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Cinquenta tons de cinza [em Portugues]

Электронная книга - «Cinquenta tons de cinza [em Portugues]». Краткое содержание книги:

Quando Anastasia Steele entrevista o jovem empresario Christian Grey, descobre nele um homem atraente, brilhante e profundamente dominador. Ingenua e inocente, Ana se surpreende ao perceber que, a despeito da enigmatica reserva de Grey, esta desesperadamente atraida por ele. Incapaz de resistir a beleza discreta, a timidez e ao espirito independente de Ana, Grey admite que tambem a deseja mas em seus proprios termos. Chocada e ao mesmo tempo seduzida pelas estranhas preferencias de Grey, Ana hesita. Por tras da fachada de sucesso os negocios multinacionais, a vasta fortuna, a amada familia , Grey e um homem atormentado por demonios do passado e consumido pela necessidade de controle. Quando eles embarcam num apaixonado e sensual caso de amor, Ana nao so descobre mais sobre seus proprios desejos, como tambem sobre os segredos obscuros que Grey tenta manter escondidos...
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Ele me olha intrigado.

— Mais tarde — diz, e tenho que andar porque estou atrapalhando a fila.

Volto para meu lugar. E-mails? Ele deve ter mandado outro. O que dizia?

A cerimônia leva mais uma hora para se encerrar. É interminável. Finalmente, há mais uma salva de palmas quando o reitor, acompanhado pelo corpo docente, deixa o palco, precedido por Christian e Kate. Christian não olha para mim, embora eu esteja desejando com todas as forças que ele o faça. Minha deusa interior não está satisfeita.

Enquanto estou parada esperando nossa fila se dispersar, Kate me chama. Está vindo da parte de trás do palco, na minha direção.

— Christian quer falar com você — grita ela.

As duas garotas, que agora estão paradas a meu lado, se viram e me olham boquiabertas.

— Ele mandou eu vir aqui — continua ela.

Ah...

— Seu discurso foi o máximo, Kate.

— Foi mesmo, não foi? — Ela ri de uma orelha à outra. — Você vem? Ele pode ser muito insistente.

Ela revira os olhos, e eu sorrio.

— Você não tem ideia. Não posso deixar o Ray por muito tempo.

Olho para Ray lá em cima e faço um gesto indicando cinco minutos. Ele balança a cabeça, sinalizando que está tudo bem, e eu vou com Kate para o corredor atrás do palco. Christian está conversando com o reitor e dois membros do corpo docente. Ao me ver, ergue os olhos.

— Com licença, senhores — ouço-o murmurar.

Vem na minha direção e dá um sorriso rápido para Kate.

— Obrigado — diz, e antes que ela possa responder, pega o meu braço e me leva para dentro do que parece um vestiário masculino.

Verifica se está vazio, e depois tranca a porta.

Puta merda, o que ele tem em mente? Pisco para ele quando se volta contra mim.

— Por que não me mandou um e-mail? Ou me respondeu por mensagem de texto?

Seus olhos faíscam. Estou perplexa.

— Não olhei o computador hoje, nem o celular. — Merda, será que ele andou tentando me ligar? Tento a técnica da mudança de assunto que é tão eficaz com Kate. — Seu discurso foi maravilhoso.

— Obrigado.

— Explica seus problemas com comida.

Ele passa a mão no cabelo, exasperado.

— Anastasia, não quero falar disso agora. — Fecha os olhos, parecendo aflito. — Ando preocupado com você.

— Preocupado? Por quê?

— Porque você foi para casa naquele perigo que chama de carro.

— O quê? Não há perigo algum. É ótimo. José sempre leva na oficina para mim.

— José, o fotógrafo?

Christian estreita os olhos, a expressão gelada.

Ai, merda.

— Sim, o fusca era da mãe dele.

— Ah, e provavelmente da mãe dela e da mãe da mãe dela. Não é seguro.

— Já dirijo esse carro há mais de três anos. Sinto muito que você esteja preocupado. Por que não me ligou?

Nossa, a reação dele é totalmente exagerada.

Ele respira fundo.

— Anastasia, preciso de uma resposta sua. Essa expectativa está me deixando maluco.

— Christian, eu... olha, eu deixei meu padrasto sozinho.

— Amanhã. Quero uma resposta amanhã.

— Ok. Amanhã eu respondo, então.

Ele recua, me olhando com tranquilidade, e relaxa os ombros.

— Vai ficar para o coquetel? — pergunta.

— Não sei o que o Ray quer fazer.

— Seu padrasto? Eu gostaria de conhecê-lo.

Ah, não... por quê?

— Não sei bem se é uma boa ideia.

