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Электронная книга - «A Herdeira [em Português]». Краткое содержание книги:

A Herdeira [em Português]
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Charles descobriu, horrorizado, que estava urinando nas calças, coisa que não lhe acontecia desde garotinho. Ficou muito vermelho e teve vontade de sair dali para ir trocar de roupa. Não, o que ele queria mesmo era fugir dali e nunca mais voltar.

Hélsne sabia de tudo. Pouco importava como descobrira. Não havia escapatória e não havia piedade. Já era por demais aterrador que Hélsne tivesse descoberto o roubo.

Pior seria quando ela soubesse o motivo, quando soubesse que ele planejava tirar o dinheiro de Hélsne para fugir dela. O inferno em que vivia iria ter redobrada a violência.

Ninguém conhecia Hélsne mais que Charles. Era une sauvage, capaz de tudo.

O destruiria sem um momento de hesitação e o transformaria num clochard, num dos tristes vagabundos esfarrapados que dormem nas ruas de Paris. A vida dele se tornaria de repente uma merda.

- Pensou mesmo que poderia ter êxito com uma coisa tão imbecil? -perguntou Hélsne.

Charles ficou miseravelmente calado. Sentia as calças mais molhadas ainda, mas não tinha coragem de olhar para ela.

- Consegui convencer M. Richaud a contar-me tudo. - Convencer… Charles não queria nem pensar como. - Tenho cópias fotostáticas do recibo do dinheiro que você me roubou. Posso fazê-lo passar vinte anos na cadeia. - Fez uma pausa e acrescentou: - Se eu quiser. As palavras dela só serviam para agravar o pânico de Charles.

A experiência lhe demonstrava que a generosidade de Hélsne era ainda mais perigosa do que a cólera. Charles não tinha ânimo de olhar para ela. Não conseguia imaginar o que ela exigiria dele. Devia ser alguma coisa monstruosa. Hélsne voltou-se para Pierre Richaud.

- Não diga uma palavra sobre isto a ninguém até eu resolver o que fazer.

- Sem dúvida alguma, Madame Roffe-Martel, sem dúvida. E agora, posso…?

Hélsne assentiu, e Pierre Richaud deixou rapidamente a casa.

Hélsne viu-o sair e, em seguida voltou-se para o marido. Podia sentir o cheiro do medo dele. E de alguma coisa mais. Urina. Sorriu. Charles tinha-se urinado de medo.

Havia o adestrado bem. Estava contente com Charles. Era um casamento muito satisfatório. Ensinara Charles, e ele havia reagido muito bem. Era um produto dela. As inovações que ele introduzira na Roffe and Sons eram brilhantes, mas tinham partido todas da cabeça de Hélsne. Ela era uma Roffe. Era rica por direito próprio, e os seus casamentos anteriores lhe haviam dado ainda mais dinheiro. Mas não era por dinheiro que se interessava e, sim, pelo controle da companhia.

Tinha planejado usar as suas ações para comprar mais ações, as ações dos outros. Já conversara com eles sobre isso. Todos haviam concordado em cooperar com ela para a formação de um grupo minoritário. Mas Sam tinha sido um obstáculo aos seus planos e, depois, Elizabeth.

Hélsne, porém, não tencionava deixar que Elizabeth, ou fosse lá quem fosse, a impedisse de conseguir o que desejava. Charles ia conseguir tudo para ela. Se acontecesse algum contratempo, ele serviria de bode expiatório.

Naquele momento, entretanto, ele devia ser punido por sua pequena revolta.

Olhou para ele e disse:

- Ninguém me rouba, Charles. Ninguém. Você está liquidado. A não ser que eu resolva salvá-lo.

Charles estava sentado, desejava vê-la morta, apavorado diante dela. Hélsne se aproximou dele e quase lhe roçou o rosto com as coxas.

- Quer que eu o salve, Charles?

- Quero - disse ele, a voz rouca. Hélsne estava tirando a saia com os olhos faiscando, e ele pensou: Oh, não! Agora não! - Escute então o que lhe vou dizer. A Roffe and Sons é minha companhia. Quero o controle acionário dela.

Charles levantou os olhos para ela do fundo da sua angústia e disse:

- Sabe muito bem que Elizabeth não vai vender.

Hélsne tirou a blusa e as calças.

- Você deve então fazer alguma coisa com ela. Ou isso ou vinte anos de cadeia.

