A Herdeira [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1985
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «A Herdeira [em Português]». Краткое содержание книги:
Apesar de suas resoluções e dos seus exercícios respiratórios, o inspetor-chefe Schmied falava aos gritos:
- Você estava de plantão quando foi recebida a comunicação. Cabia-lhe investigar o acidente, você só chegou catorze horas depois. Durante esse tempo, toda a polícia da Nova Zelândia podia ter vindo até aqui e voltado, depois de investigar o caso.
- Não inspetor! Está enganado. O tempo de uma viagem da Nova Zelândia até aqui em um avião a jato é de…
- Ora, cale a boca! - Schmied passou a mão pelos cabelos, pensando no que iria dizer àquele homem. Não era possível insultá-lo, nem tentar argumentar com ele. Era apenas um pobre imbecil de sorte. - Não posso tolerar incompetência no meu departamento, Hornung. Quando os outros detetives chegaram aqui e viram a comunicação, foram imediatamente para o local do acidente. Chamaram uma viatura, levaram o corpo para o necrotério, depois de identificá-lo… Em suma, Hornung, fizeram tudo o que um bom detetive tinha de fazer. Enquanto isso, você esteve calmamente sentado, acordando pelo telefone metade dos homens mais importantes da Suíça…
- Pensei que…
- Não é preciso pensar. Passei a manhã toda pedindo desculpas pelo telefone por sua causa.
- Eu tinha de saber…
- Retire-se, Hornung!
- Está bem. Posso ir ao enterro hoje de manhã?
- Pode, sim!
- Obrigado, inspetor! Eu…
- Pode ir!
Só meia hora depois, o inspetor-chefe Schmied conseguiu respirar normalmente.
Capítulo 32 A capela funerária em Shilfeld estava repleta. Era um velho edifício de pedra e mármore, com salas de velório e um crematório. Cerca de duas dezenas de diretores e empregados da Roffe and Sons ocupava a primeira fila de cadeiras. Mais ao fundo, encontrava-se pessoas amigas, representantes da comunidade e repórteres.
Na última fila, estava o detetive Hornung, pensando em como a morte era uma coisa ilógica. O homem atingira seu auge e então, quando tinha o máximo para viver e para dar, morria. Não podia haver maior desperdício e ineficiência.
O caixão era de mogno e estava coberto de flores. Mais desperdício, pensou Hornung. O caixão estava fechado, e ele compreendia o motivo. Um ministro estava falando com uma voz de dia de Juízo Final - "…a morte no meio da vida, nascida do pecado, das cinzas"-, mas Max não prestava muita atenção às palavras. Observava as pessoas presentes. - "O Senhor deu a vida e o Senhor a tomou"-, e as pessoas começaram a levantar-se e encaminhar-se para a saída. A cerimônia estava encerrada.
Max permaneceu próximo à porta e, quando um homem e uma mulher se aproximaram dele, deu um passo em direção à mulher e disse:
- Senhorita Elizabeth Roffe? Poderia dar-me uma palavra?
O detetive Max Hornung estava sentado com Elizabeth Roffe e Rhys Williams em um reservado de uma confeitaria em frente a capela. Pela vitrina, viram o caixão ser levado para um cofre cinzento. Elizabeth olhou para o outro lado.
- Que deseja? - perguntou Rhys. - A Senhorita Roffe já prestou declarações à polícia. O detetive Max Hornung disse:
- É o Sr. Williams, não é? Há apenas alguns detalhes que desejo verificar.
- Não pode deixar para depois? A Senhorita Roffe ainda está abalada com o que aconteceu… Elizabeth tocou no braço de Rhys.
- Não tem importância, desde que eu possa ajudar em alguma coisa. Que deseja saber, detetive Hornung?
Max olhou para Elizabeth e pela primeira vez em sua vida sentiu lhe fugirem as palavras. As mulheres eram tão estranhas para Max, como seres de outro planeta. Eram ilógicas, imprevisíveis, sujeitas a reações mais emocionais que racionais. Não era possível contar com elas. Max tinha poucos impulsos sexuais, pois era orientado pelo cérebro, mas podia apreciar a lógica exata do sexo. Era a construção mecânica de partes móveis que se ajustavam num todo coordenado e funcional que lhe interessava. Era essa a poesia do amor para Max. Era dinamismo puro, e Max notava que os poetas em geral não viam isso. As emoções eram imprecisas e incertas, um desperdício de energia capaz de mover um grão de areia, enquanto a lógica podia impulsionar o mundo. O que espantava Max era o fato de ele se sentir à vontade com Elizabeth. Isso o inquietava.
