Cinquenta tons de cinza [em Portugues]
- Автор: Джеймс Эрика Леонард
- Серия: Cinquenta Sombras #1
- Год: 2012
- Язык: португальский
- Жанр: Любовь и отношения
Электронная книга - «Cinquenta tons de cinza [em Portugues]». Краткое содержание книги:
— Quer uma sobremesa? — pergunta Christian, sempre cavalheiro, mas seus olhos ainda ardem.
— Não, obrigada. Acho que devo ir embora. — Baixo os olhos.
— Ir embora?
Ele não consegue disfarçar a surpresa.
O garçom sai apressadamente.
— Sim. — É a decisão certa. Se eu ficar aqui ele vai transar comigo. Levanto-me, determinada. — Nós dois temos a cerimônia de formatura amanhã.
Christian se levanta de imediato, revelando anos de cortesia arraigada.
— Não quero que você vá.
— Por favor... eu tenho que ir.
— Por quê?
— Porque você me deu muita coisa para pensar... e eu preciso de um pouco de distância.
— Eu poderia fazer você ficar — ameaça ele.
— Sim, poderia facilmente, mas eu não quero que você faça.
Ele passa a mão no cabelo, olhando-me com cautela.
— Sabe, quando você caiu na minha sala para me entrevistar, só dizia “sim, senhor”, “não, senhor”. Achei que fosse uma submissa nata. Mas, francamente, Anastasia, não sei ao certo se você tem algo de submisso nesse seu corpinho delicioso.
Ele se aproxima de mim lentamente enquanto fala, a voz tensa.
— Talvez você tenha razão — murmuro.
— Quero ter a chance de explorar essa possibilidade — sussurra ele, olhando para mim. Estica o braço e acaricia meu rosto, passando o polegar no meu lábio inferior. — Não conheço nenhuma outra maneira, Anastasia. Eu sou assim.
— Eu sei.
Ele se inclina para me beijar, mas para antes de encostar os lábios, os olhos procurando os meus, querendo, pedindo permissão. Levo meus lábios aos dele, e ele me beija, e, porque eu não sei se algum dia vou beijá-lo de novo, me deixo levar — minhas mãos se movendo por conta própria e se emaranhando no cabelo dele, puxando-o para mim, minha boca se abrindo, minha língua roçando na dele. Ele segura minha nuca conforme seu beijo vai ficando mais intenso, respondendo ao meu ardor. Sua outra mão desliza pelas minhas costas e se espalma na altura dos meus rins ao me apertar contra seu corpo.
— Não posso convencê-la a ficar? — pergunta ele entre beijos.
— Não.
— Passe a noite comigo.
— Sem tocar em você? Não.
Ele suspira.
— Garota impossível. — Ele recua, me olhando. — Por que acho que você está me dizendo adeus?
— Por que estou indo embora agora.
— Não foi isso que eu quis dizer, e você sabe.
— Christian, tenho que pensar. Não sei se quero o tipo de relação que você quer.
Ele fecha os olhos e cola a testa na minha, dando a nós dois a oportunidade de acalmar nossa respiração. Logo depois, beija minha testa, inspira profundamente, o nariz em meu cabelo, e depois me solta, dando um passo para trás.
— Como quiser, Srta. Steele — diz, o rosto impassível. — Acompanho-a até o saguão.
Ele estende a mão. Abaixo-me para pegar a bolsa e retribuo o gesto. Puta merda, esse pode ser o fim. Desço obedientemente ao lado dele pela escadaria imponente, minha cabeça formigando, o sangue latejando. Pode ser o último adeus se eu decidir dizer não. Fico com o coração apertado. Que reviravolta. Que diferença um momento de lucidez pode fazer para uma garota.
— Você está com o ticket do estacionamento?
Procuro na bolsa e entrego-lhe o ticket, que ele dá ao porteiro. Olho para ele enquanto esperamos.
— Obrigada pelo jantar — murmuro.
— Foi agradável como sempre, Srta. Steele — diz com educação, embora pareça estar pensando em outra coisa, completamente absorto.
Olhando para ele, memorizo seu belo perfil. A ideia de que poderei não tornar a vê-lo me persegue, inoportuna e muito triste para contemplar. Ele se vira de repente e me olha, a expressão intensa.
