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Электронная книга - «O Zahir». Краткое содержание книги:

O Zahir
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- Você não é a mesma pessoa que conheci.

- Não sou. Espero que Esther fique contente.

- Você está contente?

- Claro.

- Então isso é o suficiente. Vamos comer, esperar que a tempestade diminua e seguir adiante.

- Enfrentamos a tempestade.

- Está bem. Faremos como deseja: a tempestade não é um sinal, é apenas

uma conseqüência da destruição do mar de Arai.

fúria do vento está diminuindo, e os cavalos parecem andar mais rápido. Entramos por uma espécie de vale, e a paisagem muda

A completamente: o horizonte infinito foi substituído por rochedos altos e sem vegetação. Olho para a direita, e vejo um arbusto cheio de fitas amarradas.

- Foi aqui! Foi aqui que você viu...

- Não. O meu foi destruído.

- Então o que é isso?

- Um lugar onde algo muito importante deve ter acontecido.

Ele desmonta, abre a mochila, tira uma faca, corta um pedaço da manga de

sua camisa e amarra em um dos galhos. Seus olhos mudam, pode ser que esteja com a presença ao seu lado, mas não quero perguntar nada.

Faço a mesma coisa. Peço proteção, ajuda, sinto também uma presença do

meu lado: o meu sonho, a minha longa viagem de volta até a mulher que amo.

Tornamos a montar. Ele não me fala do seu pedido, e eu tampouco comento

o meu. Cinco minutos depois, aparece um pequeno povoado, com suas casas

brancas. Um senhor nos espera, dirige-se para Mikhail e fala com ele em russo.

Os dois discutem por algum tempo, e o homem vai embora.

- O que ele queria?- Pediu que fosse à sua casa, curar sua filha. Nina deve ter dito que eu chegava hoje, e as pessoas mais velhas ainda se lembram das visões.

Ele parece inseguro. Ninguém mais está à vista, deve ser hora de trabalho ou de refeição. Cruzávamos a rua principal, que parecia conduzir a um prédio branco, no meio de um jardim.

- Lembre-se do que lhe disse hoje de manhã, Mikhail. Pode ser que você

seja apenas alguém com epilepsia, que se recusa a aceitar a doença, e deixou seu inconsciente criar toda uma história a respeito. Mas pode ser também que tenha uma missão na Terra: ensinar as pessoas a esquecerem sua história pessoal, serem mais abertas ao amor como energia pura, divina.

- Não entendo você. Durante todos estes muitos meses que nos

conhecemos, você só falava neste momento - encontrar Esther. E de repente, desde esta manhã, parece preocupar-se mais comigo do que com qualquer outra coisa. Será que o ritual de Dos ontem à noite teve algum efeito?

- Tenho certeza que sim.

Eu queria dizer: estou apavorado. Quero pensar em tudo, menos no que está para acontecer nos próximos minutos. Hoje eu sou a pessoa mais generosa da face da Terra, porque estou próximo do meu objetivo, tenho medo do que me espera, então minha maneira de reagir é procurar servir aos outros, mostrar a Deus que sou uma pessoa boa, que mereço a bênção tão duramente perseguida.

Mikhail desmontou e pediu que fizesse o mesmo.

- Vou até a casa do homem que está com a filha doente, e cuidarei do seu

cavalo enquanto você conversa com ela.

Ele apontou o pequeno prédio branco no meio das árvores.

- Ali.

* * *

Fiz tudo para manter o controle.

- O que ela está fazendo?

- Como disse antes, aprende a fazer tapetes e em troca dá aulas de francês.

Por sinal, são tapetes muito complicados, embora de aparência simples, como a própria estepe: os corantes vêm de plantas que precisam ser cortadas na hora certa, ou perdem suas qualidades. Em seguida, espalham lã de ovelha no solo, misturam com água quente, fazem os fios enquanto a lã ainda está molhada, e depois de muitos dias, quando finalmente o sol consegue secar tudo, começa o trabalho de tecelagem.

“Os ornamentos finais são feitos por crianças; a mão dos adultos é muito

grande para os pequenos e delicados bordados.” Deu uma pausa.

