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Электронная книга - «O Zahir». Краткое содержание книги:

O Zahir
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Ninguém sabia, e ninguém estava interessado. O comentário sobre amor

havia desfeito por completo o clima de alegria, e voltamos a conversar sobre prêmios literários, exposições em museus, o filme que acabara de ser lançado, a peça de teatro que estava tendo um sucesso maior que o esperado.

omo foi a sua mesa?

- Normal. O de sempre.

C - Pois eu consegui provocar uma discussão interessante sobre dinheiro.

Mas que acabou em tragédia.

- A que horas você viaja?

- Saio daqui às sete e meia da manhã. Você também viaja para Berlim,

podemos tomar o mesmo táxi.

- Para onde está indo?

- Você sabe. Você não me perguntou, mas sabe.

- Sim, eu sei.

- Como também sabe que estamos dizendo adeus neste momento.

- Podíamos voltar ao tempo em que o conheci: um homem em frangalhos

por alguém que partiu, e uma mulher perdidamente apaixonada por alguém que morava ao lado Podia tornar a dizer o que lhe disse um dia: vou lutar até o final.

Lutei, e perdi - agora pretendo curar minhas feridas e partir para outra.

- Também lutei, também perdi. Não estou tentando costurar o que se

rasgou: apenas quero ir até o final.

- Sofro todos os dias, você sabia disso? Sofro há muitos meses, tentando

mostrar como o amo, como as coisas são importantes apenas quando você está ao meu lado.” Mas agora, mesmo sofrendo, decidi que basta. Acabou. Cansei.

Desde aquela noite em Zagreb, abaixei a guarda e disse para mim mesma: se vier o próximo golpe, que venha. Que me coloque na lona, que eu saia nocauteada, um dia vou me recuperar.”

- Você encontrará alguém.

- Claro que sim: sou jovem, bonita, inteligente e desejada. Mas será

impossível viver tudo aquilo que vivi com você.

- Você encontrará outras emoções. E saiba, mesmo que não acredite, que eu a amei enquanto estivemos juntos.

- Tenho certeza, mas isso não diminui em nada minha dor. Iremos amanhã

em táxis separados: detesto despedidas, principalmente em aeroportos ou

estações de trem.

ormiremos aqui hoje, e amanhã partiremos a cavalo. Meu carro

não consegue passar pela areia da estepe.

- D Estamos em uma espécie de bunker que parecia remanescente da

Segunda Guerra Mundial. Um senhor, com sua mulher e sua neta nos deram as boas-vindas e nos mostraram um quarto simples, mas limpo. Dos continuou:

- E não esqueça: escolha um nome.

- Não creio que isso lhe interesse - disse Mikhail.

- Claro que interessa - insistiu Dos. - Estive com sua mulher recentemente.

Sei como pensa, sei o que descobriu, sei o que espera.

A voz de Dos era gentil e afirmativa ao mesmo tempo. Sim, eu escolheria

um nome, eu seguiria exatamente aquilo que me era sugerido, eu continuaria a deixar minha história pessoal de lado e entrar na minha lenda - nem que fosse simplesmente por puro cansaço.

Estava exausto, dormira apenas duas horas na noite anterior: meu corpo

ainda não tinha conseguido acostumar-se à gigantesca diferença horária. Chegara em Almaty por volta das 11 da noite - hora local - quando na França eram seis da tarde. Mikhail me deixara no hotel, cochilei um pouco, acordei de madrugada, olhei as luzes lá embaixo, pensei que em Paris era hora de sair para jantar, estava com fome, perguntei se o serviço de quarto do hotel podia me servir alguma coisa: “Claro, mas o senhor deve fazer um esforço e tentar dormir, ou seu organismo irá continuar com os mesmos horários da Europa.”

Para mim, a maior tortura que existe é ficar tentando dormir; comi um

sanduíche e resolvi caminhar. Fiz a pergunta de sempre ao recepcionista do hoteclass="underline"

“E perigoso sair a essa hora?” Ele disse que não, e eu comecei a passear por aquelas ruas vazias, os becos estreitos, as avenidas largas, uma cidade como qualquer outra - com seus letreiros luminosos, seus carros de polícia que passavam de vez em quando, um mendigo aqui, uma prostituta ali. Eu precisava repetir constantemente em voz alta: “estou no Casaquistão!” Ou terminaria achando que era apenas em um bairro de Paris que não conhecia direito.

