo as respostas em alta velocidade à razão de mil e cem linhas por minuto. Os computadores gigantes tinham sugado informações como bombas insaciáveis, armazenando-as, analisando-as, recordando-as, e estavam despejando tudo nos ouvidos de Max, sussurrando-lhe os seus segredos nas suas criptas com ar condicionado.

Nada era sagrado, nem seguro. A vida particular na civilização atual era uma ilusão, um mito. Todo cidadão vivia exposto, e os seus segredos mais ocultos estavam à mostra, à espera de que os lesse. As pessoas eram registradas se tinham um número de matrícula na Previdência Social, uma apólice de seguro, uma carteira de motorista ou uma conta bancária. Eram relacionadas se tinham pagado impostos ou haviam recebido seguro desemprego ou algum fundo de assistência social.

Os seus nomes eram armazenados nos computadores quando eram beneficiadas por algum plano de seguro médico, quando compravam uma casa com um empréstimo sob garantia hipotecária, quando tinham um automóvel ou até uma bicicleta ou quando eram depositantes em alguma poupança ou conta corrente de banco.

Os computadores sabiam os nomes das pessoas que tinham passado por hospitais, que tinham feito serviço militar, que haviam tirado licença de caça ou pesca, que haviam tirado passaporte, que haviam pedido ligação de telefone ou energia elétrica para suas casas, que tinham se casado ou divorciado, ou mesmo nascido.

Quando se sabia onde procurar e se tinha paciência, todos os fatos estavam à disposição. Max Hornung e os computadores tinham relacionamento admirável. Os computadores não riam do sotaque de Max, do seu aspecto, dos seus gestos ou das suas roupas. Para os computadores, Max era um gigante. Respeitavam-lhe a inteligência, admiravam-no, amavam-no. Contavam-lhe com prazer os seus segredos, comunicavamlhe deliciosos rumores sobre as loucuras que os mortais são capazes. Eram como velhos amigos que conversavam.

- Vamos falar sobre Sir Alec Nichols - disse Max. E os computadores começaram.

Deram a Max um perfil matemático de Sir Alec, traçado em algarismos, códigos binários e gráficos. Duas horas depois, Max tinha um retrato complexo do homem, um relatório financeiro dele. Cópias de recibos de bancos, cheques cancelados e contas lhe foram apresentados. O que primeiro chamou a atenção de Max foi uma série de cheques de quantias vultosas, todos ao portador, emitidos por Sir Alec Nichols. Para onde fora o dinheiro? Mas procurou ver se ele fora consignado como despesas pessoais ou comerciais, talvez como uma dedução de impostos. Nada.

Voltou às listas de despesas: um cheque para o White's Club, uma conta de açougue, que não fora paga… um vestido de noite de John Bates… o Guinea… uma conta de dentista, que não fora paga… Anabelleks… um vestido de challis de Yves Saint- Laurent… uma conta do White Elephant, que não fora paga… uma conta de avaliações…

John Wydhan, salão de beleza, por pagar… quatro vestidos de Yves Saint-Lorent, River Gauche… salários dos empregados domésticos…

Max formulou uma pergunta ao computador no Centro de Licenciamento de veículo. Positivo. "Sir Alec possui um Bentley e um Morris." Faltava alguma coisa.

Não havia contas de oficinas mecânicas. Max fez os computadores efetuarem uma pesquisa em suas memórias. Em sete anos, não tinha havido uma só conta de oficina.

"Esquecemos alguma coisa?" perguntaram os computadores. "Não, não esqueceram", respondeu Max. Sir Alec não precisava de mecânicos. Ele mesmo consertava seus carros. Um homem dotado dessa habilidade não tinha a menor dificuldade em preparar um desastre com um elevador ou com um jipe.

Max Hornung se debruçou sobre os dados secretos fornecidos pelos seus amigos com a mesma ansiedade com que um egiptólogo decifraria hieróglifos recémdescobertos.

Descobriu outros mistérios. Sir Alec estava gastando muito mais do que ganhava.

Outro fio solto. Os amigos de Max na City tinham ligações com muitos setores.

