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Cinquenta tons de cinza [em Portugues]

Электронная книга - «Cinquenta tons de cinza [em Portugues]». Краткое содержание книги:

Quando Anastasia Steele entrevista o jovem empresario Christian Grey, descobre nele um homem atraente, brilhante e profundamente dominador. Ingenua e inocente, Ana se surpreende ao perceber que, a despeito da enigmatica reserva de Grey, esta desesperadamente atraida por ele. Incapaz de resistir a beleza discreta, a timidez e ao espirito independente de Ana, Grey admite que tambem a deseja mas em seus proprios termos. Chocada e ao mesmo tempo seduzida pelas estranhas preferencias de Grey, Ana hesita. Por tras da fachada de sucesso os negocios multinacionais, a vasta fortuna, a amada familia , Grey e um homem atormentado por demonios do passado e consumido pela necessidade de controle. Quando eles embarcam num apaixonado e sensual caso de amor, Ana nao so descobre mais sobre seus proprios desejos, como tambem sobre os segredos obscuros que Grey tenta manter escondidos...
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Ana!

— Confio.

Respondo automaticamente, sem pensar... porque é verdade — confio nele.

— Muito bem — ele parece aliviado. — O resto são só detalhes.

— Detalhes importantes.

— Tudo bem. Vamos analisá-los.

Estou tonta com todas essas coisas que ele fala. Eu devia ter trazido o gravador digital da Kate para poder ouvir isso de novo depois. Tem muita informação, muita coisa para digerir. O garçom reaparece com nossos pratos: bacalhau negro, aspargos e batatas amassadas com molho holandês. Nunca estive tão sem vontade de comer.

— Espero que goste de peixe — diz Christian, amavelmente.

Belisco minha comida e tomo um gole da água com gás. Eu queria muito que fosse vinho.

— As regras. Vamos falar sobre elas. Comida pode inviabilizar o acordo?

— Pode.

— Posso modificar e dizer que você vai comer pelo menos três refeições por dia?

— Não.

Não vou voltar atrás nisso. Ninguém vai me dizer o que comer. Como eu trepo, sim, mas o que eu como... não, de jeito nenhum.

Ele contrai os lábios.

— Preciso saber que você não está com fome.

Franzo a testa. Por quê?

— Você vai ter que confiar em mim.

Ele me olha um instante, e relaxa.

Touché, Srta. Steele — diz baixinho. — Concedo a alimentação e o sono.

— Por que não posso olhar para você?

— Isso é uma coisa entre dominador e submissa. Você vai se acostumar.

Vou?

Por que não posso tocar em você?

— Por que não.

Ele aperta os lábios com força.

— É por causa da Mrs. Robinson?

Ele me olha intrigado.

— Por que acha isso? — E na mesma hora entende. — Você acha que ela me traumatizou?

Faço que sim com a cabeça.

— Não, Anastasia. Ela não é o motivo. Além do mais, Mrs. Robinson não aceitaria nenhuma dessas porcarias da minha parte.

Balanço a cabeça.

Ah... mas eu tenho que aceitar.

Faço uma expressão zangada.

— Então não tem nada a ver com ela?

— Não. E também não quero que você se toque.

O quê? Ah, sim, a cláusula proibindo a masturbação.

— Por curiosidade... por quê?

— Por que eu quero o seu prazer todo para mim.

A voz dele é grave, mas determinada.

Ah... Não tenho resposta para isso. Num momento, ele vem com “eu quero morder esse lábio”; em outro, com todo esse egoísmo. Franzo a testa e como um pedacinho do bacalhau, tentando pensar no que consegui. Comida, sono. Ele vai devagar, e ainda não discutimos os limites brandos. Mas não sei se consigo enfrentar isso durante o jantar.

— Já lhe dei muita coisa para pensar, não foi?

— Sim.

— Quer falar dos limites brandos agora?

— Não durante o jantar.

Ele sorri.

— Fica enjoada?

— Por aí.

— Você não comeu muito.

— Estou satisfeita.

— Três ostras, quatro garfadas de bacalhau e um talo de aspargo, nada de batata, nada de frutas secas, nada de azeitonas, e não comeu o dia inteiro. Você disse que eu podia confiar em você.

Nossa, ele fez um inventário.

— Christian, por favor, não é todo dia que preciso lidar com conversas como esta.

— Preciso de você em forma e saudável, Anastasia.

— Eu sei.

— E agora mesmo, quero tirar seu vestido.

