Cinquenta tons de cinza [em Portugues]
- Автор: Джеймс Эрика Леонард
- Серия: Cinquenta Sombras #1
- Год: 2012
- Язык: португальский
- Жанр: Любовь и отношения
Электронная книга - «Cinquenta tons de cinza [em Portugues]». Краткое содержание книги:
O auditório enche depressa, e o burburinho de vozes empolgadas fica cada vez mais alto. A primeira fila de assentos se completa. À minha direita e à minha esquerda, estão duas meninas que não conheço, de outro curso. Claro que elas são muito amigas e ficam conversando animadamente por cima de mim.
Exatamente às onze horas, o reitor aparece vindo dos bastidores, com os três vice-reitores e os professores catedráticos, todos paramentados com seus trajes de gala em vermelho e preto. Nos levantamos e aplaudimos nosso corpo docente. Alguns catedráticos fazem um gesto de cabeça e acenam, outros parecem entediados. O professor Collins, meu orientador e professor preferido, parece ter acabado de cair da cama, como sempre. No canto do palco, estão Kate e Christian. Ele se destaca com aquele terno cinza feito sob medida, reflexos cor de cobre faiscando no cabelo sob as luzes do auditório. Parece muito sério e contido. Quando se senta, desabotoa o paletó de dois botões, e vejo sua gravata. Puta merda... é aquela gravata! Esfrego os pulsos por reflexo. Não consigo tirar os olhos dele. Está com aquela gravata de propósito, sem dúvida. Contraio os lábios. A plateia se senta e os aplausos cessam.
— Olhe para ele! — sibila uma das garotas ao meu lado com entusiasmo para a amiga.
— Ele é gostoso.
Fico rígida. Tenho certeza de que não estão falando do professor Collins.
— Deve ser Christian Grey.
— Ele é solteiro?
Fico irritada.
— Acho que não — digo.
— Ah.
As duas garotas me olham surpresas.
— Acho que ele é gay — murmuro.
— Que pena — resmunga uma delas.
O reitor dá início à cerimônia com seu discurso, e observo Christian examinar sutilmente o local. Afundo-me na cadeira, curvando os ombros, tentando me fazer notar o menos possível. Falho completamente e, um segundo depois, os olhos dele encontram os meus. Ele me fita, o rosto impassível, inescrutável. Remexo-me, desconfortável, hipnotizada por aquele olhar enquanto o rubor vai se espalhando lentamente no meu rosto. Sem querer, recordo meu sonho, e sinto aquele aperto no estômago. Respiro fundo. A sombra de um sorriso perpassa seus lábios, mas é fugaz. Ele fecha rapidamente os olhos e, ao abri-los, reassume aquela expressão indiferente. Depois de dar uma olhadinha para o reitor, ele se mantém de frente, focando o emblema da WSU pendurado acima da entrada. Não volta a olhar para mim. O reitor segue discursando, e Christian continua sem me dirigir os olhos. Limita-se a olhar para a frente.
Por que ele não me olha? Vai ver que mudou de ideia. Uma onda de mal-estar me invade. Vai ver que o fato de eu tê-lo deixado na mão ontem à noite tenha sido o fim para ele, também. Ele está farto de esperar que eu me decida. Ah, não, talvez eu tenha estragado tudo. Lembro-me do e-mail dele de ontem à noite. Será que está irritado porque não respondi?
De repente, os aplausos irrompem no ginásio quando a Srta. Katherine Kavanagh aparece no palco. O reitor se senta, e Kate joga para trás a linda cabeleira comprida ao colocar os papéis na tribuna. Ela não se apressa, nem se deixa intimidar pelas mil pessoas olhando para ela. Quando está pronta, sorri, ergue os olhos para a plateia cativada, e se lança com eloquência em seu discurso. É serena e engraçada, as meninas ao meu lado caem na gargalhada no instante exato em que ela faz a primeira piada. Ah, Katherine Kavanagh, você sabe modular sua fala. Fico muito orgulhosa dela nesse momento, deixando de lado os pensamentos sobre Christian. Embora já tenha ouvido o discurso, presto atenção. Ela domina o ambiente e comanda a plateia.
