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Cinquenta tons de cinza [em Portugues]

Электронная книга - «Cinquenta tons de cinza [em Portugues]». Краткое содержание книги:

Quando Anastasia Steele entrevista o jovem empresario Christian Grey, descobre nele um homem atraente, brilhante e profundamente dominador. Ingenua e inocente, Ana se surpreende ao perceber que, a despeito da enigmatica reserva de Grey, esta desesperadamente atraida por ele. Incapaz de resistir a beleza discreta, a timidez e ao espirito independente de Ana, Grey admite que tambem a deseja mas em seus proprios termos. Chocada e ao mesmo tempo seduzida pelas estranhas preferencias de Grey, Ana hesita. Por tras da fachada de sucesso os negocios multinacionais, a vasta fortuna, a amada familia , Grey e um homem atormentado por demonios do passado e consumido pela necessidade de controle. Quando eles embarcam num apaixonado e sensual caso de amor, Ana nao so descobre mais sobre seus proprios desejos, como tambem sobre os segredos obscuros que Grey tenta manter escondidos...
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Confie em mim.

Christian Grey

CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.

O e-mail dele me faz chorar mais. Não sou uma fusão. Não sou uma aquisição. Lendo isso, é como se eu fosse. Não respondo. Simplesmente não sei o que dizer a ele. Visto o pijama, me enrolo no blazer dele e vou para a cama. Enquanto me deito olhando para o escuro, penso em todas as vezes que ele me avisou para ficar longe.

Anastasia, você deve se afastar de mim. Não sou homem para você.

Eu não namoro.

Não sou o tipo que manda flores.

Eu não faço amor.

Isso é tudo que eu sei.

E, chorando no travesseiro baixinho, é a essa última ideia que me aferro. Isso também é tudo que eu sei. Talvez juntos possamos planejar um novo rumo.

CAPÍTULO QUATORZE

_________________________________________

Christian está em pé em cima de mim segurando um chicote de montaria de couro. Usa uma calça jeans velha, desbotada e rasgada, mais nada. Bate lentamente com o chicote na palma da mão enquanto olha para mim. Seu sorriso é triunfante. Não posso me mexer. Estou nua e algemada, de pernas e braços abertos numa cama grande de quatro colunas. Ele estica o braço e passa a ponta do chicote pela minha testa e pelo meu nariz, fazendo com que eu sinta o cheiro do couro, e desce por meus lábios entreabertos. Enfia a ponta na minha boca, para que eu sinta o gosto do couro macio e de boa qualidade.

— Chupe — ordena ele, com suavidade.

Seguro a ponta com a boca e obedeço.

— Chega — diz de repente.

Estou ofegante quando ele puxa o chicote da minha boca, passa-o embaixo do meu queixo, e vai descendo com o objeto pelo meu pescoço até o tórax. Gira-o lentamente ali e continua descendo pelo meu corpo, passando pelo esterno, entre os seios, pelo torso, até o umbigo. Estou arfando, me contorcendo, puxando as amarras que ferem meus pulsos e tornozelos. Ele gira a ponta em volta do meu umbigo, depois vai descendo, passando pelos meus pelos pubianos até o clitóris. Brande o chicote e acerta um golpe seco naquele meu ponto doce, e eu gozo, gloriosamente, com um grito de alívio.

Acordo de súbito, ofegante, toda suada e sentindo os efeitos do orgasmo. Que inferno. Estou completamente desorientada. Que diabo acabou de acontecer? Estou sozinha no meu quarto. Como? Por quê? Sento-me de repente na cama, chocada... uau. É de manhã. Olho o despertador — oito horas. Ponho as mãos na cabeça. Eu não sabia que podia sonhar com sexo. Será que foi alguma coisa que comi? Talvez tenham sido as ostras e minha pesquisa na internet se manifestando em meu primeiro sonho erótico. É incrível. Eu não sabia que podia ter um orgasmo dormindo.

Kate está saltitando pela cozinha quando entro, trôpega.

— Ana, você está bem? Está com uma cara estranha. Esse blazer que está usando é do Christian?

— Estou bem. — Droga, eu devia ter me olhado no espelho. Evito os olhos verdes penetrantes dela. Ainda estou atordoada com o acontecimento da manhã. — É o blazer dele, sim.

Ela franze a testa.

— Você dormiu?

— Não muito bem.

Encaminho-me para a chaleira. Preciso de um chá.

— Como foi o jantar?

Começou.

— Comemos ostras. Depois bacalhau, portanto, eu diria que não cheirou bem.

— Argh... odeio ostra, e não quero saber da comida. Como foi com ele? Sobre o que vocês conversaram?

— Ele foi atencioso.