Não se preocupe, que eu lhe direi o que tem de fazer. Mas, primeiro, venha cá, Charles.

Capítulo 30 No dia seguinte, às dez horas da manhã, o telefone direto de Elizabeth tocou. Era Emil Joeppli. Ela lhe havia dado o número do telefone para que ninguém soubesse das conversas entre eles.

- Seria muito bom se eu pudesse vê-la - disse ele, numa voz em que a ansiedade era visível.

- Estarei aí dentro de quinze minutos.

Kate Erling mostrou surpresa quando viu Elizabeth sair do escritório com o casaco e a bolsa.

- Tem hora marcada com… - disse ela.

- Cancele tudo por hora - disse Elizabeth e saiu.

No Edifício de Desenvolvimento, um guarda examinou o cartão de Elizabeth.

- Ultima porta à esquerda, Senhorita Roffe.

Joeppli estava sozinho no laboratório e recebeu-a com entusiasmo.

- Terminei os últimos testes ontem à noite. Dá resultado. As enzimas tolhem inteiramente o processo de envelhecimento. Levou-a até uma gaiola onde havia quatro jovens coelhos irrequietos e animados de incessante vitalidade. Numa gaiola ao lado, viam-se também quatro coelhos, estes mais velhos e apáticos. - Esta é a geração número 500 a receber a enzima - disse Joeppli.

- Parecem sadios - disse Elizabeth, olhando para a gaiola.

- Este é o grupo de controle - disse Joeppli, sorrindo. - Os mais velhos estão à esquerda. Elizabeth olhou para os coelhos cheios de vida que se agitavam na gaiola e quase não pôde acreditar.

- Terão uma sobrevida três vezes maior que os outros. Quando se aplicasse essa relação aos seres humanos, os resultados seriam assombrosos. Elizabeth não podia dissimular seu interesse.

- Quando poderá começar a fazer experiências com seres humanos, Joeppli?

- Estou reunindo minhas anotações. Depois disso, preciso de mais três ou quatro semanas, no máximo.

- Não fale nisso com ninguém, sim?

- Claro que não, Senhorita Roffe. Estou trabalhando sozinho e redobrarei os cuidados.

Toda a tarde foi tomada por uma reunião de diretoria e tudo correu bem. Walther não apareceu. Charles ventilou novamente o assunto da venda das ações, porém Elizabeth opôs firmemente o seu veto. Depois disso, Ivo foi encantador como sempre, e Alec se mostrou mais cavalheiro do que nunca.

Charles parecia excepcionalmente preocupado. Elizabeth gostaria de saber porquê. Convidou todos a ficarem em Zurique e jantarem com ela. Tão displicentemente possível, Elizabeth mencionou os problemas constantes do relatório, esperando alguma espécie de reação, mas não notou nervosismo nem culpa. E todos os que podiam estar envolvidos no caso, à exceção de Walther, estavam sentados à mesa. Rhys não comparecera à reunião nem ao jantar.

Dissera a Elizabeth que tinha um caso urgente para resolver, e ela imaginou logo que se tratava de alguma mulher. Sabia que sempre que Rhys ficava trabalhando com ela até altas horas da noite, tinha de cancelar algum encontro. Certa vez, quando ele não conseguira avisar a tempo a mulher, esta apareceu no escritório. Era uma ruiva sensacional, com um corpo que fazia Elizabeth sentir-se humilhada. Estava furiosa e não procurava ocultar o desagrado que sentia. Rhys levou-a até o elevador e voltou.

- Desculpe, Elizabeth - disse ao voltar. Elizabeth não se conteve.

- Ela é encantadora. O que faz na vida?

- É médica, especializada em neurocirurgia.

Elizabeth riu, mas soube no dia seguinte que a ruiva era realmente médica especializada em neurocirurgia. Tinha havido outras, e Elizabeth sentiu-se mal em todos os casos. Gostaria de compreender Rhys melhor. Conhecia o Rhys Williams gregário e público. Queria conhecer o Rhys Williams íntimo, que vivia escondido sob o outro. Mais de uma vez, tinha pensado que quem deveria estar dirigindo a companhia era Rhys, em lugar de receber ordens dela. Gostaria muito de poder ser franca e ficar sabendo o que Rhys pensava disso.

Naquela noite, depois do jantar, quando os membros da diretoria já haviam se despedido para embarcar em comboios e aviões de volta para casa, Rhys entrou no escritório onde Elizabeth estava trabalhando com Kate Erling.

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