A Herdeira [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1985
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «A Herdeira [em Português]». Краткое содержание книги:
- Os cabos do elevador foram cortados - disse Max. - Quando o elevador caiu, todos os dispositivos de segurança pifaram. Parece…
- Vi os laudos dos técnicos, Hornung. Tudo foi resultado de um desgaste normal dos cabos e dos dispositivos.
- Não, inspetor. Estudei minuciosamente as especificações. Tudo devia durar mais cinco ou seis anos. - Schmied sentiu uma contração no rosto. - Que está querendo dizer?
- Alguém sabotou o elevador.
- Por que iria fazer isso?
- É o que eu gostaria de descobrir.
- Quer voltar à Roffe and Sons?
- Não, inspetor. Quero ir a Chamonix.
A cidade de Chamonix fica sessenta e cinco quilômetros a sudeste de Genebra, mil e cinqüenta metros acima do nível do mar, no departamento francês de Haute-Savoie, entre o maciço monte Branco e a cadeia de Aiguille Rouge, com uma das vistas mais deslumbrantes do mundo.
O detetive Max Hornung estava completamente indiferente ao cenário quando desembarcou do combóio na estação de Chamonix, carregando uma velha maleta barata.
Recusou um táxi e dirigiu-se a pé para a delegacia de polícia, um pequeno prédio da praça principal, no centro da cidade. Max entrou, sentiu-se no mesmo instante à vontade, confiante na camaradagem existente entre os polícias do mundo inteiro. Era um deles. O sargento francês olhou de sua mesa e perguntou:
- Será que posso ajudar?
- Sim.- respondeu Max, todo alegre. Começou então a falar. Max atacava todas as línguas estrangeiras da mesma forma. Abria caminho através da selva impenetrável dos verbos regulares, pretéritos e particípios, usando a sua língua materna como um facão.
Enquanto ele falava, a expressão no rosto do sargento se transformou de confusão em incredulidade. O povo francês levava centenas de anos desenvolvendo línguas, abóbadas palatinas e laringes para formar a gloriosa musicalidade da língua francesa. Aquele homem diante dele conseguira transformá-la numa série de ruídos horríveis e incompreensíveis. Afinal, o sargento não agüentou mais. Interrompeu-o e perguntou:
- Afinal, o que está querendo dizer?
Max respondeu:
- Não compreendeu? Estou falando francês.
O sargento curvou-se sobre a mesa e perguntou com sincera curiosidade.
- Você está falando francês agora?
Max pensou que aquele idiota não sabia sequer falar a sua própria língua. Tirou a sua carteira e passou-a às mãos do sargento. Este a examinou com todo cuidado, olhando de vez em quando para Max. Era impossível crer que o homem que estava à sua frente fosse um detetive. Devolveu por fim a carteira a Max e perguntou:
- Em que posso servi-lo?
- Estou investigando um acidente que houve aqui há dois meses. O nome da vítima era Sam Roffe.
- Lembro-me desse caso - disse o sargento.
- Gostaria de falar com alguém que pudesse me dar alguma informação sobre o acidente.
- Deve procurar a organização de socorros aos alpinistas. O nome exato é Société Chamoniarde de Secours en Montagne. Fica no Place du Mont Blanc. O número do telefone é 531689. Pode obter também alguma informação na clínica. Fica na Rue du Valai, telefone 530182. Espere que eu escrevo tudo.
- Não preciso - disse Max. - Société Chamoniarde de Secours en Montagne, Place du Mont Blanc, 531689. A clínica é na Rue du Valai, 530182.
O sargento ainda parecia espantado muito tempo depois de Max ter saído.
A Société Chamoniarde de Secours estava sob a guarda de um moço moreno e de aspecto atlético, sentado a uma velha mesa de pinho. Ele viu Max entrar e no mesmo instante pensou que era bem pouco provável que aquele homem esquisito pretendesse escalar alguma montanha.
- Que deseja?
- Sou o detetive Max - disse, mostrando a sua carteira.
- Em que posso servi-lo, detetive Hornung?
- Estou investigando a morte de um homem chamado Sam Roffe.
- Pois não. Eu gostava muito do Sr. Roffe. Foi um acidente muito triste.
- Estava presente quando ocorreu o acidente?
