A Herdeira [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1985
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «A Herdeira [em Português]». Краткое содержание книги:
- Resolvi vir ajudar um pouco - disse ele simplesmente.
Não explicou onde tinha estado. Por que teria de me dar explicações?, pensou Elizabeth. Ele não me deve nenhuma justificativa. Todos começaram a trabalhar, e o tempo correu célere. Rhys estava inclinado sobre alguns papéis, examinando-os rapidamente, mas sem perder um só detalhe.
Encontrou várias falhas em contratos importantes, que não tinham sido notadas pelos advogados. Por fim, levantou-se, espreguiçou-se e olhou para o relógio.
- Ih! já passa de meia-noite! Estou cansado e tenho um encontro. Virei amanhã bem cedo para acabar de examinar estes contratos.
Elizabeth perguntou-se se o encontro seria com a neurocirurgiã ou com outra.
Conteve-se, porém. O que Rhys Williams fazia com a sua vida particular era assunto exclusivamente dele.
- Desculpe - disse ela. - Não sabia que já era tão tarde. Pode ir. Kate e eu ainda vamos ler alguns papéis.
- Até amanhã, então. Boa noite, Kate.
- Boa noite, Sr. Williams.
Elizabeth viu Rhys sair e voltou ao trabalho. Mas, um momento depois, pensava em Rhys de novo. Devia ter contado a ele os resultados alcançados por Emil Joeppli com o seu projeto. Gostaria de partilhar tudo com ele. Dentro em breve, talvez… À uma hora da madrugada, resolveram encerrar o trabalho.
- Mais alguma coisa, Senhorita Roffe? - perguntou Kate Erling.
- Não. Não há mais nada. Obrigada, Kate. Não se importe com a hora de entrada amanhã. Elizabeth levantou-se e só então percebeu como estava cansada.
- Muito obrigada. Amanhã à tarde, baterei tudo isso à máquina.
- Ótimo,Kate.
Elizabeth pegou o casaco e a bolsa e ficou à espera de Kate. Saíram juntas para o corredor e se encaminharam para o elevador privativo que estava com a porta aberta à espera. As duas entraram no elevador. Quando Elizabeth ia apertar o botão do térreo, ouviram o telefone tocar no escritório.
- Vou atender, Senhorita Roffe. Pode ir descendo - disse Kate Erling saindo do elevador.
Embaixo, o vigia do térreo olhou para o painel de controle dos elevadores quando uma luz vermelha se acendeu e o elevador privativo começou a descer. Isso significava que a Senhorita Roffe vinha descendo.
O vigia voltou-se para o chofer dela, que cochilava a um canto, com um jornal na mão.
- Sua patroa já vem.
O chofer levantou-se e espreguiçou-se. A campainha de alarme quebrou de repente o silêncio do vestíbulo. O vigia olhou para o painel de controle. A luz vermelha descia rapidamente, descontrolada, indicando a queda do elevador.
- Meu Deus! - exclamou o vigia. Correu para o painel dos elevadores e apertou o botão de emergência, para acionar os freios, mas a luz vermelha continuou sua descida veloz. O chofer tinha se aproximado, viu a fisionomia transtornada do vigia e perguntou:
- O que está havendo?
- Saia daqui! - gritou o vigia. - O elevador vai cair.
Correram para bem longe. O vestíbulo começava a vibrar com a velocidade do carro desgovernado dentro do poço, e o guarda desejou que a Senhorita Roffe não estivesse dentro do elevador. Quando o elevador passou pelo vestíbulo, veio do seu interior um grito de terror. Um instante depois, houve um estrondo no fundo do poço, e o edifício tremeu como se tivesse sido atingido por um terremoto.
Capítulo 31 O inspetor-chefe Otto Schmied, da Polícia Criminal de Zurique, estava sentado à sua mesa, respirando profundamente de acordo com os princípios da ioga, procurando acalmar-se e controlar a fúria que o dominava. Havia no processo policial regras tão básicas e evidentes que ainda ninguém julgara necessário incluí-las nos manuais da polícia.
Eram coisas naturais e simples como respirar, dormir e comer. Por exemplo, quando ocorria um acidente fatal, a primeira coisa que um detetive fazia, o primeiro movimento simples, óbvio, natural de um detetive que valia o pão que comia era visitar o local do acidente. Nada poderia ser mais elementar do que isso. Entretanto, bem ali na mesa do inspetor-chefe Otto Schmied estava um relatório do detetive Max Hornung que representava uma violação de todas as normas policiais conhecidas.
