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Электронная книга - «O Zahir». Краткое содержание книги:

O Zahir
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- Gostaria de saber os mandamentos de Jante - interrompe o jornalista,

parecendo genuinamente interessado.

- Não tenho aqui, mas posso resumir o texto completo.

Fui até meu computador e imprimi uma versão condensada e editada:

Você não é ninguém, não ouse pensar que sabe mais que nós.

Você não tem nenhuma importância,: não consegue fazer nada direito,

seu trabalho é insignificante, não nos desafie e poderá viver feliz.

Sempre leve a sério o que dizemos, e jamais ria de nossas opiniões.

O jornalista dobrou o papel e colocou-o em seu bolso.

- Tem razão. Se você não é nada, se seu trabalho não tem repercussão, então ele merece ser elogiado. Mas quem sair da mediocridade, fizer sucesso, está desafiando a lei, merece ser punido.

Que bom que ele chegara sozinho a esta conclusão.

- Não só os críticos - eu completei. - Muito mais gente do que você pensa.

No meio da tarde, telefonei para o celular de Mikhail.

- Vamos juntos.

Ele não demonstrou qualquer surpresa; apenas agradeceu e perguntou o que

me tinha feito mudar de idéia.

- Durante dois anos, minha vida se resumia ao Zahir. Desde que encontrei

você, passei a percorrer um caminho que tinha sido esquecido, uma estrada de ferro abandonada, com grama crescendo entre os trilhos, mas que ainda serve para os trens passarem. Como não cheguei à estação final, não tenho como parar no caminho.

Ele perguntou se tinha conseguido meu visto; expliquei que o Banco de

Favores era muito ativo em minha vida: um amigo russo havia telefonado para sua namorada, diretora de uma cadeia de jornais no Casaquistão. Ela ligara para o embaixador em Paris, e até o final da tarde devia estar tudo pronto.

- Quando partimos?

- Amanhã. Só preciso do seu verdadeiro nome, para poder comprar os

bilhetes - a agência está esperando na outra linha.

- Antes de desligar, quero dizer algo: gostei do seu exemplo sobre a

distância dos trilhos, gostei do seu exemplo da estrada de ferro abandonada. Mas, neste caso, não creio que esteja me convidando por isso. Acho que é por causa de um texto que você escreveu, que sei de memória, sua mulher costumava citá-lo, e é muito mais romântico do que o tal “Banco de Favores”:

Um guerreiro da luz nunca esquece a gratidão.

Durante a luta, foi ajudado pelos anjos; as forças celestiais

colocaram cada coisa em seu lugar, e permitiram que ele pudesse dar

o melhor de si. Por isso, quando o sol se põe, ajoelha-se e agradece o Manto Protetor a sua volta.

Os companheiros comentam: “como tem sorte!” Mas ele entende

que “sorte” é saber olhar para os lados, e ver onde estão seus amigos: porque foi através do que eles diziam, que os anjos conseguiram se

fazer ouvir.

- Nem sempre me lembro do que escrevi, mas fico contente. Até logo, preciso dar seu nome para a agência de viagens.

inte minutos para que a central de táxis atenda o telefone. A voz mal-

humorada me diz que preciso esperar outra meia hora. Marie parece

V estar alegre em seu exuberante e sensual vestido preto, e lembro-me do restaurante armênio, quando o senhor falou em ficar excitado ao saber que sua mulher era desejada pelos outros. Sei que na festa de gala todas as mulheres estarão vestidas de tal maneira que os seios e as curvas se transformem no centro de atenção dos olhares, e seus maridos ou namorados, sabendo que elas são desejadas, pensam: “isso, desfrutem de longe, porque ela está comigo, eu posso, eu sou o melhor, eu consegui algo que vocês gostariam de ter.”