— Você vai se mudar este fim de semana para Seattle. Se tomar a decisão certa, posso vê-la no domingo?
Ele parece hesitante.
— Vamos ver. Quem sabe — respondo.
Ele parece aliviado, mas depois franze a testa.
— Agora está mais frio, você não tem um casaco?
— Não.
Ele balança a cabeça, irritado, e tira o blazer.
— Tome. Não quero você se resfriando.
Pisco para ele, enquanto ele segura o blazer, e eu abro os braços. Lembro-me da vez em que ele colocou a jaqueta nos meus ombros, no escritório — quando o conheci — e o efeito que isso me causou na época. Nada mudou: na verdade, está mais intenso. O blazer dele é quente, muito grande, e tem o cheiro dele... delicioso...
Meu carro chega. Christian fica boquiaberto.
— É isso que você dirige?
Ele está horrorizado. Oferece a mão e me leva para a rua. O manobrista sai do carro e me entrega as chaves, e Christian friamente lhe dá uma gorjeta.
— Isso está em condições de andar por aí?
Ele agora me olha furioso.
— Está.
— Será que chega a Seattle?
— Chega, sim.
— Em segurança?
— Sim — digo secamente, exasperada. — Tudo bem, é velho. Mas é meu, e está em condições de andar por aí. Meu padrasto comprou para mim.
— Ah, Anastasia, acho que a gente pode melhorar isso.
— Como assim? — De repente entendo. — Você não vai comprar um carro para mim.
Ele me olha furioso, a mandíbula cerrada.
— Vamos ver — diz, determinado.
Ele faz uma careta ao abrir a porta do motorista e me ajuda a entrar. Tiro os sapatos e abro o vidro. Está me olhando, a expressão insondável, olhos sombrios.
— Dirija com cuidado — diz baixinho.
— Até logo, Christian.
Minha voz está rouca por causa das inoportunas lágrimas contidas — não vou chorar. Dou um sorrisinho.
Quando me afasto, sinto um aperto no peito, as lágrimas começam a brotar e engulo um soluço. Logo, elas estão escorrendo pelo rosto e eu realmente não entendo por que estou chorando. Eu estava me segurando. Ele explicou tudo. Foi claro. Ele me quer, mas a verdade é que preciso de mais. Preciso que ele me queira como eu o quero e preciso dele, e, no fundo, sei que isso é impossível. Só estou perturbada.
Nem sei em que categoria colocá-lo. Se eu aceitar isso... será que ele será meu namorado? Será que vou poder apresentá-lo a meus amigos? Ir a um bar, um cinema, até a um boliche com ele? A verdade é que acho que não. Ele não quer me deixar tocar nele nem dormir com ele. Sei que não tive essas coisas no passado, mas quero ter no futuro. E não é o futuro que ele imagina.
E se eu disser sim, e, daqui a três meses, ele terminar, estiver saturado de tentar me transformar em algo que eu não sou? Como vou me sentir? Vou ter investido emocionalmente três meses, fazendo coisas que não tenho certeza se quero fazer. E, se ele então terminar o contrato, como eu poderia enfrentar essa rejeição? Talvez seja melhor recuar agora com o que ainda me resta de autoestima.
Mas a ideia de não tornar a vê-lo é angustiante. Como ele virou uma obsessão para mim tão depressa? Não pode ser só o sexo... pode? Limpo as lágrimas. Não quero analisar meus sentimentos por ele. Tenho medo do que vou descobrir se fizer isso. O que vou fazer?
Paro em frente a nosso apartamento. Está tudo apagado. Kate deve ter saído. Fico aliviada. Não quero que ela me pegue chorando de novo. Enquanto tiro minha roupa, ligo a máquina do mal e, na minha caixa de entrada, há uma mensagem de Christian.
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De: Christian Grey
Assunto: Hoje à noite
Data: 25 de maio de 2011 22:01
Para: Anastasia Steele
Não entendo por que você fugiu hoje à noite. Espero sinceramente ter respondido a todas as suas perguntas a contento. Sei que lhe dei muita coisa para pensar, e torço muito para que considere seriamente minha proposta. Quero muito fazer essa relação dar certo. Vamos devagar.