Engulo em seco. Tirar o vestido da Kate. Sinto aquela tensão dentro de mim. Músculos com os quais agora já estou mais familiarizada se contraem diante dessas palavras. Mas não posso aceitar isso. Sua arma mais potente usada de novo contra mim. Ele é muito bom com sexo — até eu já entendi isso.

— Acho que não é uma boa ideia — digo baixinho. — Ainda não comemos a sobremesa.

— Você quer sobremesa? — bufa ele.

— Quero.

— Você podia ser a sobremesa — murmura ele sugestivamente.

— Não sei se sou doce o bastante.

— Anastasia, você é uma delícia de tão doce. Eu sei.

— Christian, você usa o sexo como uma arma. Isso realmente não é justo — afirmo, olhando para minhas mãos, e depois encarando-o.

Ele ergue as sobrancelhas, surpreso, e vejo que está considerando minhas palavras. Afaga o queixo, pensativo.

— Tem razão. Uso. Na vida, a gente usa o que pode, Anastasia. Isso não muda o quanto desejo você. Aqui. Agora.

Como ele pode me seduzir só com a voz? Já estou ofegante — o sangue fervendo em minhas veias, os nervos formigando.

— Eu gostaria de experimentar uma coisa — murmura ele.

Franzo as sobrancelhas. Ele acabou de me dar um monte de ideias para processar e agora isso.

— Se você fosse minha submissa, não teria que pensar sobre isso. Seria fácil. — A voz dele é macia, sedutora. — Todas essas decisões, todo o cansativo processo de raciocínio por trás disso. O “Será que é a coisa certa a fazer?”; “Será que isso devia acontecer aqui?”; “Pode acontecer agora?” Você não precisaria se preocupar com nenhum desses detalhes. Era o que eu faria como seu Dominador. E agora mesmo, eu sei que você me quer, Anastasia.

Franzo ainda mais a testa. Como ele sabe?

— Sei porque...

Puta merda, ele está respondendo à pergunta que não fiz. Será que também é vidente?

— ...seu corpo está entregando você. Está cruzando as pernas, com o rosto vermelho e a respiração alterada.

Tudo bem, isso é demais.

— Como sabe das minhas pernas? — Meu tom de voz é grave, descrente. Elas estão embaixo da mesa, caramba.

— Senti a toalha mexer, e é um palpite com base em anos de experiência. Estou certo, não estou?

Fico vermelha e baixo os olhos. É isso que me prejudica nesse jogo de sedução. Ele é o único que conhece e entende as regras. Sou simplesmente muito ingênua e inexperiente. Minha única referência é Kate, e ela não aceita desaforo de homem. Minhas outras referências são todas ficcionais; Elizabeth Bennet ficaria ultrajada. Jane Eyre, assustada demais, e Tess sucumbiria, assim como sucumbi.

— Ainda não terminei o bacalhau.

— Prefere bacalhau frio a mim?

Fito-o bruscamente, e vejo uma carência premente naquele brilho prateado de seu olhar ardente.

— Pensei que não gostasse que eu deixasse comida no prato.

— Neste momento, Srta. Steele, estou me lixando para sua comida.

— Christian. Você simplesmente não joga limpo.

— Eu sei. Nunca joguei.

Minha deusa interior franze as sobrancelhas para mim. Você pode fazer isso, ela tenta me persuadir, fazer o mesmo jogo desse deus do sexo. Posso? Tudo bem. O que fazer? Minha inexperiência é um problema. Pego um talo de aspargo, olho para ele e mordo o lábio. Então, bem devagarinho, ponho a pontinha do aspargo frio na boca e chupo.

Christian arregala os olhos imperceptivelmente, mas eu percebo.

— Anastasia. O que está fazendo?

Mordo a pontinha.

— Comendo meu aspargo.

Christian se mexe na cadeira.

— Acho que está brincando comigo, Srta. Steele.

Faço-me de inocente.

— Só estou terminando de comer, Sr. Grey.

O garçom escolhe esse momento para bater e, sem ser chamado, entrar. Olha rapidamente para Christian, que fecha a cara para ele, mas depois balança a cabeça, e o garçom retira nossos pratos. A chegada do garçom quebrou o encanto. E aproveito esse precioso momento de lucidez. Tenho que ir. Se eu ficar, sei como nosso encontro vai acabar, e preciso de um tempo depois de uma conversa tão intensa. Por mais que meu corpo deseje seu toque, minha mente está se rebelando. Preciso de distância para pensar em tudo o que ele disse. Ainda não me decidi, e sua postura e suas proezas sexuais não facilitam as coisas.

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