Seu tema é “O que vem depois da faculdade?” Sim, de fato, o que vem depois? Christian está observando Kate com ar de espanto, acho eu. Sim, poderia ter sido Kate a ir entrevistá-lo. E poderia ser para Kate que ele agora estivesse fazendo propostas indecentes. A bela Kate e o belo Christian juntos. Eu poderia ser uma das duas garotas ao meu lado, admirando-o de longe. Sei que Kate não lhe daria nem bom-dia. De que o chamou outro dia? Nojento. A ideia de um confronto entre Kate e Christian me deixa desconfortável. Devo dizer que não sei em qual dos dois eu apostaria.
Kate conclui o discurso com um floreio, e espontaneamente a plateia se levanta, aplaudindo e festejando, sua primeira ovação de pé. Sorrio para ela e a encorajo, e ela sorri de volta. Mandou bem, Kate. Ela se senta, assim como a plateia, e o reitor se levanta para apresentar Christian... Puta merda, Christian vai fazer um discurso. O reitor menciona rapidamente as realizações de Christian: CEO de sua própria companhia extraordinariamente bem-sucedida, um verdadeiro self-made man.
— ...e também um importante benemérito de nossa universidade. Por favor, uma salva de palmas para o Sr. Christian Grey.
O reitor o cumprimenta com um aperto de mão, e aplausos polidos ecoam pela plateia. Estou com o coração na boca. Ele se aproxima da tribuna e olha em volta. Parece tão seguro quanto Kate, ali parado diante de todos nós. As duas garotas a meu lado se inclinam para a frente, extasiadas. Na verdade, acho que quase todas as mulheres da plateia se inclinam um pouquinho, e alguns homens também. Ele começa, a voz macia, modulada e magnetizante.
— Agradeço imensamente a grande honra com que as autoridades da WSU me contemplaram hoje e que muito me comoveu. Isso me dá a rara oportunidade de falar do trabalho impressionante do departamento de ciência ambiental desta universidade. Nosso objetivo é desenvolver métodos agrícolas viáveis e ecologicamente sustentáveis para países do terceiro mundo. Nossa meta é ajudar a erradicar a fome e a pobreza do mundo. Algumas partes do planeta sofrem de uma disfunção agrícola, cuja consequência é a destruição da sociedade e da ecologia. Eu sei o que é passar fome. Esta é uma jornada muito pessoal para mim...
Meu queixo cai no chão. O quê? Christian já passou fome? Puta merda. Bem, isso explica muita coisa. E me lembro da entrevista. Ele realmente quer alimentar o mundo. Tento desesperadamente me lembrar do que Kate escreveu no artigo dela. Adotado aos quatro anos, acho eu. Não posso imaginar que Grace o tenha feito passar fome, portanto, isso deve ter sido antes, quando ele era mais novo ainda. Engulo em seco, o coração apertado com a ideia de um garotinho de olhos cinzentos que não saiu das fraldas passando fome. Ah, não. Que tipo de vida ele teve antes que os Grey o resgatassem?
Sou tomada por um sentimento de pura indignação. Pobre Christian, fodido, pervertido e filantropo — apesar de garantir que ele não se vê dessa maneira e repeliria quaisquer pensamentos de solidariedade ou piedade. De repente, todos aplaudem e se levantam. Acompanho, apesar de não ter ouvido metade do discurso. Ele está fazendo todas essas boas ações, dirigindo uma empresa enorme, e, ao mesmo tempo, me perseguindo. É perturbador. Lembro-me de breves trechos da conversa que ele teve sobre Darfur... tudo se encaixa. Comida.
Ele dá um sorriso rápido diante dos aplausos calorosos — até Kate está aplaudindo — depois volta a se sentar. Não olha na minha direção, e estou ficando doida tentando assimilar essas novas informações. Um dos vice-reitores se levanta, e começamos aquele processo longo e tedioso de entrega dos diplomas. Há mais de quatrocentos a entregar, e só mais de uma hora depois é que ouço meu nome. Dirijo-me até o palco entre as duas garotas risonhas. Christian se detém em mim com um olhar cordial, mas circunspecto.
— Parabéns, Srta. Steele — diz ao me cumprimentar, apertando com delicadeza minha mão. Sinto a eletricidade de sua pele na minha. — Seu laptop está com algum problema?
Franzo as sobrancelhas quando ele me entrega o diploma.
— Não.
— Então está ignorando meus e-mails?
— Só vi o de fusões e aquisições.