O outro lado de mim [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 2005
- Язык: португальский
- Переводчик: Luiza Mascarenhas
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «O outro lado de mim [em Português]». Краткое содержание книги:
- Amanhã, estaria bem para si? Digamos... por volta das dez horas?
- Com certeza.
Eu e Jorja passamos o dia num passeio turístico e fomos jantar ao Maxim’s.
Na manhã seguinte, enquanto me vestia, Jorja ainda estava na cama.
- Querida, temos o filme para ver às dez. É melhor despachares-te. Ela abanou a cabeça.
- Estou um pouco cansada. Por que você não vai? Eu fico aqui descansando. Depois, à noite, vamos jantar e ao teatro.
- Está bem. Não demoro.
O escritório da United Artists mandou uma limusine para me levar ao seu quartel general. Conheci o senhor Beins, um homem alto de rosto simpático, com a cabeça toda branca.
- Tenho muito gosto em conhecê-lo. Porque não vamos já para o teatro? Perguntou.
Caminhamos até ao grande teatro que a companhia usava para passar filmes. Só lá estava outra pessoa. Era um homem magro, baixo e pouco simpático. A única coisa digna de nota nele eram os olhos, brilhantes e de aspecto inquiridor. Fomos apresentados, mas não fixei o nome.
O filme começou. Era um filme de cowboys francês, muito mal feito, e tinha a certeza de que Sam Spiegel não ia querer fazê-lo.
Olhei para o outro lado da coxia e o senhor Berns e o desconhecido estavam embrenhados a conversar.
O desconhecido dizia:
-... E eu disse a Zanuck, isso nunca vai resultar, Darryl... Harry Warner tentou negociar comigo, mas ele é um filho da mãe... E ao jantar, o Daryl disse-me...
- Quem diabo era este homem?
Aproximei-me deles.
- Desculpe. - Disse ao estranho - mas não percebi o seu nome. Ele olhou para mim e acenou com a cabeça.
- Harris. Jed Harris.
Devo ter feito um sorriso de orelha a orelha.
- Eu sei de uma pessoa que o quer conhecer.
- Sim?
- Tem alguma coisa para fazer?
- Nada de especial. Respondeu, encolhendo os ombros.
- Importa-se de vir comigo até ao meu hotel? Gostava muito de lhe apresentar a minha mulher.
- Está bem.
Quinze minutos mais tarde, estávamos no jardim do Lancaster. Liguei à Jorja do átrio.
- Olá.
- Olá. Estás de volta. Então, que tal o filme?
- Decepcionante. Vem até cá abaixo, ao jardim. Vamos almoçar.
- Querido, ainda não estou vestida. Porque é que não comemos qualquer coisa no quarto?
- Não, não. Tens de vir cá abaixo. Tenho aqui alguém que vais gostar de conhecer.
- Mas...
- Não há mas!
Quinze minutos depois, Jorja apareceu.
- Esta é Jorja - Disse eu virando-me para Jed e olhando para Jorja - Jorja, apresento-te Jed Harris. Falei devagarzinho e fiquei a ver o rosto dela a iluminar-se.
Sentamo-nos. Jorja estava encantada por conhecer Jed Harris e falaram de teatro durante meia hora, antes de fazermos o pedido. Jed Harris foi absolutamente encantador. Era inteligente e divertido e extremamente bem educado. Senti que tínhamos acabado de fazer um amigo.
Durante a refeição, ele virou-se para mim e perguntou:
- Estou impressionado com o seu trabalho. Está interessado em escrever uma peça da Broadway para mim?
Escrever uma peça da Broadway para Jed Harris significava trabalhar com um mestre.
- Teria muito gosto. - Respondi, e em seguida hesitei - Mas, de momento, não tenho qualquer idéia para uma peça.
Ele sorriu.
- Mas eu tenho.
E começou a contar-me as várias tramas que tinha em mente. Eu ia ouvindo e no fim de cada uma delas dizia “não me diz nada” ou ”não creio que isso me pudesse interessar” ou ”parece-me demasiado familiar”.
Depois de ter ouvido seis sugestões, ele apresentou uma de que gostei. Era sobre uma consultora que quase destrói os funcionários da firma que vai examinar e que no final acaba por se apaixonar e muda completamente.
- Essa tem pernas para andar. Infelizmente, eu e a Jorja partimos amanhã. Vamos fazer uma viagem pela Europa.
- Não tem problema. Eu vou com vocês e podemos ir trabalhando na peça.
Fiquei espantado.
- Ótimo.
- E para onde vão primeiro?
- Vamos a Munique encontrar-nos com uns amigos. Ele é um dramaturgo húngaro chamado...
Detesto os húngaros. As peças deles não têm segundos atos, como as vidas deles.
Jorja e eu olhamos um para o outro.
- Então, Jed, se calhar era melhor não... Ele levantou a mão.
- Não, não. Não se preocupem. Quero avançar com a peça. Jorja olhou para mim e anuiu.
E ficou combinado.
Quando nós três nos instalamos no hotel em Munique, Laci e Marika já vinham a caminho para se encontrarem conosco, e eu fiquei um pouco apreensivo. Detesto os húngaros. As peças deles não têm segundos atos, como as vidas deles.
Acabei por verificar que não precisava de me preocupar com Jed. Foi o máximo do encanto.
Assim que Laci entrou, Jed colocou o braço sobre o ombro dele e comentou:
- Você é um excelente dramaturgo. Para mim, é mesmo melhor do que Moinar.
Laci quase corou.
- Vocês, os húngaros, têm um talento especial. É uma honra para mim conhecer-vos aos dois. Acrescentou.
Jorja e eu trocamos olhares. Laci estava feliz.
- Vou levar-vos a um famoso restaurante de Munique. Servem vinhos de quase todos os países do mundo.
- Ótimo.
Jed foi para o seu quarto mudar de roupa e Laci, Marika, eu e Jorja ficamos pôr a conversa em dia, falando sobre o que ele andara a fazer desde a última vez que nos tínhamos visto.
Meia hora mais tarde, entravamos num restaurante de aspecto elegante à beira do rio Isar. Sentamo-nos para jantar. O empregado deu-nos a carta. Estava repleto de vinhos de países de todo o mundo.
- Que tipo de vinho pretendem? Perguntou o empregado. Antes que alguém tivesse tempo para dizer qualquer coisa, Jed respondeu:
- Eu vou beber uma cerveja. O empregado abanou a cabeça.
- Desculpe, senhor, mas não servimos cerveja. Apenas servimos vinhos.
Jed olhou fixamente para ele e pôs-se de pé.
- Vamos, mas é embora daqui.
Eu não queria acreditar no que estava a ouvir.
- Mas, Jed...
- Vá. Vamos embora. Não estou disposto a comer num restaurante onde não servem cerveja.
Embaraçados, nos levantamos e saímos.
- Malditos alemães. Rosnou Jed.
Eu e Jorja estávamos horrorizados. Entramos todos para um táxi e regressamos ao hotel, onde jantamos. Laci pediu desculpa a Jed.
- Lamento muito que aconteceu. Conheço outro lugar onde servem uma excelente cerveja. Vamos lá amanhã.
No dia seguinte, eu e Jed trabalhamos na nova peça. Passamos uma parte do tempo a escrever no jardim e outra parte na nossa suite. Comecei a desenvolver cenas com base na premissa inicial e Jed ia fazendo sugestões aqui e ali.
Nessa noite, os Bush-Feket vieram buscar-nos.
- Vai gostar deste lugar. Garantiu Laci,
No restaurante, conduziram-nos à nossa mesa e o empregado entregou-nos a carta.
- Que gostariam de tomar?