Eu só poderia esperar isso, pensou o inspetor. Por que estou tão surpreso? O detetive Hornung era uma pedra no sapato, a bête noire, a Moby do inspetor Schmied, que era um admirador entusiástico do livro Melville. O inspetor respirou de novo profundamente e deixou o ar escapar muito lentamente. Só então, mais calmo, apanhou o relatório de Max Hornung e leu-o de novo, desde o princípio.
"Relatório
Quarta-feira, 7 de novembro. Hora: 1:15 Assunto: Comunicado da mesa telefônica central de um acidente no edifício da administração da Roffe and Sons, na fábrica da Eichenbahn. Tipo do acidente:
Desconhecido. Causa do acidente: Desconhecida. Números de mortos e feridos:
Desconhecido.
Hora: 1:27 Assunto: Segundo comunicado da mesa telefônica, um acidente na Roffe and Sons. Tipo do acidente: Queda de elevador Causa do acidente: Desconhecida. Números de mortos e feridos: Uma mulher, morta.
Iniciei uma investigação limitada. À 1:35 da madrugada, obtive o nome do superintendente do edifício da administração da Roffe And Sons e soube dele o nome do primeiro arquiteto no prédio. 2:30 da madrugada. Encontrei o primeiro arquiteto, que estava comemorando o seu aniversário em La Puce. Deu-me o nome da firma que instalou os elevadores no prédio: Rudolf Schatz, A. G. Às 3:15 da madrugada, telefonei para a casa do Sr. Rudolf Schatz e pedi-lhe que procurasse imediatamente as plantas dos elevadores. Solicitei também os orçamentos, com os cálculos preliminares e as despesas totais. Solicitei ainda uma relação completa de todo o material mecânico elétrico empregado".
Neste ponto, o inspetor Schmied sentiu uma contração espasmódica na face direita. Respirou profundamente várias vezes e continuou a ler.
"6:15. Os documentos solicitados foram-me entregues aqui na chefatura pela esposa do Dr. Schatz. Depois de examiná-los, fiquei convencido do seguinte: a) não houve emprego de material inferior na construção dos elevadores; b) em vista da boa reputação da firma, deve ser excluída a hipótese de trabalho de montagem inferiores como a causa do acidente; c) as medidas de segurança de que foram dotados os elevadores foram satisfatórias; d) minha conclusão, portanto, é que a causa da queda do elevador não foi acidente”. (assinado) Max Hornung, detetive.
N.B. Como os meus telefonemas foram feitos de madrugada, é possível que a polícia receba queixas das pessoas a quem eu possa ter despertado."
O inspetor Schmied jogou o relatório com raiva para um canto da mesa. "Pessoas a quem possa ter despertado!" O inspetor-chefe tinha passado a manhã sob o fogo cruzado dos telefonemas das autoridades do governo suíço. O que ele pensava que a polícia era? Alguma Gestapo? Como se atrevera a acordar o presidente de uma respeitável empresa construtora e ordenou-lhe a entrega de documentos no meio da noite? Como tivera coragem de suspeitar da integridade de uma firma com a Rudolf Schatz? E assim por diante…
Mas o que era mais espantoso, o que era até incrível, era que o detetive Max Hornung só havia aparecido no local do acidente catorze horas depois da comunicação do mesmo! Quando lá chegara, a vítima já fora removida, identificada e autopsiada. Meia dúzia de outros detetives tinham examinado o local do acidente, interrogado testemunhas e redigido relatórios. Quando o inspetor-chefe Schmied acabou de ler o relatório do detetive Max Hornung, mandou chamá-lo ao seu gabinete.
O simples aspecto do detetive Max Hornung já bastava para enfurecer o inspetorchefe.
Max Hornung era um homem baixo, gordo e calvo. O rosto parecia o resultado de uma hora de divertimento de algum humorista. A cabeça era muito grande e as orelhas muito pequenas. A boca parecia uma ameixa comprida. Além de tremendamente míope, Max Hornung ficava dez centímetros abaixo da altura exigida pelos regulamentos da Polícia Criminal de Zurique.