Dois dias depois, Max soube que Sir Alec tinha tomado dinheiro emprestado a Tod Michaels, dono de um clube no Soho. Max procurou os computadores da polícia e formulou perguntas. Os computadores ouviram e responderam: "Sim, podemos dar-lhe Tod Michaels. Já foi acusado de vários crimes, mas nunca condenado. Suspeito de estar envolvido em chantagem, prostituição e agiotagem".

Max foi ao Soho e fez mais perguntas. Ficou sabendo que Sir Alec não já jogava, mas que a mulher dele era uma jogadora inveterada. Quando Max acabou, não tinha a menor dúvida de que Sir Alec Nichols estava sendo chantageado. Deixara de pagar as contas e precisava sempre de dinheiro com urgência. Tinha ações que valeriam milhões se ele pudesse vendê-las. Mas Sam Roffe fora um obstáculo no seu caminho, como o era Elizabeth Roffe. Sir Alec Nichols tinha um motivo para assassinar.

Max verificou Rhys Williams. As máquinas fizeram o possível, mas o retrato saiu muito vago. Os computadores informaram a Max que Rhys Williams era do sexo masculino, nascido no País de Gales, tinha trinta e quatro anos e era solteiro. Alto funcionário da Roffe and Sons. Ganhava oitenta mil dólares por ano, sem contar as gratificações. Uma poupança em Londres com saldo de vinte e cinco mil libras. Tinha um depósito em um banco em Zurique, de conteúdo desconhecido. Tinha todas as contas e cartões de crédito. Muitos dos artigos comprados com eles se destinavam a mulheres.

Rhys Williams não tinha antecedentes criminais. Era empregado da Roffe and Sons havia nove anos. Não bastava, pensou Max. Não bastava de modo algum. Parecia até que Rhys Williams estava se escondendo por trás dos computadores. O homem se mostrava muito protetor quando Max fizera perguntas a Elizabeth depois do funeral de Kate Erling.

Estava protegendo a quem? A Elizabeth Roffe? Ou a si mesmo?

Às seis horas daquela tarde, Max embarcou na classe turística num vôo da Alitália com destino a Roma.

Capítulo 40 Ivo Palazzi tinha passado quase dez anos construindo com habilidade e cuidado uma dupla vida de que nem mesmo as pessoas mais íntimas dele tinham desconfiado.

Max e seus amigos, os computadores, levaram menos de vinte e quatro horas para desvendar tudo. Max discutiu o caso com os computadores no Edifício Anagrafe, onde estavam registrados dados biográficos e administrativos, visitando também os computadores do SID e dos bancos. Todos receberam Max muito bem. "Falem-me de Ivo Palazzi", disse Max. "Com prazer", responderam os computadores. As conversações começaram. Uma conta de armazém de Amici… uma conta no salão de beleza de Sergio na Via Condoti… um terno azul de Angelo.. flores da Carducci… dois vestidos de noite de Irene Galitzne… uma bolsa Pucci… contas de luz e telefone.

Max lia os impressos, examinando, analisando, farejando. Uma coisa estava errada. Havia pagamentos de colégio para seis crianças. "Será que erraram?", perguntou Max. "Que tipo de erro?" "Os computadores do Anagrafe disseram que Ivo Palazzi registrado como pai de três filhas Confirmaram seis contas de colégio?" "Confirmamos."

"Dão o endereço de Ivo Palazzi em Olgiata?" "Exato." "Mas ele está pagando um apartamento na Via Montemignaio?" "Está." "Há dois Ivo Palazzi?" "Não. Um só. Duas famílias. Três filhas com a esposa. Três filhos com Donatella Spolini."

Max ficou sabendo das preferências da amante de Ivo Palazzi, do nome do seu salão de beleza e dos nomes dos três filhos ilegítimos de Ivo. Sabia que Simonetta era loura e Donatella, morena. Sabia dos números dos manequins, dos sutiãs e dos sapatos de cada uma e quanto custava cada artigo. Entre as despesas, vários itens interessantes chamaram a atenção de Max.

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