Paro de falar. O que posso dizer? O teste de HIV dele deu negativo, ele curte um teatrinho, quer que eu obedeça a todas as suas ordens, machucou uma pessoa que amarrou no teto do quarto de jogos, e quis me comer em uma sala privativa do restaurante. Será que é um bom resumo? Tento desesperadamente me lembrar de algo do meu encontro com Christian que eu possa discutir com Kate.

— Ele não aprova o Wanda.

— Quem aprova, Ana? Isso é notícia velha. Por que está tão tímida? Conte tudo, amiga.

— Ah, Kate, falamos sobre um monte de coisas. Você sabe... sobre como ele é exigente em matéria de comida. Por sinal, ele gostou do seu vestido. — A água na chaleira ferveu, e preparo meu chá. — Aceita chá? Quer ler para mim o seu discurso de hoje?

— Sim, por favor. Trabalhei nele ontem à noite na casa da Becca. Vou buscar. E sim, eu adoraria um chá.

Kate sai correndo da cozinha.

Ufa, Katherine Kavanagh afastada. Coloco um bagel na torradeira. Enrubesço, lembrando-me daquele sonho intenso. Com o que foi mesmo, meu Deus?

Ontem à noite, tive dificuldade de dormir. Minha cabeça estava a mil com várias opções. Estou muito confusa. A ideia que Christian faz de uma relação mais parece uma oferta de emprego. Tem horários estabelecidos, uma descrição do cargo e um procedimento de resolução de conflitos bastante severo. Não foi como imaginei meu primeiro romance — mas, claro, Christian não quer saber de romance. Se eu lhe disser que quero mais, ele pode dizer não... e eu poderia colocar em risco o que já tenho com ele. E isso é o que mais me preocupa, porque não quero perdê-lo. Mas não sei se tenho estômago para ser submissa — no fundo, são as varas e os chicotes que me desanimam. Sou covarde fisicamente, e faço de tudo para evitar sentir dor. Penso no meu sonho... seria assim? Minha deusa interior está aos pulos com pompons de animadora de torcida gritando que sim.

Kate volta para a cozinha com o laptop. Concentro-me no bagel e escuto pacientemente todo o seu discurso de formatura.

* * *

JÁ ESTOU PRONTA quando Ray chega. Abro a porta de casa, e ele está parado no pórtico com aquele terno de corte ruim. Uma onda de gratidão e de amor por esse homem descomplicado me invade, e jogo os braços em volta dele numa rara demonstração de afeto. Ele leva um susto.

— Oi, Annie, que bom ver você — murmura ao me abraçar. Toma distância, as mãos nos meus ombros, e me olha de cima a baixo, as sobrancelhas franzidas. — Você está bem, filha?

— Claro, pai. Será que uma menina não pode ficar feliz de ver o seu velho?

Ele sorri, aqueles olhos escuros franzindo nos cantos, e me segue até a sala.

— Você está ótima — diz.

— É o vestido da Kate. — Olho para o vestido frente única de chiffon cinza.

Ele franze a testa.

— Cadê a Kate?

— Ela já foi para o campus. Vai fazer o discurso, então tem que chegar cedo.

— Será que devemos ir andando?

— Pai, temos meia hora. Quer um chá? E você pode me contar como vai todo mundo lá em Montesano. Como foi a viagem?

* * *

RAY DEIXA O carro no estacionamento do campus, e acompanhamos o mar de gente pontilhado pelas onipresentes becas nas cores preta e vermelha a caminho do ginásio.

— Boa sorte, Annie. Você parece nervosíssima. Tem que fazer alguma coisa?

Puta merda... por que Ray resolveu ser observador logo hoje?

— Não, pai. Hoje é um grande dia.

E vou vê-lo.

— Sim, minha filhinha está se formando. Estou orgulhoso de você, Annie.

— Oh... obrigada, pai.

Ah, eu adoro esse homem.

O ginásio está lotado. Ray senta-se com os outros pais e convidados na arquibancada, enquanto me encaminho para meu lugar. Estou usando a beca preta e o capelo, e me sinto protegida por esses acessórios, anônima. Ainda não tem ninguém no palco, mas não consigo ficar calma. Meu coração palpita, e sinto falta de ar. Ele está aqui, em algum lugar. Pergunto-me se Kate está falando com ele, interrogando-o, talvez. Vou para meu lugar entre os colegas cujos sobrenomes também começam com S. Estou na segunda fila, o que me proporciona um anonimato ainda maior. Olho para trás e vejo Ray no alto da arquibancada. Aceno para ele. Ele me responde sem jeito com um meio aceno e uma meia continência. Sento-me e aguardo.

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