A Herdeira [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1985
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «A Herdeira [em Português]». Краткое содержание книги:
- Por favor, peça ao Sr. Williams para vir até aqui.
A Roffe and Sons não podia ser responsável por uma coisa tão horrível quanto aquela.
- A culpa foi nossa - disse Rhys. -Uma partida de medicamentos com rótulos errados. Conseguimos recolher quase tudo, mas em alguns casos não foi possível…
- Há quanto tempo aconteceu isso?
- Há quase quatro anos.
- Quantas pessoas foram prejudicadas?
- Cerca de cem. Todas foram indenizadas. Nem todos os casos foram tão graves assim. Escute, Elizabeth, temos o máximo cuidado. Todas as precauções de segurança são tomadas, mas, afinal, as pessoas são humanas e podem errar.
Elizabeth continuava a olhar para a fotografia.
- Isso é horrível!
- Não deviam ter deixado esta carta chegar às suas mãos. - Passou a mão pelos bastos cabelos pretos e acrescentou: -A ocasião é horrível, mas devo dizer-lhe que temos problemas mais importantes do que este..
- Não acredito, mas pode falar.
- A Administração Federal de Drogas acaba de chegar a uma decisão contra nós no caso sprays. Dentro de dois anos, os produtos com aerossol serão inteiramente proibidos.
- O que significa isso para nós?
- Não poderia ser pior. Teremos de fechar meia dúzia de fábricas através do mundo e perder um dos nossos melhores produtos.
Elizabeth pensou em Emil Joeppli e no medicamento que ele estava preparando, nada disse a Rhys.
- Que mais?
- Já leu os jornais?
- Não.
- A esposa de um ministro belga, Madame Van den Logh, tomou alguns comprimidos de Benexan.
- É um dos nossos medicamentos?
- Sim. Um anti-histamínico. É contra-indicado para as pessoas portadoras de hipertensão. O rótulo contém a advertência. Ela tomou os comprimidos, apesar disso.
- E que foi que aconteceu?
- Está em coma. Talvez não escape. Os jornais salientam o fato de que se trata de um produto nosso. Há cancelamento de encomendas em todo mundo. A Administração Federal de Drogas já nos avisou que vai iniciar uma investigação, mas isso durará no mínimo um ano. E enquanto não acabarem, poderemos continuar a vender o medicamento.
- Quero que ele seja retirado do mercado - disse Elizabeth.
- Não há motivo para fazer isso. É um remédio muito bom para…
- Já teve efeitos prejudiciais em outras pessoas?
- Centenas de milhares de pessoas foram beneficiadas - disse Rhys. -Estou lhe dizendo que é um dos nossos melhores medicamentos.
- Não respondeu à minha pergunta.
- Creio que houve alguns casos isolados, mas…
- Quero que seja retirado do mercado. Imediatamente.
Rhys ficou alguns instantes calado, procurando dominar a sua irritação. Por fim, perguntou:
- Quer saber quanto isso vai custar à companhia?
- Não.
- Está bem. Até agora só soube das boas notícias. As más: os banqueiros querem nova reunião com você. Agora mesmo. Querem receber o dinheiro.
Elizabeth ficou no escritório sozinha, pensando no menino mongolóide e na mulher que estava em coma porque tomara um remédio produzido pela companhia. Ela bem sabia que tragédias dessa espécie atingiam outras companhias de produtos farmacêuticos e não apenas a Roffe and Sons. Os jornais publicavam quase diariamente casos semelhantes, mas a reação dela nunca fora tão forte. Sentia-se pessoalmente responsável. Ia ter uma conferência com os chefes dos departamentos para ver a possibilidade de se reforçarem as medidas de segurança. "Este é meu belo filho John."
"Madame Van den Logh está em coma e pode morrer." "Os banqueiros querem receber o dinheiro." Sentia-se atordoada, como se tudo começasse a desabar ao mesmo tempo sobre sua cabeça. Pela primeira vez, Elizabeth duvidou seriamente de que fosse capaz de enfrentar tudo aquilo. As cargas eram muito pesadas e estavam se acumulando com muita rapidez. Voltou-se um pouco na cadeira para olhar na parede o retrato do velho Samuel. Parecia tão capaz e tão seguro! No entanto, ela sabia das dúvidas, das incertezas e dos desesperos que o haviam acometido. Mas ele havia superado tudo. Ela conseguiria sobreviver também. Era uma Roffe.