“Estou no Casaquistão!”, dizia para a cidade deserta, até que uma voz

respondeu:

- Claro que você está no Casaquistão.

Levei um susto. Ao meu lado, sentado em um banco de praça àquela hora

da noite, um homem com uma mochila ao seu lado. Levantou-se, apresentou-se como Jan, nascido na Holanda, e completou:

- E sei o que veio fazer aqui.

Um amigo de Mikhail? Alguém da polícia secreta que estava me

acompanhando?

- O que vim fazer?

- A mesma coisa que estou fazendo desde Istambul, na Turquia: percorrer a Rota da Seda.

Dei um suspiro de alívio. E resolvi continuar a conversa.

- A pé? Pelo que entendo, está atravessando a Ásia inteira.

- Precisava disso. Estava descontente com minha vida - tenho dinheiro,

mulher, filhos, sou dono de uma fábrica de meias em Rotterdam. Durante um período, sabia pelo que estava lutando - a estabilidade de minha família. Agora já não sei mais; tudo que antes me deixava contente hoje me deixa entediado, aborrecido. Em nome do meu casamento, do meu amor por meus filhos, do meu entusiasmo pelo trabalho, resolvi tirar dois meses para mim mesmo, olhar minha vida de longe. Está dando resultado.

- Tenho feito a mesma coisa nestes meses mais recentes. Existem muitos

peregrinos?

- Muitos. Muitíssimos. Existem também problemas de segurança, já que

certos países estão em uma situação política muito complicada, e detestam os ocidentais. Mas a gente sempre dá um jeito: em todas as épocas, penso que os peregrinos são respeitados, depois de provar que não são espiões. Mas, pelo que entendo, não é esse o seu objetivo: o que está fazendo em Almaty?

- A mesma coisa que você: vim terminar um caminho. Também não

conseguiu dormir?

- Acabo de acordar. Quanto mais cedo sair, mais chances tenho de alcançar a próxima cidade - caso contrário, terei que passar a próxima noite no frio da estepe, com o vento que não pára nunca.

- Boa viagem, então.

- Fique mais um pouco: preciso conversar, dividir minha experiência. A

maioria dos peregrinos não fala inglês.

E começou a me contar sua vida, enquanto eu tentava me lembrar o que

sabia da Rota da Seda, a antiga via de comércio que ligava a Europa aos países do Oriente. O caminho mais tradicional partia de Beirute, passava por Antioquia e ia até a margem do rio Amarelo, na China, mas na Ásia Central ela se

transformava em uma espécie de teia, com estradas em muitas direções, de modo a permitir o estabelecimento de postos de comércio, que mais tarde se

transformariam em cidades, que seriam destruídas por lutas entre tribos rivais, reconstruídas por seus habitantes, novamente destruídas e mais uma vez

ressuscitadas. Embora por ali trafegasse praticamente tudo - ouro, animais exóticos, marfim, sementes, idéias políticas, grupos de refugiados das guerras civis, bandidos armados, exércitos privados para proteger as caravanas -, a seda era o produto mais raro, e o mais cobiçado. Fora graças a uma das ramificações da rota que o budismo tinha viajado da China até a índia.

- Parti de Antioquia com apenas duzentos dólares - disse o holandês, depois de descrever montanhas, paisagens, tribos exóticas, constantes problemas com patrulhas e policiais de diversos países. - Não sei se entende o que quero dizer, mas precisava saber se era capaz de voltar a ser quem sou.

- Entendo mais do que pensa.

- Fui obrigado a mendigar, a pedir: para minha surpresa, as pessoas são

muito mais generosas do que imaginava.

Mendigar? Eu olhei cuidadosamente sua mochila e sua roupa, para ver se

achava o tal símbolo da “tribo”, mas não vi nada.

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