A Herdeira [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1985
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «A Herdeira [em Português]». Краткое содержание книги:
Pegou o telefone. Uma voz muito nervosa disse:
- Senhorita Roffe? É o guarda de segurança aqui da fábrica. Houve uma explosão em um dos laboratórios, que ficou inteiramente destruído.
- Houve alguma vítima? - perguntou Elizabeth, já completamente acordada.
- Houve, sim, senhora. Um dos cientistas morreu queimado.
Elizabeth não precisava perguntar o nome dele.
Capítulo 35 O detetive Max Hornung estava pensando. A sala dos detetives ressoava o barulho das máquinas de escrever, de vozes empenhadas em discussões, de campainhas de telefone, mas Hornung não ouvia nada disso. Estava pensando no contrato social da Roffe and Sons, tal como fora estabelecido pelo velho Samuel para manter a companhia sob o controle da família. Era um dispositivo engenhoso mas também muito perigoso. Fazia Hornung lembrar-se da tontine, o plano italiano de seguros concebido pelo banqueiro Lorenzo Tonti, em 1695.
Todos os sócios da tontine entravam com a mesma quota de dinheiro. Quando um deles morria, os sobreviventes herdavam a sua quota. Isso proporcionou um forte motivo para a eliminação dos outros sócios.
Na Roffe and Sons estava acontecendo a mesma coisa. Era uma tentação muito grande fazer as pessoas herdarem ações no valor de muitos milhões e, ao mesmo tempo, impedi-las de vender, a menos que houvesse acordo unânime.
Max sabia que Sam Roffe não havia concordado com a venda. Estava morto.
Elizabeth Roffe também não havia concordado com a venda. E já escapara duas vezes da morte. Eram acidentes demais. O detetive Max Hornung não acreditava em acidentes.
Foi falar com o inspetor-chefe Schmied.
O inspetor escutou o que Hornung lhe disse sobre o acidente de alpinismo de Sam Roffe e resmungou:
- Está bem. Houve uma confusão com o nome do guia. Dificilmente isso pode constituir um indício de homicídio, pelo menos no meu departamento. O detetive retrucou pacientemente:
- Na minha opinião, não é apenas isso. A Roffe and Sons está envolvida em graves problemas internos. Talvez alguém tivesse pensado que o afastamento de Sam Roffe poderia resolver esses problemas.
Schmied encarou firmemente o detetive Hornung. Decerto não havia em tudo aquilo senão as hipóteses malucas do detetive. Mas a perspectiva de ver o detetive Max Hornung fora das suas vistas era uma coisa que o enchia de alegria. A ausência dele levantaria o moral de todo o departamento. E havia outro ponto importante a levar em conta. Hornung pretendia investigar nada menos que a poderosa família Roffe. Em circunstâncias normais, teria ordenado que Hornung não se aproximasse nem em pensamento dos Roffes. Entretanto, se Hornung os irritasse - e isso não poderia deixar de acontecer -, tinham bastante prestígio para expulsá-lo da polícia. E ninguém teria qualquer acusação contra o inspetor-chefe Schmied. Não havia forçado de maneira alguma o pequeno detetive. Em vista de tudo isso, disse a Max Hornung.
- Fica encarregado do caso. Pode levar o tempo que julgar necessário.
- Muito obrigado - disse Max, todo feliz.
Quando Max ia pelo corredor em direção à sua sala, encontrou-se com o médicolegista.
- Posso explorar a sua memória um minuto, Hornung?
- Como assim?
- A patrulha acaba de pescar um corpo na água. É uma mulher. Quer olhá-la um instante?
- Está bem.
Não era uma tarefa que agradasse a Max, mas ele achava que aquilo fazia parte de seus deveres. O corpo da mulher estava depositado em uma gaveta de metal impessoal do necrotério. Era loura e devia ter no máximo vinte anos. O corpo estava inchado, devido à longa permanência na água, e nu, apenas com uma fita vermelha amarrada no pescoço.
Havia sinais de relações sexuais pouco antes da morte. A mulher fora estrangulada e depois jogada na água.
- Não morreu afogada, pois não há água nos pulmões. Não temos no arquivo as impressões digitais dela. Já a viu em algum lugar? O detetive Max Hornung olhou atentamente para o rosto da mulher e disse:
- Não. Saiu então para pegar um ônibus para o aeroporto.
Capítulo 36 Quando o detetive Max Hornung desembarcou no aeroporto da Costa Esmeralda, na Sardenha, alugou o carro mais barato que pôde achar, um Fiat 500, e tomou o caminho de Olbia.