- E não me venha com bobagens sobre trabalho infanticlass="underline" isso é uma tradição que precisa ser respeitada.

- Como é que ela está?

- Não sei. Não converso com ela há seis meses, mais ou menos.

- Mikhail, isso é mais um sinaclass="underline" os tapetes.

- Tapetes?

- Lembra-se que ontem, na hora em que Dos me pediu um nome, eu contei

a história de um guerreiro que volta para uma ilha em busca de sua bem-amada?

A ilha chama-se ítaca, a mulher chama-se Penélope. Desde que Ulisses partiu para a guerra, Penélope se dedica a quê? Tecelagem! Tecer; como ele demora mais do que o esperado, toda noite ela desfaz seu trabalho e recomeça a tecer na manhã seguinte.

“Os homens a procuram para casar-se, mas ela sonha com a volta daquele

que ama. Finalmente, quando se cansa de esperar, e decide que será a última vez que fará seu vestido, Ulisses chega.”

- Acontece que o nome desta cidade não é ítaca. E ela não se chama

Penélope.

Mikhail não tinha entendido a história, não valia a pena explicar que eu

estava apenas dando um exemplo. Entreguei-lhe meu cavalo, e caminhei a pé os cem metros que me separavam de quem um dia fora minha mulher, se

transformara no Zahir e agora voltava a ser a bem-amada que todos os homens sonham encontrar quando voltam da guerra ou do trabalho.

stou imundo. Tenho as roupas e o rosto cheios de areia, o corpo coberto

de suor, embora a temperatura seja muito baixa.

E Penso na minha aparência, a coisa mais superficial do mundo - como se tivesse feito todo o longo caminho até minha ítaca pessoal, apenas para mostrar uma roupa nova. Nestes 100 metros que faltam, eu preciso fazer um esforço, pensar em tudo de importante que aconteceu enquanto ela - ou eu? - estava fora.

O que devo dizer quando nos virmos? Pensei muitas vezes nisso, coisas do

tipo “esperei muito tempo por este momento”, ou “entendi que estava errado”,

“vim até aqui para dizer que te amo”, ou ainda “você está mais bonita que nunca”.

Decidi por “Olá”. Como se ela nunca tivesse partido. Como se tivesse

passado apenas um dia, e não dois anos, nove meses, 11 dias e 11 horas.

E ela precisa entender que eu mudei, enquanto caminhava pelos mesmos

lugares onde esteve, e que eu jamais soube - ou jamais me interessei. Vira o pedaço de tecido ensangüentado na mão de um mendigo, de jovens e senhores que se apresentavam em um restaurante em Paris, de um pintor, do meu médico, de um rapaz que dizia ter visões e escutar vozes. Enquanto seguia sua pista, conheci a mulher com quem tinha me casado, e redescobri o sentido de minha vida, que tinha mudado tanto e agora mudava mais uma vez.

Embora casado por tanto tempo, jamais conheci direito minha mulher: eu

havia criado uma “história de amor” igual às que via nos filmes, lia nos livros, nas revistas, assistia nos programas de televisão. Na minha história, o “amor” era algo que crescia, chegava a determinado tamanho, e a partir dali era apenas uma questão de mantê-lo vivo como uma planta, regando-o de vez em quando,

cortando as folhas secas. “Amor” era também sinônimo de ternura, segurança, prestígio, conforto, sucesso. “Amor” se traduzia em sorrisos, em palavras como

“eu te amo”, ou “adoro quando você chega em casa”.

Mas as coisas eram mais confusas do que eu pensava: vez por outra, amava

Esther perdidamente antes de atravessar uma rua e, quando chegava à calçada do outro lado, já estava me sentindo aprisionado, triste por ter me comprometido com alguém, louco para poder partir de novo em busca de aventura. E pensava:

“já não a amo mais.” E quando o amor voltava com a mesma intensidade que

antes, eu tinha dúvidas, e dizia para mim mesmo “acho que estou acostumado”.

Esther possivelmente tinha os mesmos pensamentos, e podia dizer a si

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