O outro lado de mim [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 2005
- Язык: португальский
- Переводчик: Luiza Mascarenhas
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «O outro lado de mim [em Português]». Краткое содержание книги:
- Groucho, lembra-se de mim?
Típico da sua atitude para com as pessoas, ele perguntou:
- E o que foi que alguma vez fez, para que eu me lembre de si?
Groucho tinha um programa de televisão de sucesso que esteve no ar durante uns incríveis onze anos. Chamava-se Bet Your Life. Era um sucesso porque ninguém sabia o que é que ele ia dizer a seguir. Uma noite, um concorrente disse-lhe que tinha dez filhos.
- Por que tantos? Perguntou Groucho.
- Eu gosto da minha mulher.
- Bom, eu gosto muito do meu charuto, mas de vez em quando tenho de largá-lo. Foi a resposta.
Um dia, Melinda, a filha de Groucho, que na altura tinha oito anos, foi convidada por uma colega da escola para ir a um clube de campo. Vestiram os fatos de banho e dirigiram-se para a piscina.
O gerente do clube apareceu a correr e disse a Melinda:
- Vais ter de sair da piscina. Não permitimos a entrada a judeus.
Quando Melinda chegou a casa lavada em lágrimas e contou ao pai o que se passara, este ligou para o gerente do clube.
- Está a ser injusto - Disse ele - A minha filha só é meio judia. Será que não há problema se ela entrar na piscina só até a cintura?
Groucho era casado com Éden Hartford, uma jovem atriz, e, uma noite, eu e Jorja íamos jantar com eles. Éden tinha que se levantar cedo para ir para o estúdio e Jorja também.
Groucho telefonou-me:
- Seremos só nos dois para jantar. Como queres que me vista? Respondi-lhe:
- Groucho, nós vamos a um restaurante chique, por isso, por favor, não me envergonhes.
- Está bem.
Quando o fui buscar a casa e toquei à campainha, ele abriu a porta vestido uma saia e blusa de Éden e sapatos de salto altos e a fumar um charuto. Eu nem liguei.
- Queres entrar e tomar um copo? Perguntou.
- Está bem. Respondi.
Entramos no escritório e Groucho preparou umas bebidas. A campainha da porta voltou a tocar. Ele tinha-se esquecido completamente que marcara um encontro com uns executivos de uma estação de televisão para falarem sobre o seu programa. Abriu a porta e convidou-os a entrar e ali ficámos um bocado sentados a conversar, até que eles saíram.
- Vou mudar de roupa. Disse Groucho. E saímos para jantar.
Toda a gente no mundo do espetáculo tem o mesmo problema, o que dizer a um amigo quando detestamos um trabalho feito por ele. Ao longo dos anos, algumas formas resultaram:
“Nunca estarás melhor...”
“Que peça...”
“Não tenho palavras...”
“Devias ter-te exposto mais...”
“Nunca vi nada semelhante...”
“As pessoas vão-se lembrar desta noite durante muito tempo...”
Dream Wife não seria distribuído pelos cinemas nos próximos meses, por isso decidi que era a altura ideal para levar Jorja para outras férias européias.
Ela estava tão excitada com a viagem como eu. Sentamos-nos e discutimos onde queríamos ir. Londres, Paris, Roma... A meio do nosso planejamento chegou um telefonema. Era Ladislau Bush-Fekete, que me ligava de Munique. Eu não tinha notícias dele desde o fecho de Alice in Arms, há cerca de dez anos. Desde então, Kirk Douglas transformara-se numa grande estrela. Sentia-me feliz por não lhe ter destruído a carreira.
- Sidney, como vai? Eu e Marika temos saudades tuas. Disse, com o seu forte sotaque húngaro.
- Nós estamos bem, Laci. Também eu tenho saudades vossas.
- Quando pensas vir à Europa?
- Por acaso, partimos para aí para a semana que vem.
- Excelente. Tens de vir a Munique visitar-nos. Podes fazê-lo? Pensei durante um segundo.
- Claro que sim. Gostava de vos apresentar a Jorja.
- Ótimo. Depois, diz-me quando chegas.
- Com certeza. Desliguei e contei a Jorja:
- Era o Ladislau Bush-Fekete. Ela olhou para mim.
Alice in Arms. Ri-me.
- Vais gostar dele e a mulher é um amor. E Munique é lindo. Vai ser divertido.
Quando estávamos para partir, Sam Spiegel telefonou.
Era uma das personagens mais extravagantes de Hollywood. Nascera na Áustria e viera para Hollywood para vender algodão egípcio. Estivera preso em Brixton por fraude. Em Hollywood, decidiu ser produtor e mudou o nome para S. P. Eagle. Tornou-se objeto de riso da cidade. Quando Darryl Zanuck teve conhecimento, comentou:
- Pois eu vou mudar o meu nome para Z. A. Nuck.
O riso depressa parou, pois Sam Spiegel acabou por produzir uma longa lista de filmes premiados pela Academia, como Lawrence d’Arábia, On the Waterfront e The Afrícan Queen.
Conheci-o numa das sumtuosas festas que costumava dar e nos tornamos amigos.
A seguir ao seu telefonema, eu e Jorja fomos jantar com ele.
- Ouvi falar de um filme estrangeiro que gostava de fazer. Se vão a Paris, ficaria muito grato se o fosses ver e me dissesses depois o que pensas.
Três dias mais tarde, voamos até Nova Iorque para passarmos uns dias a bordo do Queen Mary.
A Broadway estava com umas peças interessantes, The Cruable, Wonderful Town, Picnic, The Seven Yearltche Dial MforMurder. Ao entrar nos átrios dos vários teatros, tive sempre uma sensação de dejá vu. Alguns dos espetáculos estavam em cena em teatros onde eu e Ben Roberts tivemos nossas peças em exibição. Tanta coisa inacreditável se passara desde então. Mas o mais incrível de tudo era que um filme em que eu dirigira Cary Grant ia estrear no Radio City Music Hall.
Uma noite, fomos ver The Crucible, a nova peça de Arthur Miller. O elenco era composto por Arthur Kennedy, E. G. Marshall, Beatrice Straight e Madeleine Sherwood. Foi uma noite maravilhosa. A Jorja estava encantada.
Quando o pano desceu, perguntou-me:
- Quem foi que dirigiu esta peça?
- Jed Harris. Dirigiu Uncle Vanya, A Doll’s House, Ovr Town e The Heiress.
- Ele é incrível. Gostava de um dia poder trabalhar com ele. Disse.
- Seria a sorte dele. Respondi, pegando-lhe na mão.
CAPÍTULO 24
Na manhã seguinte, o barco partiu para Londres. Foi uma viagem perfeita, calma, e parecia descrever a forma como eu via a minha vida na altura. Estava casado com uma mulher que adorava, contratado por um estúdio importante a fazer o que gostava de fazer e a caminho da Europa numa segunda lua-de-mel.
Quando o barco atracou, apanhamos o comboio para Londres, passamos lá uns dias e em seguida partimos para Paris, onde nos instalamos no maravilhoso hotel Lancaster, na rua de Berri. O hotel tinha um jardim maravilhoso onde serviam bebidas e refeições.
A primeira coisa que fiz assim que nos instalamos foi ligar para o escritório da United Artists em Paris e falar com o senhor Berns, o gerente.
- O senhor Spiegel avisou-nos que ia ligar, senhor Sheldon. Quando quer ver o filme?
- Em qualquer altura.