Diferente do resto da Sardanha, Olbia era uma cidade industrial e os seus arredores, desprovidos de qualquer beleza, eram uma extensão de usinas e fábricas, um depósito de lixo e um gigantesco cemitério de carros velhos. Ao vêlo, Max refletiu que todas as cidades do mundo tinham esses depósitos de automóveis, como se fossem monumentos da civilização.
Chegando ao centro da cidade, parou diante de um prédio em cuja fachada se lia o seguinte letreiro: "Questure di Sassiri - Commissariato di Polizia, Olbia".
No momento em que entrou no edifício, ele sentiu o caráter familiar de identidade, de participação, Luigi Ferraro. Este se levantou com um sorriso no rosto. O sorriso se desvaneceu quando ele viu a figura que o procurava. Havia na aparência de Max Hornung alguma coisa que não se ajustava ao conceito que o delegado fazia de um "detetive".
- Pode mostrar-me a sua identificação? De posse da carteira, o delegado examinou-a cuidadosamente, devolvendo-a em seguida. Formulou então a idéia de que a Suíça devia estar enfrentando uma grande escassez de gente para a polícia, pois, do contrário, não admitiria um homem como aquele. - Que deseja?
Max começou a explicar-se em italiano fluente. O problema foi que o delegado Ferraro demorou um pouco para descobrir que língua Max estava falando. Quando compreendeu a intenção do homem, levantou a mão e disse:
- Basta! Fala inglês?
- É claro - respondeu Max.
- Peço-lhe então que conversemos em inglês.
Quando Max acabou de falar, o delegado disse:
- Está enganado, sinore. Posso lhe assegurar que está perdendo o seu tempo.
Meus mecânicos já examinaram o jipe e todos concordaram em que foi acidente.
- Mas eu ainda não o examinei - disse imperturbavelmente Max Hornung.
- Muito bem. O jipe está agora à venda em uma garagem. Mandarei um dos meus homens levá-lo até lá. Gostaria de ver o local do acidente? Max piscou os olhos e perguntou:
- Para quê?
O detetive Bruno Campagna foi designado como acompanhante de Max.
- Já verificamos tudo - disse Campagna. - Foi um acidente.
- Não - replicou Max.
O jipe estava em um canto da garagem ainda com a frente amassada e com vestígios da seiva verde da árvore.
- Ainda não tive tempo para consertá-lo - disse o mecânico da garagem. Max se aproximou do jipe e começou a examiná-lo.
- Como foi que sabotaram os freios? - perguntou ele.
- Jesus! O senhor também? - exclamou o mecânico, irritado. - Há vinte anos que sou mecânico, signore, e examinei esse jipe pessoalmente. A última vez que alguém tocou nesses freios foi quando o carro saiu da fábrica.
- Mexeram nos freios - disse Max.
- Como? - perguntou o mecânico, exasperado.
- Não sei ainda, mas vou descobrir - declarou Max, confiantemente.
Lançou um último olhar ao jipe e então virou as costas e saiu da garagem. O delegado olhou para o detetive Bruno Campagna e perguntou:
- O que você fez com ele?
- Não fiz nada. Levei-o à garagem, onde ele quase fez o mecânico ficar fora de si.
Depois, ele me disse que queria dar uma volta sozinho.
- Inacreditável!
Max estava na praia, olhando as águas esmeraldinas do Tirreno, mas não viu coisa alguma. Estava concentrado, procurando juntar todos os fragmentos. Tudo era como um gigantesco quebra-cabeça. Tudo se encaixava exatamente no seu lugar, quando se sabia onde a peça devia se ajustar. O jipe era uma parte pequena mas importante do enigma. Os freios tinham sido examinados pelos mecânicos, de cuja honestidade e competência não havia motivos para duvidar.
Aceitava, portanto, o fato de que não tinham tocado nos freios do jipe. Mas como Elizabeth tinha dirigido o jipe e alguém desejava a sua morte, tinha também de aceitar o fato de que haviam mexido nos freios. Max estava diante de uma coisa executada com muita habilidade. E isso tornava tudo mais interessante. Deu alguns passos na areia, fechou os olhos e procurou concentrar-se de novo. Pensou nos elementos do enigma, mudando-os de lugar, dissecando-os, reagrupando tudo. Vinte minutos depois, a última peça se encaixou. Max abriu os olhos e pensou com admiração no homem que imaginara aquilo. Tinha de conhecê-lo. Depois disso, o detetive Max Hornung tinha duas coisas a fazer, uma fora de Olbia e a segunda, nas montanhas.