Christian destranca a porta, com uma expressão contrariada.

— Você tem vergonha de mim?

— Não! — É minha vez de falar com exasperação. — Apresentar você ao meu pai dizendo o quê? “Esse é o homem que me deflorou e quer que a gente comece uma relação BDSM?” Você não está usando tênis de corrida.

Christian me olha furioso, depois seus lábios se contraem num rápido sorriso. E, embora eu esteja irritada com ele, dou a contragosto um sorriso interrogativo.

— Só para você saber, posso correr bastante rápido. Diga-lhe simplesmente que sou seu amigo, Anastasia.

Ele abre a porta, e eu saio. Minha cabeça está totalmente confusa. O reitor, os três vice-reitores, quatro catedráticos e Kate ficam me olhando enquanto passo apressadamente por eles. Merda. Deixo Christian com o corpo docente e vou atrás de Ray.

Diga a ele que sou seu amigo.

Amizade colorida, repreende meu inconsciente com uma expressão mal-humorada. Eu sei, eu sei. Afasto a ideia desagradável. Como vou apresentá-lo a Ray? O ginásio ainda está com pelo menos metade da lotação, e Ray não saiu do lugar. Ele me vê, acena e desce.

— Oi, Annie. Parabéns.

Ele me envolve com o braço.

— Quer beber alguma coisa? — pergunto.

— Claro. É o seu dia. Vá na frente.

— A gente não precisa ir, se você não quiser.

Por favor, diga não...

— Annie, acabei de passar duas horas e meia sentado ouvindo só conversa fiada. Preciso de uma bebida.

Dou-lhe o braço, e saímos com a multidão no entardecer ameno. Passamos pela fila do fotógrafo oficial.

— Ah, isso me lembra de uma coisa — Ray tira uma câmera digital do bolso. — Uma para o álbum, Annie.

Reviro os olhos para ele quando me fotografa.

— Já posso tirar a beca e o capelo? Estou me sentindo meio idiota.

Você está meio idiota... Meu inconsciente está impertinente como nunca. Então vai apresentar o Ray ao homem que está comendo você? Ele me olha por cima dos óculos. Ele ficaria muito orgulhoso. Nossa, às vezes eu odeio meu inconsciente.

A tenda é imensa e está lotada — alunos, pais, professores e amigos, todos conversando satisfeitos. Ray me entrega uma taça de champanhe, ou vinho espumante barato, desconfio. Não está gelado e é doce. Meus pensamentos se voltam para Christian... ele não vai gostar disso.

— Ana!

Viro-me e Ethan Kavanagh me dá um abraço. Ele me rodopia sem derramar meu vinho — uma façanha.

— Parabéns! — Ele sorri para mim, os olhos verdes luminosos.

Que surpresa. Seu cabelo louro e sujo está despenteado e sexy. Ele é bonito como Kate. A semelhança entre os dois é espantosa.

— Ethan! Que bom ver você. Pai, esse é Ethan, irmão de Kate. Ethan, esse é o meu pai, Ray Steele.

Eles se cumprimentam, meu pai avaliando tranquilamente o Sr. Kavanagh.

— Quando voltou da Europa? — pergunto.

— Voltei há uma semana, mas queria fazer uma surpresa para minha irmãzinha — diz em tom conspiratório.

— Que amor! — Dou um sorriso.

— Ela é a oradora, eu não poderia perder isso. — Ele parece sentir um imenso orgulho da irmã.

— Ela fez um discurso maravilhoso.

— Fez mesmo — concorda Ray.

Ethan está com o braço em volta da minha cintura quando deparo com os gelados olhos cinzentos de Christian Grey. Kate está ao lado dele.

— Olá, Ray. — Kate dá dois beijinhos em Ray, fazendo-o corar. — Já conheceu o namorado da Ana? Christian Grey.

Puta merda... Kate! Porra! O sangue foge do meu rosto.

— Sr. Steele, é um prazer conhecê-lo — diz Christian num tom suave e caloroso, sem se perturbar com a apresentação de Kate. Estende a mão, que Ray, é preciso reconhecer, aceita sem demonstrar um pingo de surpresa com o que acabou de cair em cima dele.

Muito obrigada, Katherine Kavanagh, penso furiosa. Acho que meu inconsciente desmaiou.

— Sr. Grey — murmura Ray, a expressão indecifrável, a não ser talvez pelo olhar ligeiramente arregalado de seus grandes olhos castanhos. Eles deslizam para mim como se me perguntassem “quando pretendia me contar isso?” Mordo o lábio.

— E esse é meu irmão, Ethan Kavanagh — diz Kate a Christian.

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