Notou que o retrato estava ligeiramente inclinado. Devia ser consequência da queda do elevador. Levantou-se para endireitá-lo. No momento em que tocou no retrato, o gancho que o prendia à parede se soltou e o quadro caiu. Elizabeth nem olhou para ele.
Estava com os olhos fixos na parede. No lugar onde estivera o retrato, havia um pequeno microfone preso à parede.
Eram quatro horas da madrugada e Emil Joeppli ainda estava trabalhando.
Nos últimos tempos, costumava trabalhar até muito tarde. Ainda que Elizabeth Roffe não tivesse estabelecido um prazo para a conclusão dos seus trabalhos, Joeppli sabia como o seu projeto era importante para a companhia e queria acabar o mais depressa possível. Tinha ouvido rumores alarmantes sobre a situação da Roffe and Sons.
Queria fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para ajudar a companhia que havia sido muito boa para ele. Recebia um bom trabalho e gozava de inteira liberdade.
Gostava muito de Sam Roffe, e gostava da filha dele também. Elizabeth Roffe nunca saberia disso, mas aquelas horas extras de trabalho eram um presente especial para ela. Debruçou-se sobre a sua mesa, conferindo os resultados de sua última experiência. Eram mais promissoras do que ele havia esperado. Ficou sentado, em profunda concentração. Não tomava conhecimento do mau cheiro dos animais engaiolados no laboratório, da unidade intensa da sala ou do adiantado da hora.
A porta se abriu, e Sepp Nolan, o vigia noturno, entrou. Nolan detestava aquele serviço. Dava-lhe arrepios andar à noite pelos laboratórios experimentais desertos. Os cheiros dos animais presos provocavam-lhe engulhos. Nolan gostaria de saber se os animais ali mortos tinham alma e voltavam para aterrorizar os corredores. Devia requerer um pagamento extra para aturar os fantasmas dos bichos. Todo mundo no edifício já fora para casa há muito tempo. Só o cientista louco ainda estava ali entre seus bichos.
- Vai demorar muito ainda, doutor? - perguntou Nolan.
Joeppli levantou a vista, tomando pela primeira vez conhecimento do vigia.
- O quê?
- Se vai ficar aqui ainda, posso ir buscar uma sanduíche ou o que quiser. Estou indo à cantina.
- Só café - murmurou Joeppli, voltando aos seus papéis.
- Vou fechar a porta principal para ir à cantina. Não demoro.
Joeppli nem o ouviu. Dez minutos depois, a porta do laboratório foi de novo aberta, e alguém disse:
- Está trabalhando até bem tarde, Emil.
Joeppli levantou a vista, espantado. Quando viu quem era, ergueu-se da cadeira.
De certo modo, era uma honra que aquele homem tivesse ido vê-lo.
- É preciso, chefe - murmurou.
- O projeto da Fonte da juventude é muito secreto, não é?
Emil Joeppli hesitou. A Senhorita Roffe havia dito que ninguém devia saber dos seus trabalhos. Mas, sem dúvida, essa determinação não podia estender-se àquela pessoa. Fora aquele homem o responsável por sua entrada na companhia. Por isso, sorriu e disse:
- Sim, senhor. Muito secreto.
- Ótimo. Continue assim. Como vai tudo?
- Magnificamente.
O visitante se encaminhou para uma das gaiolas de coelhos, e Emil Joeppli o acompanhou.
- Quer que lhe explique alguma coisa?
- Não é preciso - disse o homem, sorrindo. - Estou mais ou menos a par de tudo.
Quando o visitante se voltou para sair, roçou o braço em um prato vazio de rações que estava em uma prateleira e o prato caiu no chão.
- Desculpe.
- Pode deixar que eu apanho - disse Joeppli. Quando se abaixou para pegar o prato, sentiu a parte posterior da cabeça explodir numa chuva rubra e a última coisa de que teve consciência foi de que o chão subia ao seu encontro.
O toque insistente da campainha do telefone acordou Elizabeth. Sentouse na cama, tonta de sono, e olhou para o relógio digital na mesinha. Cinco horas da manhã.