- Não.Subi com minha turma de socorro logo que recebi os sinais, mas infelizmente nada mais pudemos fazer. O corpo do Sr. Roffe tinha caído em uma ravina profunda. Nunca mais será encontrado.
- Como foi que tudo aconteceu?
- O grupo era composto de quatro alpinistas. O Sr. Roffe e o guia eram os últimos.
Segundo me parece, estavam atravessando uma morena glacial. O Sr. Roffe escorregou e caiu.
- Não estava usando equipamento de proteção?
- Estava, mas a corda arrebentou.
- É comum acontecer uma coisa dessas?
- Só aconteceu uma vez - disse o homem com um sorriso por sua gracinha, mas viu a cara do detetive e apressou-se em acrescentar: - Os alpinistas experientes sempre verificam o seu equipamento cuidadosamente antes de qualquer subida, mas, ainda assim, acontecem acidentes.
Max pensou por um momento.
- Gostaria de falar com o guia de Sam Roffe.
- O guia habitual do Sr. Roffe não pôde subir nesse dia.
- Por quê?
- Se não me engano, estava doente. Outro guia tomou o seu lugar.
- Sabe como se chama?
- Se esperar um pouco, posso lhe dizer. O homem desapareceu numa sala contínua e voltou minutos depois, com um papel na mão. - Aqui está o nome do guia:
Hans Bergmann.
- Onde posso encontrá-lo?
- Ele não é daqui. Mora numa aldeia chamada Lesgets. Fica a cerca de sessenta quilômetros daqui.
Antes de Max sair de Chamonix, passou pela portaria do Kleine Scheidegg Hotel e falou com a recepcionista.
- Estava trabalhando quando Sam Roffe esteve hospedado aqui?
- Estava, sim. Foi uma coisa triste aquele acidente.
- O Sr. Roffe estava sozinho?
- Não. Estava com um amigo.
- Um amigo? Tem certeza?
- Tenho. O Sr. Roffe fez as reservas dos quartos para os dois.
- Pode me dizer o nome desse amigo?
- Sem dúvida. - Abriu o livro de registro, virou algumas páginas, Correu o dedo e disse: - Aqui está…
Max levou quase três horas para chegar a Lesgets no Volkswagen, o carro mais barato que encontrou para alugar em Chamonix. Quase passou reto.
Não era sequer uma aldeia. Algumas lojas, uma cabana alpina e um armazém com uma bomba de gasolina. Max parou o carro e entrou na cabana. Havia meia dúzia de homens conversando diante da lareira acesa, mas a conversa cessou no momento que ele entrou.
- Desculpem, mas quero falar com o Sr. Hans Bergnann.
- Com quem?
- Com Hans Bergnann, o guia. Ele está na aldeia.
Um velho com um rosto bastante enrugado cuspiu na lareira e disse:
- Devem ter feito uma brincadeira com o senhor. Nunca ouvi falar de nenhum Hans Bergnann.
Capítulo 34 Era o primeiro dia em que Elizabeth ia ao escritório depois da morte de Kate Erling, uma semana antes. Entrou nervosamente no vestíbulo do térreo, respondendo mecanicamente aos comprimentos do porteiro e do guarda. Viu, nos fundos, operários que consertavam as portas destruídas do elevador. Pensou em Kate Erling e imaginou o terror que ela devia ter sentido, quando caiu para a morte da altura de doze andares.
Elizabeth sabia que nunca mais seria capaz de entrar naquele elevador.
Quando entrou no escritório, a sua correspondência já tinha sido aberta por Henriette, a nova secretária, que havia colocado tudo bem arrumado em cima de sua mesa.
Elizabeth passou os olhos rapidamente por tudo, escrevendo notas para as respostas e encaminhando os casos para vários departamentos. Embaixo, havia um grande envelope fechado com uma observação: "Elizabeth Roffe - Pessoal". Abriu-o com os olhos esbugalhados. Preso à fotografia, havia o seguinte bilhete: "Este é meu belo filho John. Foram as drogas que provocaram isso. Vou matá-la".
Elizabeth deixou cair o bilhete e a fotografia e percebeu que suas mãos estavam trêmulas. Henriette entrou na sala com alguns papéis.
- Aqui estão alguns papéis para serem assinados -disse ela, mas viu o rosto de Elizabeth e perguntou: - Aconteceu alguma coisa?