Nenhuma mulher até então agira sobre ele daquela maneira. Ela não parecia encará-lo como um homem frio e ridículo, como faziam as outras.
Procurou desviar os olhos a fim de concentrar-se.
- Tinha o hábito de trabalhar até altas horas da noite, Senhorita Roffe?
- Quase sempre.
- Até que horas?
- Variava. Às vezes, até às dez horas. Às vezes, até à meia-noite ou um pouco mais.
- Quer dizer, então, que era costume seu? As pessoas que a cercam tinham conhecimento disso? Elizabeth o olhou, um tanto confusa, e murmurou:
- Creio que sim.
- Na noite em que o elevador caiu, trabalhou com o Sr. Williams e Kate Erling até tarde?
- Sim.
- Mas não saíram ao mesmo tempo?
- Eu saí mais cedo. Tinha um compromisso - disse Rhys.
Max olhou-o por um momento e então voltou-se de novo para Elizabeth.
- A senhorita saiu do escritório quanto tempo depois do Sr. Williams?
- Seguramente uma hora.
- Saiu em companhia de Kate Erling?
- Saí. Pegamos os casacos e bolsas e fomos para o corredor. O elevador já estava lá, à nossa espera. O elevador direto e privativo.
- Que aconteceu então?
- Quando entramos no elevador, o telefone do escritório tocou. Kate Erling disse que ia atender. Ela já ia saindo, quando me lembrei que havia pedido um telefonema para o exterior, cuja ligação não se completara. Então eu disse a ela que atenderia. - Elizabeth parou, os olhos subitamente cheios de lágrimas. - Eu saí do elevador. Ela me perguntou se queria que esperasse, e eu lhe disse que não precisava. Ela apertou o botão do térreo e eu voltei ao escritório. Quando estava abrindo a porta, ouvi o barulho…
Não pôde continuar, com a voz embargada pelas lágrimas. Rhys olhou para Max Hornung com o rosto cheio de indignação.
- Não acha que já basta? O que significa tudo isso?
Max Hornung teve vontade de dizer que tudo isso queria dizer crime de morte.
Alguém tinha planejado matar Elizabeth Roffe. Max ficou ali concentrando-se e tentando se lembrar das informações que obtivera nas últimas quarenta e oito horas sobre a Roffe and Sons. Era uma empresa profundamente comprometida, forçada a pagar indenizações astronômicas, solapada por uma publicidade negativa. Perdia clientes e devia quantias enormes aos bancos, que estavam ficando impacientes. O presidente, Sam Roffe, que detinha o controle acionário, havia morrido em um acidente nas montanhas, embora fosse um excelente alpinista. O controle acionário havia passado para a filha dele, Elizabeth, que quase morrera em um acidente com um jipe na Sardenha e escapara havia pouco de morrer em um elevador, o qual passara pouco antes por uma revisão periódica. Alguém estava empenhado em matar. O detetive Max Hornung devia ser no momento um homem feliz.
Encontrara um fio solto. Mas tinha conhecido Elizabeth Roffe, e ela já não era simplesmente um nome, uma equação num enigma matemático. Era uma pessoa muito especial, e Max sentia necessidade de protegê-la.
- Perguntei o que significa isso - disse Rhys.
- Nada - disse vagamente Max. - Rotina da polícia apenas. Agora, com licença.
Tinha um trabalho urgente para fazer.
Capítulo 33 O inspetor-chefe Schmied tivera uma manhã cheia. Tinha havido uma manifestação política diante do escritório das Linhas Aéreas Ibéria e três homens haviam sido detidos para averiguações. Houvera um incêndio de origem suspeita numa fábrica de papel em Brunau. Uma moça fora estuprada no parque de Platspitz. Tinha havido um roubo com vitrinas quebradas em Guebelin e outro em Grima, perto do Baur-au-Lac. E, como se não bastasse, o detetive Max Hornung estava de volta, com uma das suas hipóteses idiotas. O inspetor-chefe recomeçou a abanar-se furiosamente..