Não vou realizar nenhum negócio, não vou assinar contratos, não vou dar

entrevistas - apenas assistirei a uma cerimônia, pagarei um depósito que foi feito no Banco de Favores, jantarei com alguém aborrecido ao meu lado, que vai me perguntar de onde vem a inspiração dos meus livros. Do outro lado,

possivelmente estará um par de seios à mostra, talvez a mulher de um amigo meu, e eu terei que me controlar o tempo todo para não abaixar os olhos, porque se fizer isso por um segundo, ela vai contar ao marido que eu a estava tentando seduzir. Enquanto esperamos o táxi, faço uma lista de assuntos que podem surgir: A) comentários sobre a aparência: “como você está elegante”, “como seu

vestido é bonito”, “sua pele está ótima”. Quando voltam para casa, comentam com o outro que todos estavam malvestidos, com aparência doentia.

B) viagens recentes: “você tem que conhecer Aruba, é fantástico”, “nada

melhor que uma noite de verão em Cancun, tomando Martini à beira do mar”. Na verdade, ninguém se divertiu muito, apenas tiveram a sensação de liberdade por alguns dias, e são obrigados a gostar porque gastaram dinheiro.

C) mais viagens, desta vez para lugares que podem ser criticados: “ estive no Rio de Janeiro, não pode imaginar que cidade violenta”, “é impressionante a miséria nas ruas de Calcutá”. No fundo, foram apenas para sentir-se poderosos enquanto estavam longe, e privilegiados quando voltam para a realidade

mesquinha de suas vidas, onde pelo menos não há miséria nem violência.

D) novas terapias: “suco de grama de trigo durante uma semana melhora a

aparência dos cabelos”, “fiquei dois dias em um spa em Biarritz, a água abre os poros e elimina toxinas”. Na semana seguinte, descobrirão que grama de trigo não possui nenhuma qualidade, e que qualquer água quente abre os poros e

elimina as toxinas.

E) os outros: “faz tempo que não vejo fulano, o que andará fazendo?”,

“soube que tal senhora vendeu seu apartamento porque está em situação difícil”.

Pode-se falar dos que não foram convidados para a festa em questão, pode-se criticar desde que no final se faça um ar inocente, piedoso, e termine-se dizendo

“mas, mesmo assim, é uma pessoa extraordinária”.

F) pequenas reclamações pessoais, só para dar um pouco de sabor à mesa:

“gostaria que algo de novo acontecesse em minha vida”, “estou preocupadíssimo com meus filhos, aquilo que escutam não é música, o que lêem não é literatura”.

Ficam aguardando comentários de gente com o mesmo problema, sentem-se

menos sós, e saem alegres.

G) em festas intelectuais, como deve ser a de hoje, discutiremos a guerra no Oriente Médio, os problemas do islamismo, a nova exposição, o filósofo da moda, o livro fantástico que ninguém conhece, a música que já não é a mesma; daremos nossas opiniões inteligentes, sensatas, completamente contrárias a tudo que pensamos - sabemos o quanto nos custa ir a tais exposições, ler estes livros insuportáveis, assistir a filmes aborrecidíssimos, só para ter o que conversar em uma noite como esta.

O táxi chega e, enquanto nos dirigimos ao local, acrescento mais uma coisa muito pessoal à minha lista: reclamar com Marie que detesto jantares. Faço isso, ela diz que no final sempre termino me divertindo e adorando - o que é verdade.

Entramos em um dos restaurantes mais chiques da cidade, nos dirigimos a

uma sala reservada ao evento - um prêmio literário do qual participei como jurado. Todos de pé, conversando, alguns me cumprimentam, outros apenas me olham e comentam alguma coisa entre si, o organizador do prêmio vem até mim, me apresenta a pessoas que estão ali, sempre com a irritante frase: “este você sabe quem é”. Alguns sorriem e reconhecem, outros sorriem apenas, não

reconhecem, mas fingem que sabem quem sou - porque admitir o contrário seria aceitar que o mundo em que viviam não existe mais, que não estão

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Главный герой
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